Quem errou e quem acertou nas estratégias do GP mais imprevisível do ano

Motor Racing - Formula One World Championship - Hungarian Grand Prix - Preparation Day - Budapest, Hungary

A pancada de chuva não chegou a 5 minutos, mas mudou a história do GP da Hungria. Podendo usar ambos compostos de maneira livre, pois o fato dos pilotos terem largado com pneus intermediários tirou a obrigatoriedade de usar médios e macios, os estrategistas tiveram um leque maior de opções, ainda que as informações as quais dispunham não eram uma plataforma tão clara, pois as simulações tinham sido feitas com o asfalto bem mais quente.

O erro da Mercedes

Um misto de ultrapassagem e a primeira parada feita logo na primeira oportunidade no SC levaram Lewis Hamilton do fundo do pelotão para a cola de Nico Rosberg, que teve azar quando Marcus Ericsson bateu sozinho na volta 7.

A partir de então, a Mercedes dividiu as estratégias de uma forma um tanto estranha observando-se ao final da prova. Afinal, se Hamilton fez um segundo stint (mais carregado de combustível) de 31 voltas com o pneu macio, por que a equipe decidiu colocá-lo com pneus médios para mais 31 até o final da prova, enquanto Rosberg fazia três stints com o composto mais rápido?

A única explicação para o uso dos pneus médios no caso do Hamilton é sua luta com Alonso. Sua segunda parada aconteceu na volta 39 justamente para marcar o espanhol, que havia colocado pneus macios. Era provável que Alonso ficasse, no mínimo, sem pneus no final (e muito mais possível naquele momento que o bicampeão fizesse mais uma parada) e, assim, Lewis se aproveitaria. Talvez em um circuito com mais retas a Mercedes se preocuparia menos com a Ferrari, mas a dificuldade de ultrapassagem em Hungaroring deve ter sido um fator.

Falando em Ferrari, o próprio Alonso admitiu que eles não sabiam se fariam as 32 voltas no pneu macio – que já havia sido usado na classificação. A decisão foi tomada mais na base do risco, em um ano no qual o time italiano não tem muito a perder. E deu certo.

Raikkonen também fez um stint impressionante de 33 voltas no pneu macio no meio da prova, o que foi fundamental para o finlandês escalar o pelotão após um erro da equipe deixá-lo de fora ainda no Q1 na classificação.

Conservadorismo na Williams

Quem acompanha as análises de estratégias por aqui já não se surpreende com as decisões conservadoras da Williams – e, em um dia cheio de incertezas, não seria diferente. O time está lidando com uma realidade muito diferente dos últimos anos, precisa garantir pontos, então de certa forma é um comportamento compreensível.

Em Budapeste, eles tinham um problema considerável: Massa não fez a simulação de corrida na sexta-feira por problemas em seu carro. Então eles tinham 50% menos dados que os rivais. Para piorar, Bottas havia saído com pneus macios em sua simulação, mas não gostou nada no rendimento do carro e trocou pelos médios.

Isso explica a “teimosia” da equipe com o composto que se mostrou mais lento e tão duradouro quanto o macio no decorrer da prova. O fato de, no meio da corrida, enquanto alguns dos rivais ultrapassavam 30 voltas com o macio, seus pilotos terem feito apenas 14 (Bottas) e 15 (Massa) giros com o mesmo composto também minou a confiança da equipe.

Porém, a estratégia vencedora acabou sendo a de Ricciardo, com três jogos de pneus macios. Apesar de Niki Lauda ter destacado a sorte do australiano no primeiro SC, o que de fato aconteceu (tanto por seu posicionamento quando o SC foi acionado, quanto pela decisão equivocadíssima da McLaren de manter os pneus intermediários), isso não conta toda a história. Foi no brilhante stint de 31 voltas com pneu macio que o australiano abriu os 13s que lhe dariam a possibilidade de parar com 16 voltas para o fim, retornar 9s atrás do então líder Alonso e ter pneu para atacar o espanhol e Hamilton nos últimos giros, o que o fez de forma cirúrgica.

