Entendendo as regras para disputas de posição

Foi-se o tempo em que a brita segurava os mais afoitos e o risco iminente de morte criava regras de conduta nas disputas por posição. Com o aumento da segurança e a adoção de asfalto nas áreas de escape, hoje cabe ao regulamento colocar os pingos nos is.

Quem reclama do excesso de punições tem de levar em consideração que o campeonato, hoje, é disputado em vários “campos de jogo” distintos e é preciso de uma regra que os uniformize. Uma ação que joga o piloto no muro nos circuitos mais travados também precisa ser coibido naqueles com amplas áreas de escape. O regulamento também serve hoje para substituir as velhas caixas de brita.

Também é importante salientar que os próprios pilotos pediram as regras mais claras. Isso resultou em modificações acordadas ano passado e documentadas no regulamento de 2013.

São apenas quatro artigos que regem os limites nas lutas por posição, com três pontos principais:

– Artigo 20.2: Os pilotos devem usar a pista todo o tempo. Para não haver dúvida, as linhas brancas nas extremidades da pista são consideradas parte dela, mas as zebras não. É considerado que um piloto deixou a pista quando nenhuma parte de seu carro está entre as duas linhas brancas. Se um piloto sai da pista, ele deve voltar apenas quando for seguro e sem ganhar vantagem. Um piloto não pode deixar a pista deliberadamente sem uma justificativa.

– Artigo 20.3: Mais de uma mudança de direção ao defender uma posição não é permitida. Qualquer piloto que volte à trajetória depois de ter defendido sua posição deve deixar o espaço de pelo menos um carro entre a linha branca e seu carro quando se aproximar de uma curva.

– Artigo 20.4: Qualquer piloto defendendo sua posição em uma reta e antes das freadas pode usar toda a extensão da pista caso não haja nenhuma parte significativa do carro que está tentando ultrapassá-lo a seu lado. Para não haver dúvida, se qualquer parte da asa dianteira estiver ao lado da roda traseira isso será considerado ‘uma parte significativa’. Enquanto defende a posição, o piloto não pode deixar a pista sem um motivo justificável.

É tudo muito claro. Ao defender a posição, o piloto tem de deixar a distância de um carro entre ele e a linha branca quando o adversário coloca o bico de lado. Além disso, não pode sair da pista para manter a posição. Ao atacar, deve manter-se entre as duas linhas brancas.

Faria um adendo à execução destas regras, algo que ficou bastante claro no episódio de Romain Grosjean e Felipe Massa na Hungria, quando o francês foi punido por ter saído totalmente da pista quando fez a ultrapassagem: os comissários poderiam avisar a equipe que viram que a manobra fora ilegal para que o time pudesse orientar o piloto a devolver a posição. Acredito que seria uma “punição” mais aplicável ao crime.

Mesmo com ajustes sendo bem-vindos, a adoção desse caminho mais objetivo é importante. Afinal, a história recente da categoria mostra que, quanto mais interpretativas as regras, maior seu uso político.

18 comentários Adicione o seu

  1. wagner disse:

    Hehe, Ju, vc trababalha em alguma companhia de eletrecidade ;-)? Post mais claro, impossível! No mais, “defesa” de posição a qualquer custo não é esporte, mas agressão! Parabéns!

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  2. ]Muguello[ disse:

    Ju, concordo com voce. Regras claras como as descritas acima, dificultam muito o favorecimento proposital. Infelizmente, de acordo com o ultimo credencial, o da Hungria, voce eh a unica que partecipou do programa com essa opiniao. Fico curioso para saber qual os argumentos dos colegas do credencial passado contra a punicao a Grosjean.

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  3. aucam disse:

    Bom, de acordo com o art. 20.2 Alonso “agrediu” Perez ao defender sua posição em Mônaco e sair da pista, hahahaha!!! A ultrapassagem do mexicano em Button foi espetacular, legítima e antológica e também acho que naquele mesmo GP Raikkonen pagou muito caro pra ver, quando deixou rolar a batida com Perez, MAS pareceu-me injusto Alonso ter sido punido quando foi praticamente “espirrado” para fora da chicane, afinal ele não tinha escolha, não foi uma defesa a todo custo de sua posição, muito menos uma agressão.
    Ainda de acordo com esse artigo 20.2 se as zebras NÃO são consideradas mais parte da pista, TODOS os pilotos deveriam ser punidos em TODAS as voltas, pois deveriam fazer tangentes em cima das linhas brancas e não SECANTES em cima das zebras, que é o ocorre NORMALMENTE e o que proporciona “tempo”. Acho que andam exagerando nos regulamentos. Haverá o dia em que teremos cobranças de escanteios, laterais e de pênaltis nas corridas.

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    1. juliannecerasoli disse:

      Só para esclarecer: “É considerado que um piloto deixou a pista quando nenhuma parte de seu carro está entre as duas linhas brancas”. Ou seja, o que não é permitido é sair com as QUATRO rodas da pista, e não fazer uma tangência na zebra.

