Corridas e análises

Ganhadores e perdedores do GP da Grã-Bretanha – e o freak show dos pneus

Só depois de um freak show de pneus estourados que a FIA resolveu sair de sua inércia e convocou uma reunião com Pirelli e equipes. A ideia é que não seja mais necessário ter unanimidade para mudar a construção dos pneus, uma vez que a empresa italiana reluta em justificar uma alteração por motivos de segurança. Difícil saber o que pode ser feito em tão pouco tempo, uma vez que a pista de Nurburgring também não é das mais amistosas com os pneus. Difícil, também, entender por que as falhas de Silverstone foram diferentes daquelas vistas até aqui – os pneus estouraram de verdade, não continuaram inflados.

Sobre o campeonato – sim, há um campeonato! – a frase que fica é a de Alonso, ainda no pódio. “Houve domingos em que marcamos mais pontos e eu estive mais otimista do que hoje.” Mesmo com o abandono de Vettel e tendo descontado pontos em relação ao líder, Ferrari e Lotus saem de Silverstone com o sinal amarelo piscando. Perder terreno em relação à Red Bull em circuitos atípicos como de Monte Carlo ou Montreal era até aceitável, mas o desastre da classificação na Grã-Bretanha não estava nos planos.

Mesmo que o ritmo de corrida não tenha sido tão ruim como o de classificação, como é de praxe, Alonso e Raikkonen não podem continuar largando atrás se quiserem diminuir os 21 e 34 pontos, respectivamente, que têm de desvantagem para o alemão. É claro que mais problemas podem acontecer com a Red Bull, mas, quanto mais mão-de-obra Fernando e Kimi tiverem no meio do pelotão, maior a possibilidade deles também se envolverem em confusão ou não conseguirem maximizar seus resultados.

A Lotus não cresceu tanto quanto esperava, mas pelo menos correu com dois carros com especificações diferentes, gostou do que viu na corrida com o duto passivo usado por Kimi e agora tem de estudar os dados para juntar o que há de melhor para a Alemanha. Já o problema da Ferrari é o mesmo dos últimos anos, a correlação, algo que parecia ter ficado no passado.

Para piorar o cenário dos caçadores de Vettel, a performance de Silverstone firma a Mercedes como segundo melhor carro no geral. Como Hamilton e Rosberg estão mais distantes de Vettel na tabela, mesmo se tirarem pontos do alemão, podem servir como “escudeiros involuntários”.

Falando em Mercedes, se alguém duvidava que o teste de Barcelona tinha o ajudado, o ritmo em um circuito de alta velocidade e que demanda muito dos pneus – até demais, pelo visto – deu ainda mais razão para quem não ficou feliz com o brando veredicto da FIA.

26 comentários em “Ganhadores e perdedores do GP da Grã-Bretanha – e o freak show dos pneus”

  1. Ross Brawn é especialista em ler regulamento técnico e encontrar brechas onde tirar vantagem. Agora a Pirelli pode desenvolver um novo pneu e a Ferrari pode se oferecer a rodar os 1.000 km para tentar desenvolver o próprio carro e de preferência o Alonso comandando os testes.

    Triste sina do Massa, quando parece que vai dar a volta por cima, algo acontece que joga ele lá para o fundão. Pelo menos mostrou boa recuperação.

  2. Eu li, por aí, que o Christian Horner sugeriu que o teste que será feito daqui a três semanas, fosse realizado com os pilotos titulares, e não com os novatos. O Domenicali concordou.

    Mas seria isso possível?

  3. Ju, difícil entender o que acontece com a Ferrari, a equipe aparentemente ficou muito para trás depois de Barcelona, ainda mais na classificação. Hoje a equipe tem enormes dificuldades em ser a terceira força no sábado. Qual a explicação técnica para isso? Tem relação direta com os pneus? Pq olhar o desempenho do Massa mostra bem como está a equipe. Quando ele vai mal no sábado ficando na Q2 sabemos que a coisa está complicada. E enquanto eles não resolverem está questão do sábado podem ter poucas esperanças em relação ao campeonato. Alonso sabe bem disso.