 

31 comentários sobre “Quem errou e quem acertou nas estratégias do GP mais imprevisível do ano

  1. achei que a Mercedes havia errado por não querer mexer em sua estratégia inicial. O que levou à situação polêmica pela qual eles passaram.
    Obrigado, Julianne.

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  2. Eu ando desgostoso da F1 ultimamente. Esse tópico ajuda a entender o motivo. Direto ao ponto, o titulo desta temporada todos sabem há muito que será de um piloto da Mercedes. E o último GP mostrou um abismo entre ambos os pilotos da Mercedes. Em talento puro há uma distância galática entre Hamilton e Rosberg. E no entanto, após 11 provas, temos o alemão liderando o campeonato. E lidera justamente porque a F1 deixou de ser há algum tempo um campeonato pleno de pilotos.
    Estratégias as vezes desastrosas pra uns e bem melhores pra outros, SC que arruina a corrida de uns e ajudam absurdamente outros, problemas no carro que aparecem muito mais pra alguns pilotos do que pra outros(mesmo da mesma equipe). Se por um lado isso ajudou Lewis especificamente nessa corrida, o prejudicou no geral ao longo do campeonato. Inclusive na classificação um problema grotesco o fez largar dos boxes, chegando a um brilhante pódio, igualando o feito de Vettel em Abu Dhabi há 2 anos. Enquanto o burocrático Nico, saindo em 1º e terminando em 4º só sabe reclamar no radio pedindo passagem. Vai e passa oras, ou tenta pelo menos. Fosse o inverso é o que veríamos.
    Rosberg ser campeão ao invés de Hamilton seria uma injustiça impar, talvez só atenuada pelo fato de um campeonato todo engessado merecer um campeão idem. Mas fazer o que? Num esporte que daqui a há pouco estará pondo físicos, estatísticos ou mediuns(só assim pra poder calcular quando um SC vai entrar e jogar fora toda uma vantagem brilhantemente construída) em monopostos no lugar de pilotos não é pra se espantar.
    Hoje se dá melhor quem consegue administrar pneus, fluxo de combustível ou a repinpoca da parafuseta do que quem dá show saindo em último e escalando o pelotão. É uma nova era, com uma nova definição de pilotagem.

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    1. Brilhante seu comentário, Tramarim. Também penso assim. Apesar de termos visto boas corridas este ano, se pensarmos bem o desenrolar delas é bastante artificial. O excesso de sofisticação a que se chegou tira o poder de avaliação e decisão dos pilotos, deixando os resultados dependentes do que fizer e decidir a retaguarda. Agora já falam em colocar lastro nos carros que ganharem: cada vez “melam” mais a categoria! E essas relargadas com os carros parados serão outro absurdo! Conforme estou lendo HOJE, Ecclestone continua insistindo na adoção delas para 2015. Diferenças construídas arduamente poderão ser demolidas em segundos por outros competidores afoitos ou inábeis. Há que se respeitar um mínimo de lógica no campeonato, nas corridas, e as diferenças existentes entre equipes têm que ser superadas, ou, melhor dizendo – anuladas – pelo esforço de técnicos e engenheiros nas pranchetas, e não virando os regulamentos de cabeça para baixo e ainda por cima engessando-os. Só agora os dirigentes estão se dando conta dos absurdos que eram as punições por qualquer bobagem, por incidentes típicos de corrida, resultantes de regras que castravam o ímpeto, a vontade de competir verdadeiramente. Depois se queixam da perda de audiência, do desinteresse dos amantes do automobilismo. Mesmo com os dominantes Mercedes, considero que hoje a F 1 está TÃO LOTÉRICA quanto a chatíssima Fórmula Indy. O entusiasmo todo que ainda é gerado na Fórmula 1 é por causa dos nomes que competem nela. Mas se pegarmos uma prova da F 1 e nela colocarmos os nomes dos pilotos da Indy não notaríamos diferença no desenrolar entre uma e outra. Quando vejo uma prova da F Indy tento substituir os nomes dos competidores por outros da F 1 e o que encontro é um retrato da F 1. Loteria pura! A base para aperfeiçoamento da categoria teria que partir de situações como essa, sem DRS, nem KERS e, no entanto, com emoção e verdade:

      Mansell larga em 12º e vence o GP da Hungria em 1989 – vide a espetacular ultrapassagem dele sobre Senna a partir de 7.20 s. Que pilotaço foi Mansell (e ainda tem quem o apedreje!)