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      1. Kin disse:

        Mas tem pistas que a zebra é quase ou talvez é da largura do carro, ou não? Algumas parecem ser. Existe regra para um limite de altura e largura das zebras, para até corroborar com a regra de saída de pista?

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      2. juliannecerasoli disse:

        A largura da zebra pouco importa. O piloto deve manter ALGUMA PARTE do carro em contato com a pista – e a pista é delimitada pelas duas linhas brancas, ou seja, fora da zebra.
        As zebras hoje fazem parte do conjunto que serve à segurança dos carros, portanto dificilmente são altas. São feitas desta maneira para não servirem de rampa de lançamento para os carros que escaparem. É o mesmo motivo para as áreas de escape serem asfaltadas.
        Cabe ao piloto manter-se na pista e, quando escapar com AS QUATRO RODAS PARA FORA, voltar sem ganhar vantagem e de forma segura. É tudo muito simples.

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      3. aucam disse:

        Julianne,
        Acho essa questão toda muito controversa, inclusive o regulamento específico também: desculpe, mas é confuso. Tem zebras que são altas, tanto até que quebram suspensões (ou pelo menos as equipes põem a culpa nos pilotos que abusam delas), no entanto têm que ser atacadas quase que em secantes, se não o tempo não vem. Algumas realmente são largas, como observou o Kin. Não li o regulamento, estou comentando em cima do que você transcreveu: –
        ” Artigo 20.2: Os pilotos devem usar a pista todo o tempo. Para não haver dúvida, as linhas brancas nas extremidades da pista são consideradas parte dela, mas as zebras não.”

        ” É considerado que um piloto deixou a pista quando nenhuma parte de seu carro está entre as duas linhas brancas.”

        Alonso em Mônaco não tinha escolha, ou saia ou batia. Estou citando este fato apenas para exemplificar que estão exagerando no regulamento. Inclusive, quando Alonso teve que devolver a posição a Perez, não consideraram esse aspecto como justificativa.
        Do alto da insignificância da minha opinião, acho que os dirigentes da Fórmula 1 retiram as emoções verdadeiras e as substituem por DRS, KERS, regulamentos e interpretações e outros quejandos passíveis de controvérsias. Sou totalmente a favor de segurança MÁXIMA no automobilismo, mas está havendo exageros nas regras em face dos espaços de escape hoje existentes. Não se pode tolerar a violação sistemática do traçado existente, mas há que se considerar as circunstâncias eventuais que levam a isso uma ou outra vez.
        Um abraço.

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      4. juliannecerasoli disse:

        Realmente não estou entendendo a polêmica em relação à questão das zebras. Não existe problema em “atacar” a zebra, mas sim em sair TOTALMENTE da pista, o que é completamente diferente.

        Esse caso do Alonso me lembrou uma coisa que, essa sim, incomoda. Há alguns circuitos particularmente complicados, como Mônaco e Monza (onde, inclusive, foram instaladas zebras altíssimas para evitar que os pilotos tirassem vantagem). Nas reuniões entre Charlie Whiting e os pilotos, eles definem limites específicos para as pistas que têm esses pontos complicados. Acho que os limites conversados nessas reuniões deveriam ser divulgados.

        Ainda sobre o espanhol, a bandeira vermelha deu a chance da equipe discutir com ele e com a FIA a devolução da posição, o que foi feito. Como citei no texto, acho isso bem mais razoável do que um DT. O problema ali foi justamente defender-se com o carro totalmente fora dos limites da pista. E Alonso não chiou, pelo contrário:
        Perguntado pelo TotalRace sobre a devolução da posição ao mexicano depois de cortar a chicane após o túnel, Alonso disse concordar com a determinação dos comissários. “É normal ter de devolver a posição quando você pula a chicane. Eu preferi pular e devolver do que bater e acabar com minha corrida.” – http://www.totalrace.com.br/site/noticia/2013/05/eramos-lentos-resume-alonso-apos-o-setimo-lugar-em-monaco#sthash.R6kBzhpY.dpuf

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      5. Kin disse:

        Olha, Ju, eu discordo muito dessa sua posição. Me parece que tem lugares que a zebra é muito alta. Nas chicanes de Monza, por exemplo, ou o carro contorna ou passa reto pra evitar a zebra, pq é quase uma lombada, destrói o fundo do carro. Me parece mais altas também algumas da Hungria.

        Na saída do laranjinha a zebra também parece (não sei se é) mais larga que o carro. No mergulho da junção também. Se for, em ambos os casos, o piloto que colocar as 4 rodas na zebra terá ganhos, pois terá mais área para tangenciar a curva, podendo ter uma aceleração antecipada. Sei que isso é “exigente demais”, mas pelo regulamento, o piloto que fizer o que citei, não deveria ser punido (não deveria, ao bem da verdade, como justifica nosso amigo aucam)?

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  4. aucam disse:

    que é o QUE ocorre etc

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  5. Fernando disse:

    Tem que avisar o Vettel sobre estas regras. O alemãozinho gosta de ultrapassar por fora da pista. Já fez isto várias vezes, andou até devolvendo posição para evitar punição.

