GP da Rússia por brasileiros, britânicos e italianos: “Mais um golpe”

Motor Racing - Formula One World Championship - Russian Grand Prix - Race Day - Sochi, Russia

O GP da Rússia começou evidenciando que qualquer análise ficaria pelo caminho logo na primeira curva, quando um afobado Nico Rosberg colocou de lado na tentativa de superar o companheiro Lewis Hamilton e jogou suas chances de vitória no lixo ao frear tarde demais. Quem gostou foi o narrador da TV Globo, Luis Roberto. “Hamilton manteve a ponta, mas Rosberg tenta colocar de lado, agora ficou bonito. Impressionante como eles arriscaram.”

Na Sky Sports, David Croft, por sua vez, não dá tanta ênfase no erro de Rosberg logo de cara. “Largada decente de Hamilton e também de Rosberg. Ele frita os pneus e vai para a ponta. O que mais temos? Acho que Ricciardo perdeu muitas posições.” Gianfranco Mazzoni e os demais italianos da Rai veem a briga na frente, mas não tiram os olhos da Ferrari. “Rosberg parte para o ataque, enquanto Alonso tenta ganhar posições mais atrás… e Rosberg corta a curva. Muita confusão nas primeiras curvas, como era previsto pelas características da pista”, narra, ajudado pelo comentarista Ivan Capelli. “Precisamos destacar a grande largada de Alonso, enquanto Raikkonen é 11º.”

Não há nem tempo de polemizar sobre a necessidade de Rosberg devolver a posição ganha fora da pista a Hamilton, pois o alemão já avisa via rádio que precisa trocar os pneus, “quadrados” na definição do comentarista inglês Martin Brundle.

O piloto coloca os pneus médios logo ao fim da primeira volta, assim como Felipe Massa, largando em 18º, troca os médios pelos macios. Isso não surpreende os brasileiros, pois a estratégia da Williams fora mencionada. “Ele pode colocar os pneus macios e ir até o fim, como o Luciano explicou antes da largada”, diz Luis Roberto, citando o comentarista Burti.

Na Globo, é vista como válida a possibilidade de ambos chegarem até o final sem fazer outro pit stop. Na Sky, isso não é possível. “A campanha de Rosberg pelo título acaba de levar outro golpe”, acredita Brundle, que emenda: “Que pena para Massa, ele tinha ganho várias posições”, demonstrando pensar que a parada não fora programada.” Quando ouve no rádio da Mercedes que a ideia é, sim, ir até o fim, a reação de Croft é um “wow”. Na avaliação de Brundle, “se ele chegar nos pontos, pode comemorar”.

Os italianos ficam no meio do caminho. “Com Rosberg trocaram o macio pelo médio, enquanto Massa fez o contrário, então dificilmente ele vai conseguir chegar ao final”, acredita o comentarista-engenheiro Giancarlo Bruno. Algumas voltas depois, a repórter Stella Bruno informa que Massa parou por estratégia e que tem “uma corrida longa com os macios”, indicando que essa era a primeira intenção da equipe.

Na nona volta, Giancarlo Bruno faz as contas e já alerta que Rosberg está se colocando em posição de chegar em segundo lugar. Impossível, na visão do repórter da Sky Ted Kravitz. “Estou vendo os números e acho que quarto é mais realista. Falaram para o Jenson que Nico vai até o final e ele respondeu que era impossível.” Pouco depois, vem o rádio da Mercedes falando que ele já chegou virtualmente em Button, terceiro. “Se a Mercedes está dizendo para o Rosberg que ele pode lutar pelo pódio, então o Felipe também”, crê Burti. De fato, até aquele momento, o brasileiro vinha abrindo caminho junto do alemão.

Motor Racing - Formula One World Championship - Russian Grand Prix - Race Day - Sochi, RussiaIsso, até a dupla chegar na Force India de Sergio Perez, “primeiro carro com motor Mercedes que eles encontram”, como destacam Croft e Capelli. Mas Rosberg se livra facilmente do mexicano e deixa a ‘encrenca’ para Massa, que passaria o resto da tarde tentando superar o rival.

Os diferentes sinais dados pelos pilotos a respeito dos pneus começam a confundir os comentaristas perto da metade da prova. Lewis Hamilton, mesmo com os pneus compostos do início da prova, elogia a performance da borracha, enquanto Rosberg, com os pneus mais duros, reclama. “Parece que o pneu macio é melhor porque o Magnussen e o Hamilton falam que o pneu está bom e o Rosberg, de médios, está reclamando. É porque ele tem mais aderência e escorrega menos”, avalia Burti.

Para Brundle, a diferença é de tocada. “Um piloto da Mercedes se diz satisfeito com os pneus e outro reclama, mesmo com pneus mais novos. Parece que Lewis entrou em uma zona nesse circuito que Rosberg não está conseguindo acompanhar.”

Avaliação semelhante é feita pelo comentarista britânico e pelo italiano Capelli quando Alonso faz uma sequência de voltas ruins e logo retoma o ritmo. Tudo pensado, para eles. “É por isso que a McLaren quer Alonso. Ele largou do lado do companheiro e já está mais de 10s e quatro posições na frente. Ron Dennis vai querer o melhor piloto possível, ele sempre foi assim. O que Button tem de fazer é pilotar o melhor que pode, mas ele também tem de aceitar que uma hora a carreira dele vai ter de acabar”, diz Brundle. “Isso só mostra a inteligência de corrida de Alonso”, vê Capelli, que aposta em uma “diferença de acerto” entre Hamilton e Rosberg, o que explicaria as relações diferentes dos dois com os pneus.

