Mesmo longe do difusor, sopro do escapamento promete seguir como chave

Solução de escapamento utilizada pela Williams nos testes de Abu Dhabi

Antes da temporada 2012 começar, imaginar quem vai se dar melhor com a principal mudança no regulamento, o retorno do escapamento a sua posição “original”, na parte de cima da carenagem, é um tiro no escuro. A McLaren foi a equipe que mais sofreu em Silverstone, ainda que o circuito britânico não seja exatamente um local em que o escapamento sendo soprado sem o acelerador pressionado faça tanta diferença, por não ter muitas curvas de baixa velocidade.

Mas é claro que as equipes evoluíram bastante daquele ponto em diante e o terceiro setor de Vettel na Índia – esse sim, recheado de curvas em que o escapamento soprado no estilo de 2011 faz diferença – mostra o quanto a Red Bull é evoluída neste sentido. A Ferrari, por sua vez, tem problemas mais graves para solucionar com sua má relação com os Pirelli – creditar a vitória no GP da Grã-Bretanha apenas à mudança nas regras é ignorar o papel que a chuva teve no uso dos pneus e o erro da Red Bull somado ao tempo que Vettel perdeu atrás de Hamilton.

Falo em “escapamento soprado no estilo 2011” porque essa tendência deve continuar neste ano. A diferença será que, ao invés do difusor, agora é a asa traseira que deve ser “soprada” pelos gases do escapamento. Além disso, agora que o fluxo contínuo com o acelerador aberto está proibido, as equipes devem buscar soluções mecânicas para manter o fluxo contínuo que provou ser tão fundamental ano passado.

O escapamento "sem saída" da Ferrari

É o que a Ferrari estaria testando nas últimas corridas da temporada passada, instalando um “tubo sem saída” no escapamento. Ele acumularia pressão durante a aceleração e faria com os gases fossem ininterruptamente liberados com o acelerador aberto.

Para direcionar esse fluxo de maneira que ele tenha influência aerodinâmica positiva, é possível que vejamos escapamentos apontados para cima, em um ângulo máximo permitido de 30%. Ao menos foi o que Williams e Mercedes usaram nos testes para jovens pilotos de Abu Dhabi. A ideia seria aplicar o mesmo conceito do escapamento soprado, mas agora direcionando-o à asa traseira.

Antes dos escapamentos serem levados ao difusor, a solução tradicional era instalar simples buracos na parte de trás da carenagem, o que não interferia na aerodinâmica. Agora que se sabe da importância que esses gases podem ter, as equipes tentarão maximizar sua nova mina de ouro, inclusive posicionando-os da maneira mais centralizada e inclinada que a regra permite.

Outra interpretação, mais radical, poderia direcionar os escapamentos aos pontos mais extremos possíveis, para que eles “soprem” na região do duto de freio. O certo é que, com essa onda de usar esse tipo de gás quente, além das asas “elásticas” que a Red Bull vem usando desde 2010, uma das grandes fontes de gastos para as equipes grandes hoje bem da pesquisa de novos materiais para a fabricação dos carros. E esse é um segredo de Estado.

A mudança também deve mexer na pilotagem. Ninguém conseguiu explicar exatamente como, mas é ponto pacífico que um dos trunfos de Sebastian Vettel foi saber usar o acelerador da maneira correta para pilotar um carro cujo fluxo de gases do escapamento nunca parava, algo que mudou seu comportamento, especialmente em curvas mais lentas. Alguns pilotos, como Webber e Massa, teriam tido dificuldade em adaptar-se nessa área.

Já que a FIA proibiu que as equipes desenvolvessem sistemas de controle de altura, vale voltar as atenções às traseiras dos carros nos primeiros testes coletivos de pré-temporada, que começam dia 7 de fevereiro.

5 comentários sobre “Mesmo longe do difusor, sopro do escapamento promete seguir como chave

  1. Oi Julianne,

    Perfeita sua análise, e você levantou uma questão interessante no final do post, sobre um possível trunfo de Vettel em saber dosar o acelerador na medida certa.

    Faz muito sentido, principalmente no caso de Webber, porque a maioria acredita em problemas do australiano com os pneus. Por ter sido um carro tão fantástico o da Red Bull, já começo a ver com outros olhos a falta de desempenho de Webber em 2011. Realmente não deve ter sido só os pneus.

    Eu também acredito que os gases quentes ainda vão render muitas discussões na F-1 em 2012.

    Belo comentário seu!

    Um abraço.

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  2. Parabéns pelo post e pela coluna. Muitas vezes a imprensa especializada do Brasil não abrange os aspectos mais técnicos desse maravilhoso esporte que é a F1. Gostei muito desse post e da analise dos pneus de algumas semanas atrás. Vou estar sempre voltando por aqui.

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