Treino dos detalhes cria um cenário fascinante

Será que o vencedor saiu na foto?

É comum ouvirmos que a F-1 “se tornou” um campeonato de equipes, algo que na verdade sempre esteve em seu DNA e a diferenciou das demais categorias. E ouvimos isso com tom negativista, como se o fato dos carros serem diferentes obrigatoriamente desclassificasse o campeonato de pilotos. No entanto, é justamente isso que adiciona mais lenha na fogueira.

Ainda mais quando temos uma sessão de classificação como a de hoje: ao final do Q2, os 15 primeiros colocados estavam divididos por 592 milésimos. Entre os 10 primeiros, a diferença foi de 257 milésimos!

Não dá para dizer eram apenas 15 pilotos que estavam divididos por menos de seis décimos. O incrível dessa F-1 atual é o fato de oito carros, oito filosofias, oito orçamentos, oito estruturas dos mais variados níveis estarem separadas por seis décimos.

E é nesse ambiente que pilotos, estratégias, pequenas decisões podem fazer a diferença. E vimos isso aos montes hoje. A temperatura de pista, que foi caindo no decorrer da sessão, pegou muita gente desprevenida. Quem deixou para sair nos momentos finais se deu mal, pois a pista ficava cada vez mais fria, algo que vimos tanto nos últimos momentos do Q2, quanto do Q3.

Outro fator que influiu bastante em um resultado que colocou vários carros rápidos largando atrás foi o medo do rendimento do pneu médio, que fez com que muitos pilotos, até Button da poderosa McLaren, fossem para a pista de macios no Q1 e chegassem sem borracha nova na fase final.

Quem foi à pista no momento exato, com pneus novinhos, para fazer uma volta perfeita foi Nico Rosberg. Mas ele mesmo foi o primeiro a admitir que isso não garante nada para amanhã. Ainda que tenha fechado a primeira fila, a Mercedes não arrisca dizer o que espera da corrida devido ao ritmo de prova ruim, resultado da falta dos décimos trazidos pelo duto passivo – que só é usado junto da DRS – e um alto desgaste de pneus.

Curiosamente, quem mereceu maior atenção dos rivais nas entrevistas pós-classificação foi Kamui Kobayashi. Afinal, é o piloto que combina melhor ritmo de corrida, pouca degradação e boa posição de largada. Para Button, o japonês será o mais difícil de ser superado entre os pilotos que estão a sua frente. Já Hamilton tem suas dúvidas. Perguntado sobre a pouca degradação da Sauber, o inglês cravou: “vamos ver como fica isso agora que eles são rápidos.”

No meio da briga está Raikkonen, infeliz com o carro mesmo com a quarta posição. A Lotus pareceu sofrer mais que as rivais com as temperaturas baixas. E espera-se que esteja mais quente amanhã. Se este for o caso, não apenas o finlandês, mas todos os que ficaram pelo caminho devem vir babando para cima de quem tem track position. Nem precisa dizer que a corrida promete.

2 comentários sobre “Treino dos detalhes cria um cenário fascinante

  1. Show! Legal Ju, seus comentários vão sempre além do que a gente vê.
    Normalmente o pessoal só reporta o que ocorreu e dá umas opiniões furadas e levianas. Nada que acrescente muito.
    Keep it up!
    bjs

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  2. Ju, sei que é um segredo guardado a sete chaves, mas existe uma explicação técnica para o alto desgaste das Mercedes, afinal é um novo projeto e o carro de 2012 parece ter herdado os mesmos problemas do carro de 2011. Seria o projeto, a pilotagem, a forma de concepção do carro, o que poderia ser? Ju, vc sabe sobre notícias sobre o tempo?

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