O vídeo e as bandeiras

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O vídeo que mostra com clareza o acidente de Jules Bianchi no GP do Japão jogou luz em algumas circunstâncias que explicam por que o estado do francês é tão crítico – e também gerou uma discussão sobre as ações dos fiscais de pista (que, ainda bem, incrivelmente estão a salvo, diga-se de passagem).

Agora sabemos que a Marussia escapou, diferentemente da Sauber de Adrian Sutil momentos antes, de frente, e que Bianchi acertou a parte de trás da lateral do trator que removia o carro do alemão. Segundo a telemetria, o impacto foi de 203km/h, portanto, fortíssimo.

Como a parte traseira do trator é relativamente alta, o primeiro ponto que colidiu com o trator foi provavelmente a parte superior do capacete do piloto ou, no melhor dos casos, o santoantônio, completamente arrancado com a violência da pancada. Na verdade, mesmo se a cabeça de Bianchi passou por baixo do trator e não foi diretamente atingida, só a desaceleração causada pelo impacto já explicaria suas lesões. O que dá para ver nas fotos é que os espelhos retrovisores, que ficam no nível dos olhos do piloto, ficaram intactos. O santantônio, centímetros acima, não.

Além do acidente em si, chamou a atenção a confusão dos fiscais em relação às bandeiras. Primeiro, bandeiras amarelas duplas. No meio do resgate do carro de Sutil, bandeira verde. Não, não foi isso que causou o acidente e não faz sentido demonizar os fiscais. Mas existe algum erro de procedimento.

Em relação ao acidente, o que importa são as bandeiras amarelas no posto anterior. Afinal, ser avisado de um acidente em cima dele não vai ajudar em nada. E a FIA já soltou comunicado dizendo que as amarelas duplas (que indicam não apenas que o piloto tem de desacelerar, como também estar preparado para parar) estavam sinalizadas no posto anterior, o 11.

No regulamento, diz-se que as bandeiras verdes podem ser agitadas depois da zona do acidente. Será que aquele ponto já poderia ser considerado posterior (avisando que, a partir dali, os pilotos deveriam correr normalmente) ou ainda seria necessária a bandeira amarela? Parece que nem o fiscal de Suzuka – e eles estão entre os mais experientes do calendário – sabia ao certo o que agitar.

Ainda faltam mais dados para fechar o veredicto do acidente. Não dá, inclusive, para dizer que Bianchi ignorou as bandeiras anteriores sem a telemetria. Ele tinha pneus intermediários com 17 voltas, um carro difícil e começara a chover mais forte naquele momento. Mas acredito que caiba a discussão sobre o tipo de resgate a ser utilizado em determinadas pistas.

Convenhamos que em um circuito amplo como o da Malásia, a chance de termos um episódio como o de Suzuka é infinitamente menor. Talvez caiba àqueles redutos sabidamente mais perigosos – como a pista japonesa e Montreal, por exemplo – adotarem apenas guindastes, semelhante ao que ocorre em Mônaco, ou mesmo os comissários podem ser mais cautelosos que o normal.

Concordo com Jackie Stewart quando ele diz que a Fórmula 1 é um exemplo de administração de riscos. Até a expressão do escocês é perfeita: “administração de riscos”. De fato, o risco é inerente a este esporte. Porém, nunca podemos usar isso como pretexto para fechar os olhos quando as brechas nessa administração aparecem.

44 comentários sobre “O vídeo e as bandeiras

  1. Ótimo Post Ju! Sim a F1 é uma administração de riscos e nesse episódio o risco foi muito mal administrado pelo Sr Charlie Whiting. Você sabe me dizer porque o resgate com o trator foi autorizado sem a necessidade de um SC ?

    A Administração da corrida pode ser indiciada por homicídio culposo caso ( Deus queira que não ) o Bianchi venha a óbito?

    Com que clima esses pilotos vão treinar e correr já no proximo final de semana. Isso foi uma verdadeira tragédia.

