Mercedes, Lotus e Williams ainda não mostraram verdadeiro ritmo

O real potencial de algumas equipes ainda está escondido

Pouca corrida para muitas dúvidas. É esse o gostinho que a temporada 2012 deixou até agora. Principalmente para três equipes em especial: a Mercedes, que tanto prometeu ter deixado os problemas com alta degradação de pneus para trás, mas foi a que mais sofreu nas etapas iniciais em ritmo de corrida; a Lotus, que não conseguiu, ou ter uma classificação limpa com Raikkonen, ou uma prova limpa com Grosjean; e a Williams, cujos pilotos tiveram percalços aos domingos, ainda que mostrassem ritmo semelhante ao dos líderes em diversos momentos na Austrália e, principalmente, na Malásia.

Devoradora de pneus, ao menos com Rosberg

A Mercedes aparece como a grande surpresa do campeonato até agora. Aos sábados. Na corrida, ao menos Nico Roberg parece sofrer com um desgaste de pneus ainda mais excessivo do que em 2011, algo que curiosamente não foi diminuído nem pelo asfalto úmido de Sepang. Nico só aguentou 13 voltas com o pneu intermediário na Malásia, algo que só poderia ser explicado por um carro desequilibrado, o que faz com que a borracha se desgaste não por superaquecimento, mas por deslizamento. Mas um carro desequilibrado iria tão bem na classificação?

A situação fica ainda mais indefinida quando olhamos para o ritmo de Schumacher. O alemão teve pouco tempo para mostrar serviço na Austrália antes que uma quebra de câmbio o tirasse da corrida e novamente foi abandonado pela sorte na Malásia, após toque de Grosjean na primeira volta. Contudo, mesmo crescendo no meio do pelotão – situação que os pneus deste ano parecem odiar – não teve grandes sinais de degradação e manteve um ritmo que não fez feio se comparado à McLaren de Hamilton no último stint, com pneus slick.

Mesmo com a incógnita Schumacher, a queda dos alemães em corrida, por enquanto, só dá asas aos rivais, que veem seu sistema de duto passivo, ativado junto da DRS e, portanto, bem mais efetivo em classificação do que em corrida , como ilegal.

Em busca de um sábado perfeito

Na Lotus, um sétimo e um quinto lugares de Kimi Raikkonen levam a um cenário bastante animador. Primeiramente, é impressionante como o finlandês voltou sem dar sinais de estar enferrujado, especialmente nos duelos roda a roda, os quais obviamente não podia “treinar” no rali. Isso, é claro, se considerarmos que ele e Grosjean, que também faz uma espécie de segunda estreia, ainda que com muito menos experiência, estão tirando tudo do carro.

De qualquer maneira, este “tudo” do carro ainda não foi colocado à prova. O francês, apesar das ótimas classificações, não sabe como é passar da quarta volta de um GP, enquanto o finlandês largou em 17º em Melbourne após um mal entendido via rádio e em 10º em Sepang depois de uma troca de câmbio.

Ainda assim, só foi superado em corrida por Red Bull e McLaren em termos de ritmo puro, e Ferrari e Sauber em um misto de boas estratégias, condições de tempo complicadas e grandes atuações individuais. Na Austrália, poderíamos até dizer que os jogos de pneus zerados que o Iceman tinha à disposição o ajudaram a ganhar posições no meio do pelotão, como vimos inúmeras vezes ano passado – especialmente com Alguersuari – com pilotos eliminados no Q1 que terminavam a corrida nos pontos. Porém, os menos de três décimos de desvantagem na classificação e o sólido quinto posto de Sepang confirmam que o carro tem ritmo.

Portanto, não parece exagerada a expectativa da equipe ser ao menos a terceira força no momento. O certo é que o E20 é o melhor carro feito pelo time de Enstone desde 2006.

“We need(ed) this position”

Por fim, a Williams é outra que deve estar rezando para um domingo tranquilo. Maldonado, forte na classificação, aproveitou que Alonso e Raikkonen ficaram pelo caminho para ser oitavo com um carro que parece estar na luta para ser o quinto ou sexto em uma volta lançada. Mas é na corrida que o FW34 mostra seus maiores atributos. Suave com os pneus e equilibrado, o carro vai bem com mais combustível.

O sexto lugar de Bruno Senna, depois de escapar na primeira volta, a exemplo da prova inicial, e estar em 23º após a relargada em Sepang e o quase sexto de Maldonado na Austrália, quando o venezuelano teve o terceiro carro mais rápido do dia antes de bater, mostram o que poderia ter sido. De certa forma, é o preço pela filosofia adotada ao escolher a dupla de pilotos, mas há de se dizer que ela também foi fundamental para os investimentos no departamento técnico que fizeram com que o FW34 representasse o maior salto qualitativo que vimos até agora em 2012.

