Com F-1 na TV a cabo, audiência tem forte queda no Reino Unido

Não é novidade que o público britânico é o mais apaixonado não apenas pela Fórmula 1, como também pelo automobilismo em geral, com casa cheia em Silverstone até para corridas de menos expressão e uma cultura invejável. Não coincidentemente, apenas quatro equipes do atual grid têm suas bases fora do Reino Unido – Ferrari e Toro Rosso na Itália, Sauber na Suíça e HRT na Espanha – que também concentra profissionais em todas as áreas da categoria.

Mesmo com uma história tão atrelada ao automobilismo, os números iniciais da audiência desta incrível temporada não escondem o prejuízo em “privatizar” grande parte da transmissão. Isso nada tem a ver com qualquer crítica à qualidade do espetáculo, mas é uma reação às mudanças sofridas neste ano.

Envolta em cortes de gastos, a TV pública BBC decidiu vender parte dos direitos de transmissão da F-1 para a TV a cabo Sky. Assim, enquanto a emissora paga transmite ao vivo todas as provas, a pública faz metade ao vivo e a outra metade em forma de VT com os melhores momentos.

É preciso entender que a TV a cabo é considerada artigo de luxo para os britânicos, que têm em sua TV aberta programação de qualidade, pela qual pagam uma assinatura anual. Gastar ainda mais com emissoras consideradas de menor valor não é atrativo, embora TVs como a própria Sky e a BT estejam crescendo e roubando profissionais das públicas. Hoje, inclusive, foi anunciado que o “estrelinha” da BBC, Jake Humphrey, que apresentava a F-1 e recentemente tivera presença marcante nas transmissões dos Jogos Olímpicos de Londres, deixou a emissora justamente para assinar com a BT.

Porém, todo esse crescimento e até o fato de profissionais que estavam na BBC, como o comentarista Martin Brundle e os repórteres Ted Kravitz, Lee McKenzie, Natalie Pinkham, entre outros, terem ido para a Sky, não parece ter sensibilizado os fãs da F-1 a pagar as £381 – pouco mais de 1250 reais – para acompanhar a temporada toda ao vivo.

Os números mostram uma queda na audiência de 4.15 milhões de espectadores por corrida para 2.2 no total, ainda que, somando as audiências nas provas mostradas ao vivo por ambas as TVs, os números cheguem mais próximos (3.8 milhões por prova). No entanto, é algo que vai na contramão do aumento mundial de espectadores, e justamente em um mercado tão importante para a categoria.

As emissoras se defendem, lembrando que 2012 foi um ano de Eurocopa e de Olimpíadas justamente no Reino Unido, mas um bom indicativo é o GP de Mônaco: com ambas as TVs mostrando ao vivo e sem nenhuma competição importante ocorrendo em paralelo, os números foram significantemente piores que 2011: 5 milhões de 2011, contra 3,67 deste ano.

De acordo com Martin Whitmarsh, falando como presidente da associação das equipes, a queda no número de espectadores não preocupa, pois a TV já não tem a força de antigamente e vem dando espaço às novas mídias. Teria razão, caso a F-1 se abrisse a elas. Mesmo blogs e sites profissionais não conseguem se credenciar às provas e quem tentou postar algum vídeo que não seja porcamente gravado sabe o que acontece.

A TV pode não ser mais tão valiosa para o mundo, mas o é para os cofres de Bernie Ecclestone, que parece não ver como qualquer nova mídia possa fazê-lo ganhar tanto dinheiro. Afinal, estamos falando de concessões na casa de centenas de milhões de dólares ao ano, algo mais difícil de policiar no mundo da Internet. Mas e o valor de um produto datado, a longo prazo, como fica?

4 comentários Adicione o seu

  1. Ricardo H disse:

    Olá, Julianne!

    O grande problema é que o Ecclestone ainda não descobriu uma forma de capitalizar e embolsar os lucros com as transmissões e notícias via internet.

    A verdade é que a internet é um meio que democratiza a informação a um custo muito baixo e é difícil montar uma estrutura de negócio que seja rentável. O You tube é um programa aberto e ninguém paga para utilizá-lo, quem banca os custos são os anunciantes. O Twitter apesar de ser super popular não é igualmente lucrativo. Eu leio excelentes matérias de F1 e o meu único custo é a conexão com a internet. Sem falar na pirataria que praticamente acabou com as vendas de CDs de música no mundo.

    A forma que o Ecclestone capitaliza é através dos direitos de transmissão, direito de renovação com os proprietários dos circuitos e a divisão do bolo com as equipes, onde ele fica com a maior parte. Por isso que os ingressos para os circuitos são tão caros, por isso que temos corridas em locais sem tradição alguma e é por isso que a transmissão foi parar na TV paga dos britânicos.

    De tempos em tempos, os negócios precisam ser reinventados pois a tecnologia evolui, foi assim com a máquina de escrever, com o filme fotográfico, com o disco em vinil, com os jornais impressos em papel, etc.

    Enquanto o Bernie não descobrir uma nova fórmula mais rentável, dificilmente algo será feito em prol dos telespectadores, mesmo que isso signifique no longo prazo, a morte da galinha dos ovos de ouro…

    Abs.

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  2. Thiago P disse:

    Oi Julianne, tudo azul?
    Pelo que eu entendi, a audiência caiu devido à privatização da transmissão. E a privatização ocorreu porque a BBC está com problemas financeiros, certo? Ou seja, me parece que o interesse do público não diminuiu. Somente a audiência, porque, claro, nem todo mundo vai pagar para ver a F1. Aliás, não é todo mundo que pode. De fato, as outras formas de mídia não são exploradas pelo Bernie, porque sempre que eu tento ver um vídeo da F1 em um blog ou site, vem a mensagem de que o vídeo fora retirado etc e tal. Mas isso vai mudar… com atraso, mas vai. Penso que o problema da audiência da Inglaterra é diferente do problema aqui do Brasil. Aqui o problema é falta de interesse mesmo. Fui nas 6 horas de SP e interlagos até que recebeu um público surpreendente para o evento. O brasileiro AMA automobilismo e corridas (na minha opinião), mas nós não temos mais ídolos. E isso, em grande parte, é culpa da TV aberta, que baseou sua audiência em assistir o evento para ver os brasileiros, e não para apreciar o esporte.
    Por falar nas 6 horas de interlagos, fiz uns vídeos da corrida (hehehehe). Se vc quiser, me fala aí que eu te mando. Mas provavelmente você estava lá também!!!
    Abs

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  3. wagner vieira alves disse:

    Tudo bem que devemos respeitar os direitos de imagem, etc, etc, mas convenhamos, não há nada mais chato do quê tentar visualizar um vídeo da F1, e aparecer a famosa tarjeta da FOM proibindo!!! Haja paciência!!! No mais, por mais que a F1 seja cara, não é apenas a elite que gosta de automobilismo…na boa, se a tv fizer…doce como a Globo no GP do Canadá, vou correndo pra NET!

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  4. Dé Palmeira disse:

    É como se no Brasil, de repente a Globo começasse a cobrar pra assistir novela das 8.
    Ninguém vai querer pagar por um produto que até ontem era grátis.

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