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    1. Foi seguido o procedimento padrão para quando há carros de serviço na pista, com as bandeiras amarelas duplas agitadas. Sinceramente, não vejo problema nesse ponto isolado: não acho que, em todos os circuitos do campeonato e em qualquer situação seja necessário um SC quando entra um carro de serviço. É apenas minha opinião levando em consideração o tamanho das áreas de escape na maioria das pistas.

      O que Whiting poderia ter considerado melhor é a conjuntura: carro de serviço na pista + chuva piorando + pilotos com intermediários gastos + fator Suzuka – curvas velozes + pouca área de escape + e pouca visibilidade.

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      1. Acho que o mais agravante Ju, é o piso escorregadio e a pequena área de escape ocupada por um veículo. Existe a barreira de pneus para tanto, mas por mais que os caras são ases a escapada torna-se normal naquelas condições, e a única forma de reduzir a velocidade eficazmente, seria o safety car. O próprio Jacques Villeneuve deixou a dúvida no ar:…”com bandeiras amarelas, os pilotos diminuem o suficiente?…” eis o ponto. E como mensurar uma velocidade global, uma pisada no freio para carros de equilíbrios e desgastes de pneus distintos? O mais rápido e seguro seria o carro de segurança. Podemos pensar ser fácil deduzir após o acontecido, mas nós espectadores somos apenas espectadores, e os caras lá dentro teem dados e meios suficientes para cometerem um erro tão infantil!!! O culpado, Mr. Charlie, será absolvido.

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      2. Quantos segundos decorreram entre o acidente do Sutil e Bianchi? Será que é prudente crucificar o Whiting por não ter colocado o SC a tempo?!

        Lembre-se que também julgaram ‘Tony Stewart’ antes da hora…

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      3. Mas aí é que está red, se fosse na década de 60, 70, poderíamos dizer que foi uma fatalidade, pois os “meios” para se evitar o pior eram precários, mas hj, com toda tecnologia existente…na real, os comissários são pagos para verem a “corrida chata”, sem emoções, sem prestar atenção na disputa emocionante, e detalhes importantes como um “trator em uma área de escape pequena e pista ecorregadia sujeita a aquaplanagem/perda de grip” não pode passar em branco. Errar é humano, mas pela quantidade de câmeras in loco, a quantidade de olheiros, fica difícil engolir “essa fatalidade”. O grande problema é que todo profissional pode ser responsabilizado por seus erros, seja um gari varrendo a rua, seja um neurocirurgião, ou o Presidente da República! O grande problema é que a F-1 tem uma aura de intocável, tudo que acontece é fatalidade pelo perigo do esporte, mas vamos voltar no passado e lembrarmos da morte de Senna. Fizeram um inquérito meia boca, inocentando a Willians pela “emenda na barra de direção do carro de Senna”, o que foi o causador da perda de controle do carro e a batida fatal, bem, foi um crime intencional? Não, mas foi doloso, pois sabiam que essa emenda poderia se partir, mas julgaram o perigo irrelevante. O impacto no muro causou a morte, até ai poderia ser uma fatalidade, mas o que causou a fatalidade não, e tudo terminou em pizza. Fora as imagens on board apagadas propositalmente, tal qual a sensura imposta até hj com a retirada do ar dos vídeos, enfim, o modus operandi da categoria não mudou até o presente, e a “grande família” mais uma vez vai dizer que a fatalidade foi causada pela periculosidade do esporte.

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      4. Mas crucificar o Charlie Whiting por não ter colocado, em questão de segundos, o SC?! Desculpe, mas não concordo com isso.

        Whiting não foi negligente. Simplesmente agiu de acordo para com a velocidade da F1. Corretamente, o mesmo acionou o carro de segurança após analisar a situação (e isso demanda um tempo).

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      5. Pelo vídeo do acidente do Sutil dá pra ver que tinha uma Marússia na sua frente, se era o Bianchi, ele deu mais uma volta, ou seja, aproximadamente mais dois minutos até o acidente dele. E o carro do Sutil já estava amarrado e guinchado, portanto, não se passaram apenas alguns segundos, foi uma volta até a segunda batida.

