Último dos moicanos

Felipe Nasr

Não é de hoje que Felipe Nasr é tido como uma espécie de salvador da pátria para o automobilismo brasileiro. Com uma rara combinação de escalada sólida nas categorias de base, patrocínios duradouros e carreira bem gerenciada, o brasiliense de 21 anos tomou ares de último dos moicanos, resultado de um total descaso com a formação de pilotos no País de 10 anos para cá.

Entretanto, mesmo tendo sido confirmado como piloto de testes da Williams nesta temporada, Nasr está longe de poder se sentir garantido na Fórmula 1. São dois os fatores que podem travar o futuro do brasileiro: os dois anos de certa forma decepcionantes na GP2 e a disputa com rivais que trazem maior aporte financeiro.

Por isso, 2014 será muito importante para Nasr: estará em uma equipe que promoveu recentemente Valtteri Bottas (2013) e Nico Hulkenberg (2010) a titulares, com a confirmação de que andará em cinco sessões de treinos livres às sextas-feiras e justamente no ano em que os testes durante a temporada voltam a ser permitidos. Isso sem contar no valioso trabalho no simulador e junto aos engenheiros. Ou seja, tem a possibilidade sólida de ganhar experiência para se colocar em uma posição melhor no mercado em 2015.

Outro ponto importante para a temporada de Nasr será na GP2, categoria que ele disputará pelo terceiro ano. Lá, o brasiliense tem a chance de se livrar da incômoda marca de nunca ter vencido uma corrida na categoria e de provar que é mais do que apenas um piloto cerebral. Isso porque, apesar de ter chances de título até a última etapa, o piloto deixou a impressão de que poupava em demasia o equipamento, sem saber a hora de atacar. Mais do que nunca, é o momento de mostrar as garras.

Pensar em uma promoção na própria Williams a curto prazo não parece estar nos planos nem de seus empresários, vide o acordo de apenas um ano com o time de Grove. Isso porque o contrato de Felipe Massa é de três anos e Bottas é considerado um futuro campeão do mundo por lá, e apenas sairia para um time maior. Mesmo nesse caso, por questões financeiras, é difícil imaginar um time 100% brasileiro no ano que vem.

Se não é o caso de promoção direta, a meta de Felipe Nasr é mostrar evolução para buscar uma vaga como titular em 2015. Nos planos iniciais de seu staff, o brasiliense teria conquistado o título da GP2 ano passado e sido promovido a titular da Fórmula 1 nesta temporada. Sem o campeonato e sem experiência com a categoria de cima, o plano teve de ser adiado e repensado. Que seja pela última vez.

Coluna publicada no jornal Correio Popular

11 comentários sobre “Último dos moicanos

  1. Julianne, acho que essa é apenas a mentalidade de que piloto bom é aquele que chega na fórmula 1. Tanto piloto brasileiro mandando ver em outras categorias e o brasileiro (principalmente por culpa de parte da globo) tem essa visão limitada do automobilismo.

    Sai por aí perguntando quem conhece o Farfus. Vai encontrar 2% que sabe o que o cara já conseguiu na carreira. Pros outros 98%, o Nasr é a salvação do automobilismo nacional.

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  2. Creio que Nasr tenha boas chances futuras na Sauber, equipe a qual estava negociando e que, segundo consta, só não foi contratado devido a falta de experiência, necessária neste ano de mudanças.

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  3. Francamente, sem ufanismo e sem pachequismo, acho que Nasr foi e é superavaliado por muita gente, talvez por uma necessidade subconsciente de o Brasil ter um piloto na F 1 para suceder Massa. Não consigo considera-lo melhor que Antônio Pizzonia e Ricardo Zonta, que, infelizmente, não conseguiram se firmar na F 1. Pizzonia também obteve títulos em várias categorias de acesso, tenho sido inclusive campeão britânico de F 3, como Nasr foi. Mas na F 3000 – na época imediatamente abaixo da F 1 – Pizzonia conseguiu vencer uma corrida. Zonta fez melhor ainda, pois obteve 2 vitórias em seu ano de estréia na F 3000 e o título na temporada seguinte. Um piloto, quando não tem um estilo épico de pilotagem, que impressiona, precisa vencer. Não obstante a boa atuação de Nasr nos treinos desta pré-temporada de F 1 não consigo botar fé nele. Ele bateu Magnussen, mas Di Resta também bateu Vettel. Nasr teve uma atuação por demais cerebral na GP 2, e, quando resolveu arriscar, na temporada passada, “Inês já era morta”, como diz o ditado, e se atrapalhou todo. Bateu até no Cecotto, de quem todo mundo reclama. . . Até o obscuro Berthon venceu uma prova no ano passado!

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  4. Julianne você porque o Nasr não ficou na DAMS ? Achei loucura sair de uma equipe campeã e arriscar a Carlin que não é uma potência na GP2.

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    1. Não teria muito o que acrescentar ao que o Ico publicou na segunda-feira. Vou abordar outros tópicos até o início da temporada, mais voltados às novas tecnologias.

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  5. Dizem por aí que ele levou dez milhões (já li dólares e também euros) em patrocínio … se for verdade, parece ser muito para pouco…

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