Corridas e análises

Já dá para começar a apostar no sexto

Se há uma certeza na F-1 é de que o GP da Espanha é um dos mais previsíveis da temporada. Primeiro, porque o Circuito da Catalunha é palco costumeiro dos testes da categoria e a base de dados de todas as equipes é gigantesca. Segundo, por seu traçado, recheado de curvas longas de média e alta velocidade, que escancaram quem tem o carro com melhor eficiência aerodinâmica. Assim, não é raro ver cada equipe monopolizando uma fila no grid e andando junto na corrida.

Essa é a teoria. Mas não parece haver verdade absoluta alguma que essa F-1 de 2012 não pareça capaz de quebrar. O treino classificatório já mostrava o que estava por vir, não apenas com uma surpreendente primeira fila formada pela Ferrari e Fernando Alonso e a Williams de Pastor Maldonado, carros que apareciam nas provas anteriores como quinta ou sexta forças. Porém, o mais curioso é ver os companheiros de ambos bem abaixo no grid, mais uma prova, primeiro, da alta competitividade (a distância entre Alonso e Massa, por exemplo, de menos de seis décimos no Q2 significou 11 posições de diferença) e de como acertar o carro de forma que ele funcione bem na condição exata da pista é uma questão fundamental para virar um bom tempo.

Mais uma vez, a corrida deixou mais questões intrigantes do que respostas. Red Bull e McLaren simplesmente não tinham ritmo e as surpresas da classificação mostraram ser a realidade da relação de forças no circuito espanhol.

Procurar pelas respostas para tanto sobe e desce no paddock é missão ingrata. Todos acreditam que a tendência é que as equipes coletem dados a cada etapa que permitam previsões mais apuradas e uma certa lógica comece a surgir. Mas, etapa após etapa, não é o que vemos. E chegamos, no palco que sempre premiou a lógica, ao cúmulo de ver uma vitória – na base do ritmo, não da sorte, e ainda por cima perdendo cerca de 2s5 no pit stop – de uma equipe que marcou apenas cinco pontos no ano passado inteiro.

Resta entender a receita para ser o escolhido da vez. Ainda que se comente que a classificação perdeu importância, largar na primeira fila tem se mostrado importantíssimo. Se não considerarmos a corrida maluca da Malásia, todos os outros vencedores largaram pelo menos em segundo lugar. Isso porque fica mais fácil administrar os pneus quando se está fora do tráfego.

A questão é qual o caminho até a primeira fila.  No momento, pela pequena janela na qual os pneus funcionam melhor, nem mesmo a terceira sessão de treinos livres tem sido grande indicadora da relação de forças, e ela ocorre três horas antes da classificação. E isso, para complicar mais ainda, ocorre não apenas de um carro para outro, como também entre companheiros de equipe, o que ilustra o quão estreito é o limite entre um ótimo e péssimo mau resultado. E isso é algo que os dois pilotos brasileiros sentiram na pele na Espanha.

Hoje a roleta russa apontou para Maldonado, mas há uma equipe que vem sofrendo menos com esses altos e baixos é a Lotus, cuja performance parece crescer no calor, mas é a mais estável nestas cinco primeiras etapas. Fica a dica para o sexto vencedor, em Mônaco, ainda que seja um palco em que as apostas estão sempre em alta.

15 comentários em “Já dá para começar a apostar no sexto”

  1. Ju, fiquei com a impressão que os três primeiros poderiam ter vencido. Mesmo com estratégias diferentes, coube a quem entrou na hora exata, vencer. A vitória, por mais maçante que seja, depende da falha do oponente, e penso que a Willians venceu, quando adiantou a segunda parada do venezuelano, ao passo que a Ferrari deveria ter marcado a segunda entrada da Willians, já que o rendimento do pneu novo é melhor. A Lotus, mesmo parando quatro vezes, poderia ter vencido se Kimi não ficasse disputando posição com Maldonado e Alonso. Estou gostando desse ano, afinal em uma F1 cada vez mais perfeita, quase sem quebra de motores e câmbios, simuladores de corrida, circuitos com áreas de escape sem brita, a dependência aerodinâmica massacrante (sem trocadilho, kkkk) enfim, à prova de erros, a instabilidade dos pneus me parece salutar, pois se fosse os Bridgestone, teríamos monotonia!!! Ps: a foto acima, demonstra o respeito digno dos competidores, contrastando com a fanfarronice de Vettel no pódio do Bahrein. Bela imagem!

