A bola da vez

A discussão sobre o excesso de agressividade na Fórmula 1 parece eterna: de um lado, estão aqueles que lutam pelo campeonato, mais experientes, que sabem em quais divididas devem entrar; de outro, os que podem arriscar mais simplesmente porque têm menos a perder. Quando eles se encontram, é polêmica na certa.

Fernando Alonso é um exemplo curioso. Já bicampeão, em 2008, se viu longe da briga pelo título e correu de forma bastante descompromissada. É só procurar na internet o vídeo da volta final do espanhol no GP da Bélgica daquele ano: asfalto liso, pneus frios e quatro ultrapassagens. O próprio piloto reconhece que não correria tantos riscos caso lutasse por algo mais importante na ocasião. E sua performance apática em Mônaco, quando se viu entre os “malucos” do meio do pelotão, comprova isso.

A bola da vez é Sergio Perez, mas já foi Pastor Maldonado, que bateu o recorde de maior número de punições em uma temporada ano passado, e Romain Grosjean, crucificado após o acidente que tirou mais três pilotos na largada do GP da Bélgica.

E o mexicano da McLaren promete incomodar muita gente até o final da temporada. Afinal, sua equipe pode estar mal das pernas no momento, mas tem tudo para crescer ao longo do ano e, trazendo a mentalidade de vale tudo do meio do pelotão para a luta entre os líderes, o choque de interesses com quem tiver objetivos maiores é inevitável.

Não me agrada o estilo de “ultrapassagem por intimidação”, do tipo “vou me jogar aqui e deixo a opção do outro bater ou recolher”. Porém, concordando ou não, faz parte apostar em quanto seus rivais podem arriscar. Esse é o estilo de Perez e Maldonado, e também caracterizou a carreira de muitos grandes, especialmente Ayrton Senna. Desde que bem executado, não é passível de punição.

E aí está o problema. É um estilo que deixa o piloto sempre no fio da navalha e, quando ele erra, geralmente leva outro junto. Enfiar o carro onde não há espaço nem para dividir a freada, como Perez fez com Raikkonen em Mônaco, ultrapassa os limites do arrojo e entra na categoria estupidez, termo escolhido a dedo pelo finlandês. Aí não é chororô de campeão do mundo incomodado em levar suor de novato.

Foi um erro, que deveria ter sido punido, da mesma maneira que Grosjean foi culpado do acidente com Ricciardo e pagará por isso neste fim de semana. Mas também não é para crucificar Perez. O mexicano não tem chances de título e pode partir para o tudo ou nada. E quem arrisca tem, ao mesmo tempo, mais chance de errar e de dar show.

Coluna publicada no jornal Correio Popular

3 comentários sobre “A bola da vez

  1. Na minha opinião, acho que o Perez não teve 100% de culpa. Para mim o Raikkonen virou para a esquerda quando viu que o Perez colocou de lado. Se ele quisesse se preservar era só continuar na linha normal da curva. Mas o Perez também foi agressivo demais naquela corrida.
    Foi a impressão que eu tive 😀

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  2. Parabéns Julianne !!! Finalmente alguém levantou a bandeira de punição ao Perez. E ainda definiu muito bem a atitude do mexicano. Agressividade e arrojo são conceitos bem diferentes de imprudência e barbeiragem.

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