Alonso se coloca ao lado de Moss, Fangio e Prost – e Perez quebra hegemonia de pódios

Perez e Alonso são pratos cheios para as estatísticas na Malásia

A 28ª vitória de Fernando Alonso na carreira o coloca em um grupo especial de pilotos. Além de deixá-lo isolado como quinto maior vencedor da história, a três de igualar o quarto, Nigel Mansell, o espanhol, que deu sua 7000ª volta na liderança durante o GP, tornou-se o quarto piloto na história a vencer no mesmo circuito por pelo menos três equipes diferentes.

Esta é a de 2007, a primeira pela McLaren:

Do atual grid, pelo menos nesta temporada, apenas Schumacher (que soma vitórias por Benetton e Ferrari e hoje está na Mercedes) e Raikkonen (correu por McLaren, Ferrari e agora veste as cores da Lotus) podem alcançar tal feito, enquanto deve estar nos planos de Alonso tornar-se o primeiro da história a vencer em Mônaco por 3 times diferentes.

Pilotos que venceram a mesma prova por ao menos 3 equipes

Piloto Prova Equipes (anos)
Stirling Moss Monza Maserati (1956), Vanwall (1957), Cooper (1959)
Juan Manoel Fangio Spa Alfa Romeo (1950), Maserati (1954), Mercedes (1955)
Juan Manoel Fangio Buenos Aires Maserati (1954, 1957), Mercedes (1955), Ferrari (1956)
Juan Manoel Fangio Nurburgring Mercedes (1954), Ferrari (1956), Maserati (1957)
Alain Prost Silverstone Renault (1983), McLaren (1985, 1989), Ferrari (1990), Williams (1993)
Fernando Alonso Sepang Renault (2005), McLaren (2007), Ferrari (2012)

Na prática, o oitavo lugar no grid foi a pior posição de largada que resultou em vitória do espanhol na carreira. Nas estatísticas, perde para Cingapura-2008, quando largou em 15º. Curiosamente, nas duas primeiras corridas do ano, Alonso chegou sete posições à frente do que largou.

Além de um circuito talismã para o bicampeão, que faturou a primeira pole e pódio em 2003 na Malásia, Sepang também traz boas lembranças para a Ferrari, que conquistou a sexta vitória em 14 anos do GP. Três delas foram com Michael Schumacher, que marcou pontos em todas as suas 11 aparições no circuito.

Em uma daquelas estatísticas curiosas, as últimas cinco corridas interrompidas com bandeira vermelha pela chuva têm um certo padrão entre Alonso e Button: eles não apenas dividem as vitórias, como, quando um ganha, o outro não marca pontos. Alguém arrisca um palpite para o desfecho do próximo dilúvio?

– Nurburgring 2007 – Alonso vence, Button fica fora dos pontos
– Malásia 2009 – Button vence, Alonso fica fora dos pontos
– Coreia 2010 – Alonso vence, Button fica fora dos pontos
– Canadá 2011 – Button vence, Alonso fica fora dos pontos
– Malásia 2012 – Alonso vence, Button fica fora dos pontos

Tivemos cinco vencedores diferentes nos últimos cinco GPs (Vettel, Hamilton, Webber, Button e Alonso, pela ordem). E, claro, os mesmos que dividem o primeiro lugar do pódio há 44 GPs. Estão a nove de igualar o recorde histórico de Senna, Prost, Mansell, Piquet e Berger.

Outro prato cheio para as estatísticas foi o segundo lugar de Sergio Perez. O mexicano acabou com a maior sequencia de pódios marcada por um mesmo quinteto da história. A última vez que um intruso estourou o champanhe do lado de Vettel, Webber, Alonso, Button e Hamilton foi exatamente no GP da Malásia, com Nick Heidfeld. Desde então, foram 18 GPs dominados pelo quinteto. Se contarmos apenas os dois primeiros, a sequência dos cinco era ainda maior, desde o GP da Alemanha de 2010.

A estréia de Perez entre os três primeiros ocorreu no mesmo circuito em que seu rival pela vitória, Alonso, estourou o champanhe pela primeira vez na F-1, também em sua segunda temporada como titular na categoria. O espanhol, contudo, era um ano mais novo quando obteve a façanha.

Foi a primeira vez que um mexicano subiu ao pódio desde o segundo lugar de Pedro Rodriguez no GP da Holanda de 1971, quando corria pela BRM. Rodriguez chegou atrás da Ferrari de Jacky Ickx, em uma corrida afetada pela chuva…

Por pouco não tivemos um novo vencedor na F-1, algo que não acontece desde Webber, em Nurburgring, 2009. Ao menos Perez se tornou o 160º piloto a liderar uma corrida e deu o melhor resultado da história para a Sauber como equipe independente, após terem terminado em terceiro em seis ocasiões, sendo que a última foi em 2003, com Heinz-Harald Frenzten, no GP dos Estados Unidos. A equipe chegou a vencer uma prova, com direito a dobradinha – Kubica e Heidfeld, GP do Canadá de 2008 – como BMW Sauber.

A McLaren nunca tinha conquistado a pole na Malásia e agora tem o mesmo número de poles em 2012 que em 2010 e 2011 juntos. O último ano em que a equipe, que tem 149 poles na história, tinha conseguido largar em primeiro por duas corridas consecutivas – na ocasião, foram três – foi 2007.

Mas a volta mais rápida ficou com Kimi Raikkonen, especialista no quesito. Tanto, que, com 36 na carreira, é o terceiro maior da história, atrás de Michael Schumacher (76) e Alain Prost (41).

