Corridas e análises

Menos ultrapassagens, mais emoção

A temporada 2010 foi o ano do campeonato disputadíssimo e imprevisível e das corridas monótonas. Seu espelho foi a última prova: uma ao mesmo tempo incrível e engessada reviravolta decidida no pitwall. O ano seguinte não poderia ser mais diferente: todos os recordes de ultrapassagens da história foram quebrados, ainda que, após sete etapas, Sebastian Vettel liderasse com 67 pontos de diferença para o segundo colocado, Mark Webber.

Trata-se da mesma distância que divide os 12 primeiros no mundial hoje.

É interessante que muita gente fale em loteria, em “qualquer um” vencendo, quando as corridas estão bem mais estáveis que ano passado. São menos trocas de posição, níveis de performance mais ajustados e, ao mesmo tempo, mais incertezas.

E são vários os fatores para explicar isso. Ano passado foi o primeiro da utilização da DRS e mesmo a FIA reconheceu que erraria na determinação das zonas de detecção e ativação em algumas pistas. De fato, Turquia e Montreal foram grandes exemplos de exageros, ao passo que a chamada zona de ultrapassagem ficou pequena demais em Melbourne. Tudo foi corrigido para este ano e interfere na flutuação dos números.

Mas parece ainda que o grande fator que uniu o melhor de 2010 e 2011 foi a aproximação dos rendimentos, tanto pelo fim do escapamento soprado no difusor – tecnologia cara, ligada ao trabalho conjunto entre equipe/fornecedora de motores, que gerava um diferencial de performance muito grande em favor dos maiores times –, quanto pela aproximação dos compostos. Esses dois fatores estão ligados: um carro com o EBD funcionando a contento gerava mais pressão aerodinâmica e era o único que lidava bem com os pneus médios e duros. Esse grande diferencial foi eliminado e agora a linha que define dominadores e dominados é mais tênue, provocando as oscilações que temos visto.

2011 x 2012

GP Ultrapassagens 2012 Ultrapassagens 2011
Austrália 41 29
Malásia 76 63
China 90 85
Bahrein 72
Espanha 51 90
Mônaco 12 28
Canadá 47 125

 Ultrapassagens ano a ano

Ano GPs Ultrapassagens Por GP Por GP (seco)
2012 7 389 55.57 52.17
2011 19 1,152 60.63 59.09
2010 19 547 28.79 21.33
2009 17 244 14.35 10.40
2008 18 260 14.44 10.54

11 comentários em “Menos ultrapassagens, mais emoção”

  1. Julianne, você fará a análise da corrida por brasileiros, ingleses e espanhois do GP do Canadá?! Estou no aguardo, obrigado!

  2. Ju, atribuir loteria à um esporte onde uma porca mal colocada pode definir quem será vencedor ou segundo colocado, me parece parcialidade. Como vc bem frisou, muitos que possuem uma visão distorcida sobre o que é um esporte de interação entre piloto/máquina, deveria imaginar que uma estratégia bem feita, um engenheiro que trabalhe bem, um mecânico que trabalhe bem na montagem do carro, tanto quanto no pit stop, são sim relevantes no resultado final. Ficamos tã obcecados com o piloto “ganhar no braço”, kkkk, “visão galvaniana”, que nos esquecemos do staff que possibilita um piloto ser chamado de herói ou roda presa. O piloto é a ponta do iceberg! Muitos que consideram a vitória da “Willians”, ou de Rosberg loteria, se acostumaram tanto com essa F1 dominada pela aerodinâmica, que se esqueceram que quando grande parte da categoria possui condições “razoavelmente” igualitárias, acontece o que vemos hoje: disputa, afinal como vc bem frisou anteriormente, “nem todas” equipes possuiam em 2010/2011 o mágico difusor soprado, portanto, alguns ainda veem a categoria com olhos míopes. Hehe, ganhar no “braço”, como sempre foi propagandeado pela emissora oficial, sempre foi uma meia verdade, afinal em um esporte homem/máquina, ninguém vence sozinho! Ou alguém em sã consciência acha que se Hamilton, Alonso e Vettel estivessem na HRT, Marusia ou Caterham, estariam liderando o campeonato?

