Nem Vettel, nem Alonso

As apresentações seguras e consistentes de Sebastian Vettel nesta temporada levantaram a questão se o alemão, que recentemente completou 26 anos, já está no nível de Fernando Alonso, considerado o piloto mais completo em atividade. Contra o tricampeão, pesa o fato da Red Bull ser o melhor carro desde meados de 2009, enquanto o espanhol chegou a dois vice-campeonatos com equipamentos inferiores.

A cada temporada, Vettel mostra mais uma qualidade. Apagou os erros que marcaram a primeira metade da campanha de 2010, maximizou os resultados quando tinha um carro muito superior em 2011 e conquistou o terceiro título, ano passado, muito em função dos pontos somados quando a Red Bull tinha problemas para manter seu domínio no início da temporada.

Se o alemão não teve tantos desafios quanto Alonso, que vem lutando desde 2010 com um carro cuja deficiência na classificação – foram quatro poles em 67 GPs, contra 48 da Red Bull – dificulta o trabalho aos domingos, não dá para pedir mais de Vettel, que ainda não sabe o que é cometer um erro neste ano.

Mas há outro piloto que merece entrar na disputa pelo título de melhor da atualidade. Kimi Raikkonen vive, de certa forma, uma situação semelhante à de Alonso: tem de brigar de igual para igual com Vettel com um carro pior em classificação – a última pole da equipe foi em 2009 – e com um ritmo de corrida semelhante. E é terceiro no campeonato graças a uma consistência que lhe rendeu o recorde de 26 GPs seguidos nos pontos.

Mas o momento do finlandês merece adendos: o campeão de 2007 retornou à Fórmula 1 ano passado e não deu sinais de dificuldades de adaptação. Mais do que isso, demonstrou habilidade em manter-se longe dos problemas mesmo disputando no meio do bolo, costumeiro palco de confusões por contar com pilotos fora da luta pelo campeonato.

Essa acaba sendo a diferença de Raikkonen para Alonso, que perdeu o campeonato do ano passado muito em função dos dois abandonos após colisões na largada. No final das contas, a mesma agressividade que brindou o espanhol com muitas posições ganhas nas primeiras voltas de cada GP, acabou lhe fazendo zerar em momentos importantes. Dosar essa necessidade de atacar para compensar uma má posição de largada com a possível perda de terreno que excessos podem causar é algo em que Raikkonen é mestre.

Só resta à Lotus um rendimento mais linear – evitando as quedas sob baixas temperaturas – para que o finlandês possa ser levado a sério como candidato ao título. Na pista, ele tem feito sua parte.

Coluna publicada no jornal Correio Popular

11 comentários sobre “Nem Vettel, nem Alonso

  1. …e se contabilizarmos 9 pontos do incidente com Perez em Monaco, mais as estratégias equivocas da equipe em Silvestone ao não chamá-lo para o pit, e na Hungria ao chamá-lo, estaria Vettel 150 x 140 Kimi.

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  2. Seus textos são incríveis, sua analise foi perfeita. Todo mundo já percebeu isso, só resta a Lotus trabalhar de forma a garantir a briga pelo titulo.
    beaj

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  3. Se o Kimi for para a RBR e ganhar do Kimi, dai ninguém terá motivos para fazer que ele é mais ou menos. A não ser que façam cagadas como andam acontecendo com o Webber.

    Problemas de largada, pit..etc

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  4. É PRECISO DIZER: VETTEL É O MELHOR

    Quando alguém elogia Sebastian Vettel, encontra a sua volta pelo menos uma pessoa que vai rebater: “mas Alonso seria mais rápido com o mesmo carro”. Com todo respeito ao “Señor Fernando”, mas depois do último GP da Alemanha chegou a hora de dar um basta neste exercício de faz-de-conta. É impossível pilotar de maneira mais perfeito do que Vettel está fazendo nesta temporada.

    Não só por ele ter vencido finalmente em seu país e, pela primeira vez na carreira, no mês de julho. Vettel venceu neste ano cada corrida em que a Red Bull tinha o melhor carro. E tirou o máximo das provas em que o RB9 não era o melhor carro. Não fosse o infortúnio com o câmbio em Silverstone, ele já teria quase 60 pontos de vantagem. E venceu em Nürburgring, apesar da Lotus ter o melhor carro para as condições.