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    1. Eric Musashi disse:

      Se ele até já andou devolvendo posição, então já foi avisado.

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  6. wagner disse:

    Caros, Aucam e Kin, podemos fazer um paralelo com o futebol, onde a bola sai só se trespassar toda a linha…Ultrapassando a zebra ou não, o importante é manter “um” pneu que seja sobre a linha para validar a manobra. Hehe, caro, Aucam, quando falo em agressão, lembro-me de Shumacher x Barrichello, na Hungria; Rosberg x Hamilton e Alonso no Bahrein. Houve o lance entre Alonso e Kubica em Silverstone 2010, onde a punição ao espanhol me pareceu forçada, pois lado a lado com o polonês que não deixou espaço, foi forçado a ir para fora da disputa para não baterem. Foi uma questão muito subjetiva, que contava com o comissário Mansell, hehe, mas com essas regras, (o famoso espaço) não teria duvidas da legalidade…http://www.youtube.com/watch?v=wQqz3bJe-IA

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    1. aucam disse:

      De minha parte, para fechar o assunto, sabe o que acho amigo Wagner? Com a extraordinária aceleração e o inacreditável poder de frenagem dos F1 atuais, as coisas se passam num átimo de segundo e espaços podem se fechar rapidamente de maneira imprevista. Sou piquetista antes mesmo de o próprio nascer, hahaha, mas valho-me aqui de uma frase do também grandíssimo Ayrton Senna, quando numa entrevista declarou a Jackie Stewart: “If you no longer go for the gap that exists, you are no longer a racing driver.” Especificamente no caso de Perez x Alonso em Mônaco este ano, Perez – dentro daquele sentimento – viu algum espaço, ousou (ou forçou) e Alonso defendeu-se da única maneira que poderia fazer sem bater, desviando-se para fora da chicane, daí porque acho que não deveria ter devolvido a posição. O espanhol não cortou a chicane deliberadamente para fazer uma ultrapassagem, ao contrário, foi apenas vítima de uma circunstância. INCIDENTE DE CORRIDA. Recorri a esse exemplo para tentar mostrar como regulamentos interpretados ao pé da letra podem tornar as coisas surreais. Então é preciso que se faça um regulamento que TAMBÉM leve em consideração o imponderável eventualmente. NÃO DEFENDO UMA REGRA FURTA-COR OU A VIOLAÇÃO SISTEMÁTICA DO TRAÇADO, mas muitos INCIDENTES de corrida têm sido mal julgados na minha opinião, não se levando em conta as circunstâncias em que ocorreram. Regulamentos por demais engessantes – quando existem hoje espaços grandes de escape em benefício da necessária segurança – podem acabar tirando a emoção verdadeira ou tolhendo manobras audazes. Algumas zebras são efetivamente muito altas e largas como bem observou o Kin, e no entanto eventualmente para concluir uma ultrapassagem é preciso afrontá-las, e esse simples fato pode impor prejuízos ao carro e à sua própria trajetória. A instituição de regulamentos absolutamente engessantes em trilhos não pode emascular iniciativas que resultem às vezes em ultrapassagens eletrizantes como as que existem na Moto GP (vide Stoner x Rossi e Márquez x Rossi) ou Zanardi x Herta, todas no sacarrolha de Laguna Seca, por exemplo. Aí depois ficam inventando DRS, KERS, pneus farelis etc. etc. etc. para compensar artificialmente o que deveria ser natural: a arte de pilotar. Mas enfim, é apenas meu ponto de vista pessoal.

      Quantos aos episódios que você citou, caro Wagner, compreendo; também SEMPRE deixei claro nas abobrinhas que escrevo aqui no blog da perspicaz Julianne que acho INADMISSÍVEIS as imprensadas contra o muro, sejam elas praticadas por quem quer que seja. No fundo, acho que ainda perduram os ecos da ultrapassagem de Grosjean em Massa na Hungria, em que o próprio ultrapassado defendeu o francês (com razão, na minha insignificante opinião).
      Meu abraço.

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  7. Marques disse:

    Frescura sem tamanho, o cara saiu uns “2 cm” da pista. E continuam cagando no esporte. Incentivando o comportamento Kimi Raikkonen, ou seja, aquele que parece que vai chegar e passar, mas fica se ensebando atrás e não tenta nada.

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  8. Eric Musashi disse:

    Se essas regras existissem em 1989…

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  9. Eric Musashi disse:

    O melhor seria que não houvesse vantagem em sair da pista. Que as áreas de escape asfaltadas, por exemplo, tivessem barreiras que forçassem o cara a reduzir, fazer a chicane. De resto, liberar. Uma linda ultrapassagem como a de Marc Marquez sobre o Valentino em Laguna seria punida na F1.

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  10. Thabathaandrade@gmail.com disse:

    Obrigada por esse blog eu tive que fazer uma maquete e tirei um 10

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