      Meu comentário não se refere a comparações entre pilotos de hoje e os daquela época, porque é IMPOSSÍVEL comparar pilotos de épocas diferentes, o máximo que se pode fazer é uma comparação RELATIVA (sobre quão grande ou maior um piloto foi ou é sobre seus contemporâneos, mesmo assim é difícil, posto que nesse tipo de esporte os competidores dependem demais do equipamento que têm em mãos).

      Tramarim, ando vendo com tristeza que alguns newcomers estão usando de agressividade tola e desnecessária em seus comentários, sem percepção do ambiente de amizade e respeito que sempre houve neste Blog excepcional, da também excepcional Julianne, que nos oferece generosamente este espaço para trocarmos opiniões. O fato de ela corretamente não fazer moderação também implica responsabilidade e respeito na hora das divergências naturais e desejáveis entre os frequentadores do Blog.

      Grande abraço.

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      1. Algumas considerações, caro, Aucam: o ronco, o assoalho plano, as lindas fagulhas com os carros pesados, e me parece, a olho nu, os carros mais largos, oferecendo maior grip mecânico, o x da questão, além e claro dos pneus, superextralargos, rsrsrs….concordo com o Sérgio, afinal os carros eram feitos para ultrapassar!

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      2. Caro Wagner,
        Dê uma olhada no meu comentário em resposta ao Sérgio, porque citei uma opinião sua. Corrija-me se eu não interpretei bem o seu ponto de vista ali citado. Creio que estamos concordando no geral, não?
        Grande abraço.

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      3. Hehe, caro, Aucam, charmosa é aquela gata do vídeo que vc postou sobre o ronco dos motores, kkkk, no mais, a idéia é essa mesma. Em um mundo imperfeito e real, uma categoria top de automobilismo, gastadora e barulhenta não mudará o eixo da Terra;-)

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  3. Ju, a pergunta que não quer calar, rsrsrs; Lauda falou em sorte, a RBR, em melhor corrida pois as Mercedes não tiveram problemas, mas como vc encara a corrida de Rosberg, pois no decorrer da prova, a fumaça nos freios, aliado ao pedido da equipe para mudar o balanço dos freios, jogando-os mais para frente não poderiam indicar mais um problema mecânico, do que uma pilotagem burocrática por parte do alemão? Além do fato de ter sido ultrapassado na relargada com certa facilidade por Vergne e Alonso? Faço essa pergunta pois não consegui enxergar onde Rosberg comprometeu sua corrida…

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    1. Logo após a primeira relargada, Nico teve um superaquecimento nos freios, por isso perdeu terreno. Ele fez algumas alterações e a questão foi normalizada após algumas voltas.

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  4. wagner ouvi por ali e acula que na relargada ele teve que resetar algo lá e perdeu potencia mas quando voltou a funcionar o ritmo voltou …mas julianne uma pergunta que ate agora num vi ninguém falar nessa pista travada e de poucas retas e muitas curvas o carro da mercedes sentiu mas sem o famoso FRIC ou foi só impressão minha pq Hamilton mesmo com pneu ruim e Alonso com pneu pior ainda Hamilton num passou Alonso?

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    1. Nico fez a pole com mais de meio segundo de vantagem mesmo em um circuito em que, como você levantou, o FRIC seria mais importante. Então se eles perderam, foi pouco. No caso de Hamilton, ele estava com o pneu mais lento e teve problemas de pressão de combustível na parte final da prova, não podendo tirar tudo do carro.

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  5. Oi Ju,

    Tramarim e Aucam, respeito seus comentários, em parte estão cobertos de razão, mas é aquele negócio, o mudo gira, as coisas mudam e a gente acaba sendo obrigado a se adaptar a elas.

