Entenda como é o sistema de luzes dos pit stops

Alguns leitores questionaram o exagero do “alonsocentrismo” na transmissão da Antena 3 após uma temporada inteira acompanhando os posts em que reúno momentos-chave das corridas na ótica de três TVs diferentes. Estariam Lobato e companhia incorrendo no mesmo erro que vimos no Brasil, sucessivamente tentando atrair audiência apenas pelo sucesso de um piloto nacional?

“Se, em 2002, havia 800 mil pessoas vendo a F-1, no ano em que Fernando se aposentar, não serão 800 mil”, disse o comentarista Jacobo Vega ao blog. Se, por um lado, narrações e comentários durante as corridas são completamente parciais, a aposta dos espanhóis para cativar uma audiência que siga acompanhando o esporte mesmo sem um compatriota vencendo corridas ocorre nos programas prévios, de pelo menos uma hora, antes das corridas – no total, a emissora apresentou mais de 200h ao vivo de F-1 no ano.

Falei tudo isso para chegar no que interessa: uma destas matérias do programa prévio, em que Lobato e Marc Gené explicam e engenhoso sistema de pit stop que a Ferrari criou, sofreu para aprimorar e que hoje é copiado por grande parte dos rivais.

É impressionante como o sistema que simplesmente dispensava o pirulito evoluiu para uma sequência de luzes complexa, que tenta minimizar ao máximo o efeito de alguma falha humana. Notem como é importante para um pit stop rápido, mais do que o treinamento em si, que os equipamentos usados funcionem de maneira mais eficiente possível.

São estes equipamentos que explicam o grande número de falhas da McLaren no início do ano, que se converteram em alguns dos mais rápidos da história do meio para o final da temporada: era justamente o macaco dianteiro da Ferrari que o time de Woking tinha dificuldade em copiar.

A precisão do piloto também é fundamental. Às vezes, quando apenas um piloto da equipe tem uma sequência maior de paradas lentas, é mais inteligente suspeitar que ele não está fazendo sua parte do que acreditar em alguma falha proposital da equipe.

6 comentários sobre “Entenda como é o sistema de luzes dos pit stops

  1. Ainda bem que a Ferrari aprendeu tudo direitinho. Pq em 2008 quando a tecnologia estava sendo implantada ela errou, e não foi só em Cingapura. Teve algumas confusões com pit stops.

    Excelente informação, obrigado, Ju.

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  2. Julianne,

    Está “só um pouquinho” rsrs fora do post, mas gostaria de comentar com você e os demais comentaristas as recentes bicadas irônicas mas cordiais entre Tio Bernie e o Cordero de Montezemolo. Bernie devolveu as críticas dizendo que apesar de seus 82 anos está com mil idéias para a Fórmula 1. Não sei não, mas está na hora de ele apoiar Montezemolo para botar em prática o terceiro carro para as equipes que assim o quisessem, ou, pelo menos, permitirem às nanicas que comprassem os carros de equipes grandes, ainda que com uma especificação anterior, porquanto não apenas não veríamos mais chicanes ambulantes atrapalhando, como também os pilotos mais talentosos que estivessem ascendendo de categorias inferiores teriam mais chance de mostrar serviço. Nanicas como as de antigamente não existem mais, como a Minardi, por exemplo, que apesar da condição, permitia que talentos como Alonso e Webber (este em menor escala, claro), aflorassem. Essas de hoje só servem para queimar nomes, porque o caminho até chegar à competitividade está lhes parecendo ser muito árduo e íngreme para ser transposto, dado que investir em pesquisas e equipamentos de ponta lhes é quase impossível, pois são muito caros para os seus baixos orçamentos. Comprando os carros competitivos, obviamente já teriam pelo menos meio caminho andado.

    Pena que os fãs da Fórmula 1 não sejam ouvidos nem cheirados sobre os rumos das coisas, sobre o que gostariam de ver. Talvez os jornalistas, que têm acesso direto aos chefões, pudessem ser mensageiros dos que são entusiastas da F 1, afinal não é para nós que os patrocinadores anunciam seus produtos? Ou esses chefões que a comandam são assim tão impermeáveis a idéias? Julianne, vocês tem oportunidade de conversar com eles e darem seus pitacos? Penso que já está na hora de a F 1 fazer uma enquete para saber como nós aficionados a vemos, e daí retirar subsídios para melhorá-la.

