Eu não queria ser Eric Boullier

“Vou ter que aprender alemão ou espanhol para trabalhar com meu piloto ano que vem?” perguntou o engenheiro brasileiro da Lotus Ricardo Penteado no twitter. A resposta para esta questão é apenas a ponta do iceberg da complexa situação do time atualmente.

No post da segunda-feira, enumerei alguns sinais promissores da Williams para os próximos anos. Relativa estabilidade financeira se comparada a seus pares no meio do pelotão, boa estrutura técnica, motor forte. Na Lotus, que, é bem verdade, vem fazendo campeonatos bem melhores que o time inglês há tempos, a lista também é grande, mas de incertezas.

O grupo Genii assumiu o controle do espólio da Renault assumindo uma grande dívida com a montadora francesa e vendo na Fórmula 1 uma plataforma para seus negócios. Eles trabalham com o modelo B&B, ou seja, não visam o consumidor final, mas fazer negócios com outras empresas. Para tornar sua equipe atraente para este tipo de modelo comercial, seguiram direitinho a cartilha, vencendo corridas e adotando uma imagem mais cool, tornando-se uma alternativa a seus pares sisudos.

Porém, faltou dinheiro no mundo neste período e a ideia não engrenou. Para piorar, como hoje o fluxo de dinheiro entre os países está mais controlado, esse tipo de modelo de negócio anda emperrado. E a gente sabe que, sem dinheiro, nem os maiores gênios da engenharia ou da pista conseguem mais que migalhas na Fórmula 1.

Até que apareceu (em junho!) o tal consórcio Infinity, formado por “investidores privados dos EUA, de Abu Dabi e da família real de uma nação produtora de petróleo”. Hoje se chama Quantum e apenas o nome de Mansoor Ijaz é citado. E o empresário tem problemas judiciais com um empréstimo não pago a um banco europeu no currículo…

Sem garantias de que o dinheiro vai chegar – o chefe da Lotus, Eric Boullier, falou no domingo em Abu Dhabi que até a terça-feira (dia 5.11) teria algum anúncio nesse sentido, o que não aconteceu até hoje – a equipe está em uma sinuca de bico daquelas.

Primeiro, não me perguntem de onde vem o dinheiro investido no projeto do ano que vem, que provavelmente começou em 2011 e atravessou toda essa fase financeiramente conturbada do time, que não coincidentemente vive um êxodo de profissionais. Segundo, essa indefinição pode ser um divisor de águas para um time que viveu dois anos de “quero ser grande” e pode voltar ao meio do pelotão, onde estava entre 2007 e 2011, somente com lampejos em 2008 e 2010.

O cenário básico parece ser: se o dinheiro árabe chega, a opção é por Hulkenberg; caso contrário, eles são obrigados a optar por Pastor Maldonado. Aí a dúvida de Penteado entre falar alemão e espanhol. Mas, a julgar pela certeza da mídia inglesa de que Sergio Perez está fora da McLaren, parece que uma nova porta se abre. Endinheirado e com experiência em time grande, talvez seja uma opção melhor, ainda que ninguém no time ainda tenha manifestado interesse.

Seria compreensível que a McLaren não se pronunciasse sobre seus pilotos neste final de semana, o mais importante do ano para Perez e seus apoiadores. E todo esse movimento contínuo do mercado vai atrasando as decisões.

Como se o time não tivesse problemas suficientes, resta ainda uma dúvida: se a opção de manter Romain Grosjean tem em parte fundamento no crescimento do francês, e em parte seja condição para o apoio da petrolífera Total, como contratar Pastor Maldonado para contar com a grana da também petrolífera PDVSA? Duvido que alguém no blog gostaria de estar na pele de Boullier ou do dono do negócio, Gerard Lopez, numa hora dessas.

3 comentários Adicione o seu

  1. Bruz disse:

    Ta bem embolado esse meio de campo, mas esses treis pilotos citados devem estar no grid do ano que vem. E acredito como tenho mantido desde Abu Dhabi, que essa Quamtum(tempraisso) é pura balela. Pro Ricardo vai ser facil, da para enrolar em espanhol, até porque esses dois não são muito tecnicos.

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  2. Roberto Tramarim disse:

    Confesso que não gostaria mesmo de estar na pele deles 😦

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  3. Billy disse:

    Sempre achei o Boullier muito confuso. Tudo bem que era uma situação delicada, mas percebo isso desde a lesão do Kubica.

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