“Deixe-me pilotar, cara!”

Cadê o sorriso, Lewis?

Ele foi contratado a peso de ouro pela Mercedes para substituir ninguém menos que Michael Schumacher. Mas o início do casamento entre Lewis Hamilton e a Mercedes não tem sido tão feliz quanto ambas as partes esperavam. E não é pelo motivo que muitos esperavam: a falta de rendimento da equipe alemã, que cresceu muito em relação ao ano passado.

É Hamilton quem não está rendendo na pista tudo o que pode. Nas três primeiras provas do ano, o inglês foi irrepreensível nas classificações, ainda que o companheiro Nico Rosberg tenha demonstrado um ritmo de prova pelo menos tão forte quanto. Porém, a partir do Bahrein, o inglês passou a admitir uma dificuldade em se adaptar aos freios. Problema curioso, é verdade, pois, no Canadá, circuito em que a confiança em freada é meio caminho andando, Lewis parecia em outro planeta em relação a Nico.

Há que aproveite essa dificuldade que Hamilton vem tendo para cravar o ex-companheiro e alvo fácil dos tempos de kart para relativizar as críticas ao final da carreira de Schumacher, que passou os últimos três anos na Mercedes. Afinal, parece que levar tempo de Nico não é tão vergonhoso assim. Porém, por declarações tanto do próprio Hamilton, quanto de seu chefe, Ross Brawn, essa dificuldade tem a ver com a adaptação – e deve, portanto, ter prazo de validade.

Dois episódios recentes mostraram problemas de comunicação entre piloto e equipe. Em Mônaco, Hamilton perdeu um pódio porque entendeu que deveria diminuir o ritmo antes de sua parada, mas aparentemente não houve nenhuma instrução nesse sentido. No Canadáa, reclamou do excesso de informações dadas por seu engenheiro – “deixe-me pilotar, cara”, exclamou quando era perseguido por Alonso.

Hamilton nunca foi técnico ou detalhista, como o próprio espanhol ou Vettel. Nas comunicações com seu engenheiro nos tempos de McLaren, ficava a impressão de que o piloto precisava de informações mais básicas e tinha pouco poder de decisão sobre acertos e estratégia. De forma justa ou não, o inglês sempre foi tido como emotivo demais para ser um líder. Não é com esse papel que ele rende mais. E, como vimos claramente na campanha pífia de 2011, um Lewis fora de sua zona de conforto psicológico é um Lewis errático demais para lutar por vitórias.

A Mercedes vem descobrindo que contratou um grande piloto, mas talvez não tipo que Ferrari e Red Bull têm. Para que Hamilton brilhe com toda intensidade que seu talento natural permite, será preciso acertar, mais do que os freios, a sintonia fria entre piloto e equipe.

Coluna publicada no jornal Correio Popular

13 comentários sobre ““Deixe-me pilotar, cara!”

  1. Será que pode se esperar a saída de mais um engenheiro da Mclaren? O engenheiro de Kimi na Lotus é o Mark Slade que trabalhou com ele nos tempos de Mclaren e imagino que nem se ofende mais com o jeitão Kimi de ser quando se comunicam pelo rádio.
    Eu gostava do Phil Prew com Hamilton na Mclaren, aquela “emoção” na comunicação pelo rádio “Parabéns, Lewis, você é P1, fulano P2, sicrano P3…”
    Que talvez equilibrasse o fato de Lewis ser tão emotivo, pois precisava de um engenheiro que se comportasse de maneira ‘robótica’ na hora da corrida. E pelas poucas entrevistas que eu vi de Phil, ele é um cara completamente normal.

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  2. “De forma justa ou não, o inglês sempre foi tido como emotivo demais para ser um líder.”

