Dispensas de dezembro

Histórias como a de Hulkenberg são raridade

Que ninguém ache que a Fórmula 1 é lugar de caridade: nenhuma equipe está preocupada com o futuro de um piloto quando o dispensa. Mas não dá para negar que a demora para a definição tem atrapalhado o andamento da carreira de muitos jovens talentos.

Há quem possa pensar: mas esse Jaime Alguersuari nunca mostrou serviço! E o Adrian Sutil, então! Mas lembrando que Sebastian Vettel, por exemplo, cometeu erros como o que tirou Jenson Button do GP da Bélgica em sua segunda temporada como piloto de time grande ou que Lewis Hamilton teve performances abaixo da crítica já campeão do mundo em 2011 – apenas para dar dois exemplos de jovens que mostraram serviço logo de cara – é de se imaginar o que alguns nomes que ficaram pelo caminho poderiam ter feito.

Computando apenas os últimos dois anos, a lista é grande: Nico Hulkenberg, Adrian Sutil, Bruno Senna, Sebastien Buemi, Jaime Alguersuari e, por que não, Rubens Barrichello são alguns pilotos que foram dispensados após o final da temporada. Eles tinham níveis de experiência e resultados diversos. Nenhum deles conseguiu uma vaga como titular na categoria no ano seguinte.

Deles, só Hulkenberg e Senna voltaram ao grid – o primeiro, porque amarrou um contrato de piloto de testes que lhe garantiria uma promoção no ano seguinte; o segundo, por ter entrado na linha de sucessão após o improvável acidente de Kubica e a substituição de Heidfeld.

Dá para entender por que uma equipe média ou pequena demora para definir seus pilotos: é uma pura questão de barganha. Como as vagas são definidas em uma balança entre patrocínio e potencial de resultados (e mais dinheiro), os times vão esperando as ofertas aumentarem. Se o piloto titular não conseguir cobri-la, é trocado. Que o diga o próprio Senna, pela terceira vez (se considerarmos que o então vice-campeão da GP2 colocou todas as fichas na Honda em 2009 e perdeu), e Kobayashi, que aparenta estar em situação bastante complicada para o ano que vem.

Essa dura realidade acaba ceifando carreiras. Se somarmos a isso a falta de testes e a necessidade de convencer investidores a colocar um dinheiro que, convenhamos, tem retorno direto muito improvável, pelo menos nos primeiros anos, não tem sido nada fácil ser novato na Fórmula 1.

Vettel e Hamilton são dois dos últimos exemplos de pilotos formados na era dos testes. Mesmo assim, não deixaram de se desenvolver quando já estavam em times de ponta – a exemplo do que vai acontecer com Perez ano que vem. Será que não estamos esperando demais de quem está chegando agora?

13 comentários sobre “Dispensas de dezembro

  1. Muitos pilotos novos candidatos a vagas na F-1. Algumas explicações podem ser desde a GP2 até investimentos de federações na formação de pilotos, como é o caso da França. É triste ver uma Koba saindo da categoria, mas pra vaga dele já tem vários candidatos. Até pouco tempo atrás, um Couthard podia se “eternizar” na categoria. Agora não, quem não trás resultados rápidos fica extremamente vulnerável, e infelizmente pode se estar perdendo grandes talentos pelo pouco tempo pra mostrar serviço, até pelo fato de patrocinadores exigirem retorno em curto prazo. Hoje dificilmente um Button teria a chance que teve até poder ser campeão. Quem já tem um nome na F-1 garantiu seu espaço, quem não tem, precisa se virar nos 30.

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  2. “Computando apenas os últimos dois anos…”
    E se voltarmos mais um pouco, tivemos um tetra da champcar, os ex-Marussia e agora no corredor da morte o Kova e talvez o Groselha. E esse último deve estar rezando muito para a Total.

    Que bom que existe vida além da F1.

