Erros de estratégia da Lotus dificultam vida de Kimi

A principal qualidade do carro da Lotus é a alta conservação de pneus. Isso faz com que seus pilotos consigam prolongar seus stints ou mesmo fazer uma parada a menos que seus rivais sem deixar muito a desejar em termos de ritmo.

Mas apostar apenas nisso nem sempre é vantajoso. As estratégias atualmente são mais abertas do que num passado recente. Elas não dependem apenas do desgaste, mas também de brechas abertas para o undercut – parar antes para ultrapassar um piloto usando a aderência extra do jogo de pneus novo – e do tráfego. E a Lotus, focando em aproveitar apenas sua vantagem com os pneus, acaba perdendo oportunidades.

Um bom exemplo foi a última prova, na Hungria. Na tentativa de fazer duas paradas – plano abortado por Grosjean e executado por Raikkonen – a equipe acabou jogando os dois pilotos no tráfego, o que não aconteceria caso tivessem antecipado a primeira parada. Pegando o exemplo de Raikkonen: ele fez 13 voltas no primeiro stint, 19 no segundo e 28 no terceiro. Antecipando a primeira parada em três voltas e retornando sem o tráfego de Massa, ele conseguiria cuidar melhor dos pneus, ser mais rápido e aumentar o segundo stint, dando 22 voltas. Alguns podem dizer que é fácil fazer essas contas depois da corrida, mas esse conservadorismo é recorrente no time.

O pior das estratégias de Raikkonen

Grã-Bretanha: a equipe titubeou, ficou no meio do caminho entre apostar ou não em fazer uma parada a menos e não chamou Raikkonen para o box no último Safety Car. O finlandês perdeu a janela aproveitada pelos rivais – e um pódio – ao permanecer lento na pista com pneus usados só para acabar tendo de parar novamente.

Bahrein: Raikkonen terminou a prova com pneus sobrando – e o fato do finlandês ter feito sua melhor volta no último giro comprova isso. Kimi esperou demais para fazer sua primeira parada e acabou não tirando tudo dos jogos de duros – assim como ele mesmo questionou durante a prova. Também perdeu muito tempo tentando prolongar a vida dos pneus médios, perdendo 2s/volta em relação a quem faria três paradas.

Canadá: mesmo no circuito de menor perda de tempo no box, Raikkonen permanece na pista rodando lento com supermacios para fazer uma parada a menos.

E o melhor

Austrália: Na primeira prova do ano, o time usou a capacidade de desgastar menos o pneu para fazer uma tática de uma parada a menos que os rivais sem obrigar Kimi a andar lento. O resultado não poderia ser diferente: vitória.

China: Mesmo com uma largada ruim e um bico danificado, a Lotus trabalhou muito bem e colocou Raikkonen em segundo executando um undercut clássico em cima da Mercedes – e não tentando fazer uma parada a menos. Naquela ocasião, eles usaram sua vantagem no desgaste de forma inteligente: anteciparam a última parada de Raikkonen sabendo que ele aguentaria até o final, mas apostando que a Mercedes não responderia com medo de ficar sem pneu. Deu certo.

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7 comentários Adicione o seu

  1. ]Muguello[ disse:

    Excelente post! Ja pensou em mandar p/ Eric Bullier? 😉

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  2. Ricardo H disse:

    Muito bem observado, sua análise. A Lotus deveria ser mais agressiva em seu primeiro stint para ganhar posições e após a 1° troca, avaliar o estado dos pneus e definir se dá para continuar forçando ou começar a utilizar a vantagem do menor desgaste. Eles fazem exatamente o inverso e muitas vezes não conseguem recuperar o tempo perdido antes do fim da prova.

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    1. Chinaski disse:

      Exato. Parando depois no primeiro stint, o piloto fatalmente voltará em posição pior que estava, e possivelmente no tráfego dos que ainda não pararam.
      O negócio é “gastar” os pneus, tentar ganhar posições na pista e parar junto ou antes daqueles que estiverem na frente. Depois pensar na estratégia para o restante da corrida.
      E se o carro tem bom ritmo de corrida economizando pneu, não poderia andar ainda mais a ponto de compensar uma parada extra? Que na verdade não seria extra, mas igual aos demais.

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      1. Kin disse:

        Ou seja, se eles forem simplistas e quiserem parar junto com os rivais, no mínimo poderão forçar mais os pneus o tempo todo. No mínimo. Mas será que isso realmente resultaria em ganho? Será que o Lotus tem capacidade de andar mais e ganhar tempo com a mesma estratégia, ou mesmo parando umas voltinhas antes no início? Seria muita burrice se eles não pensassem nisso durante as simulações, hein… Só alguém de lá pra responder. Alguém sabe o telefone ou email do Boulier?

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  3. Rodrigo Rocha disse:

    Porque a “emissora oficial” não consegue analisar nada nesse nível de detalhe né… OK que a maior parte do público brasileiro é pouco afeita a análises detalhadas, seja lá qual é o esporte (ou o assunto), mas a audiência da F1 anda tão baixa que é bem provável que os que ainda assistem gostariam desse tipo de informação.

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    1. celso disse:

      Verdade.

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  4. celso disse:

    Ju,

    O Kimi parece ter também, junto com o Alonso, uma boa “visão de jogo” durante a prova, não acha? Às vezes a equipe mais atrapalha do que ajuda.

    Lendo este seu post, tenho ainda mais certeza de que o “leave me alone, i know what i´m doing” não foi à toa.

    Abraço!

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