  2. Ju, o melhor de todo foi ver como a Williams ganhou da Ferrari na estrategia do 2° PitStop, usando justamente a estrategia que a Ferrari fez muitas vezes com Shumi “Parar antes, dar uma ou duas voltas de classificação enquanto o outro amarga tempo com os pneus desgatados”. Ainda para sorte de Pastor, Alonso se embananou com uma Marussia. O final foi espectacular, repetindo os pegas vistos em Australia e China pelos mesmos dois pilotos. Só podemos concluir que o Venezuelano é raçudo e tem braço, porque não é facil disputar com o cara que consideram melhor piloto da atualidade.

  3. Ron Dennis precisa “dar uma dura” em Whitmarsh, o Domenicali inglês. Definitivamente, Whitmarsh não quer ver Lewis ser campeão outra vez. Um absurdo o que a McLaren tem feito este ano com o seu magnífico e emocionante piloto.

  4. Seria interessante se no final da sexta corrida do ano, tivermos o sexto vencedor diferente. Acho que pela consistência, uma vitória Lotus seria o ideal, mas claro, para isso têm de chegar à primeira linha. A não ser que chova no Principado…

    Cada vez mais se fica com a tendência de que o campeão do mundo será alguém que não ganhará mais do que três, quatro corridas. Vai ser muito equilibrado, e só será decidido em Interlagos.

    Agora tenho uma curiosidade: será que o recorde de 11 pilotos de 1982 será alcançado? Se assim for, arriscamos a ter um “campeão Rosberg”: só com uma vitória e muita regularidade…

  5. Roleta Russa, essa é a definição perfeita pra F1 de hoje. Virou loteria.

    Ainda não sei se gosto disso.

  6. Não há dúvida de que Button é o prato preferido de Kobayashi. Ontem o japonês mais uma vez almoçou o inglês. Muito divertido e emocionante ver os “maus modos” de Kamui na curva, comendo Button apenas com as mãos, sem o uso dos talheres do KERS e do DRS que a Fórmula 1 de hoje oferece a uma turma que está ficando cada vez mais dependente de boxes, cálculos, computadores, estrategistas e pneus (?), e que gostava também de culpar a aerodinâmica e as pista pela sua falta de apetite.

    1. Aposto no Maldonado. O Williams ta afinado e ele ja ganhou ai na GP2 e na Word Series, e no ano passado estava mandando um carrerão ate ser atropelado pelo Hamilton.

  7. O blog está muito bom.
    Sempre leio pelo celular, o que me desanima de comentar, mas hj, em casa,faço questão de deixar meu registro.

  8. No mais, fica a questão: de que adianta poupar jogos de pneus macios, arriscando a largar no meio do grid, tendo de lidar com tráfego o tempo todo? Parece melhor gastar um pouco mais de pneus macios na classificação, classificar-se mais à frente e apostar em um bom ritmo de corrida.

  9. Podem me chamar de bocudo, mas no dia anterior à corrida, sonhei que o lobisomen Maldonado ia ganhar essa e o Bruno a outra.

    Sei lá se é possivel, sei que deu certo nesta, e o Pastor fez por merecer.Foi muito humilhado por todos, por ser o protótipo do pagante, apoiado por um ditador.

    Mostrou trabalho, ele e a equipe.

    Acho que isso foi bom para o Bruno se espertar!

    Parabens Juliana, seu blog é um dos melhores!

Deixe uma resposta