O GP malaio igualou um recorde do GP da Europa de 2010, quando nove construtores marcaram pontos – está é a terceira temporada em que os pontos são dados até o 10º: em Sepang, apenas a Force India colocou dois pilotos no top 10, junta de Ferrari, Sauber, McLaren, Red Bull, Lotus, Williams, Force India, Toro Rosso e Mercedes.

O sexto lugar de Bruno Senna, além de ser seu melhor resultado na carreira e de representar os primeiros pontos a um Senna na Williams, deu à equipe três pontos a mais que em toda a campanha do ano passado.

Falando em pontos, Jean-Eric Vergne marcou seus primeiros, tornando-se o francês mais novo a fazê-lo. Dos 24 pilotos do grid, só Grosjean – que só completou 4 voltas em corridas até agora – e Pic nunca pontuarams. Sim, até Narain Karthikeyan já marcou os seus, mesmo que tenham sido no GP dos EUA de 2005.

O indiano, inclusive, igualou a melhor posição oficialmente (ou seja, ao final de uma volta) ocupada por um carro da HRT. Ele era nono na volta 13, posição em que ele mesmo havia estado no também caótico GP do Canadá do ano passado. Pic chegou a completar uma volta em oitavo pela Marussia.

Se alguns conquistaram boas colocações, Sebastian Vettel teve seu pior resultado, contabilizando as provas em que viu a bandeirada, desde o GP da Bélgica de 2010. Já Felipe Massa, com a 15ª colocação da Malásia e o abandono da Austrália, é apenas o 19º no Mundial de Pilotos, atrás de Timo Glock (tem um 14º) e Charles Pic (um 15º e um 17º).

13 comentários sobre “Alonso se coloca ao lado de Moss, Fangio e Prost – e Perez quebra hegemonia de pódios

  1. Julianne, completando suas estatísticas, gostaria de saber se o Massa é o piloto da Ferrari que mais tempo está fora de um pódio…pelo menos até 1981 isso com certeza é verdade…

    E o Grosjean por não ter completado as duas provas está em último na classificação?

    Obrigado!!

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    1. Sim, Grosjean é o último, e tinha pensado em levantar esse dado sobre o Felipe. Espero conseguir fazer isso nas próximas semanas!

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      1. Impressionante também é que em duas provas, apenas as três pequenas não pontuaram…acho que ano passado demorou mais….principalmente a Williams…..

        Além do Massa e Grosjean, o Rosberg tem 0, depois só os 6 mais lentos…a tendencia é que os três ganhem algum ponto…mas se o Massa não pontuar até Silverstone…eu acho que ele não termina a temporada…principalmente se o Grosjean e o Rosberg já terem pontuado..

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  2. Muito bom o post que eu chamo de “passando a limpo” , rs.

    O desempenho do Groselha vai melhorar num GP “normal”. O apoio é “TOTAL”.
    Mas se for leão de treino na China de novo, aí vai ter suco de groselha mesmo. Jerônimo, Vitaly, Bruno e Heidfeld (este assistindo de camarote) vão se divertir.

    Sem dúvida o pior começo da Mercedes, com duto e tudo mais, e olha que o Shummy e o Rosberguinho não ficam boiando na pista com água. O duto encheu d’água. E a prova de que o “rei da estratégia” dos tempos da Ferrari (Brawn), passou incólume na prova cheia de oportunidades.

    Aliás, se você encontrar um tempinho, Ju, quem tem mais tempo de F1 e nunca ganhou nada: Rosberg, Heildfel ou mesmo Glock e Sutil?

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  3. As coincidências entre Alonso e Button são interessantes. Nesse gp da Holanda de 71, dá medo ver a fragilidade das viseiras! É cruel!

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  4. Julianne,

    Poderia investigar pra gente o futuro do Adam Parr que acabou de se demitir da Willians, pois ou ele saiu para ir para outra equipe ou ele saiu porque tem merda acontecendo na Willians e ele não quer participar e sujar o seu nome.

    Um abraço.

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    1. Foi surpreendente, sem dúvida. Contudo, Parr estava longe de ser unanimidade no paddock, e com Ecclestone, se isso responde sua pergunta…

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  5. Ótimo post! A estatística sobre as equipes diferentes pontuando me leva também a uma curiosidade que vi relatarem num fórum. Os oito primeiros pilotos pontuando eram de equipes diferentes. Não me lembro de ter visto algo assim mesmo nos tempos em que a pontuação valia até o oitavo lugar. Creio ser um dado relevante. Naquele GP europeu em 2010, a Mclaren ocupou a segunda e terceira posições, o que impossibilitou esse fato. hehe

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  6. Julianne.

    Como sugestão, talvez ficasse bom se tivessemos gráficos para ver a evolução da colocação do campeonato de pilotos e equipes, etapa a etapa. Mais ou menos como aqueles gráficos da evolução das corridas onde mostra a partida e a colocação no fim da corrida.

    Assim na 1ª etapa teríamos o Button na liderança e agora o Alonso. Acredito que ainda vai haver muita mudança até o fim do ano. Também vai dar para perceber em que momento uma equipe começou a se destacar ou quando ela perdeu o rumo de desenvolvimento…

    Abs.

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    1. É uma ótima ideia, Ricardo. Estou pensando em algo legal e rápido de fazer para postar logo após a corrida e na segunda-feira, dias em que minha carga de trabalho aumenta muito e é difícil sentar com calma para escrever no blog. Estou aceitando sugestões!

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