  4. Não deu pra entender a estratégia da Lotus em não trocar os pneus do Kimi após o abandono de Vettel. Se não tivesse entrada safety-car, até seria possivel que Kimi se mantivesse em segundo. Mas como houve, não trocar os pneus foi pedir pra perder um pódio.

  5. Olha… Minha humilde opinião e eu espero morder a língua, pois gosto da briga na pista, mas… o campeonato acabou. Com uma superioridade dessa e vendo a limitação de Lotus e o pouco desenvolvimento de Ferrari, Seb já sacramenta o campeonato. É muito complicado tirar a pontuação e aparentemente o Alonso está contando com o infortúnio da RBR e do alemão e não de sua presença a frente de Seb. Se quer ganhar esperando a falta de sorte do Vettel… complicou. Ou ganha na pista, ou não ganha.
    Espero de verdade estar errado. Mas pelas declarações do Alonso, é o que ele espera, que a falta de sorte (que na minha visão na Malásia e em Mônaco foi incompetência dele e da equipe) virem para o lado da RBR.
    E outra coisa… o pessoalzinho da TV Bobo tem que parar de na hora de que qualquer coisa dá errado para qualquer um a frente do Alonso manda um: mas o espanhol tem sorte… Sorte de campeão. Tanta sorte que o coitado perdeu o título em 2012 por apenas 3 pontos, em 2010 e 2007 por miúdos pontos também. Isso é ter sorte? Só que não… Eita que tá difícil ver corrida.

    1. Eu concordo com a Julianne, a Mercedes acertou a mao com os pneus…o Hamilton teria ganho facil se nao fosse o estouro, entao pode por eles na briga o q. (em parte) acaba sendo bom para Alonso e Kimi.

      1. Mas acaba não sendo mal pro Vettel. Se a Mercedes for mais rápida e ganhar da RBR, ela também ganhará da Ferrari e da Lotus. O fato é que, sem uma melhora da Ferrari e da Lotus, não há mais luta pelo campeonato. E o Rosberg e o Hamilton estão muito longe da briga pelo título. São 45 pontos pro Hamilton e 50 pro Rosberg. È ponto demais pra carros que estão brigando muito junto. Se a Mercedes estivesse frente, tiraria, mas correndo assim junto… Acho difícil.

      2. Tem 43 pontos de diferença para Hamilton nada que duas vitórias consecutivas não resolvam.

      3. Duas vitórias consecutivas e nenhum ponto pra Vettel. Mas… Já avisaram pro alemão desse plano? E pra RBR? Se tá tudo acertado então tudo bem.

  6. A sensação que fiquei da Mercedes foi o famoso engana que eu gosto, afinal antes da quebra de Vettel, Rosberg estava a menos de 3 seg e diminuindo, portanto o teste surtiu efeito…me parece a “Brawn 2013”. Ju, sobre o fato da Mercedes servir de escudeiro para a RBR, penso um pouco diferente, pois se continuar nessa toada, os prateados podem se firmar na luta pelo campeonato, afinal são os mais rápidos em volta lançada, e como teoricamente diminuíram o desgaste…

    1. Mas mesmo assim, ele conseguir manter a posiçao…ou seja, se Hamilton e Vettel nao tivessem problemas, eles seriam P1 e P2, como eles sairiam, o P3 virou P1…eheheh

  7. Ah, os pneus! 🙁

    E nem chegou ainda as 2 corridas que eu tenho mais temor e já falo disso há meses.
    Ah, o regulamento isso, equipes injustiçadas aquilo…Pro inferno com tudo isso. Estamos falando de SEGURANÇA. O resto é SECUNDARIO.
    O problema dessa discussão é o “fator torcida”. As pessoas analisam levando em conta pra quem estão torcendo. Oras, que se de então desde já o título pra quem quiserem, não perco o sono por causa disso. Que se de 200 pontos a mais pros pilotos da Lotus, Force India e Ferrari, mas mudem esses pneus enquanto nada de VERDADEIRAMENTE grave aconteceu.

  8. Essa é a pior temporada que assisto desde 94. Além de ver corridas comprometidas(lider estourando pneu, piloto fazendo corrida fantástica estourando pneu, pilotos deixadndo de disputar poupando pneu pra cruzar a linha de chegada…) ainda por cima minha torcia não é mais pra que este ou aquele piloto ganhe ou seja campeão, é pra que todos chegem vivos no fim do campeonato. Uma pena!

