Os mestres da consistência

Em Montreal, uma pista em que a Red Bull não costumava dominar devido às longas retas, Sebastian Vettel foi imbatível em ritmo de corrida. Na Grã-Bretanha, outro GP disputado sob temperaturas por volta dos 20-23ºC, mas em um circuito completamente diferente, em que reina a eficiência aerodinâmica, o alemão caminhava para mais uma vitória tranquila quando teve um problema de câmbio. Na Alemanha, com um pouco mais de calor e um Safety Car para agrupar o pelotão, teve de suar a camisa, mas venceu novamente. Na Hungria, em um traçado travado, em que a velocidade de reta pouco importa e a classificação é fundamental, que ninguém duvide que o cenário será semelhante.

Porém, o mais impressionante da sequência atual do piloto da Red Bull não é apenas a adaptação a pistas diferentes, como também a forma como o RB9 venceu as variações dos pneus. Isso porque o pneu do Canadá foi reforçado para Silverstone e alterado novamente para Nurburgring – inclusive com a FIA olhando mais de perto as inversões, pressões e cambagens. Neste cenário, os rivais se alternaram – Ferrari na primeira prova, Mercedes na segunda e Lotus na terceira – mas a única variável que se manteve estável foi a Red Bull.

Uns podem argumentar que Hamilton poderia ter feito frente a Vettel em duas destas etapas, não fosse o erro na última curva da classificação em Montreal e o estouro do pneu em Silverstone. Faz sentido, mas a Red Bull parece ter uma ligeira vantagem de ritmo sobre a Mercedes (isso sob temperaturas mais amenas, porque no calor é diferença é gigante) e uma distância em relação a Ferrari e Lotus na classificação, usada por Vettel para estar longe demais dos rivais quando eles se livram do tráfego na corrida.

Neste cenário, é difícil imaginar a equipe se perdendo agora que serão adotados os pneus com a construção de 2012. Aliás, ver a Red Bull ora andar bem, ora andar mal, não é algo comum de 2009 para cá. Antes, havia as pistas em que sabíamos que eles não iam tão bem, aquelas com mais retas, mas depois eles aprenderam a compensar sua deficiência. E, ano passado, após sofrer nas primeiras etapas, logo entenderam o caminho e não tiveram “recaídas”, comuns a seus rivais.

Por outro lado, note que, apesar do domínio nos resultados, a distância que o alemão consegue abrir nas provas não é gritante:

  • Canadá: 14s4 para Alonso na bandeirada
  • Grã-Bretanha: 3s1 para Rosberg antes do primeiro SC (volta 16) e 2s1 quando abandonou (volta 41, 19 após a liberação da pista)
  • Alemanha: 2s6 para Grosjean antes do SC, na volta 24

Por isso, pode ser cedo para decretar o fim do ano. Se apostar em uma queda da Red Bull com os novos pneus parece ingênuo, para os interesses do campeonato seria interessante pelo menos que um dos rivais ganhasse consistência. Na Hungria, surpreenderia se a Lotus não viesse forte. Mas e de Spa em diante, será que alguém consegue levar essa briga até o Brasil?

2 comentários sobre “Os mestres da consistência

  1. Julianne, vejo muito amadurecimento do Vettel quanto a isso. Ele simplesmente não está deixando margem para os concorrentes. A impressão que dá é que ele senta na mesa e come toda a costela assada, e, depois de raspar bem o osso joga para os adversários. Este ano ele, Vettel, está sim fazendo uma grande diferença nas corridas. Ele juntamente com Alonso e Kimi são os reis da consistência.

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  2. Lógico que o equipamento de Vettel ajuda… Mas ele simplesmente não erra. Tirando a falha do carro, ele está 100% das possibilidades que o carro deu. Não consigo ver ele chegando mais a frente em nenhuma corrida. Incrível esse feito do alemão. Até o Kimi tem corridas a melhorar no ano, mas o alemão…

    Tá difícil pra concorrência. Se fosse só o carro vencedor da RBR. Mas com tamanha consistência tá difícil de derrubar os touros vermelhos.

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