6 comentários sobre “Mercedes, Lotus e Williams ainda não mostraram verdadeiro ritmo

  1. Julianne,

    Acredito que das três equipes citadas a Lotus seja o melhor conjunto da obra, analisando desempenho em qualify e corrida.

    Sobre os aspecto de pilotos considero a dupla da Mercedez, o Schumi é o Schumi e o Rosberg só tem demonstrado bins resultados já tem um tempinho.

    Sobre a dupla da Willians o Maldonado leva vantagem sobre o Bruno na qualificação, já na corrida acredito que Bruno é mais prudente e técnico nas ultrapassagens, fatores que poderão colocá-lo entre os oito melhores pilotos com frequência este ano, considerando condições normais de prova.

    Sobre a Sauber gostaria de fazer um levantamento, o quanto a parte traseira do carro do Perez era flexível no vídeo de resumo da prova no momento em que o mexicano perseguia de perto do Alonso, postado pela Total Race.

    Este detalhe pode fazer a diferença em retas longas como Sepang, diminuindo o arrasto aerodinámico.

    Um abraço.

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  2. Gosto muito dessas incógnitas de início de temporada, principalmente num grid tão embolado e equilibrado quanto o atual. Mas sabe qual é a maior incógnita pra mim, ara além de Lotus e Mercedes? A Red Bull! Onde será que estão de verdade os rubro taurinos? Em corrida parecem ter um ritmo tão bom quanto as McLarens, mas em treinos ainda ficam devendo, embora por poucos décimos. Largar atrás da Mercedes é que está dificultando um pouco as coisas, devem estar obcecados por resolver isso.

    O melhor de tudo é que não há domínio, o que dá espaço para qualquer uma das grandes – e algumas da médias – a possibilidade de pódios e vitórias.

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  3. JU,
    na sua opinião aonde estar o problema da Mercedes com os pneus ?
    a Mercedes é favorita a pole no próximo GP ?

    me parece que o carro da red bull desse ano é bem solto isso poderia atrapalhar o vettel ?

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  4. Julianne, tudo beleza?

    A Lotus, pelos menos eu acho, está à frente da Willians. Não sei porque, mas ainda acho que a Mercedez vai superar a Lotus… sei lá… só palpite.
    Mas eu tô torcendo muito para o Bruno Senna se dar bem neste ano. O companheiro dele é osso, mas é perfeitamente superável também.

    Abraço!!!

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  5. Ju, a foto inicial é bem sugestiva. Realmente as primeiras impressões vc descreveu mt bem. O fato da Mercedes ser muito rápida em treino, talvez o mais rápido carro em volta lançada, foi Shumacher do alto de seus 43 anos, ficar a menos de 2 décimos das Mclaren na Malásia, nada pessoal, mas sabemos que a idade influi e mt nessa F1 moderna, onde o preparo físico e os reflexos são fundamentais, e o alemão, apesar de campeão, é humano, portanto o carro é mt rápido em volta lançada. De tudo, Ju, penso que o equilíbrio a ser encontrado pelas equipes, é ser menos rápidas que Mercedes e Mclaren em treino, algo como os 3,4 décimos da Lotus, para se cuidar melhor nos longos stints no domingo.

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  6. Julianne,
    Penso que no GP da China teremos mais do mesmo: a Lotus já demonstrou ser de fato a 3a. força, sem os fatores imponderáveis porque passou. E a 4a, a meu ver, a Sauber, nem tanto pelo carro, mas pela dupla de pilotos. Quanto à Williams, seus dois pilotos tem muito potencial para se desenvolverem no decorrer da temporada e podem até mesmo sonhar em beliscar um pódio aqui e outro acolá. O carro já demonstrou ser veloz e consistente. Como disse alguém em outro blog, “Maldonado é nosso Pastor e emoção não nos faltará”!. Maldonado é rápido e já provou isso. Bruno também é do ramo, como demonstrou debaixo de chuva na Malásia. Vamos ver se o desempenho da nova “Ferrauber” vai permitir a Alonso entrar de maneira definitiva no jogo este ano, porque o que aconteceu na Malásia deveu-se exclusivamente ao talento do espanhol. A Mercedes, com duto e tudo, e mesmo com essa desculpa de consumo de pneus, precisa de alguém melhor no lugar de Rosberg, um piloto que tem tudo para ser a versão de hoje de Jean Alesi: talvez chegue aos 200 GPs com apenas uma vitória, que neste caso só Deus sabe quando acontecerá. Não convence e olha que já está há um bom tempo na vitrine. Este ano o vovô está “sentando” a bengala nele.

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