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    1. Sobre a sua pergunta Cerasoli, hoje ser o 14° do grid na F1 é algo preocupante e estar em 18º é desesperador. Fundão é motivo de vergonha e piada. O cara não presta.
      Aí, alguém distribui tapinhas no ombro e diz pro novato: “Deposite tudo que tem em nossa conta bancária. Depois volte, cumpra o contrato, bata as suas metas, venda a nossa marca, não se meta em encrencas, faça milagres, e estará aqui no próximo ano.”

      No mundo das modalidades esportivas isso não se traduz exatamente como esporte e talvez seja motivo de discussão entre muitos.
      Ok , tem piloto que fica mesmo devendo em termos de desempenho mas já faz algum tempo que é difícil imaginar alguém trilhando o caminho de Webber e Alonso, como se sabe, ambos ex-Minardi.
      Todos sabem que os tempos são outros mas, se afunilar cada vez mais, não faz sentido vinte e duas equipes na F1.
      Os testes também são raros.E como fazer essa moçada andar? De HRT? Acho que aquela frase “o importante é competir” anda meio esquecida.

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  3. Julianne, acho que esse assunto pode ter muitas variaveis, mas gostaria muito de chamar a atencao sua, como tentei chamar a do ICO para o projeto do pessoal do Carlos Slim a Escuderia Telmex.
    Com projetos assim e com $$$ eu duvido que muitos pilotos ficariam a pe depois de um mal ano.
    Eu nao duvido que daqui a pouco a Sauber vira Escuderia Telmex Sauber.
    A unica excepción mais recente eh o nosso querido BSenna que apesar do Patrocionio, da $$$, Sobrenome, da segunda e da terceira chance, nao tem lugar na F1 a nao ser numa Marussia.
    Quem sabe uma saida seria o teto orcamentario e o apoio das montadoras ( jah tentaram e nao deu certo), mas como disse eh um tema muuuito amplo com muitas variaveis, assim como esta , nao teremos os melhores pilotos no GRID, nao encontraremos muitas promessas e F1 vai ter seu turnover muito alto ano apos ano.

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    1. Projetos como o mexicano e o venezuelano mudaram bastante o cenário dos pagantes. Eles não se limitam ao patrocínio, nem apenas à F-1. Vejo como um substituto dos programas de desenvolvimento de pilotos geridos por montadoras. A diferença é que questões mercadológicas se fazem mais importantes na hora de selecionar os pilotos. Embora os pilotos trazidos por esse tipo de projeto a longo prazo não sejam ruins, essas vagas “vilatícias” complicam ainda mais a situação que expus no texto.

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      1. Ju me desculpe, mas se tivessemos um programa assim no Brasil acho que estariamos muito felizes e nao estariamos divagando sobre o tema e sim, qdo teriamos o novo Piquet, Senna ou Fittipaldi.
        Esse projeto vem desde uma criacao de uma mentalidade vencedora em varias categorias, manutencao de autodromos , recuperacao do Automobilismo num pais e plataforma promocional.
        Tenta transferir para a situacao do automobilismo Nacional, hj nao temos um expoente no Automobilismo, nao temos categoria de base enfim, nao quero que meu comentario te pareca algo miope , mas outra vez esse assunto eh tao amplo e complicado que eu preferi me ater a um topico que poderia manter aos pilotos na ¨Maxima Categoria¨do automobilismo.
        Obrigado

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  4. Julianne,

    A tendência é ficar cada vez mais difícil para os novatos, por um motivo muito simples: os pilotos estão chegando cada vez mais novos e aquele que consegue se estabelecer na categoria (ex.: Vettel e Hamilton) vão ficar na ativa por muitos anos podendo chegar a mais de 10 anos!

    Antigamente os pilotos chegavam mais tarde na F1 e por consequência tinham um menor tempo para se manterem na ativa antes de se aposentarem. Sem falar que era muito mais comum os acidentes que ou matavam o piloto ou deixavam com sequelas que impossibilitava a pilotagem em alto nível.

    Alguém já fez a conta de quanto tempo o Barrichello, Schumacher, Coulthard, Trulli e companhia limitada ficaram ocupando um assento, mesmo já tendo passado do auge da sua pilotagem?

    E quanto tempo ainda vão ficar na ativa pilotos como Vettel, Alonso e Hamilton?