    Apenas o azar pode impedir que ele ganhe seu quarto título mundial em série, com apenas 26 anos de idade – é, com o melhor carro ou não, um dos grandes feitos na história do esporte. Ele está no topo de suas habilidades: jovial, experiente, infalível. É natural que com o sucesso ele tenha perdido em inocência e amabilidade, suas expressões faciais se tornaram mais duras e ele não é mais o “queridinho” de todos – pelo contrário. Mas ele merece algumas coisas: respeito, reconhecimento e valorização. Ele não é um superstar 1B, mas o campeão 1A. Possivelmente, um Schumacher melhorado.

    Gerald Enzinger é editor-chefe do semanário esportivo austríaco SportWoche.

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  5. A MAIS BELA “PRIMEIRA VITÓRIA” DE TODOS OS TEMPOS

    Todos nós vimos vários pilotos conquistando suas primeiras vitórias na Fórmula 1. Mas nenhum fez como Sebastian Vettel.

    Quando foi que um carro de equipe pequena, pilotado por um novato com pouco mais de um ano de carreira na F1 (OK, dois anos se considerarmos seu trabalho como “piloto de sexta” na BMW em 2006), venceu uma corrida depois de largar na pole position? Mais: fez tudo isso liderando praticamente de ponta a ponta numa corrida sob chuva, em condições dificílimas, sem tomar conhecimento dos adversários e abrindo vantagem sobre um piloto de uma das equipes mais poderosas da F1.

    Isto nunca foi visto antes. Por isso, a vitória de Sebastian Vettel no GP da Itália tem lugar garantido entre os grandes momentos do automobilismo em todos os tempos.

    Fez-se justiça a Gerhard Berger, hoje chefe de equipe da Toro Rosso. Aposentado como piloto desde o final de 1997, Berger foi um dos melhores de sua geração. Seu talento resistiu a pelo menos dois graves acidentes (um de trânsito, no final de 1984, e outro durante o GP de San Marino de F1 de 1989) e a um desfavorável período de três temporadas em que foi companheiro de equipe de Ayrton Senna na McLaren.

    Relatos do camarada Luís Fernando Ramos durante a transmissão Rede Bandeirantes de rádio dão conta que Vettel é um piloto com inteligência acima da média. Um garoto de 21 anos capaz de relativizar seus feitos mencionando que, fora do mundinho e do submundo da Fórmula 1, a humanidade ainda tem muitos problemas a serem resolvidos.

    Nem Alonso, nem Hamilton. Aposto em Vettel para ser o legítimo sucessor de Michael Schumacher como novo rei da Fórmula 1.

    PS – Outra razão para esta corrida ser histórica: chuva. Nunca o circuito de Monza havia tido um GP de F1 sob chuva. Em 1993, cobrindo o GP da Itália, perguntei ao veterano jornalista italiano Franco Lini (até sua morte, em 1996, ele cobriu praticamente todos os GPs realizados desde 1950) se alguma vez havia sido realizado um GP em Monza com chuva. “Não lembro. Acho que realmente não teve”, respondeu.

    Para não dizer “nunca”, vale lembrar que em 1981 uma garoa fina caía no momento da largada a pista antes da largada. Tão fraca que todos os pilotos largaram com pneus slick. Em 2004, a corrida começou com pista molhada, mas o sol já brilhava no momento da largada e o asfalto secou rapidamente. Mas GP de Monza com chuva forte e pista molhada durante toda a corrida nunca havia acontecido em 58 anos.
    http://pandinigp.wordpress.com/category/sebastian-vettel/

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  6. Ju, imagino que nos áureos tempos de Shumacher, não havia tanta concorrência com qualidade e quantidade…hoje, temos uma turma genial e homogênea, tornando vencedores e vencidos históricos, pois podemos dizer: vc perdeu para um fora-de-série, ou, vc ganhou de um fora-de-série! Resumindo: vc não ganhou de qualquer um, ou, vc não perdeu para qualquer um! Por mais simplista que seja, dependendo para quem vc perde ou ganha, a vitória ou derrota tem determinado valor. Não saberia quantificar se é verdadeiro o dizer que o segundo é o primeiro derrotado, afinal apenas um pode vencer, e dos três citados, talento e capacidade é inquestionável.

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  7. Na minha opinião o Raikkonen é o melhor piloto. Não só pelos argumentos acima citado, mas também porque mesmo quando uma corrida não têm graça alguma de se ver, ele consegue salvar o dia dando as costumeiras “patadas” em “alguns” jornalistas e suas perguntas idiotas (algo muito engraçado de se ver). Sem mencionar que ele não deixou que os marqueteiros o transformassem num “produto”. Devo confessar que foi a conduta dele que me fez torcer por ele nas corridas. Os outros pilotos parecem políticos em épocas de eleição, coisa mais chata.

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