Mas logo fica claro que é graining. “O pneu voltou à vida”, comemora Rosberg. Mas nem isso é suficiente para convencer os ingleses, que mantêm a expectativa de uma segunda parada para o alemão até as voltas finais, principalmente após Massa não aguentar e trocar novamente os pneus. “Massa, como era previsto, teve de parar. Enquanto Rosberg deve manter o ritmo até o final, com os médios”, avalia Bruno. Teria sido um erro da Williams? “A escolha estratégica para Massa levou em consideração o fato dele ter vários pneus sem usar devido ao problema na classificação”, explica Giorgio Piola. Os brasileiros lamentam. “Contrariando nossa previsão, Massa para de novo e coloca em risco possibilidade de lutar pelas primeiras posições no grid”, diz Luis Roberto.

Encerrando com quaisquer dúvidas na transmissão italiana, na volta 31, Stella Bruno entrevista Paul Hembery, diretor esportivo da Pirelli, que diz que Rosberg pode, sim, terminar a corrida com os pneus médios. Mas o mesmo não acontece na Sky, que segue especulando. “Será que ele tem vantagem suficiente para aguentar mesmo com a degradação no final? Vai ser melhor apostar em ficar do que parar agora e ele ter de fazer várias ultrapassagens”, diz Croft. Até 15 voltas para o fim, Brundle ainda não se conforma. “Se eles forem parar, tem de ser agora, senão ele não terá tempo de recuperar.”

Enquanto todos começam a destacar a recuperação de Rosberg, não deixam de notar a tranquilidade da tocada de Hamilton. “Parece que está num carro de passeio”, observa Luis Roberto. “Nico mostrou muita confiança, veio muito de trás. Que recuperação isso está se tornando. Mas também só mostra o quão rápido Hamilton poderia ir se ele precisasse. Fiquei impressionado com o quão cedo ele está tirando o pé do acelerador quando vimos o onboard”, diz Brundle.

Mas a dúvida sobre a estratégia de Rosberg volta perto do final, quando ele recebe a mensagem de que estaria no “plano B”. Isso gera certo desconforto entre os italianos. “Depois de ver as voltas rápidas que Rosberg está fazendo, o plano B só pode querer dizer que…”, Capelli deixa no ar e Bruno completa “que ele vai usar os pneus agora para abrir diferença para Bottas e gerir a distância depois.” Mas o ex-piloto, na verdade, crê que “ele vai tentar abrir vantagem para parar de novo”, teoria rechaçada pelo engenheiro. “Faltam 15 voltas, essa estratégia não faz sentido.”

De fato, ficamos sem saber o que era o tal plano B. E nem quando chegaria a degradação nos pneus de Rosberg. Hamilton recebe a bandeirada com o companheiro fazendo grande recuperação em segundo, mas com o peso do erro na largada e 17 pontos de desvantagem no campeonato. “Rosberg adotou um acerto, segundo suas palavras, criativo, na sexta-feira e andou muito longe do companheiro. No sábado, voltou a um acerto mais padrão e, mesmo assim, não conseguiu chegar muito perto. Talvez isso tenha deixado-o nervoso e provocou o erro, que condicionou essa corrida”, avalia Bruno. “O erro lembra o de Spa, pois novamente ele quis resolver a disputa com seu companheiro na primeira oportunidade que teve. Mas agora não houve contato”, completa Piola. Na avaliação de Brundle, “Hamilton fez o melhor trabalho porque não errou, mas a recuperação do dia foi de Rosberg.”

Mais líder do que nunca – os 17 pontos são a maior diferença obtida por Hamilton neste ano – o inglês ainda ganhou destaque por Motor Racing - Formula One World Championship - Russian Grand Prix - Race Day - Sochi, Russiaigualar Nigel Mansell como o maior vencedor britânico na F-1. “Muito legal o Hamilton ter a consciência de que a Mercedes está fazendo história e ele também está”, diz Reginaldo Leme depois que o inglês destaca o título de construtores do time. O piloto é elogiado até por não acelerar. “Um Hamilton mudado. Poderia ter tentado a volta mais rápida e o grand chelem no final, mas preferiu pensar no campeonato”, observa Capelli.

Glória para uns, mais uma corrida difícil para Massa, 11º, atrás de Perez. “Depois do Canadá, perguntaram para o Massa se ele pensaria duas vezes antes de disputar com Perez. E ele disse que pensaria três vezes”, lembra Brundle. Para os brasileiros, contudo, uma questão de estratégia. “Era uma tentativa, ele estava largando em 18º. Eles tinham de fazer alguma coisa diferente”, defende Burti. “Vamos falar a verdade: a temporada foi muito azarada para o Felipe, quase nunca aconteceu algo de errado com o Bottas. Quem sabe no Brasil ele pode fazer uma boa prova, pois as características do traçado favorecem as características da Williams”.

3 comentários sobre “GP da Rússia por brasileiros, britânicos e italianos: “Mais um golpe”

  1. Julianne,

    Ótimo post como sempre!

    A transmissão da corrida pela Rede Globo foi sofrível mais uma vez, o comentarista Luciano Burti é o único que salva. Já Luís Roberto e Reginaldo Leme estavam bem perdidos! Luís Roberto não soube diferenciar o Perez do Hulkenberg. Também na transmissão, incomoda e irrita a tentativa de elevar a moral do piloto Felipe Massa. Quando o Rosberg e o Massa pararam nos boxes na primeira volta, Felipe colocou os pneus macios e conforme o Reginaldo Leme ele superaria o Rosberg…

    As 3 transmissões, ao que parece, ignoraram a boa corrida da McLaren.

    Abs.

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