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    1. Concordo com vc… O Schumi roubou assento de alguém pelo menos nos três últimos anos… Rosberg também não é lá essa maravilha toda… O Coulthard ficou mais de década, o Barrica 18 anos… São muitos pilotos que não ganham, que poderiam rodar…

      Mas entra outro argumento forte na questão. Você é dono de equipe e tem que evoluir seu carro. Você apostaria na experiência de um Rosberg ou no futuro de um Razia, por exemplo!??!?! Olha o que o Ross Brawn fez nos idos de 2008… Apostou no Rubens, pq ele era muito bom em evoluir um carro, frente a um Senna que era um grande ponto de interrogação. O Senna talvez vencesse o campeonato, fosse contratado por uma outra grande, ganhasse mais umas corridas, talvez até mais um campeonato… Mas talvez fosse um enorme fracasso, não dá pra saber… Então aposta no Barrica que nele se confia e se sabe o que esperar… Assim pensa o Brawn… E quase todos os caboclos que comandam a brincadeira. Aposta segura… Quero ver a Mclaren que ousou bagarai… Mas tentou… Quantos tentam??? A própria Ferrari preferiu um piloto que ela comanda a um cara que pode vir a incomodar o Alonso. E por aí vai.

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      1. O problema é a proibição de treinos particulares para as equipes. Entre arriscar com um novato com pouca ou nenhuma experiência, opta-se pelo piloto decadente mas que todo mundo já sabe o que pode produzir.

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  5. O que acho uma pena é terem acabado com os testes que ocorriam durante o ano. Espero que depois que se chegue a um consenso sobre o teto de gastos das equipes, considerem voltar ao programa de teste de antigamente. Pois outro tipo de piloto (dos bons) que acaba sendo extinto é aquele que pega a manha do carro por treinar muito e muito. Vide Schumacher até 2006 (com os testes) e Schumacher 2010-12(sem testes). Esse cara é um exemplo do tipo de talentos perdidos nessa nova geração da F1.

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  6. Creio que a diminuição das equipes de fábrica é que tem permitido que pilotos com bolso cheio tenham prioridade sobre os pilotos com melhor condição técnica.

    Se olharmos para os anos 2000, tínhamos cerca de 7 equipes de fábrica (ou praticamente de fábrica, com eram a McLaren e Williams/Sauber). E algumas destas tinham programas de desenvolvimento de pilotos com o objetivo de chegar na F1.

    Pena que as fábricas não enxerguem mais a F1 como algo que agregue valor para suas marcas. Justificável, de certa forma, já que grande parte de componentes desenvolvidos para a F1 dificilmente seria aplicável para produção em larga escala de automóveis de rua.

    O que percebo que, em geral, o automobilismo deixou de ser uma boa vitrine para qualquer investidor de qualquer ramo. São raras estas iniciativas da Red Bull, Telmex e PDVSA, que investem em automobilismo a médio e longo prazo.

    Com o dinheiro escasso, as vezes suficiente para uma temporada, somente com alta rotatividade de pilotos uma equipe média consegue fechar seu orçamento; as disputas de vagas mais se parecem com leilões. E se não consegue bons resultados, vai para R.U.A. mesmo.

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  7. É um assunto complexo, mas vicioso. Vejo uma categoria altamente cara com o passar dos anos, muito disso, devido a enorme gama tecnológica embarcada nos carros, aliada a falta de testes, ora, a F-1 é um dos poucos esportes do mundo onde não se pode treinar, sendo assim, como aprimorar carro e piloto?

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  8. Piloto bom mesmo, com potencial pra ser campeão, mostra que é rápido na primeira temporada. Geralmente na primeira corrida. Cara que em duas temporadas não é capaz de um mísero brilhareco só pode almejar um recorde na F1: aquele do Heidfeld (ou será do De Cesaris?) de piloto com maior número de corridas sem nunca ter vencido. Quem dirá campeonato…
    Eu se tenho uma equipe prefiro arriscar no Bottas, que pode ser um fenômeno (ou não), do que ficar com B. Senna que não me dá o benefício na dúvida.

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