O Professor e o encantador de pneus

Na estica

Na Renault, forçou o desafeto René Arnoux para fora da equipe e teve problemas com os dirigentes. Na McLaren, na primeira passagem reclamou que o carro quebrava muito; na segunda, que havia “quatro ou cinco” mecânicos trabalhando em seu carro enquanto o companheiro Ayrton Senna tinha “dois carros e vinte mecânicos” ao seu redor. Na Ferrari, foi demitido antes mesmo da temporada terminar depois que disse que o carro era pior que “um caminhão”.

Se Alain Prost é conhecido por ter sido um piloto político, parece que ele não era muito bom nisso. Por outro lado, seu estilo cairia como uma luva no atual regulamento, que de uma forma por vezes artificial busca trazer de volta algumas variáveis que mexiam com as corridas dos anos 1980.

Como não é possível fazer os carros quebrarem, a necessidade de poupar o equipamento hoje em dia fica concentrada nos pneus, mas essa também era uma das marcas do maior vencedor daquela década, com 39 triunfos. Sempre apostando em acertos para a corrida, o “Professor” tem números curiosos na carreira: largou 53 vezes em segundo e venceu 51 provas; largou 33 vezes na pole e chegou 35 vezes em segundo. Tanta consistência, aliada a bons carros, fez com que o francês fosse campeão ou vice por oito vezes em dez temporadas, de 83 a 93. Como nunca foi considerado o piloto mais rápido do grid, dá para notar o quanto outros valores se fazem importantes há muito tempo.

Considerado o Alain Prost da atualidade, Jenson Button guarda algumas características semelhantes ao piloto que considera seu grande ídolo, mas não com a mesma intensidade. Apesar de ser conhecido como um piloto que cuida bem dos pneus, por sua condução suave, poucas vezes se viu em vantagem real por conta disso. Talvez seja uma propaganda tão enganosa quanto a tal habilidade política de Prost.

Alain Prost Jenson Button
GPs 199 234
Vitórias 51  (25,6%) 15 (6,4%)
Poles 33  (18,5%) 8 (3,41%)
Pódios 106  (53,2%) 49 (20,9%)
Abandonos 59 (29,6%) 61 (26,0%)

 

As grandes vitórias de Button ocorreram em provas com chuva e pista seca, quando o inglês soube ler quando trocar os pneus para se dar bem. Nesse quesito, Austrália e China em 2010 e Canadá em 2011, sua vitória mais memorável, saltam à memória. Fora isso, Button é um piloto consistente, não comete muitos erros, mas se perde muito facilmente com o acerto do carro.

Por outro lado, é o “verdadeiro” político nesta nessa comparação. Teve lá seus problemas com a Williams no passado, mas se tornou o queridinho da BAR-Honda-Brawn e agarrou com unhas e dentes a oportunidade na McLaren. Com toda fleuma de garoto classe média-alta britânico, escancarou os pontos que distanciavam Lewis Hamilton da equipe. Porém, quando achou que teria o time para si, está dando sinais de que sente o golpe de dividi-la com o endiabrado e endinheirado Sergio Perez. Em momento delicado, a McLaren precisa da grana mexicana e Perez é um piloto em desenvolvimento, não um caso perdido.

Por enquanto, a política de Button com Perez tem sido bem ao estilo Prost: polida, mas pública. E a história mostra que pode ser um tiro no pé.

Vocês veem semelhanças entre os dois? E em relação aos demais pilotos do grid, quem lembra quem?

15 comentários Adicione o seu

  1. wagner disse:

    Ju, as poucas memórias que tenho da pilotagem de Prost, era entender a “mágica” de como um piloto que ficava na dele na corrida, conseguia um rítimo alucinante nos 20 minutos finais . Prost gostava de largar com pneus mais duros, fazendo uma corrida gradual, onde no fim, com o carro mais leve engolia seus adiversários, juntando-se a isso uma F-1 menos tecnológica e imprevisível, tanto mecanicamente, com carros quebrando mais, quanto no consumo de combustível. Realmente uma categoria mais falível…Hj a aerodinâmica conta demasiadamente!

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    1. redhorse disse:

      wagner ou Wagner Almeida

      Quando iniciar alguma coisa, não a queira terminar tão cedo. Responda:

      http://www.totalrace.com.br/blog/juliannecerasoli/2013/05/29/os-segredos-da-tatica-vencedora-de-rosberg-e-por-que-pode-ser-diferente-no-canada/#comment-27868

      [Não importa o que aconteça, sempre irei te rebater. Faça o mesmo (mas, por favor, utilizando os neurônios)]

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  2. Max disse:

    Não acho que vai ser difícil para o Button, pois o Perez tá longe de ser um Senna, ou Hamilton.

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  3. Fernando - Foz disse:

    Penso que Button é um piloto pouca coisa acima da média, longe, bem longe de ser gênio. O problema dele é que o carro deste ano não é bom e mesmo que fosse, a Mclaren tem histórico de “não beneficiar” um piloto em detrimento de outro, soma-se à isso a grana do ligeirinho. Perez não é nenhum fenômeno, mas tem uma grande margem de crescimento e pode sim, até sonhar em ser campeão. Patrocínio ele tem de sobra, por conta disso aliás, está sentando numa Mclaren. Hulkenberg e Sutil são muito mais pilotos que o mexicano, o fator grana pesou muito na “escolha” do Perez.