    Eu também não gosto de nada artificial como DRS, Kers, pneus farofa, pontuação dupla, controle de fluxo de combustível, essa nova aberração de latro ou relargada com carros parado (parece que esta vai para o saco, tomara), mas a gente estava tão entediado com corridas modorrentas que estes artifícios acabaram sendo um alento para melhorar a qualidade das corridas, e não podemos negar que melhorou.

    O problema é que, pelo que percebo de vocês, assim como eu, somos puristas. Eu acompanho Fórmula 1 intensamente desde os anos 70, só não acompanhei antes porque não era nascido. Então é difícil de engolir esses “mimimis” dos tempos modernos, embora eu sempre sou a favor de mudanças (para o bem) e tecnologia.

    Para voltarmos a ter uma Fórmula 1 competitiva como aquela dos anos 70 e 80, o primeiro passo seria mudar radicalmente os carros como um todo. Depois que John Barnard (não sei se é do tempo de vocês) criou o “bico tubarão” na Benetton de 1991 e o grande Harvey Postlethwaite deu sequência na “asa de gaivota” da Tyrrell, a Fórmula 1 entrou num caminho que foi caminhando a passos largos até o que vimos até pouco tempo, antes destes artifícios que citei.

    Abaixem o bico dos carros em toda a sua porção, deixem o fundo plano desde a asa dianteira até a parte final, coloquem pneus com diâmetro maior nas rodas traseiras e dianteiras e voltaremos a ter uma Fórmula 1 mais mecânica e menos aerodinâmica. O cara que vem atrás jamais vai precisar abrir asa para ultrapassar. O vácuo resolve. Era assim e era muito mais legal.

    E o mais importante: tem solução. Basta querer colocar uma coisa óbvia em prática. Não por acaso, os carros de antigamente eram muito, muito mais bonitos que os de hoje.

    Ju, muitos erros de estratégia, mas o troféu “orelha de bronze”, daquelas bem grandes vai para a McLaren. Se fosse a Marussia a manter seus pilotos com pneus intermediários numa pista que secava rapidamente já seria inadmissível, numa McLaren então nem se fala.

    Um abraço!

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    1. Meu caro Sérgio, analisando suas considerações, vejo que mais concordamos do que discordamos sobre a situação atual da F 1. Não diria nem que nossa ótica é uma questão de purismo, mas de querer ver um campeonato merecedor do nome: MUNDIAL DE PILOTOS, onde estes sejam as estrelas maiores e possam expressar sua habilidade em toda a sua plenitude, sem poupanças obrigatórias e com capacidade de decisão. No vídeo que postei para exemplificar, veja que magnífica ultrapassagem Mansell fez sobre ninguém menos que Senna! Em uma pista famosa por ser dificílimo ultrapassar. Largou em 12º lugar e venceu a corrida, com um carro sem DRS nem KERS. Não sou especialista em aerodinâmica para dizer o que deve ser feito para trazer a verdade de volta à F 1. Mas veja como sem artificialismos havia também emoção e competitividade, e verdadeiras. Mas sim, ultimamente a F 1 vinha se tornando tediosa por dificuldades para ultrapassar devido à aerodinâmica. Entretanto, com tanta sofisticação que foi sendo paulatinamente adotada, enveredou-se por caminhos indesejáveis para consertar isso, resultando no que se vê hoje, um campeonato talvez mais de projetistas, engenheiros e estrategistas que de pilotos propriamente. Talvez eu esteja errado e, como aficionado-“dependente” de F 1 desde a segunda metade da década de 50, eu tenha que aceitar esse caminho. Mas veja, Sérgio, não sou contra o progresso – que se faz inexorável em todas as atividades humanas, seria o mesmo que tentar impedir o Sol de nascer. Apenas acho que a essência e as tradições da F 1 tem que ser preservadas da melhor maneira possível, de modo a evidenciar quem REALMENTE tem habilidade entre os pilotos. Como você mesmo observa, também acho que isso seja possível, basta os dirigentes que a fazem assim queiram.