    1. A primeira corrida que vi do Ayrton ele estava pilotando um carro da equipe Toleman, menos do que uma Force India hoje… Quem é esse cara? Tirou segundo dirigindo essa porcaria… Perguntei na ocasião. Claro que o piloto é 70% do resultado… Que lógica é essa que afirma que os carros estão praticamente iguais (sendo o fator aleatório a interação com o pneu que sempre parece comportar-se diferente a cada corrida) e temos diferentes resultados e fala que o piloto não é o grande fator decisivo. Acontece que o fator humano também possui aleatoriedades, nem todos gostam da mesma pista, nem todos acordam naquele dia com disposição e por aí vai… mas, no final vamos encontrar a diferença… que, por exemplo, existe entre Alonso e Massa, ambos dirigindo praticamente o mesmo carro de uma equipe de ponta. Em uma corrida não dá para dizer que o Hamilton é melhor que o Button, mas ao final de duas temporadas dirigindo o mesmo carro chega-se a uma conclusão. Então vamos desenhar… Se um piloto pode ser melhor do que outro é claro que o peso deles é o fator mais decisivo de todos aqueles que se somam para uma vitória quando o equipamento do esporte é mais equilibrado ou igual. Forjar uma instabilidade nos compostos de borracha como foi feito é introduzir um fator aleatório adicional e maior ao que o pé esquerdo do piloto no dia da competição.

      1. Bem, em um esporte interação piloto/máquina, estipular a porcentagem de quem foi mais importante em uma vitória, um campeonato, uma corrida, me parece sim, aleatório. Quais os dados utilizados para quantificar essa porcentagem? Atualmente, os carros possuem quatro pneus, uma caixa de câmbio, um motor congelado, uma aerodinâmica parecida, acredito que dessa forma, podemos dizer que os carros são aproximados pelo regulamento, é claro que quem possui mais dinheiro, conta com os melhores projetistas e tecnologias…Ora, os pneus são aleatórios? Mas não são os mesmos para todos? Bem se 60, 70 voltas de uma corrida de F1 têm que sempre ser acelerando o máximo, sem se preocupar com os pneus, que tal colocar asas nos carros, ou quem sabe correr apenas em ovais? Ou quem sabe construir circuitos apenas com retas? No mais, acredito que a única competição de aceleração plena e ininterrupta, onde não se preocupa com o desgaste dos pneus, são nas provas de arrancada, daí, é só mudar de esporte…

  3. As perguntas que farei mais adiante (quem não arrisca não petisca) nada tem a ver com o assunto do post acima, reconheço, mas vou repetí-las para você, porque as fiz primeiramente ao seu colega Ico e ele não respondeu. Há algumas postagens, Ico estampou no blog dele uma fotografia em que ele aparece junto à veneranda piloto (a?, como prefere a Dilma) Maria Teresa de Filippis, que chegou a correr na Fórmula 1 algumas poucas provas na década de 50, de Maserati, e foi a primeira mulher a correr na Fórmula 1. Ela está hoje com 85 anos e parece bastante firme e forte, ainda. Sempre tive curiosidade sobre isso, então vou perguntar-lhe: você acha que essa admirável senhora, que já correu de F 1, ainda é capaz de dirigir em alto nível – tipo assim fazer uma pilotagem – em qualquer carro (que não seja de corrida), em especial um de alto desempenho, como um Corvette, uma Ferrari, um Aston Martin ou até um indomável e selvagem TVR, levando-o ao limite? Coisa que um motorista comum, por mais jovem que seja, não consegue, se não tiver experiência de pista e costume com a alta velocidade. Em outras palavras: ela faria muito marmanjo jovem metido a piloto levar poeira dela? Levanto a questão porque, não faz muito tempo, vi um documentário onde aparecia o Carrol Shelby, recentemente falecido, então com mais de 85 anos, fazendo “donuts” e “burnouts” com um Cobra, manobras nas quais basicamente basta despejar o caldeirão. Mas não o vi em “power slides” ou “four wheel drifts” em trajetórias de precisão, que envolvem muita concatenação entre acelerador e volante, (pés e braços) dai porque pergunto. Também vi no Youtube o ex-F1 Bob Bondurant, com quase 80 anos, tocando um Veyron na pista em que mantém sua escola de pilotagem, mas sem derrapagens controladas. Como jornalista especializada em automobilismo e frequentando o meio, você já teve oportunidade de andar ao lado de algum ex-piloto muito idoso? Ainda são capazes de impressionar a quem acompanha? A minha pergunta sobre a capacidade técnica, envolvendo reflexos e avaliação de distâncias, se refere a um ex-piloto muito idoso, mas ainda saudável, claro, sem tremores ou fatores incapacitantes. Tenho muita curiosidade sobre o assunto. Li que o grandíssimo Jack Brabham, hoje com 86 anos, está muito surdo. É verdade? Ele sempre foi muito vigoroso fisica e mentalmente, tendo sido tricampeão mundial aos 40 e pilotado na Fórmula 1 até os 44 anos. Mário Andretti aos 72 ainda pilota a mais de 300 p/hora aqueles F Indy bipostos levando convidados.