    Quanto ao Button e Prost, acho que eles tem algo em comum na pilotagem, o fato de precisarem de um foguete muitíssimo bem ajustado, pois caso contrário levam pau do companheiro. Não vejo Button fazendo o que Alonso fez em 2012 por exemplo, na verdade não vejo ele fazendo nada perto daquilo.

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  4. Davi disse:

    Difícil, hem… Sem dúvida o Proust foi mais vencedor, mas, na década de 1980 havia um número menor de concorrentes velozes e talentosos. Hoje, o Button enfrenta caras como Alonso, Vettel, Hamilton e Raikkonen… Com uma concorrência maior, os resultados tendem a ser menores. Quanto ao estilo, talvez o Proust se assemelhe mais ao Raikkonen, que também é polêmico fora das pistas e que tem uma regularidade absurda, mesmo sem ser demasiadamente agressivo.

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    1. Americo disse:

      Pera lá… Não é assim também. Muitos bom pilotos correram na década de 80. A citar Lauda, Piquet, Mansell, Senna, Reutermann, Laffite, Jones… Correu muita gente fera na década de 80. Não dá pra dizer que essa geração é melhor. Lógico, também não dá pra dizer que é pior.

      Sobre a comparação, acho que não chega nem perto de Prost. Button está muito aquém não só de Prost mas de Alonso, Hamilton, Vettel. Só ganha de alguns do grid atual.

      Minha humilde opinião.

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  5. Wagner Almeida disse:

    Ótimo post mas pra mim, o “verdadeiro” Alain Prost da atualidade é Fernando Alonso. Como o professor, é muito forte e rápido em ritmo de corrida e apesar de rápido em classificação, parece que outros pilotos tem realmente mais velocidade em uma volta lançada, como Vettel ou Hamilton. Prost também sofria em treinos com Senna e Mansell, mas seu ritmo de corrida não deixava nada a desejar e por vezes era melhor. Assim como Alain, Alonso pensa a corrida como nenhum outro, e sabe ser agressivo na hora certa. Aonde eu ousaria dizer que Alonso é melhor que Prost é na chuva, onde este deixava um pouco a desejar e aquele é ótimo, um dos melhores da atualidade(veja Nurburgring 2007, Hungria 2006 e outras tantas). Tenho convicção que se Alonso não tivesse perdido dois anos com aquela Renault ruim e o ano de 2011 com a ferrari se arrastando, teria números mais próximos ainda aos de Prost. Jenson Button eu respeito muito, acho muito bom piloto, mas não acho que não chegou ao nível de Prost. Abraço a todos.

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    1. Jay Cutler disse:

      Concordo.

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  6. Elcir disse:

    Vettel lembra o Senna, rapido em volta lançada, muitas poles e abre distância para controlar a corrida, mais menos agressivo, com um toque do Schumacher. Hamilton lembra Mansell, rapido, agressivo, mas não desenvolve tão bem o carro, além do tudo ou nada. Alonso é o verdadeiro Prost, rápido, acertador de carro, político, apesar de criar inimigos internos e externos, reclamando muitas vezes sem razão. O unico que não tem um comparavel é o Piquet. Não achei.

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    1. Chinaski disse:

      Quem mais se aproxima do Piquet no grid atual é o Raikkonen

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      1. Chinaski disse:

        Tanto na pilotagem qto no jeito fanfarrão

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    2. Augusto disse:

      O Alonso lembra o Piquet também, na pista Piquet e Prost eram parecidos.

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  7. Franco disse:

    Embora um exercício bacana, entendo que as comparações acabam sendo pouco válidas. Isso porque os carros, tecnologia e circuitos são absurdamente diferentes entre as épocas. Hoje os carros da F1 são tão cheios de tecnologia, dependentes da aerodinâmica e correm em pistas que são mesas de brilhar. Comparar a situação de hoje com as décadas de 50, 60, 70, 80 e até 90 é descabido. Imagine um F1 atual correndo no carrossel de Nuburgring, Avus, velha Monza, Clemond Ferrand, velha Interlagos… até as pistas atuais com velhas zebras que mais pareciam muros. Não dá. Imaginar essas coisas é quase um exercício de ficção científica ou pensar sobre um filme de Almodovar.

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    1. plow king disse:

      Isso ai.

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  8. Jobson disse:

    Difícil comparar, eles correram em épocas distintas, com regulamentos e com carros diferentes.

    Prost sempre esteve em boas equipes e teve bons carros, já Button quantos bons carros teve antes de chegar na McLaren! BAR 2004 e Brawn 2009. Só!

    Quanto à dupla Perez x Button, não tem muita chance de dar certo na McLaren, só não veremos um repeteco de 2007, pois a equipe inglesa fez um péssimo bólido, não vai brigar pelo campeonato, talvez no máximo por pódios. Mas a antipatia entre Jenson e Sergio é clara. Creio que o Jenson Button deixa a equipe antes da chegada da Honda.

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