Quem vai sobrar?

Com a cobiçada vaga na Red Bull aberta pela aposentadoria de Mark Webber, a dança das cadeiras da Fórmula 1 para o próximo ano tem seus personagens centrais: Kimi Raikkonen e Nico Hulkenberg.

Há quem garanta que o finlandês da Lotus já está assinado com a Red Bull, ainda que todos neguem. Aos 32 anos e em ótima fase, Raikkonen tem seus defensores dentro da equipe tricampeã mundial, mas sua chegada poderia trazer consequências graves.

E não estou falando das dificuldades que os dirigentes da Red Bull de Sebastian Vettel teriam em lidar com dois campeões do mundo. Ainda que a relação entre eles seja muito boa, ninguém duvida que o ambiente seria naturalmente competitivo, com ambos com chances iguais de disputar vitórias e títulos. Porém, o grande problema de contratar Raikkonen seria admitir que a existência da Toro Rosso, equipe satélite que serviria para desenvolver jovens talentos ao time principal, é inútil.

De fato, a Toro Rosso revelou apenas o próprio Vettel, tendo se tornado uma espécie de exterminadora de carreiras. Os pilotos da equipe têm contratos atrelados à Red Bull e, quando são dispensados, têm dificuldade em se reinserir no mercado. A necessidade de usar a estrutura montada e o temor de instalar uma batalha interna com o dream team Vettel-Raikkonen pode ser a chance para Daniel Ricciardo e Jean-Eric Verge, atualmente na Toro Rosso. E a vantagem no momento é do australiano, que vem de duas boas provas, enquanto o francês sofreu mais quebras que qualquer outro neste ano.

Quem está olhando essa movimentação com atenção é Nico Hulkenberg. O alemão terminou o ano passado liderando corrida pela Force India, mas deu um passo atrás com a Sauber, que enfrenta dificuldades financeiras. Para piorar a situação, a necessidade de dinheiro e o recente anúncio da parceria com os russos, que inclui, na prática, a venda de um dos cockpits, podem fazer o alemão sobrar. Rápido e constante, Hulkenberg interessa à Lotus, mas, se Raikkonen permanecer no time, tudo depende do desempenho de Romain Grosjean nas próximas provas. O francês, que voltou à vida no último final de semana, na Alemanha, tem o apoio do chefe da equipe, Eric Boullier, que também é seu empresário e fará de tudo para mantê-lo no time.

Hulkenberg também aparece no cenário da Ferrari, porém mais por uma associação indireta – os italianos têm estreita relação com a Sauber – do que qualquer dado concreto. A renovação de Felipe Massa parecia encaminhada até que a série de acidentes sofrida pelo brasileiro colocou dúvidas no ar. Massa tem em Fernando Alonso seu grande cabo eleitoral, mas ainda assim precisa retomar o caminho das boas performances do início do ano para garantir seu futuro.

Coluna publicada no jornal Correio Popular.

3 comentários sobre “Quem vai sobrar?

  1. Bacana a análise, Juliana! Minha dúvida é se o Hulkenberg assinaria um contrato de segundo piloto, aos moldes do que ocorreu com Barrichello e Massa. Ser segundo piloto na Ferrari é se conformar em não lutar mais pelo título… acho ele bastante impetuoso para assumir esse papel.

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  2. O engraçado é que as equipes de ponta estão dando clara preferência para pilotos com experiência, enquanto as médias e pequenas promovem seus leilões.

    Por esse panorama é obvio que Kimi esteja com um pé na RedBull.

    O problema da Toro Rosso é que não existem muitos pilotos jovens e talentosos como Vettel. Mas também não vejo problema no fato de seus pilotos serem preteridos pela matriz.

    A principal função da equipe satélite é a de formar pilotos, mas se por algum motivo isso não acontece é normal que a RedBull procure alguém no mercado.

    E vamos combinar, a ToroRosso já cumpriu sua missão com louvor tendo sido a equipe que lançou Vettel. O tricampeonato (e quem sabe o tetra) já valeu o investimento.

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  3. Hulkenberg seria ótimo escudeiro para Alonso, na Ferrari, bem melhor que Bianchi, que é apenas o genérico do alemão. Tanto o alemão como o francês são overrated. Hulkenberg chegou com todo o gás na Williams e apanhou do Barrica em fim de carreira, além de ter claudicado diante de Di Resta em seu início na Force India. Bianchi chegou festejadíssimo na GP 2, e, sem conseguir brilhar nem muito menos ser campeão lá, engrenou uma ré para a World Series e ali apanhou do estreante Frijns. São fatos. No entanto, os brilharecos que ambos sempre fazem no Brasil rendem muita fama. Na GP 2 tem gente merecendo oportunidade na F 1.

    Mas isso na hipótese de Massa eventualmente não continuar lá.

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