Ainda não dá para a McLaren jogar a toalha

Se há uma equipe que pode virar o jogo durante uma temporada, é a McLaren. Essa é uma daquelas verdades absolutas que ouvimos no paddock da Fórmula 1 sem entender muito o porquê. Virou lenda. Mas a atual dificuldade que Jenson Button e Sergio Perez têm para segurar o carro mesmo usando as novidades trazidas para o GP da Espanha acende um alerta dentro da equipe.

Em outros tempos, como há uma grande mudança de regulamento para o ano que vem, o time poderia se dar ao luxo de esquecer o carro deste ano e focar exclusivamente na próxima temporada. Mas um fator técnico e outro econômico dificultam essa decisão.

Primeiramente, o carro da McLaren não nasceu bem e seus engenheiros estão com dificuldades em melhorá-lo significativamente porque estão sofrendo o mesmo problema que a Ferrari demorou praticamente três anos para resolver: uma má correlação entre os dados obtidos nas simulações dos computadores e do túnel de vento e os vistos na pista. Assim, as peças projetadas não surtem o resultado esperado.

Obviamente, a McLaren não pode se dar o luxo de focar 100% no carro do ano que vem antes de resolver estes problemas, pois a chance do projeto de 2014 também ser equivocado seriam enormes. A equipe, a exemplo da Ferrari, vem alugando há algum tempo o túnel de vento da Toyota, na Alemanha, e deve usar os dados adquiridos ali para recalibrar seu sistema. Trata-se de um processo mais complexo do que parece.

Outro entrave é que, mantendo a performance, a McLaren corre sério risco de lutar, no máximo, pelo quinto lugar no Mundial de Construtores com a Force India. Não se sabe exatamente o que isso representaria em termos financeiros agora que Ecclestone fez contratos individuais, mas é de se esperar que a relação entre a quantia recebida por cada equipe e sua posição no campeonato continue valendo. Ao menos da maneira como o dinheiro dos direitos comerciais era dividido até agora, isso significaria um decréscimo da ordem de quase 20 milhões de dólares na receita. Para quem já não anda exatamente lotado de patrocinadores e deve voltar a pagar caro pelos motores em 2015, quando acaba o acordo atual com a Mercedes, não é um cenário dos mais positivos.

A situação só não é pior porque, com a contratação de Sergio Perez, muito provavelmente a mexicana Telmex vai cobrir o espaço deixado pela Vodafone, cujo contrato de patrocínio master acaba no final deste ano.

Por enquanto, o sinal ainda é amarelo, mas esse panorama complexo explica por que os próximos meses serão importantes até para o rumo da McLaren. E nunca é demais lembrar o exemplo da ex- poderosa Williams: por mais tradicional que uma equipe seja, quem perde o fio da meada na Fórmula 1 não tem moleza para se reerguer.

6 comentários sobre “Ainda não dá para a McLaren jogar a toalha

  1. Julianne, sua coluna é ótima!
    Uma pergunta: será que McLaren e Williams não poderiam abandonar os carros desse ano e trazer de volta os modelos do ano passado, que eram mais competitivos? De repente, continuar evoluindo aqueles modelos que tinham uma base melhor fosse o caminho…

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    1. Isso é algo muito difícil de dizer de fora. É provável que esses modelos tenham sido descontinuados porque as equipes entenderam que chegaram ao limite de seu desenvolvimento.

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  2. Julianne,
    Já perderam o Hamilton, o Paddy Lowe, a Vodafone, o Mansour Ojieh já não está mais morrendo de amores pelo Ron Dennis conforme tem sido noticiado, e ainda por cima contrataram o Sam Michael. . . Ih. . .

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  3. Que situação mais engraçada: a Toyota investiu milhões na sua estrutura, mas não teve paciência para colher os frutos. E agora a Ferrari e McLaren encontram dificuldades em seus projetos e apelam para a estrutura de uma equipe que nunca conseguiu mostrar resultados convincentes.

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    1. O que sempre ouvi dizer na época é que o modo organizacional dos japoneses tornava o processo de tomada de decisões lento demais para os padrões da F-1. Uma questão cultural. Talvez essa comprovação de que as instalações eram boas corrobore com isso.

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