Novos pneus trarão novas corridas?

Uma coisa é certa: essa cena não se repete nesse ano

Borracha de 2013, construção de 2012 e, pelo visto mesmo em condições bem mais quentes em Silverstone, durante os testes da semana passada, em relação ao GP de três semanas antes, parece que os novos pneus vão durar mais. A novidade, que estreia neste final de semana na Hungria e terá sua prova de fogo em Spa, promete mexer, se não com a relação de forças entre as equipes, ao menos com a forma dos estrategistas pensarem as corridas.

Isso até porque não são apenas os pneus que vão mudar, mas também a velocidade nos pits, como reflexo imediato do acidente com um cinegrafista na última etapa. Isso dá mais um motivo para que as equipes busquem alternativas para aumentar a vida útil dos pneus, uma vez que o tempo gasto para cada pit stop aumentará – em Budapeste, por exemplo, deve crescer de 12s3 para 16s4 sem contar o tempo de troca em si, segundo dados da Autosport.

Para isso, será muito importante a adaptação das equipes ao novo pneu. A modificação da estrutura altera a forma como o ar percorre sua lateral, fazendo com que sejam necessárias adaptações na asa dianteira e na região do difusor para que o fluxo seja redirecionado. As suspensões também devem ser alteradas e não está claro se a zona de temperatura em que esses pneus funcionam será tão ampla quanto nas outras nove etapas deste ano – isso porque o pneu de 2013 havia sido pensado para ser mais democrático nesse sentido, mas é possível que a alteração de construção afete isso em parte. Quem se adaptar melhor, pode dar o pulo do gato.

Ainda que o comportamento aerodinâmico dessa construção seja conhecido devido à experiência de 2012, o desafio aparece em um momento delicado: os resultados das modificações que estão sendo desenvolvidas em julho e que irão para a pista após a pausa de agosto serão decisivos para muitas equipes decidirem o quanto vale a pena continuar investindo em 2013 e qual a porcentagem será focada no ano que vem, que representa um enorme desafio de engenharia.

Isso vai depender da situação da equipe no campeonato de construtores e do tipo de problema que vem enfrentando. A Ferrari, por exemplo, sofre com peças que não dão o resultado esperado na pista e precisa resolver isso antes de abandonar o projeto deste ano. A Mercedes não consegue compreender por que seus pneus superaquecem, algo que também será fundamental para o ano que vem, pois a nova unidade de potência colocará muita energia na borracha.

Nesse confuso verão europeu, que contará após o GP da Hungria com três pneus diferentes e que teve até calor em Nurburgring, parece que as cartas não estarão na mesa tão cedo. O circuito de Hungaroring é comparável a Mônaco em termos de pressão aerodinâmica e não deve revelar muito sobre quaisquer mudanças que possam ocorrer na relação de forças. Mas não deixará de ser uma etapa interessante: será que a Mercedes, mesmo sem testar com o novo pneu, vai conseguir manter seu ritmo em classificação e, no travado, Hungaroring, incomodar? Será que Lotus e Ferrari conseguirão utilizar o calor húngaro para melhorar o desempenho aos sábados e se colocar em posição de lutar com a Red Bull na corrida? Ou será mais um passeio com a marca Vettel Ldta., com direito a pole, primeira volta perfeita e administração impecável de pneus?

 

4 comentários Adicione o seu

  1. A não ser que a Mercedes tenha um time de engenheiros monstro, como farão uma asa dianteira nova, para tirar o máximo destes pneus, sem um único dado de testes? Como o Brawn não conseguiu na “manha” um testezinho que fosse só com um carro e um piloto do grid, com a desculpa da segurança? Sei não, mas a Mercedes deve estar fora nesta etapa. Lotus pode agora mostrar que vem para incomodar o Vettel.

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    1. juliannecerasoli disse:

      Não é um pneu completamente desconhecido. Na verdade, basicamente é o testado no Brasil ano passado. Mas concordo que ter ficado fora dos testes não ajuda em nada a equipe – e a Hungria já deve ser difícil para eles em corrida devido à temperatura.

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  2. Beto disse:

    ju,esses pneus podem favorecer a aerodinâmica ?,pois a redbull era uma das mais interessadas nessa mudança de pneus.

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    1. juliannecerasoli disse:

      Sim, digamos que a construção de 2013 beneficiava mais quem conseguia bastante aderência mecânica e este efeito agora está minimizado.

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