      Quanto à questão ecológica, na F 1 acho o assunto controverso. Pode ser válida apenas como exemplo. Aliás, hoje em dia, com tão poucos treinos, não consigo entender como a F 1 ainda possa ser indispensável como laboratório avançado para o desenvolvimento dos carros de rua. A BMW está fora da F 1 há algum tempo e seus carros são o estado da arte, no mesmo nível dos Mercedes. A BMW está no DTM, onde essas experiências são mais cabíveis (diga-se de passagem que os carros da DTM são quase um F 1 encarroçado). Hoje em dia até explosões nucleares e choques de galáxias são simulados em computadores. Pode-se objetar: ah! Mas nada como fazer a coisa na prática! Na prática às vezes as coisas também saem errado, vide o famoso túnel de vento defeituoso da Ferrari que infernizou e ainda inferniza até hoje a vida de Alonso, pelas crises sucessivas na equipe geradas por seus efeitos deletérios. Se bem lembro, o nosso amigo Wagner disse em um de seus comentários, com muita propriedade, que a F 1 poderia ser tratada como uma charmosa excentricidade (foi mais ou menos isso que eu li em um de seus comentários), preservando-se inclusive o rugido de seus motores. Acho que é por aí.

      Forte abraço.

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      1. Fala Roberto, Aucam e Sergio! Deixa eu entrar nessa conversa tb. Os argumentos primeiramente levantados pelo Roberto Tramarim e depois complementado pelo aucam e Sergio são ótimos.

        Agora uma pergunta para vcs: Em que pese toda essa tecnologia, todas essas mudanças de regras, ou as “artificialidades” como queiram definir, quais são os pilotos que ainda se sobressaem?

        A resposta para mim é obvia, quem se dá melhor com tudo isso, são sempre os MELHORES PILOTOS.

        Posso usar o exemplo do Massa, que em 2008 disputou o campeonato pau a pau com o Hamilton. Apesar de não fazer tanto tempo assim, o campeonato daquele ano se era vigente sob uma regra que favorecia quem tinha pé pesado e só se preocupava em acelerar e andar no limite, e Massa era um exemplo típico. Sempre muito rápido.

        Quando foi exigido uma leitura maior da corrida por parte do piloto, uma condução mais equilibrada entre pisar fundo e poupar equipamentom e em especial o entendimento melhor dos pneus, o brasileiro acabou ficando para trás, e passou a alternar ótimas corridas com outras bem fracas.

        Quem se manteve na média foram justamente os melhores pilotos. Então eu acho que sempre os melhores se sobressairão, independente de qual regra absurda ou não a FIA for inventar.

        Na minha humilde opinião.

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      2. Caro Alex, o Tramarim estruturou muito bem os argumentos e em cima deles expôs suas preocupações, então boa parte da resposta ao seu questionamento já está ali contida. Particularmente, Alex, sua instigante pergunta me leva à seguinte reflexão: os melhores sempre aparecem, no entanto, estão aparecendo por vias tortas. Como estão tortas, há o risco de não aparecerem, de serem tragados por problemas que não estão ao alcance deles resolver. Esse é o maior receio de quem ama e acompanha o esporte e quer ver os resultados finais espelhando de maneira justa o que esses ases (os melhores) fizeram ou fazem na pista, geralmente de maneira épica. Então há que se cuidar para que a receita não seja estapafúrdia para que o bolo, no final, fique saboroso, ou pelos palatável, rsrs. . . Desníveis sempre houve e sempre haverá na F 1, mas sua eliminação não deve ser feita virando os regulamentos de cabeça para baixo e com o afastamento de suas tradições e de suas raízes, de sua essência. É claro que mandar técnicos e engenheiros de volta à prancheta – em cada equipe que estiver precisando melhorar – significa aumento de custos em uma época de escassos recursos financeiros no Mundo atualmente, sabemos disso. Mas aí – mudanças RADICAIS para novas tecnologias, inclusive envolvendo pesquisas – não configura uma contradição? Posto que haverá necessidade e dispêndio talvez ainda maiores de recursos financeiros?

        Bem amigo Alex, uma coisa é certa: para quem é “F 1 – dependente” como eu sou desde os tempos em que os dinossauros andavam pela Terra juntamente com Fangio & Cia., não há saída, vou ter que aceitar tudo porque vou continuar vendo, mas não sem antes exercer meu “jus sperniandi” hahaha!!!