    Nesse ponto acho que Montezemolo com o terceiro carro está certo: gostaria de ver gente como Razia, Valsecchi e James Calado ascenderem merecidamente, e outros como Kobayashi (este em especial) continuando e pilotando carros que lhes permitissem demonstrar seus talentos. Com carros bons comprados de outras equipes grandes, penso que deveria haver um prazo para pilotos novos (e até veteranos) se afirmarem, pelo menos com alguns resultados, ou não continuariam. Vejam quantos anos a turma da GP 2 fica se estiolando ali porque a fila na F 1 não anda. Está aí Maldonado, que passou 4 anos lá e hoje anima a F 1 com a sua velocidade. Talvez eu esteja viajando muito, considerando a força dos interesses comerciais que hoje influem na F 1, principalmente nesta época de crise econômica generalizada. Desculpem as abobrinhas, mas elas ajudam a passar “o longo e tenebroso inverno”, como disse a Julianne.

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    1. Aucam, a idéia até que seria boa para absorver pilotos, mas imagino como seria essa filiais dividindo curvas com as oficiais….Seria mt parecido com o que a Toro Roso faz com a RBR , sempre encostando, e nesse caso esportivamente falando, seria ruim. O jogo na própria equipe é permitido, mas com equipe satélite…

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      1. Wagner, sem dúvida alguma esse aspecto que você aponta seria passível de ocorrer, com as equipes nanicas com carros comprados das outras oficiais poderosas “facilitando” as coisas para as suas “parentes”. Como exemplos, a Toro Rosso que você citou e a Sauber (houve lá no GP da Malásia aquela controvérsia toda de que o Perez talvez pudesse ter vencido, mas como usava motor Ferrari. . .) Mas isso são “intrigas da oposição” rsrsrsrs. . . Muitos são de opinião que as nanicas devam existir, quaisquer que sejam as suas condições técnicas de momento, pois poderiam ser os embriões de futuras equipes vencedoras, como é o caso da Red Bull, que era Stewart, virou Jaguar e hoje é esse colosso, ou da Jordan, que foi Midland, depois foi Spyker e hoje é Force India, uma equipe média. No entanto, essas que realmente resultaram em alguma coisa válida – Stewart, Jordan e Toleman também – a meu ver nunca poderiam ser comparadas às fraquíssimas Hispania, Marussia e à Caterham, esta um pouquinho menos anêmica. Stewart e Jordan sempre foram muito mais competitivas e de evolução mais rápida e efetiva (ganharam até GPs)! A Minardi era muito mais competitiva que as de hoje.

        Eu acho cruel pilotos promissores, por falta de opção, terem que aceitar correr pelas três nanicas de hoje, que até aqui parecem sofrer de um raquitismo incurável. Mas penso que se as nanicas pudessem comprar carros competitivos de equipes grandes teriam meio caminho andado, gastando menos em instrumentos de pesquisa e desenvolvimento. Também gostaria de ver McLaren, Ferrari, Mercedes, Lotus e Red Bull (com Red Bull mesmo, projeto do Newey) botando um terceiro carro nas pistas e dando chance real a valores que estão estagnados na GP2, ou que lá se destacaram, mostrarem de verdade seus talentos. Para não haver excesso no grid, poderiam limitar em um carro só para as nanicas, às quais inclusive sobrariam mais recursos para melhorá-los. Mas sei que o assunto é complexo, que são muitos os interesses comerciais em jogo, e que a crise econômico-financeira ainda continua firme e forte aí.

        No mais, concordo com você que iria haver jogo de equipe, entretanto os “Inimigos” teriam que ralar mais entre si e os talentos iriam aparecer mais facilmente.

        Mas, lamentavelmente, nós – os aficionados – não somos ouvidos nem cheirados e tudo fica na base da “viagem na maionese”, como esta que estou fazendo agora, não é mesmo? Penso que os jornalistas especializados poderiam – caso tenham oportunidade – tentar fazer ver aos comandantes da F 1 a necessidade de uma reformulação, para não vermos talentos serem perdidos e para que não haja diminuição de fãs do esporte (?).

        Grande abraço.

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      2. A bem da verdade, Stewart e Jordan nunca foram nanicas. Creio que só a Coloni (que virou Andrea Moda), Simtek, Forti Corse e BS Fabrications (na qual o Nelsão correu com uma velha McLaren bem no início de sua carreira na F 1) foram piores que as atuais HRT, Marussia e Caterham. Aquelas todas sumiram nas brumas do tempo. Talvez no mesmo plano dessas três de hoje estivesse a Ensign, pela qual Piquet estreou. Meio complicado comparar. Mas, definitivamente, sou contra essas nanicas atuais do jeito que se elas se apresentam e sobrevivem. A HRT até já fechou.

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