  9. Julianne,
    Pergunto: até onde a viseira de um capacete e o próprio pescoço do piloto resistem ao impacto do peso de uma banda de rodagem – praticamente inteira – lançada a mais de 250 km p/hora? Alonso disse que teve muita sorte em escolher o lado certo para escapar de uma delas que vinha em sua direção. Como disse alguém em outro blog, parecem até bacalhaus (só que mais rígidos).
    Se a Mercedes resolveu mesmo o problema da degradação dos pneus, como explicar a explosão do pneu do carro de Hamilton? Apenas pelo seu estilo agressivo de pilotagem? Ou essa explosão não decorre da degradação? Embora com carro diferente, e quanto a Perez, que sempre foi conhecido como extremamente hábil no trato com pneus? Ou Rosberg teve muita sorte ou é um baita encantador de pneus também.

    1. Lembro ainda que Gutierrez – que teve um pneu de seu carro explodido – foi agraciado com o prêmio de maior poupador de pneus da GP 2.

    2. A explosão do pneu não teve como causa principal a degradação, pois Hamilton terminou a corrida em quarto após cair para último com apenas 2 pit-stops.E no final com pneus usados passou carros como lotus e force india que economizam bem os pneus.

    3. (Desculpe a intromissão)

      Rosberg, Vettel e Alonso também tiveram danos nos pneus, só que os mesmos não chegaram a “dechapar”.

      Por isso, creio os estouros não tiveram muito a ver com a degradação. Se fosse, a Ferrari, por exemplo, não teria sofrido tais danos com seus pilotos.

      1. (Citei a Ferrari, pois a equipe Italiana, ao lado de Force India e Lotus, é vista como a que mais sabe “cuidar dos pneus”)

      2. Caro redhorse,
        já li que você procura comentar com a razão e respeito a sua opinião, mas acho que a degradação leva às explosões também, embora eu não seja um especialista em pneus. Esses farellis estão se degradando até com quem os trata bem (carros e pilotos). Estou tentando entender como a Mercedes pode ter se beneficiado tanto assim com aqueles polêmicos testes se os pneus continuam os mesmos, ainda que aquela equipe possa eventualmente ter experimentado novas soluções aerodinâmicas (em Mônaco andaram intencionalmente devagar na corrida). O pneu do carro de Hamilton explodiu, a meu ver, por algo ligado à degradação, embora Rosberg tenha uma condução suave (que aliás não é até o que parece na prática, pois está andando muito este ano), argumento reforçado pelas explosões ocorridas também com Perez e Gutierrez, que sabidamente cuidam bem de pneus. Finalmente, creio que a situação está ficando perigosa, porque essas lascas não são de espuma e podem machucar seriamente alguém. Sempre fui contra essas artificialidades. Minha insignificante opinião.
        Abs.

      3. Acredito que o principal fator para a explosão dos pneus não tem haver com degradação pois hamilton saiu de vigésimo primeiro após a explosão para quarta colocação com apenas dois pit-stops, sendo que ultrapassou carros como lotus(raikkonen) e force india (sutil) com pneus velhos.Ou seja Hamilton economizou melhor seus pneus do que Rosberg, Alonso e Webber que precisaram de 3 pit-stops para terminar a corrida.

      4. Caro, aucam, o teste tanto ajudou a Mercedes, que Rosberg acompanhou Vettel durante toda prova, com a diferença não passando dos 3 seg, portanto o rítimo de prova dos prateados melhorou consideravelmente, e penso que o alemão já esteja de olho na turma de Brawn, afinal possuem o carro mais rápido na briga pela pole. Posso estar sendo ridículo, mas a Mercedes é favorita a fazer todas as poles até o fim do campeonato…

      5. aucam

        “mas acho que a degradação leva às explosões também”

        Eu disse que “não tiveram muito a ver com a degradação”. Coloquei a palavra “muito”, pois é evidente que a degradação também tem sua parcela de culpa, mas creio que somente ela não iria causar os transtornos que vimos até agora.