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      3. correção: para que o bolo, no final, fique saboroso, ou, pelo MENOS, palatável. . . É a “ansiedade enviolítica” atacando, rsrs . . .

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      4. Perfeito aucam! seus argumentos são sempre sólidos. Eu só discordo um pouco da hipérbole empregada pelo Tramarim em relação a dupla da Mercedes: distância galática entre Hamilton e Rosberg.

        Hamilton tem mais talendo sem dúvida, mas o sábado tem mostrado o quanto o Rosberg pode ser rápido em volta lançada, ponto forte do Hamilton e depois de ser humilhado pelo Hamilton na Malásia, ele mostrou que pode entender onde melhorar sua pilotagem para desafiar o companheiro.

        Pode acontecer de, depois da pausa, o Hamilton voltar e encaixar uma sequencia igual a do início do campeonato e disparar na liderança, mas pelo bem do campeonato vou continuar torcendo por essa evolução do Rosberg.

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      5. Essa aplicação de Rosberg a que você alude, Alex, me faz lembrar como o bom piloto Roberto Moreno era chamado nas transmissões da F Indy: “Operário da Velocidade”. Não sei se você se lembra disso.

        Vi em comentários num forum em um site inglês que Hamilton está sendo chamado de “O Senhor das Emoções e da Adrenalina”. De fato, Hamilton vem botando pimenta nas corridas. E o velho campeão Alan Jones, derramando-se em elogios ao seu “petulante” compatriota Ricciardo, diz que ninguém imagina o que esconde aquele sorriso. . .

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  6. Aucam, não vou entrar em detalhes mas você tocou noutro ponto importante, a cada vez mais comum falta de educação no meio virtual(em praticamente todos os espaços infelizmente). No mais, concordo com você, a série de “imprevisibilidades” na atual F1 deixa a categoria menos interessante a longo prazo. Num primeiro momento pode ser mais emocionante mas após varias corridaças de alguns pilotos serem jogadas fora devido e este fator, a tendência é desestimular. Afinal o esporte é meritocracia. Não é uma série de momentos de sorte ou azar qe usamos pra comparar pilotos como Senna e Prost, e sim suas virtudes como pilotos. Pode-se comparar 2 jogadores de xadrez mas não 2 jogadores de dadinhos.

    Sergio, acompanho a F1 desde 1983, e assim como você e o Aucam, temos em nossas memorias várias épocas e pilotos como referencial. Nada contra o piloto saber administrar seu equipamento, pelo contrário. Mas tal fator deve ser no máximo um auxiliar, jamais uma determinante. Hamilton é muito, mas muito mais piloto que Rosberg mas não é um grande administrador de equipamentos. Se o alemão for campeão, mostrará claramente que o fator burocrático vale mais que a velocidade pura, o que é um absurdo. Isso não acontecia nem com Prost que, postura conservadora a parte, sempre mostrou grande pilotagem, ao contrário do atual lider do campeonato.
    Concordo que tudo muda, mas o que estamos vendo? Uma série de mudanças começando pela “castração” do maior projetista atual a fim de “embaralhar” as cartas e no fim o que temos é um carro dominante como não se via há 10 anos. Mudanças imensas na estrutura dos carros e no regulamento e os grandes meios de ultrapassagens prosseguem sendo o DRS e os pneus. Qual a graça de uma ultrapassagem aonde um piloto tem um pneu 3 segundos mais rápido e ainda abre a asa? Não há sequer a expectativa de uma possível defesa. Que graça tem um piloto não se defender porque está economizando combustível? Que graça tem um piloto não atacar porque está poupando pneus? E essas coisas acontecem direto, não são uma excepcionalidade.

    Aucam e Sergio, nem me considero um purista, mas no momento que ser um matematico valer mais do que ser um “racer”, certamente terei coisas mais interessantes a fazer numa madrugada ou manhã de domingo.

    Abraços a todos!

