Brincadeira de gente grande

Sem balada dessa vez?

A movimentação de peças no mercado de pilotos da Fórmula 1 mostra o nível de complexidade que as relações técnicas e comerciais atingiram na categoria, algo que é espelhado pelo que acontece na pista e a cada mudança de regulamento. Não é uma questão de teoria da conspiração, mas de um poucas vezes claro jogo de interesses.

Na Force India, chegou-se a cogitar a contratação de Narain Karthikeyan, interessante pela grana e pela nacionalidade, e só. O fato do indiano ter sido preterido dá uma boa amostra de que a Force India não precisa tanto assim de dinheiro: Vijay Mallya certamente vem deixando a dívida rolar enquanto procura um comprador para a falida Kingfisher, pois dinheiro ele tem após vender parte da United Spirits por US$2,2 bi.

Adrian Sutil acabou ficando com a vaga, em decisão à primeira vista conservadora. Afinal, o alemão traz dinheiro, tem experiência e certa velocidade, tornando-se um pacote atraente para um time médio. Contudo, Jules Bianchi poderia ser comparado a Valtteri Bottas em termos de experiência e abriria as portas para um acordo com a Ferrari, que provavelmente perderá a Toro Rosso e quer fornecer seu motor para mais equipes ano que vem.

Quem também vai precisar de motores novos é a Marussia, uma vez que a Cosworth não está desenvolvendo os V6 turbo que serão usados em 2014. Ponto para Bianchi, membro da academia de jovens pilotos da Scuderia? Pode ser, mas há quem duvide que a McLaren gostaria de ter um piloto Ferrari usando seu simulador – e a equipe tem um acordo técnico com a Marussia.

Sim, a possibilidade de uma vaga abrir na Marussia também não tem nenhum motivo técnico. Já está claro que Razia não vem treinando porque o sinal acordado por contrato não chegou, algo que pode tirá-lo do grid e que abre uma série de possibilidades.

É bom lembrar Timo Glock foi dispensado justamente porque tinha um dos maiores salários da equipe, ou seja, a Marussia precisa de dois pilotos pagantes. Por isso, os rumores de que a vaga poderia ficar com Heikki Kovalainen não fazem muito sentido, a não ser que o finlandês mude a condição de “assalariado” que também lhe custou uma vaga, na Caterham. Outras possibilidades seriam o próprio Karthikeyan e outro endinheirado cujo país interessa muito ao crescimento da F-1, Vitaly Petrov.

Certa vez ouvi de um amigo médico que, se todos os profissionais da área fossem como os médicos do seriado House, os hospitais e sistemas de saúde públicos faliriam. Afinal, Dr. House não mede exames e procedimentos para descobrir qual a doença de cada um de seus pacientes. Na vida real, nenhuma vida vale tanto assim para quem administra as contas de um hospital.

Se até na hora de salvar vidas é preciso fazer as contas, imagine para manter uma equipe? Ao invés de criticar, vale mais a pena tentar entender as decisões, que acompanham a complexidade do que vemos nos carros e nas corridas. E a graça da F-1 está justamente nisso.

13 comentários Adicione o seu

  1. Americo disse:

    Achei uma fã de HOUSE… :O… Como diria minha sobrinha: Eunum kiditu!!! huashuashuahsuas

    Verdade… E se o Razia não correr (pelo patrocínio) ficará até mesmo sem uma equipe nanica pra correr (por uma vaga melhor ano que vem). Triste pro nosso piloto.

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  2. Fernando Piccione disse:

    Julianne, como sempre, awesome !!!
    Parabens, vc eh matadora sempre.
    Ju uma pergunta :
    Agora temos 2 pilotos mexicanos na F1 e de verdade tenho uma duvida, quem sao os sponsors do Perez ? Ele levou todos os patrocinadores mexicanos ou eles ficaram com a Sauber e o Gutierrez, te pergunto por que nao vi nada no carro da MClaren.
    Obrigado

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    1. juliannecerasoli disse:

      Essa é outra das questões complicadas da F-1! Perez é apoiado pela Telmex. Na F-1, eles anunciam a Claro e, como a McLaren já tem a Vodafone, sua concorrente – e ainda por cima title sponsor da Vodafone McLaren Mercedes – a marca não poderia ser encaixada. Porém, comenta-se que o contrato com a Vodafone vai até o final deste ano, o que explica o contrato “multianual” de Perez.

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  3. aucam disse:

    Particularmente, do ponto de vista da capacidade do piloto em si, acho que Mallya agiu certo, ao preterir Bianchi. Seria péssimo para a Force Índia alinhar ao lado do pachorrento Di Resta um abúlico Jules Bianchi, formando uma dupla fraquíssima. Sutil, embora não sendo top, é um bom piloto e melhor que a soma dos dois. Passou um ano fora da F 1 e já se mostrou melhor que o francês nesses treinos recentes.

