Jogos políticos

A necessidade de Hamilton sair da McLaren não apareceu de uma hora para a outra... é só lembrar do Canadá-2011

Há três semanas, a notícia era de que Fernando Alonso estava se oferecendo à Red Bull, mesmo com contrato em vigor por mais três temporadas na Ferrari. Nos últimos dias, foi Kimi Raikkonen quem “decidiu fechar contrato” com o time italiano, de acordo com a mídia finlandesa.

As histórias em si são difíceis de comprar. Não é preciso ser gênio para compreender o quanto da pilotagem de Alonso colocou a Ferrari na disputa por títulos em duas das últimas três temporadas. Uma mudança para a Red Bull, para medir forças com o desafeto Sebastian Vettel, também não seria uma aposta das mais inteligentes para um time que caminha para o tetracampeonato mundial. Do lado de Raikkonen, não é segredo que a história do finlandês com a Ferrari acabou mal, com direito a rescisão em 2009 e cobranças públicas de empenho. E por que Kimi escolheria um time que não é campeão há quatro anos quando tem uma proposta concreta da própria Red Bull?

Mas é possível que movimentos ocorridos nas últimas semanas tenham reflexos no futuro. Levando em consideração os contratos atualmente em vigor, a única peça que pode se movimentar agora entre os campeões do mundo é Raikkonen. Vettel recentemente estendeu seu contrato até o fim de 2015, mesma data em que expira o compromisso de Lewis Hamilton com a Mercedes. O de Alonso dura um ano a mais.

Talvez o espanhol esteja mesmo insatisfeito com outra temporada em que a Ferrari se vê correndo atrás do prejuízo e está sondando seu poder de barganha. Talvez a Ferrari não goste disso e esteja alimentando estes boatos para não ficar em uma posição frágil no mercado. Mas concluir que contratos serão quebrados por conta desse jogo político é outra história.

Falando em barganha, a Red Bull pode estar valorizando uma sondagem de Alonso para pressionar Raikkonen, ou para mostrar a Vettel – cuja extensão de apenas um ano ao contrato original chamou a atenção – que muitos estão loucos (e são gabaritados) para ocupar sua vaga.

Uma história relativamente recente ilustra bem como funcionam estas coisas. Em junho de 2011, durante o GP do Canadá, Lewis Hamilton bateu na porta da Red Bull de maneira explícita. Foi uma maneira de mostrar sua insatisfação dentro da McLaren e abriu a porta para a proposta da Mercedes. Mas algo de concreto demorou mais de um ano para acontecer.

Coluna publicada no Jornal Correio Popular.

10 comentários Adicione o seu

  1. ]Muguello[ disse:

    Com certeza funcionou bem para Hamilton. Mas nao sei se semelhante tatica funcionara’ para Alonso. Vamos lah: Sao quatro (ou cinco) equipes que tem potencial de vencer. Red Bull, Ferrari, McLaren, Mercedes e Lotus.

    A Ferrari eh onde ele esta agora…

    Alonso eh carta fora na McLaren por causa de sua conturbada passagem por la em 2007

    A Mercedes nao tem vaga p/ Alonso num futuro proximo. Eh Rose-berguinho pode sair, mas serah que a Prima Donna Majore da Espanha topa dividir a equipe com Hamilton novamente? Acho dificil.

    Na Red Bull, enquanto Vettel estiver por lah, Alonso tem poucas chances. Acho pouco provavel que a equipe disturbe o ambiente propositadamente. A nao ser que Vettel perca o interesse. Dificil de acontecer. Tambem nao acho que Alonso, sendo a Prima Donna que eh, va topar dividir a equipe com o “preferido” Vettel (Preferido de acordo com os acontecimentos em relacao a Webber).

    Resta a Lotus, onde Alonso se criou. Mas, apesar dos successos recentes, existem duvidas se a Lotus vai ter condicoes de vencer com a consistencia necessaria para ganhar o campeonato. Alem do mais, duvido que a Lotus tenha $$ para pagar a multa rescisoria de Alonso com a Ferrari.

    Conclusao: Alonso esta apenas sacudir a equipe. Eh muito pouco provavel que ele va mudar de equipe antes do fim do contrato.