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    1. Eu sou fan do Hamilton por um motivo, eu sou negro e seu que nossa classe é muito discriminado no mundo todo por isso eu como a maioria dos negros temos que valorizarmos os nosso heróis negros, Hamilton é um exemplo que nós negros podemos ser iguais ou até melhores que os brancos, minha torcida é para o Hamilton vencer o campeonato, mas não é pelo fato de eu ser torcedor do Hamilton que eu não vou admitir que Rosberg no atual momento é melhor do que Hamilton se não fosse como poderia estar liderando o campeonato, como ele poderia ter superado o maior piloto de todos os tempos o lendário schumacher por três temporadas seguidas temos que admitir e encarar a realidade que rosberg é bom mesmo, so não teve a sorte de pilotar carros de ponta como hamilton desde que começou a carreira.

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  7. Grande Ju Cesaroli, acompanho este espaço há bastante tempo e acho sensacionais suas análises. Geralmente não comento, mas gostaria muito de saber sua opinião sobre o seguinte:
    Quando o Safety Car entrou na pista após o acidente de Erickson, os quatro primeiros colocados não puderam para pois já haviam passado pela entrada do pitlane. Os pilotos que estavam atrás fizeram suas paradas e ganharam posições. Isso não soa injusto? Afinal, quem está na frente leva desvantagem… Não seria mais correto se o pitlane apenas fosse aberto após todos completarem a volta?

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    1. Hoje como eles têm o delta (um tempo mínimo e máximo de volta sob regime de SC), é muito raro acontecer uma situação como a de Budapeste, em que algum piloto perde por parar na volta seguinte. O que aconteceu foi um azar muito grande, porque além de perderem o timing de entrar, os 4 primeiros foram “pegos” pelo SC logo de cara, andando no mínimo do delta, enquanto os outros ganhavam terreno. Acredito que a regra atual funcione bem para que o SC não vire uma roleta russa, o que aconteceu domingo foi muito atípico.

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  8. Julianne, em 1° lugar obrigado pela excelente análise. Parabéns.
    Mas eu tenho uma questao para voce. Se o Hamilton tivesse tido a mesma estratégia do Rosberg (três stints com o composto mais rápido). Teoricamente ele poderia chegar em 1° ?? ou mesmo passar o Alonso??. Ou a estratégia usada foi a melhor mesmo…garantido um excelente 3°lugar.
    Abrcs e obrigado pelo espaço.

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    1. A questão com Hamilton é que o ritmo dele foi muito bom depois da segunda parada do Rosberg, que estava travando-o. Por isso, quando ele voltou à pista, já estava na frente dos pilotos que parariam 3 vezes e não fazia muito sentido colocá-lo nessa estratégia. Mas ele poderia ter vencido sim, caso a opção fosse usar pneus macios no final, pois eles acabaram durante praticamente o mesmo dos médios, porém com rendimento superior.

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      1. Julianne, então, a meu ver, essa hipótese serve para ilustrar que injustiças seriam passíveis de acontecer diante do que foi decidido hoje por Toto Wolff, como nova política daqui pra frente: pilotos devem obedecer às ordens da equipe sempre, quaisquer que forem elas.

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      2. JL, meu palpite é de que veremos Hamilton, O Senhor das Emoções e da Adrenalina, de volta à McLaren antes do previsto.

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      3. Puxa…já pensou…sair dos boxes e chegar em primeiro…LOL. Acho que seria inédito na F1.
        Mas vamos ver como vai o andar da carruagem…se a Merc. tem piloto preferido ou nao..pois nas últimas corridas as coisas estao dando muita margem pra 2 interpretaçoes.
        Obrigado Julianne
        Abrcs

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      4. Quando Vettel disputava com Webber, diziam que o Alemão era o queridinho da RBR, que o Australiano era sempre o renegado nas ordens de equipe, que os problemas só aconteciam no carro dele e etc.

        Mas hoje, graças ao “senhor tempo”, sabemos que isso era apenas paranoia de conspiracionistas, pois nesta temporada, o que temos visto é Sebastian Vettel recebendo ordens para abrir passagens ao Ricciardo e tendo mais “azar” com problemas no carro.

        As pessoas veem o que querem ver.

        Abraços.

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      5. redhorse, daqui a pouco os adeptos das TC vão dizer que a Red Bull está sabotando o carro do Vettel porque o Alemão pretende ir para a Ferrari no futuro.

        Abs

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