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      6. Se o SC tivesse entrado, estariam Jules e os ocupantes do SC no hospital. Ou vai dizer que o SC não estaria no caminho do Bianchi? Alguém tem bola de cristal? Empresta para o Charlie então. Povo fala muita besteira sem ter noção alguma.

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      7. Não precisa de bola de crista pois o Safety Car sai dos boxes e a batida não foi na entrada/saída do mesmo, além é claro que os pilotos instantaneamente com o aviso do carro de segurança, praticamente “estacionariam seus carros” simples assim.

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    2. Concordo plenamente Alex, não é demonizar o Charlie mas ele é o responsável pois é ele quem dirige, ele tem toda visão da pista pelas câmeras, está na F1 há muito tempo e uma corrida que já era tensa desde o momento que começou deveria ser controlada com uma rédia muito mais curta….

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      1. Exatamente Daniel! Assim como nas forças armadas, o general comanda sua tropa, e é o responsável pelos atos cometidos por seus subordinados! Permitam-me um pouco de humor negro, mas com todos auxiliares e câmeras disponíveis, a única forma de Charlie Whiting não conseguir enxergar a situação iminente era por estar no Facebook ou Twitter, rsrrsrs. No mais, espero que o jovem Jules recupere-se plenamente!!!

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      2. Sim Daniel e Wagner. É chato pra caramba crucificar uma pessoa, tipo, de repente o Charlie é um cara super legal, tem família, filhos, neto um cara super do bem e tal, PORÉM, alguém tem que ser responsabilizado, e se ele é o responsável pela segurança de um GP então ele tem que responder.

        Como a Ju disse que achou que o procedimento foi correto SE não fosse a chuva, pista escorregadia e traiçoeira de Suzuka, pneus gastos, etc, então o procedimento não foi correto justamente por esses fatores e deveria ter tido outra interpretação da situação. Claro, que falar depois do ocorrido é fácil, mas infelizmente é assim que as coisas são.

        A consequencia disso tudo e a admissão do erro por parte da Direção dos GP é que nas próximas quatro corridas COM TODA CERTEZA, se tiver que entrar um trator para retirar um carro, o SC vai entrar junto mesmo que não tenha chuva e que haja areas de escape gigantescas e que nos próximos anos, NÃO EXISTIRÃO MAIS TRATORES PARA REMOÇÃO DE CARROS.

        A velha história da fechadura depois que a porta foi arrombada. Ocorreu após 1994 com as mortes de Senna e Hatzemberg e agora vai ocorrer de novo com essa tragédia com o Jules.

        A questão dos tratores vai ser a primeira a ser implementada e vão discutir a questão da bolha também, apesar que essa idéia eu acho mais complicado de seguir em frente, pela caracteristica da mudança.

        Não é querer crucificar ninguém, é entender que não cabe mais esses tratores para resgatar os carros com a corrida sob bandeira amarela local. Tem que ter o SC, mesmo que estrague o espetáculo e faça cair pontos na audiência, a vida dos artistas que fazem o espetáculo é mais importante do que a audiência.

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  2. Tudo certo. Tudo corretíssimo.

    Minha opinião: Não se deve usar maquinas na pista com o asfalto molhado.

    Uma grua deveria ter sido usada pra retirar a Sauber de Sutil. Jamais um trator num trecho onde um carro saiu da pista. A probabilidade de acontecer o mesmo com outro carro deve ser no mínimo considerada.

    Pelo vídeo dá pra ver que, se o trator não houvesse dado ré, provavelmente Bianchi teria tido um acidente menos sério.

    Acabaram com a carreira do garoto.

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  3. Ótimo texto, mas não é primeira vez que vejo os fiscais de pista agitando as bandeiras erradas diante de um acidente, acho que algo precisa ser revisto, na corrida da Italia quando carro do Alonso parou no fim da reta, em um ponte de extremo perigo, e onde o Rosberg passou reto 2 vezes, a direção de prova não colocou carro de segurança.

    Os pilotos tem que se manifestar contra isso é vida deles que esta em jogo e não falam nada, falta voz ativa.

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  4. Fatalidade, completa fatalidade.