        Tanto é que, a partir do GP da Hungria, a Pirelli irá alterar apenas a “estrutura” dos pneus, e não a “composição” dos mesmos. Ou seja, iremos continuar a ver pedaços de borracha fora da linha dos carros, mas sem as famosas e perigosas explosões.

        (No GP da Alemanha, ao contrário do aço, os pneus terão a cinta de Kevlar, ou seja, também nada de alteração quanto à composição)

        “em Mônaco andaram intencionalmente devagar na corrida”

        Não sei se entendi o que você quis dizer, mas enfim, corrija-me se não compreendi corretamente.

        Creio que as Mercedes poderiam ter forçado mais que, mesmo assim, não iriam sofrer com o “famoso desgaste” que vinham tendo até então. Vejo que os mesmos apenas utilizaram a cautela em demasia, pois como sabiam da característica do circuito (difícil ultrapassar), não viram motivos para arriscar (andarem forte) e, eventualmente, correrem o risco de os pneus “sumirem”, sendo assim, obrigados a fazerem mais paradas que os concorrentes.

        Ou seja, acho que eles encontraram a “fórmula mágica” já em Mônaco, apenas foram cautelosos demais, pois não viram, devido a característica do GP, motivo para tanta preocupação (serem ultrapassados).

        “já li que você procura comentar com a razão e respeito a sua opinião”

        Só para esclarecer > Quando eu digo que “comento com a razão”, quero dizer que não comento seguindo o “coração de torcedor”, e não dizer que “tenho razão”.

  10. Caros Redhorse, Thiago Basílio e Wagner:

    Obrigado pelos pontos de vista expressos. É bom trocar idéias com quem esgrime com argumentos. Como simples mas velho aficionado por automobilismo, lamento não ter “expertise” para embasar minhas desconfianças no que se refere a degradação estar ligada às explosões. Se não me engano, Julianne reportou aqui a dificuldade que as equipes têm em prever o momento exato em que os pneus podem colapsar, ou, para eu não ser radical na descrição, perder a eficácia abruptamente, resultando em voltas absolutamente sem competitividade. Não sei se fatores como calor excessivo e pressão insuficiente podem ocorrer nessas condições, levando ao esfrangalhamento. E sem querer tergiversar, mesmo que a fixação da banda de rodagem nada tenha a ver com as explosões, acredito que elas também são uma degradação, de uma certa maneira. Significa que algo está errado na construção dos pneus – a Pirelli, pelo que acabo de ler, produziu declarações contraditórias após as análises que fez nos pneus esfacelados, falando inclusive em pressão insuficiente nas calibragens (bom, nos carros comuns, ao que seu saiba, pneus com libras a menos têm a temperatura aumentada, principalmente em altas velocidades, daí a necessidade de calibrá-los quando frios). A fabricante atribuiu as ocorrências às equipes por mau uso dos pneus e depois disse que não era bem assim, que não pretendia culpá-las. Interessante que nesse “affair” ficou evidenciado um detalhe ao qual Julianne havia aludido aqui no blog: o macete da inversão de lado dos pneus. E agora a fornecedora pretende utilizar mistura de estruturas do ano passado com as deste ano (por acaso têm alguma influência para melhor na fixação das bandas ou seria só mesmo para dar mais eficácia e durabilidade, evitando excesso de paradas?). Francamente, tenho minhas dúvidas. Mas Thiago, é fato que Hamilton voou após a troca (mesmo com pneus desgastados, fazendo uma corrida brilhante, e Massa também teve excelente recuperação. E Wagner, de jeito nenhum você está sendo ridículo, a Mercedes tem um carro cada vez mais veloz e pilotos à altura, no entanto, ainda assim, acredito firmemente no tetra de Vettel. Redhorse, eu entendi e quís dizer que você expressou procurar fazer seus comentários com racionalidade, e não com emoção. Mas eu, que – como dizia um certo comercial – sou do tempo do “velho e bom carburador” confesso ter a impressão que a F 1 se sofisticou em excesso, em todos os aspectos. A receita desandou. Mas não sou saudosista nem contra o progresso.

    Meu abraço.

    1. Sobre a menor calibragem, aucam, faz sentido, afinal menos inflados, aumenta a superfície de contato com o asfalto, melhorando o grip mecânico nas velozes curvas de alta…mas sabemos que tudo na F-1 é exponencial!

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