O nanico e as nanicas

Motor Racing - Formula One World Championship - Italian Grand Prix - Qualifying Day - Monza, Italy

Difícil falar em crise econômica quando um esporte gera 1,8 bilhão de dólares e não consegue manter 11 equipes participando de 19 etapas por ano. A crise por que a Fórmula 1 passa hoje é política.

Uma informação já dá a noção do absurdo: a Formula One Group, administradora do campeonato, fica com mais de 430 milhões de dólares por ano, enquanto as últimas duas equipes no campeonato têm direito a 50 e 10 milhões, respectivamente.

Se é tão claro, por que as equipes não se unem para mudar isso? Houve uma época em que isso pareceu possível, em 2009, até que a Ferrari conseguiu um acordo por fora com Ecclestone e, quando a equipe italiana se alinha com um lado, é ele quem ganha na F-1. São duas marcas que não se desassociam.

Hoje, há ainda dois outros problemas: uma Federação fraca e excessivamente política e um sistema decisório por meio do F1 Strategy Group que concentra o poder de mudança nas cinco maiores equipes.

Sempre haverá diferenças de financiamento entre as equipes, assim como há em qualquer outro esporte. A questão é a diferença entre o que gastam os maiores e menores. Pensando nisso, o ex-presidente da FIA, Max Mosley, surgiu recentemente com uma ideia válida: igualar os valores distribuídos por Ecclestone para que todos comecem da mesma base. As diferenças de investimento, portanto, seriam apenas de patrocínio. Isso ainda faria com que a Ferrari, por exemplo, tivesse um orçamento muito maior que a Marussia, mas a diferença diminuiria.

O problema é que isso não interessa aos que hoje controlam o esporte. Equipes pequenas são importante plataforma de crescimento profissional para mecânicos, engenheiros e até pilotos. Há quem possa lembrar que inúmeros nanicos faliram ao longo dos anos – precisamente, 164 em 64 anos de F-1 – mas é difícil ver o atual momento de Marussia e Caterham apenas como uma questão de seleção natural: a quebra de ambas vem depois de um ano de aumento considerável dos gastos com o novo motor e da criação do Strategy Group, dois fatores que efetivamente cuspiram as nanicas para fora da categoria – e correm o risco de respingar pelo menos na Sauber, a curto prazo.

A Fórmula 1 existe sem as nanicas? Sim, contando que seja atraente às montadoras, como ocorreu em meados dos 2000. Mas chegou a hora da categoria decidir se quer ser um clubinho ainda mais exclusivo, correndo o risco de perder credibilidade no momento em que uma Mercedes da vida resolve que já investiu o bastante, ou se acerta suas contas. Mas que ninguém espere alguma solução que vise o bem comum vinda ou do Strategy Group ou de Ecclestone, cujo interesse é meramente ter o mínimo de carros para honrar seus contratos. Quem tem que aparecer é Jean Todt.

4 comentários sobre “O nanico e as nanicas

  1. Em verdade, Ju, essa proposta de Mosley seria salutar, pois teoricamente começando com a mesma base orçamentária, forçaria as grandes equipes a diminuírem seus gastos exorbitantes iniciais, conequentemente possibilitando uma menor diferença de desempenho inicial…como vc bem frisou, os patrocinadores sempre correm atrás das grandes marcas. As pequenas em um comparativo com a arte, mt me lembram o cinema, afinal o que seria do ator principal sem o coadjuvante para refletir sua competência? Quantas corridas tivemos influenciadas por retardatários? Enfim, não é novidade para ninguém que a categoria representa o capitalismo selvagem ao quadrado, mas dividir os lucros podem gerar frutos até que se “estabilize” (barateie) essa nova tecnologia híbrida…hehe, nessa altura do campeonato, um bolsa equipe cairía bem, kkkkk. Poxa Ju, não conhecia sua veia humorística, afinal nanicos e nanicas tbm merecem ser felizes, kkkkk;-). Vc não está pensando em ser economista? Está?:p

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  2. Todt é simplesmente um presidente omisso. Nem o mundial de Rally, de onde ele surgiu, conseguiu alavancar na sua gestão. Sempre achei que seria melhor Ari Vatanen ter vencido a disputa.

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