    É fácil entender porque ficam superavaliando Bianchi: a forte influência de Nicolas Todt na Ferrari, o consequente respaldo que a Ferrari dá ao piloto e o efeito manada que esses fatores geram em muita gente. Aqui no Brasil, acresça-se a isso os 15 minutos de fama que ele tem por suas duas vitórias no torneio de kart em SC (a primeira não valeu, porque foi desclassificado). Se esse torneio festivo fosse parâmetro para se avaliar talento, coitado do Fernando Alonso! Bianchi teve uma passagem sem brilho pela GP 2, sem ter vencido uma corrida sequer. Em seguida, engrenou uma ré e migrou para uma categoria abaixo, a World Series by Renault (3.5) , e lá foi derrotado por um estreante – Robert Frijns – que já vinha de títulos ganhos em sequência: a Fórmula BMW Européia e a Renault 2.0. São fatos. Na GP 2 – salvo em poucas ocasiões, mas mesmo assim sem muita estamina – Bianchi não foi um piloto notoriamente combativo. Aqueles que acompanham a categoria com certeza perceberam isso. Um título na Fórmula Renault 2.0 francesa em 2007 e outro na Fórmula 3 Euro Series em 2009 são muito pouco para tantos festejos. Mallya deve ter percebido isso a tempo.

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  4. wagner vieira alves disse:

    Acho Sutil um bom piloto, não top. É um paradoxo uma categoria tão profissional ter que ser sustentada em parte por seus contratados…Isso mudará algum dia? Ju, aproveitando o gancho do seriado House (que muito aprecio), vem uma constatação afinal, muitos médicos, não todos, se acham deuses…Quando vc toca no quesito “preço de um paciente no sistema capitalista”, vejo com resalvas os investimentos em estádios no Brasil afora, enquanto escolas, postos de saúde estão a mingua…Deprimente este país ufanista…Dizer que um evento que dura um mês mudará uma geração de um país, soa tão medíocre…Ora, em BH MG onde moro, a preveitura está fazendo obras a toque de caixa, daí vem a dúvida: quer dizer que se não houvesse a necessidade da copa, a população do país não mereceria melhorias??? Brazil, um país do faz de conta!!!

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    1. redhorse disse:

      Não se esqueça do tópico > juliannecerasoli/2013/02/22/drs-parte-3-o-desafio-dos-dutos-passivos/

      Pois, você, até agora, não demonstrou nada sequer de que a asa da RBR esteja, de fato, fora das regras. Demonstrou apenas uma opinião sem nexo algum, uma visão de quem não consegue aceitar o sistema de um regulamento, e aí, parte para devaneios, seguindo a linha das “teorias conspiratórias”, rsrs

      O homem não foi à Lua 🙂

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      1. wagner vieira alves disse:

        Hehe, os brazileiros com certeza não foram, já os estadunidenses do note com certeza, pois tecnologia e desenvolvimento industrial são levados a “sério” naquele país, sem propina, mensalão, jeitinho brazileiro,…

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  5. ]Muguello[ disse:

    A unica coisa que faz pouco sentido no caso do Razia eh que se o dinheiro chegar, nao seria bom ele ter treinado um pouco mais? Digo uns 2 dias dos 4 que ele perdeu? Talvez ele jah seja “carta fora do baralho”….

    Food for thoughts….

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  6. @Daviksama disse:

    Realmente julgar é sempre mais fácil do que tomar as decisões ou, simplesmente, tentar entender as razões para tal motivo.

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  7. Bruno disse:

    Julianne,

    Sobre a teoria do House, concordo com vc, só não pode exagerar como alguns médicos que simplesmente não te olham durante a consulta..é constrangedor até….e tbm não precisa ser que nem essa médica maluca ai que saia matando na UTI para limpar vaga…

    Voltando a F1, a teoria das equipes é que a decisão de uma escolha de pilotos está mais no fato de agregar valor financeiro do que técnico….neste aspecto, o Brasil é campeão em valorizar apenas alguns esportes, para não dizer só o futebol…

    Ai que vamos rodar feio…pq não teremos como competir com outras filosofias de investimento….basta voltar no tempo…e até foi postado aqui no Total Race..uma corrida no Canadá com 6 brasileiros no grid….certamente não foi por termos financeiros que tinhamos tantos pilotos assim…era por talento mesmo, só que esse valor não vale mais nada no cenário atual…

    Vc falou no final que a “E a graça da F-1 está justamente nisso.”…será mesmo? Para um país que sempre colocou pilotos lá dentro por talento, será que tem graça mesmo ver que agora temos que “pagar para entrar?” Eu não vejo graça…..essa “graça” de decisões e complexidade eu prefiro ver em estratégias de corrida..não neste cenário…

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  8. redhorse disse:

    Meu post ao ‘wagner vieira alves’ não apareceu. Terei que comentar de novo?

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  9. thiago basilio disse:

    Sutil foi escohlido por vijay porque Sutil é amigo pessoal de Toto wolff e ano que vem provavelmente a force India andrá com motores mercedes.No fim tudo são interesses.

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  10. murillo disse:

    Sensacional: “Se até na hora de salvar vidas é preciso fazer as contas, imagine para manter uma equipe? Ao invés de criticar, vale mais a pena tentar entender as decisões, que acompanham a complexidade”
    É exatamente este o “problema” da F1, o grande público não entende e NÃO quer entender – ou não consegue – a complexidade exigida no mundo da F1.
    Sem Sennas ou Piquets acredito fielmente que F1 não é um esporte para TV aberta na Globo, mas sim para nichos em TV fechadas como o que a Sky faz em UK. Obviamente que isso diminui cotas de patrocinio, logo, não é sustentável em um esporte deste nível de custos e despesas.
    Qual a saida ? Tentar educar seu publico assim como é feito em UK, Espanha, Alemanha ou Italia ? O brasileiro quer isso ? Temos a resposta = não.

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