GP do Brasil por brasileiros, britânicos e italianos: “Eu acredito!”

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A ameaça de chuva deu lugar a um asfalto escaldante em Interlagos. E o sol pareceu esquentar não apenas os pneus, mas também a cabeça dos comentaristas. Levado ao erro por Reginaldo Leme, Galvão Bueno viu “Hamilton pulando na frente”, na largada pela TV Globo, enquanto Martin Brundle, na Sky Sports, chegou a ‘corrigir’ o narrador David Croft dizendo que era Daniel Ricciardo que tinha perdido posições na curva 4. Porém, na realidade, Nico Rosberg manteve a ponta e foi Sebastian Vettel quem teve uma “síndrome de 2012” e perdeu terreno.

Narradores e comentaristas mal tiveram tempo de respirar e as paradas já começaram no final da volta 5, como havia previsto o comentarista técnico italiano da RAI, Giancarlo Bruno. “Com pneu macio e 95kg de gasolina – porque o consumo aqui costuma ser menor que o normal – é preciso cuidar dos pneus.”

Galvão comemora a parada antecipada da Williams. “Chamaram na hora certa porque Massa voltou fora do tráfego. Vamos ver o que eles pretendem com essa parada tão cedo”. E Luciano Burti já pensa até na possibilidade do brasileiro roubar o segundo posto. “Massa pode se dar bem porque a preferência da Mercedes é do Rosberg e Hamilton vai ter de ficar na pista com pneus usados.”

Enquanto isso, na transmissão britânica, o repórter Ted Kravitz avisa que “a melhor chance de Hamilton passar Rosberg será depois dessa primeira parada. Rosberg não venceu em Austin porque não estava trabalhando seus pneus bem o bastante.”

Ingleses e italianos destacam que “os pilotos, liderados por Massa, pediram para os pneus serem mais macios” e agora estavam parando bem mais cedo do que nas provas anteriores. Essa discussão apareceria na Globo voltas depois, mas de forma diferente.
O brasileiro mais uma vez se tornou assunto quando foi punido pelo excesso de velocidade nos boxes, o que, para Burti, “não é tão ruim porque ele só vai pagar na próxima parada”. A Globo, então, começa a monitorar a distância com Bottas, quarto. “Ele vai ter que andar muito, mas é possível ele andar mais que o Bottas para compensar punição. Torcida tem que fazer igual a do Atlético e gritar ‘eu acredito’”, pede Galvão.

Na luta pela ponta, Croft destaca que o “Hammer time fez Rosberg suar” mas, mesmo tendo diminuído a diferença, Hamilton não conseguiu superar o líder da prova.

Ainda falando sobre os pneus – ainda que Croft saliente que “não estamos reclamando, pois o desgaste está nos dando uma grande corrida” – Brundle e Bruno percebem que “o grid inteiro está mais ou menos no mesmo ritmo, o que significa que eles estão pilotando seguindo o ritmo que o pneu pode.”

Não demora para os pilotos retornarem aos boxes. Na Globo, como Felipe Nasr trouxe as informações do rádio da Williams, sabe-se que Bottas tem um problema no cinto de segurança e Galvão torce para o finlandês ficar no box “mais um pouquinho, mais um pouquinho”. E justifica. “Tem hora que tem de dar sorte na vida. Desculpe o Bottas, que é um grande piloto e um cara muito bacana.”

Na Sky, a torcida é para Button aproveitar a punição de Massa e superar o brasileiro, “aproveitando que a Williams não tem mais pneus médios novos”, como informa Kravitz.

Enquanto Rosberg faz sua segunda parada, Hamilton faz a volta mais rápida da prova – e com muita margem. “Essa volta do jm1409no306Hamilton é um recado, me lembra Senna. Ele falava para nós que dava essas voltas para dar recado para o rival”, Galvão se empolga, assim como Ivan Capelli. “Se conseguir mais um pouco na próxima volta, retorna na frente.”

O que acaba sendo uma ‘secada’ do italiano também foi a observação de Brundle, respondendo a Croft, que imaginava que aquela volta já era suficiente para dar a liderança ao inglês. “Se ele conseguir outra nesse ritmo, certamente vai conseguir”, disse o comentarista.

Mas Hamilton rodaria algumas curvas depois de impressionar a todos com seu tempo. “Ele usou tanto dos pneus para fazer aquela volta rápida que perdeu o carro na freada”, observa Capelli. “Acho que estava faltando aderência dos pneus traseiros”, completa Brundle. “É por isso que Interlagos é diferente, pois exige do piloto”, conclui Galvão. Porém, mesmo perdendo 6s em relação a Rosberg, Hamilton é elogiado por Burti. “Tem de tirar o chapéu para o Hamilton porque a volta que ele fez com pneu com bolha foi fantástica. Ele ia ganhar a posição.”

Com as posições do líder e de Massa salvas pelos problemas dos rivais, a Globo comenta o alto desgaste dos pneus. “Eles pensavam que a temperatura seria 10ºC menor e por isso a degradação tão grande”, informa Marcelo Courrege. “O asfalto novo deu muito mais aderência e isso os surpreendeu”, emenda Felipe Nasr.

Na briga pela ponta, Capelli observa que “para se aproximar de Rosberg, Hamilton está evitando fazer duas voltas seguidas rápidas. E nas lentas faz o mesmo tempo de Rosberg.” Enquanto isso, brigas por posição como a entre Alonso e Magnussen animam as transmissões. “Deram o lado de fora para ele e ele pensou ‘tá pensando que eu sou bobo?’. Mais uma aula de Alonso mesmo com pneu com bolha”, vibrava Galvão. Para Brundle, o espanhol demonstrou “muita paciência”, enquanto Gianfranco Marccione, narrador italiano, destacou sua “astúcia e experiência.”