    Realmente vc está totalmente certa com essa afirmação tanto que quando o líder da equipe Mclaren em 2007 , o cerebral Fernando Alonso(o cara dos 0,5s) pediu para sair por não aguentar a pressão do novato todos diziam que Hamilton não conseguiria levar a Mclaren ao título em 2008 e para frustação dos entendedores de F-1 quem ganhou esse campeonato foi hamilton no seu segundo ano de F-1.Concordo com vc, realmente Hamilton não serve para ser líder,talvez button seja melhor e é apenas coincidência o descalabro da Mclaren com a saída de Hamilton e a melhora da Mercedes com a chegada de Hamilton(quando todos diziam que esse ano a Mclaren seria uma das candidatas ao título e a Mercedes andaria no pelotão do fundo.

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  3. Rosberg e Hamilton forma a melhor dupla de pilotos do grid atual, vejo o vettel como o melhor de todos no grid pelasua velocidade e inteligencia, em velocidade hamilton é igual a vettel vejo Alonso abaixo desses dois embora Alonso seja muito cerebral e sabe ler a corrida muito bem é menos veloz equanto ao emocional Alonso é extremamente emocional ele precisa está 100% na zona de conforto conforme 2007 e alemanha 2010.

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  4. vcs querem criar confusão onde não tem…brasileiro é muito ressentido..porque ganhou do fraco massa por um ponto o mundial de 2008. deixa isso p galvão, que é racista e invejoso, menina.

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  5. Post bobo talvez influenciado pela antipatia de quem o escreve, o que sei e que o Lewis e campeão se isso mão for o bastante! o que será, isso tudo deve ser a síndrome de 2008 so pode convenhamos o Vettel o homem clichê todos os possíveis do esporte a motor ela faz. Alonzo e o tudo pela vitória e so escrevem bobagens sobre o Hamilton.

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  6. É um piloto inglês numa equipe anglo/germânica. Será que isso têm alguma influência?
    Ou talvez Hamilton não seja tão bom assim como ele imagina ser.
    Querer um carro dominante todos querem e não dá pra contar com isso. Se você tem um carro super especial, é uma sorte. Na maioria das vezes é preciso lidar com o equipamento que se tem nas mãos.

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  7. O Hamilton tá muito longe de ser o gênio que acha que é. Muito longe. Não tem a frieza, inteligência, nem força mental para tal. O piloto genial é aquele que tira do carro o que ele não tem, em qualquer regulamento, em qualquer condição climática, em qualquer dificuldade. Genial na Fórmula 1, hoje, existe apenas um espanhol que tem fama de carrancudo pelo achismo vazio de uma grande parte de “fãs” de comentários vazios de rede globo. O Hamilton tá muito mais pra uma criança mimada que bate o pé quando não fazem o que ele quer do que pra gênio. É um piloto muito bom, sim. Mas só.

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  8. Julianne, discordo sobre essa conversa de rádio do Canadá.

    Hamilton, assim como Raikkonen, sempre fez dessas. Raikkonen desde 2008 dizia coisas semelhantes ao “leave alone” na Ferrari e a Lotus simplesmente descobriu como fazer um marketing em cima disso, e Hamilton, apenas para citar um caso, disse “don’t talk to me while i’m racing” na Alemanha em 2011, quando era perseguido por Webber.
    Em comum com a situação do Canadá, o fato de enfrentar uma situação de pressão na pista e precisar de concentração total.

    Hamilton tem é surpreendido na Mercedes. Apesar de não andar tão melhor que Rosberg quanto era esperado, tem se mantido longe de encrencas e tem consciência de até quando lutar por uma posição, algo que muitas vezes lhe faltou na Mclaren.

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  9. Tem varios Pilotos Bos no atual grid
    Mas tem os pilotos geniales como Hamilton, Raikkonen e Alonso….
    ….
    Mas por cima deles tem um fora de serie… Se alguiem duvida, recomendo abrir os olhos.

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  10. Dos pilotos no grid o que mais vem crescendo é o Sebastian Vettel,a cada ano ele melhora ainda mais,o garoto é uma esponja aprende depressa e corrige o seus erros.

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