    Nada, exatamente nada poderia ter sido feito para evitar o que aconteceu. Lógico que agora, depois do ocorrido, sempre aparecerão os ‘experts’ em advinhar o futuro quando o futuro já virou passado.

    Triste, muito triste a má sorte do Jules. Mas foi uma fatalidade, uma total e completa fatalidade.

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    1. Djow

      Entendo seu ponto de vista, mas entretanto você dizer que nada poderia ser feito pra evitar o acontecido é no minimo questionável.
      Tanto o diretor da prova, quanto os fiscais tomam decisões, e naquele momento alguém decidiu pela entrada do trator para a retirada do carro do Sutil, e para essa decisão analisou as premissas e se sentiu confortável para a entrada e retirada do carro.
      Como mesmo disse, não há como prever o futuro, porém naquele momento da pista junto com as condições metereológicas e de visibilidade, a prevenção torna-se obrigatória, ainda mais em uma categoria que preza e zela muito pela segurança.
      Não sou expert, só estou argumentando que esse acidente sim era evitável, com toda a aparelhagem eletrônica e informações em tempo real e as condições já mencionadas, deveriam ter tomado uma atitude mais precavida, e digo, a direção da prova tem sua responsabilidade.

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  5. A bandeira verde estava sendo agitada após o acidente, no posto 12. A FIA está correta na explicação. Concordo com sua análise que poderia ter entrado SC devido as circunstâncias. Outro ponto é que numa área com duplas bandeiras amarelas o piloto deveria estar mais devagar do que estava.

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  6. Eu acho que não pode haver tratores na pista com a corrida ativa. Para se ter trator trabalhando, a corrida tem que estar neutralizada. Michael Schumacher quase enfiou a cabeça num trator em Interlagos 2003. Liuzzi quase en fiou a cabeça no trator em Nurburgring 2007. Se houvesse um trator atendendo o carro do Nannini em Montreal 90, Alesi teria acertado a cabeça no trator.

    Essa tragédia da cabeça no trator era uma tragédia esperando para acontecer.

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  7. “Quando eu estava correndo, e mesmo depois disso, eu sempre disse que, toda vez que acontecer um acidente, o safety-car deveria entrar. Não deve haver espaço para julgamentos. É simples. Se precisa tirar um carro, então é preciso chamar o veículo de segurança. Se tem um acidente, é a mesma coisa. Já deveria ser assim há muito tempo. Nos EUA, isso já existe desde sempre”, completou.
    “Sim, às vezes, o safety-car minimiza as brigas de pista, mas, pelo menos, evita casos como o de hoje, e você evita o aspecto humano de tomar a decisão. Sempre que estive na pista, o meu medo maior era de que, em um acidente, alguém batesse em mim. Eu realmente não gosto de bandeiras amarelas. Todos desaceleram, mas quanto? Eu até estou espantado que isso não tenha acontecido antes. Acho que, na verdade, apenas tivemos sorte”, explicou.
    Jacques Villeneuve.

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  8. Por fim, Räikkönen ainda disse que, mesmo com os avisos de bandeira amarela, um acidente pode acontecer. “Havia a bandeira amarela, o que significa que temos de baixar a velocidade, mas isso muitas vezes não importa. No começo da corrida, quando estávamos atrás do safety-car, nós estávamos guiando acima dos 100 km/h e, ainda assim, o carro aquaplanava. Então, mesmo que você reduza a velocidade, pode acabar saindo da pista. Simples assim”, encerrou. Bem, se podem sair da pista, o que se torna ainda mais normal nessas circunstâncias, é bom que não haja nada na frente além de uma área de escape e uma boa barreira de pneus…

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  9. Para o tetracampeão Alain Prost, também houve uma falha por parte da direção de prova. O ex-piloto francês acredita que um veículo de grandes dimensões como o guindaste utilizado para a retirada da Sauber de Sutil não poderia sequer adentrar a pista sem que a corrida estivesse com o safety car acionado.
    – A entrada desse trator sem o safety car estar na pista é completamente inaceitável. É um grande erro, que não pode se repetir. Há um erro, sem dúvida. Precisamos denunciar isso. Será que a decisão de permitir esse veículo veio da direção da corrida ou dos comissários responsáveis pela curva onde ocorreu o acidente de Sutil? Alguém tomou esta decisao. Foi a direção ou foram os comissários? – questionou o francês.