    Ah! Sobre Kimi, se nao for p/ a Red Bull, fica onde esta! Ir para a Ferrari? so se for p/ rescindir o contrato novamente 😉

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  2. aucam disse:

    Concordo com todos os seus argumentos, Muguello, e vou além: do jeito que as coisas caminham, em 2014 Alonso continuará na Ferrari (e até Massa, se melhorar um pouquinho), Raikkonen na Lotus e Vettel ganhará a companhia do fraco Ricciardo, que sequer nasceu pra Webber. Alguns já estão dizendo que o australiano está praticamente confirmado na Red Bull. Nem Ricciardo nem Vergne conseguiram o título na World Series e ainda assim subiram para a F 1, pelo apoio da Red Bull. Enquanto isso, a F 1 e a GP 2 jogam fora miseravelmente e sem cerimônia Robin Frijns, da mesma maneira como Kobayashi foi descartado.

    Creio que as maiores dúvidas para 2014 a esta altura são em relação à configuração das duplas de pilotos na Sauber, Williams e Lotus.

    JULIANNE, sabendo-se que a Lotus não está bem das perna$, digo, das roda$, você acha possível a entrada de Maldonado naquela equipe e a de Nasr na Williams, substituindo-o?

    Com Ricciardo na Red Bull, Raikkonen permanecendo na Lotus e sobretudo Massa na Ferrari, mais essa crise na Sauber, Hulkenberg corre o risco de ficar a pé novamente, a menos que seu patrocínio seja mais polpudo que o de Gutierrez que, pelo visto, aportou na Sauber um valor bem inferior àquele de Pérez, haja vista a crise pela qual a equipe de Hinwill passou. Acresça-se a isso a possível imposição do piloto russo. Não creio que haverá mudanças de pilotos na Force India.

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    1. juliannecerasoli disse:

      Acredita-se que o acordo com a Infinity e a maior participação da Renault na Lotus estejam diretamente ligados a um acerto com Raikkonen. Acredita-se, também, que o acordo da Williams para ter um venezuelano – e Maldonado é, de longe, a opção mais plausível até pela experiência – seja de cinco anos. Não ouvi nada sobre Nasr na Williams e, como a Claire Williams andou dizendo que o orçamento já está encaminhado, é de se esperar que mantenham a dupla.

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  3. wagner disse:

    Essa saída de Alonso da Ferrari me parece difícil a curto prazo, afinal 2014 é uma incógnita, inclusive sem favoritos. O fato é que com a aerodinâmica pesando menos na próxima temporada, um bom motor e um chassi equilibrado podem se sobressair, e os chassis italianos e da Lotus são bons, mas a aerodinâmica fica devendo a RBR e Mercedes, portanto, tudo pode acontecer e a cautela é necessária.

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  4. wagner disse:

    Além da confiabilidade…

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  5. Herik disse:

    Estão cravando a antes pouco provável ida de Raikkonen para a Ferrari. Ainda acho difícil de acontecer, embora quem noticiou tenha crédito. No caso, Eddie Jordan.

    Se este for o movimento acredito ser uma baita pressão em Alonso. A Ferrari estaria o tirando de uma zona de conforto e minando a filosofia ” a la” Luxemburgo de que para o espanhol é ele quem ganha, nós empatamos e a equipe que perde. Neste sentido foi a recente declaração de Montezemolo para dizer que a Ferrari é maior que qualquer piloto.

    Parece que as coisas caminham para uma troca simples, talvez no fim de 2016, de Alonso por Vettel. O espanhol queimaria seus últimos cartuchos na Red Bull e Vettel iria realizar o sonho – que ele mesmo declarou ter – de pilotar para os italianos. De quebra correria na casa de seu ídolo Schumacher.

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  6. Leduard disse:

    Eddie Jordan já fala que a Ferrari anunciará Kimi em Monza e ele nunca erra.

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    1. juliannecerasoli disse:

      Bom, há dois anos ele estava apostando que Kimi ou Sutil pilotariam pela Williams em 2012. Mas acertou no caso de Hamilton, claro.

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    2. Kin disse:

      Errou nos palpites para a própria equipe, penso eu.

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