Corridas e análises

Ganhadores e perdedores do GP da Alemanha

O asfalto e a Lotus deram um calor na Red Bull no GP da Alemanha, em outra prova em que a Mercedes surpreendeu. Agora, pelo retorno dos problemas que pareciam superados após a vitória de Silverstone. A Ferrari, mesmo melhorando em relação à última etapa, não teve ritmo para bater a Lotus e se viu obrigada a “apelar” na classificação para melhorar suas chances na corrida.

Este cenário aponta para o tetracampeonato de Vettel. Isso porque, mesmo tendo sofrido muita pressão durante a prova de Nurburgring, o alemão tem a seu favor o fato de que nenhum rival constantemente aparece como a maior ameaça. A alternância na relação de forças, relacionada à sequência de mudanças e à sensibilidade dos pneus e à proximidade dos carros em termos de rendimento, faz com que a vantagem do alemão, hoje de 34 pontos, soe maior que os mais de 40 que Alonso tinha após a Itália ano passado, por exemplo. A última chance desse cenário se inverter será na estreia dos pneus traseiros com construção de 2012, assunto sobre o qual trataremos com mais profundidade nas próximas semanas.

Voltando a Nurburgring, além do crescimento da Lotus em relação a Silverstone – resultado, além do calor, de uma praticamente remodelação do carro, que vem dando frutos importantes – McLaren e Sauber cresceram, em detrimento da Force India. Essa dinâmica do meio do pelotão também será interessante de ser observada nas próximas provas.

Quem precisa reagir rapidamente é Felipe Massa, vivendo uma sequência de incidentes estranhos. Não saber o motivo de estar perdendo o carro com tanta frequência deve ser aflitivo para o brasileiro, ainda mais agora que a questão do rendimento parece resolvida.

Rendimentos à parte, uma cena que vai marcar esse GP é a “Marussia fantasma” de Jules Bianchi. No sábado, tive a chance de correr na pista, a mais dura que percorri até hoje justamente pelas subidas, que não ficam tão claras na TV. A primeira, bastante forte, é depois da curva sete. Depois, segue uma reta com uma leve elevação até outra subida na chicane da 13 e 14, que acaba sendo cega devido à elevação, próximo de onde a Marussia parou. Não chegou a surpreender, então, que a pressa de Bianchi em sair de um carro em chamas tenha resultado em mais um episódio insólito nesta temporada.

13 comentários em “Ganhadores e perdedores do GP da Alemanha”

  1. “Marussia Fantasma” hahahahahahahahaha. Boa essa. Já de persé são figuras meio que vazias dentro do grid. Não podería conseguir apelativo melhor. +LOL

  2. Pneus, pneus, pneus!

    Ju, já é possível fazer alguma avaliação da relação das equipes com os pneus com kevlar? Lotus, Force India e Ferrari se opuseram à mudança semanas atrás porque tiravam vantagem dos antigos pneus. Agora que a mudança inevitavelmente aconteceu a Lotus surpreendeu muito bem e a Force India – que foi quem mais relutou em aceitar os novos pneus – teve um fim de semana ruim.

    Creio que o desempenho da Ferrari nesse fim de semana esteja um pouco fora da questão dos pneus, já que a queda de rendimento dos italianos parece ter a ver com a falta de efetividade global da F138 de algumas semanas para cá.

    E a Mercedes? O ritmo de corrida ruim deles tem a ver apenas com a temperatura mais alta registrada em Nurburg hoje ou também foi influenciado pelos novos pneus?

    1. Os pneus usados neste final de semana são diferentes dos que vão estrear na Hungria, então temos de esperar.

  3. Julianne, Kimi disse que talvez fosse possivel ir até o final da prova sem fazer o terceiro pit. Seriam 31 voltas de médio. Sera que os pneus aguentariam tudo isso? Outra coisa, ja teve a oportunidade de correr na pista de Spa?

    1. Segundo a equipe, já havia sinais de degradação e, por isso, decidiram parar mesmo que a sensação de Kimi fosse outra. Era uma situação como do Canadá do ano passado, quando Alonso ficou sofrendo na pista e perdeu para o Hamilton e o Vettel. Nurburgring é um circuito de ultrapassagens mais difíceis, mas ainda assim tenho dúvidas de que Kimi conseguiria se manter na frente com pneus tão usados até porque você está certo: as equipes previam usar os pneus médios por 20-22 voltas, então 31 seria um grande risco.

  4. O grande perdedor é quem disputa o título com o Vettel. Depender de abondono do alemão é muito pouco. Ferrari não parece ter força pra ser P1, P2, está entre P3 e P4 normalmente ou pior. E o Raikkonnen está muito inconstante. Ora briga pela ponta, ora mal chega em 5º. A Mercedes que poderia brigar tem que fazer o final de semana de Silverstone algumas vezes (sem os estouros dos pneus) para chegar de vez. Então esse ano, já Élvis. Mas a torcida pra ter uma reviravolta pra botar fogo no campeonato continua.

  5. Bom dia Julianne…não tem muito a ver com o seu post, mas aguardo ansioso as traduções ainda do GP de Silverstone, aquelas voltas finais devem ter sido bem narradas. E claro, em breve as traduções da Alemanha.

    Ótimo dia de trabalho.

    Fernando – Foz do Iguaçu.

    1. Acho que vou ter de pular as transmissões da Grã-Bretanha desta vez, Fernando! Só conseguiria postar isso em pelo menos uma semana devido ao tempo que me toma e o assunto ficaria muito velho. Mas daqui em diante tudo volta ao normal.

  6. Ju, voce poderia confirmar a informação se haverá ou não a punição ao “choronso” por causa da pane seca na última corrida.

    1. Não existe motivo para punição, pois ele parou para que houvesse uma amostra suficiente para ser analisada após a prova.
      Vejo que existe uma confusão nessa questão após as punições a Hamilton e Vettel ano passado, mas parar no meio da pista após uma classificação e uma corrida têm implicações diferentes:
      Na classificação, seria uma grande vantagem um piloto treinar mais leve a ponto de sequer completar a volta de retorno aos boxes, por isso não é permitido. Na corrida, o piloto pode parar o carro contando que haja a quantidade regulamentar para análise no tanque. E foi o que aconteceu com Alonso.
      O estranho desta história é ter faltado gasolina em uma corrida com várias voltas atrás do SC… Mesmo que a explicação oficial da Ferrari tenha sido essa, não descartaria a hipótese do carro ter outro tipo de problema.

      1. Nesse caso, a gente volta a questão da Malásia, onde Hamilton tinha que salvar combustível e Rosberg, não. Controlar o acelerador também é uma das dificuldades a mais nessa F-1 sem abastecimento. Foi o que o próprio Hamilton precisou fazer em Silverstone/2011.

        Acho até que esse é um dos motivos pelo fraco desempenho de Schumacher em sua volta. Aquelas voltas de classificação antes das paradas de nada serviam nesse novo regulamento.

  7. Ju, um fato interessante que notei nessa corrida, não sei se pela pista mais quente no domingo/safety car, mas a tática ortodoxa de macio/médio/médio dos ponteiros não foi a melhor tática, afinal a pouca diferença entre Vettel e Raikkonen demonstram uma ligeira vantagem para a tática da Lotus…pois parece que as táticas vencedoras sempre terminaram com vantagens próximas de 10 seg. Olhando o fim, teoricamente o ideal seria macio/médio/macio.

    1. Isso contando que o conjunto carro/piloto conseguisse estender os stints com um bom ritmo…

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