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    1. Wagner, a F 1, que anda tão rigorosa em suas punições a pilotos que no calor da disputa possam eventualmente exceder as linhas demarcadas da pista, é capaz às vezes de produzir situações desconcertantes. Dá uma olhada nesse vídeo, lembra desse lance? Não me recordo se alguém foi responsabilizado por isso, mas foi uma situação de risco também, com um carro errante e de marcha à ré, felizmente nada aconteceu. Estou postando a mesma situação em dois ângulos diferentes, de duas vezes, em razão de o sistema não aceitar dois links de uma só vez (curiosamente, era a Marussia de Bianchi):

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      1. Caro amigo, é uma situação angustiante! Mas de tudo, a área de escape (mas com barreira de pneus) estreita, a chuva, o piso escorregadia, os pneus gastos, o horário, fica a sensação que …”no meio do caminho tinha uma pedra…” e sem carro de segurança, essa pedra não deveria estar lá!!! Fatalidade, não, obrigado!!! Acredito em milagres, que Deus console a família!!!

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      2. Pois é aucam sempre consideraram chances remotas de ocorrer, 1 em 1 milhão, agora vão repensar os procedimentos já que é remota mas existe. Nunca uma corrida de carros vai estar livre de riscos, 100% segura, ou então não será mais corrida de carros com seres humanos dentro, mas bizarrices como tratores com a corrida em curso talvez não haja mais, no mínimo um SC, porque as vezes não é só confiança na habilidade dos pilotos, os carros quebram também e os pilotos nada podem fazer.

        Aliás, estranho a velocidade com que o Jules saiu da pista e atingiu o trator, não afasto a possibilidade da Marussia ter quebrado algo também.

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  10. Oi Ju,

    Chama atenção o fato de o fiscal continuar agitando a bandeira verde mesmo depois que o Bianchi bate como que se nada de mais tivesse acontecido.

    A gente aprende nos acidentes aéreos que eles acontecem quando uma séries de fatores resultam na tragédia, e não apenas um fato isolado.

    Na Fórmula 1 é a mesma coisa. O acidente de Bianchi foi uma série de fatores que levou ao acidente.

    Ju, não estaria na hora de a FIA, pelo menos, adotar nestes tratores um anel de proteção em sua volta, como, dada as devidas proporções, só de exemplo, a proteção que vemos nos karts indoor?

    Um abraço!

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    1. A bandeira verde significaria que, dali em diante, a pista está liberada. Não sou especialista e não saberia te dizer as implicações, mas a ideia de “emborrachar” os carros de serviço não me parece ruim.

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  11. Mas não adianta, o melhor que deveria ter sido feito era a corrida mais cedo. Antes de mais nada, já se sabia que a corrida seria um caos se ocorresse no horário “europeu” por conta dos efeitos do tufão. Droga, na Nascar os caras cancelam ou antecipam corridas em casos que se sabe de chuva persistente (claro que lá são caracteristicas as pistas ovais velozes e pneus lisos). Mas cancelam, correm sem ter as amarras de interesses como na F1. A Indy a mesma coisa, acho até já fizeram corrida na segunda, dadas condições impossíveis. Espero que com isso acabem com essa zona dos horários em prol da Europa, corram no horário mais conveniente pro esporte!

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  12. Julianne,

    só gostaria de colocar um pontinho a mais nas conjecturas que você (acompanhada dos seus leitores) levanta sobre esse trágico acidente e suas circunstâncias: concordo com sobre a precisão feliz da expressão de Stewart nesse infeliz momento. Trata-se de um esporte especializado na “administração de riscos”, sem dúvida.

    Mas talvez, apenas talvez, valha a pena aprofundar as primeiras ideias que a expressão sugere. Administra-se tanto risco nesse esporte que seus responsáveis parecem crer na capacidade de administrar tufões e vulcões, talvez pensando em não arriscar seus incomensuráveis contratos e afins. Só não podem contar com a administração do imponderável. Entre tantas bandeiras confusas, Suzuka ficou sem bandeirada final…

    Desejo a mais feliz sorte ao garoto Bianchi!
    J.