Com 48 voltas completadas, Burti começa a falar em possível batida. “A decisão vai para Abu Dhabi de qualquer jeito, não? Então dá um presentinho para nós”. Mas Brundle vê as coisas de uma maneira mais racional. “Agora Hamilton sabe que ele precisa estar perto quando Nico parar e que terá só mais uma volta do pneu para tentar passá-lo.”

Mas quem rouba a cena novamente é Massa. “Ele estava parando no lugar errado? É todo mundo de branco e ele entrou no errado. A sorte é que o Button entrou junto”, Galvão fica aliviado após o segundo erro do brasileiro não lhe custar nenhuma posição. “É GP Brasil, Galvão”, justifica Burti. Já Brundle se solidariza com o piloto da Williams. “É o mesmo uniforme, eu já fiz isso na primeira vez que entrei num F1, fiquei com muita vergonha. Parece bobo, mas é muito fácil de fazer.”

Porém, o foco dos britânicos e dos italianos é na luta pela liderança, pois Hamilton conseguiu tirar os 6s e colar em Rosberg após a última parada. “Agora é luta corpo a corpo. E ele passou em duas das três últimas provas”, lembra Marccione. “Rosberg, quando vê o Hamilton no retrovisor, deve pensar ‘de novo, não’”, brinca Galvão, enquanto Brundle crê que “Nico precisa mostrar que ele não é fraco mentalmente, que não é Hamilton só chegar que vai passar.”

Mas, desta vez, o inglês não consegue colocar de lado. “Ele não consegue chegar tão perto para aproveitar o vácuo. Com carros iguais e idade de pneu parecida, é difícil”, avalia Capelli.

A situação não é a mesma das brigas de Raikkonen com Button e Vettel. O inglês demora, mas passa o finlandês, mostrando, para Brundle, “que ainda merece ficar na Fórmula 1”. Os italianos e brasileiros preferem valorizar a ultrapassagem do alemão, aproveitando o embalo do inglês e superando Kimi por fora no Laranjinha. “Essa foi uma pequena amostra de como vai ser a briga de Vettel e Raikkonen na Ferrari. Vão dividir cada metro”, prevê Galvão, enquanto Marccione classifica a manobra de “estupenda”.

jm1409no407Poucas voltas depois, é Alonso que chega em Raikkonen e, apesar do finlandês estar em estratégia diferente, a ordem da Ferrari, que seria normal em outras circunstâncias, não aparece. Brundle não deixa o fato passar despercebido. “É interessante que não tenham falado para Raikkonen sair do caminho porque as estratégias são diferentes. A mensagem é que Alonso está deixando a Ferrari. Sabíamos disso, mas essa é a confirmação.” Já os italianos ficam praticamente em silêncio durante a briga, só lembrando que Raikkonen costumava conseguir salvar um pit stop em relação aos outros nos tempos de Lotus. E Bruno ainda frisa que “Kimi está fazendo uma corrida sensacional.”

Na luta pela ponta, Burti acha que “Hamilton vai atacar no final porque é mais rápido com pneu usado”, mas Brundle lembra que o líder do campeonato “não precisa vencer” e “vai precisar de um erro de Rosberg para reverter essa prova.”

O erro não vem e o alemão diminui a diferença para o inglês no campeonato. Porém, quem rouba a cena no pódio é Massa. “Esse pódio é como uma vitória. O primeiro dos normais, quando se tem uma Mercedes andando desse jeito”, destaca Galvão.

4 comentários sobre “GP do Brasil por brasileiros, britânicos e italianos: “Eu acredito!”

  1. Oi, Ju,

    A largada também me levou na onda de pensar que o Hamilton tinha superado o Rosberg. E eu nem estava ouvindo a TV, pois estava sintonizado na Rádio Bandeirantes e por causa de um pequeno delay da internet, eu mesmo cantei que o Hamilton tinha pulado na ponta.

    Não sei se foi posição de câmera, mas depois no twitter vi mais gente se confundindo também.

    Parabéns por este tão esperado post depois das corridas. Sou fã!

    Um abraço!

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  2. JU esses seus post´s são uma delicia de se ler obrigado por ter voltado com eles , uma belíssima visão de vários pontos de vista…a ultrapassagem de vettel no laranjinha por fora acho q foi a melhor da corrida e rosberg foi perfeito ,fez a melhor corrida da vida dele e abu dadhi vai ser osso a briga pela pole

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  3. Não é porque foi no Brasil, mas essa foi a melhor corrida da temporada. O envolvimento da torcida foi muito legal de ver, essa foto do Lauda nesta postagem sintetiza como o GP de Interlagos foi grande, um dos poucos circuitos “old school”. Essa coisa de gritar “Senna, Senna…”, “Massa, Massa…” é só aqui mesmo. Nível Nascar! Tomara que com o que houve aqui as equipes se entendam e o Bernie tbm, que a F1 funciona quando se tem competição, pois, exceto a Mercedes, os carros estavam muito próximos.

    E só um ponto de vista destes custos elevados da categoria (e até uma pergunta pra ti, Ju [me perdoe a intimidade]): por acaso não se ouve das equipes de que a F1 fique um pouco mais concentrada na Europa (ok que Bernie disse que a Europa hoje vive uma economia de 3º mundo), pois afinal de contas as sedes das equipes estão lá. É que vejo que como a F1 está num nível global, essa logística de ir do Japão-Russia-EUA-Brasil em 1 mês é tão cara quanto o desenvolvimento de motores. Não tenho dúvidas de que este seja o problema maior, a F1 globalizada demais. Sabemos que antigamente era uma categoria mais continental, com o complemento da categoria buscar correr em alguns dos melhores circuitos do resto do mundo.

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