Readaptação de Kimi é ponto de interrogação

 

Qualquer piloto venderia maravilhas sobre a sensação de voltar ao cockpit após um tempo de afastamento, mas Kimi prefere a sinceridade: é meio apertado

Dos seis campeões do mundo que alinharão no grid do GP da Austrália, em menos de dois meses, ele, ao menos diz a lógica, terá o carro mais fraco, mas provavelmente será o que vai despertar mais curiosidade. A volta de Kimi Raikkonen, um dos pilotos mais rápidos que a F-1 viu nos últimos 15 anos, é mais um daqueles sinais de que não adianta prever qual será o próximo passo do finlandês.

Como de costume, os questionamentos em relação a seu comprometimento começaram imediatamente após o anúncio de seu retorno, por uma Lotus com sangue de Toleman, Benetton e Renault. Mas seu retorno em si já joga um belo ponto de interrogação para aqueles que juravam que ele havia ido em busca de sua verdadeira paixão, os ralis, por não suportar o ambiente controlado da F-1.

Na verdade, Kimi pode adotar uma atitude de arrepiar qualquer assessor de imprensa, mas no fundo é um piloto como os outros. Capaz de feitos inacreditáveis com o carro na mão, mas que também tem seus dias de “mortal” quando as coisas não vão bem.

Prova disso são é o fato de que vinha com duas vitórias e outros três pódios no início do campeonato de 2008 e era líder do campeonato quando um pacote de mudanças após o GP da França tornou o carro da Ferrari difícil para seu estilo. Passou a classificar-se mal pois não conseguia fazer os pneus funcionarem (alguém já ouviu isso?) e a andar constantemente atrás do companheiro Felipe Massa. Tanto, que não conseguiu superar o segundo lugar da França, oitava prova do campeonato, nas outras 10 corridas restantes. E a explicação de muitos foi puro desânimo.

Em 2009, a mesma tendência se seguiu e Raikkonen se viu preterido – por ter o maior salário, pela Ferrari acreditar que haveria dois primeiros pilotos mantendo-o ao lado de Alonso, pelo fato do grande mercado em expansão do novo patrocinador ser o Brasil ou pela alardeada “falta de perfil” de piloto Ferrari, difícil saber – em favor de Massa.

Volta agora com uma equipe inteiramente virada para si, com um corpo técnico competente e inclinado a ousadias para compensar a falta de orçamento. E ousadias na F-1 ou dão muito certo, ou muito errado, como o próprio time de Enstone descobriu ano passado.

Volta, também, tendo de descontar dois anos longe da F-1. Ao menos o Kers ele já conhece. De resto, terá como novidades pneus difíceis de manejar, classificação com pouco combustível, corridas táticas devido ao fim do reabastecimento e a asa traseira móvel – aliás, impressionante quanta coisa mudou de 2009 para cá!

Sem tentar fazer elucubrações sobre o estado de espírito do finlandês, o que fica claro é que Raikkonen terá muito trabalho pela frente. Não retorna em uma equipe imediatamente capaz de vencer corridas – a julgar pela segunda metade do campeonato, ainda que não dê para saber quanto a configuração do difusor influa nisso, nem de obter pódios – e tem pouco tempo para se adaptar até o início da temporada.

Em 2007, quando trocou a filosofia e os Michelin da McLaren pela Ferrari de Bridgestone, demorou cerca de meia temporada para se adaptar. Neste ano, já que qualquer previsão no caso de Raikkonen sempre acaba meio furada, como ele mesmo diria, let’s wait and see.

5 comentários sobre “Readaptação de Kimi é ponto de interrogação

  1. Numa Fórmula 1 de respostas pasteurizadas e censurada por assessores de imprensa, vai ser divertido ver o que o Kimi tem a dizer. E o mais legal é que ele é um cara de poucas palavras, mas quando fala não tem papas na língua, principalmente para pergunta idiota.

    Neste primeiro ano, não dá para esperar muita coisa. Mas como será a re-adaptação dele? Melhor e mais rápida do que a do Schumacher?

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  2. Gosto muito do Raikkonen e gostaria que ele voltasse a ser o piloto acima da média que já vimos. Mas acredito ser improvável isso. Mais uma coisa: ele já teve contato com pneus slick em 2009, ainda que os Bridgestone de pedra sejam muito diferentes dos atuais Pirelli.

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  3. pode ser que leve outra meia temporada para se adaptar a todas as mudanças enumeradas no texto, mas creio que o cara está no auge mental (pela sua idade agora), e presumo que não terá dificuldades de lidar com tudo a seu favor a não ser os pneus, que além de concepção totalmente inédita pra ele tomaram para si o elemento de importância tática que havia nos reabastecimentos de gasolina.

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