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  13. A soluçao é simples…nao entrar trator na pista. Os tratores por causa do contra-peso sao como um muro de aço. E ele bateu bem ali.
    Aqui em Montreal se usa tratores, mas todos tem os braços longos. Nao precisam entrar na pista. Ficam atras do guardrail. Como em Monaco tbem.

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    1. Sim JL, é o que eu escrevi ali em cima, mas só vão adotar essa solução agora que a tragédia aconteceu, já tiveram avisos, mas não levaram em consideração, agora vão estudar uma medida preventiva, pois a merda enfim aconteceu.

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      1. Outro fator a considerar, Alex: será que esse circuito do jeito em que está não é perigoso demais para a F 1? Esse ponto em que houve os dois acidentes pareceu-me ter pouco espaço para situações emergenciais. Grandes áreas de escape são sempre e cada vez mais necessárias, a fim de preservar o mais importante, a vida dos competidores.

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      2. aucam, isso sem dúvida. Suzuka se mantém pela tradição, por ser uma pista extremamente técnica, pela fato da maioria dos pilotos adorarem correr lá, já que é desafiante, pela mística das decisões de títulos, pela audiência do público japonês, mas todos sabem o quanto ela é perigosa, estreita e fora do, infelizmente mas necessário, padrão FIA para circuitos modernos.

        As pistas tradicionais são assim. Interlagos que é uma maravilha e sempre tem corridas sensacionais, só sobrevive porque o Bernie quer e ganha muito dinheiro ainda com o GP do Brasil. Não vou nem falar da infraestrutura porque todo mundo já falou isso bem, como o Ico e a Ju, mas aquelas muretas antes da entrada dos boxes eram um perigo e muita sorte não ter ocorrido uma tragédia, pelo menos recuaram um pouco elas, assim como o Schumacher não ter entrado embaixo do trator em 2003.

        Essa questão é longa e rende discussões acaloradas…

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      3. Verdade, Alex. E o Smedley já disse não apenas apoiar mas também que é fácil implementar aquela solução da carlinga para fechar a carenagem e aumentar a proteção à cabeça do piloto, conforme estão noticiando alguns sites ingleses. Mas já há controvérsias, a principal delas é sobre a possibilidade de extrair o piloto rapidamente, caso ela seja danificada em demasia.

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      4. Sim, essa da bolha eu acho muito difícil de ir para frente, mas não dá para duvidar da capacidade humana. Hoje eu não imagino isso ser possível, mas…

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  14. Para o doutor Altmann, não há o que pensar no caso da entrada de um veículo de serviço na pista durante prova na chuva: “O safety car tem de ser acionado. Já havia a experiência do ocorrido com Michael Schumacher, em Interlagos, em 2003″. Não hesita em dizer: “Eu no lugar do Whiting estaria sem dormir”.

    Naquela corrida no Brasil, o alemão da Ferrari colidiu contra um trator também na área de escape da curva do Sol. Vários pilotos bateram naquele ponto por causa do elevado volume de água no asfalto. A dinâmica do acidente de Schumacher foi bem distinta da de Bianchi e ele não se feriu.

    “As pessoas não têm ideia do que é você estar prestando assistência a um piloto que se acidentou e ver os carros passarem do seu lado, em plena corrida. Sem a presença do safety car todos correm altos riscos. Com chuva eles se elevam ainda mais”, diz Altmann.

    Para o diretor médico do GP do Brasil, não há dúvida: “Se começou a chover e houver a necessidade da entrada de um veículo de serviço é preciso liberar o safety car. Com pista seca é menos grave, mas no molhado não há discussão”.

    A repercussão do ocorrido no GP do Japão tem sido tanta que a FIA já estuda mudar alguns procedimentos quanto ao uso do safety car e de veículos de serviço. Para Altmann, está tudo muito claro: “Assistimos a um acidente que poderia ter sido evitado”.

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