    1. Julianne,
      Desculpe não ter me dirigido a você no início do post. Fiz uma barbeiragem na transposição do texto para este espaço do seu blog, e ainda nem estou com 80, rsrsrs. . .

    2. Seria muito leviano da minha parte responder sim ou não. As capacidades físicas de uma pessoa não são determinadas por sua idade, mas sim pela forma como chegou até ali. Quantas pessoas de 43 anos que conhece não teriam a mínima capacidade física e mental de fazer o que o Schumacher faz da vida?

    3. Ô, Julianne, você nem respondeu ao meu post, dando sua opinião sobre se a Dona Maria Teresa de Filippis ainda seria capaz de pegar pelo pescoço um TVR ou um Viper. Ou esse aí em cima – Webjump – é um nick alternativo que você usa? Não falei em Schumacher, ele não está em questão, é um homem jovem, ainda competindo na categoria máxima do automobilismo. Aliás, não fiz a pergunta sob a ótica de competição, ou de carros de corrida preparados para a pista, não enfoquei a coisa em milésimos de segundos, apenas tenho curiosidade em saber se ex-pilotos muito idosos – acima de 80 anos – ainda mantém habilidades diferenciadas de quem nunca foi piloto mas ainda é jovem. Acho que o assunto é interessante, porque muitas locadoras no exterior nem alugam carros para pessoas muito idosas e alguns países até pedem a devolução da licença de habilitação acima de determinadas idades, na presunção de que pessoas muito idosas não tem mais reflexos para dirigirem. Mas, se não puder responder, não vou ficar insistindo além desta vez.

      1. Sim, eu respondi, estava logada com nosso nick geral do sistema. Lamento, mas não tenho conhecimento nessa área, talvez um geriatra pudesse ajudar.

      2. Obrigado pela atenção, Julianne. Para fechar este assunto aqui em seu blog, acho que o geriatra teria que ser amante da velocidade, também, rsrsrs. . . Falando sério, mais que um geriatra, acho que quem poderia responder isso seria um jornalista de automobilismo com muitos anos de “estrada” no “front”, que já tivesse andado ao lado de um ex-piloto acima de 80 numa pista. Na minha opinião, acho que você tem razão: a capacidade de uma pessoa depende mais de como ela chegou ali do que propriamente da idade, se bem que depois dos 80 o declínio físico é vertiginoso e acho que os limites de um carro esporte muito potente sem os recursos da eletrônica (ou até mesmo com eles) talvez estejam acima dos limites dos reflexos e das avaliações humanas de velocidade e distância… Mas confesso que seria delicioso ver a simpática Dona Maria Teresa di Filippis “pegando pelo pescoço” um TVR Sagaris ou um Viper e dando poeira em muitos marmanjos sem experiência de pista, mas viciados em controles de tração, de estabilidade, abs, direção ativa e outros parangolés eletrônicos (que fazem muita gente se sentir piloto). O Sagaris, que não tem coisa alguma disso tudo, é (ou era) vendido para uso normal. E, como sabemos, esses recursos também podem ser desligados em carros que os tem. Por último, curiosamente, Mário Andretti, em sua entrevista ao Totalrace aí de vocês, declarou que seria uma estupidez retornar à carreira aos 63, mas hoje, aos 72, anda a mais de 300 levando convidados a bordo de um biposto Indy de demonstração.

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