Chuva (prateada) de recordes

Motor Racing - Formula One World Championship - 2014 Abu Dhabi Grand Prix - Race Day - Yas Marina Circuit

A Mercedes de Lewis Hamilton e Nico Rosberg entra para a história ao lado de ícones da Fórmula 1, como as Ferrari de 2002 e 2004, a McLaren de 1988, a Williams de 92 e a Red Bull de 2011. Todos eles carros que colecionaram recordes e mais recordes na categoria.

Parte do sucesso tem a ver com o motor. Na primeira temporada de um regulamento que diminuiu a importância da aerodinâmica em detrimento da unidade de potência, a Mercedes deu show, com 100% das poles do ano, algo inédito na história moderna da Fórmula 1 (aconteceu em 69 com a Ford, quando só havia 11 etapas). Outras montadoras chegaram perto, como a Renault em 2011 (embalada pela superioridade do carro da Red Bull, mas também devido ao ótimo trabalho de integração ao difusor soprado), 95, 93 e 92, e a Honda em 88 e 89, perdendo apenas uma disputa pela pole, mas nunca um único motor havia terminado um ano “invicto” em treinos.

Nem todas essas 18 poles do time Mercedes – a 19ª do motor foi conquistada por Felipe Massa, na Williams – foram convertidas em vitórias. Porém, ainda assim, Hamilton e Rosberg bateram o recorde de maior número de conquistas em um ano, ao vencerem, juntos, 16 das 19 provas, superando os 15 triunfos da McLaren em 1988 (ainda que, percentualmente, Senna e Prost tenham levado 93,75% das provas).

Outro recorde da equipe é de número de pódios no ano, 31. Isso significa um aproveitamento de mais de 81,5% e supera em dois a melhor marca anterior, da Ferrari em 2004. Também caiu por terra o recorde de número de dobradinhas em uma temporada: Hamilton e Rosberg fizeram 11, contra 10 da dupla Senna e Prost em 1988.

Por outro lado, mesmo com a temporada mais longa, a Mercedes também não conseguiu superar o recorde de número de voltas na liderança da McLaren de 1988: 1003 contra 978. Levando em consideração que a temporada de 26 anos atrás teve 1031 voltas no total, é muito improvável que essa marca seja batida um dia em termos percentuais!

Não coincidentemente, Hamilton teve seu melhor ano disparado em termos de números: foram 11 vitórias em 2014, sendo que o máximo que o piloto, único do grid a ter vencido em todos os anos nos quais correu na F-1, tinha conseguido tinham sido 5 em 2008; sete poles (igualando 2012 e 2008) e 16 pódios (superando os 12 do ano de estreia, em 2007).

Curiosamente, o GP de Abu Dhabi marcou a primeira volta mais rápida da carreira de Daniel Ricciardo. Felipe Massa, por sua vez, liderou 14 voltas, mesmo número do GP da Áustria. Para encontrar um GP em que tenha estado na frente por tanto tempo, temos de voltar ao GP da Alemanha de 2010. Este, também, foi o ano em que conquistou mais pódios (3) desde aquela primeira temporada ao lado de Fernando Alonso na Ferrari.

36 comentários sobre “Chuva (prateada) de recordes

  1. Desculpe te corrigir, Juliane, mas a Mercedes não teve 100% das pole positions. O Massa, da Willians, conseguiu a pole position no GP da Austria, em junho.

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  2. Ops. Desculpe aí. Eu quis comentar sem ler a matéria inteira e me dei mal. O 100% não é da equipe, mas do motor Mercedes. Desculpe aí Juliane. Eu já devia imaginar pois você não erra nunca, hehe… Por isso que sou um leitor assíduo.

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  3. O que Senna, Prost, Mansell, Schumacher, Vettel e Hamilton tem em comum?

    Conforme o primeiro parágrafo do Post, todos tiveram carros dominantes nas mãos e tacaram-lhe pau rssss.

    Ju, independente dos pilotos, qual vc acha o carro mais dominante, entre esses citados? Eu tenho uma dúvida cruel entre a Mclaren de 88 e a Williams de 92.

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    1. vc pergntou pra Ju mas deixa eu dar minha opinião tbm,acho a Mclaren de 88 o mais superior em relação aos rivais pois so perdeu uma corrida ,ainda assim por que a do Prost quebrou e o Senna foi atropelado por aquele frances doido quando era lider. Ja a williams em 92 o Senna derrotou na pista em monaco e na hungria e o Schumacher na Belgica,assim apesar de muito melhor nao chegou a ser imbativel como o mp4/4.

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    2. Eu acho que ficaria com esses 2 também Alex, Mclaren 88 e Williams 92…Como equipe no âmbito geral acredito no MP4/4 pois uma equipe que tinha Senna e Prost e só não ganhou uma corrida por causa da bobeira do Senna era melhor, agora como simplesmente o carro acho que FW14 é mais impressionante, principalmente por causa da suspensão ativa, me lembro do Mansell andar 1,4 1,8 segundos na frente dos outros…
      Abraço

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    3. Precisaria fuçar nos números e comparar as vantagens dos dois, mas respondendo de bate-pronto eu votaria na McLaren pela maior confiabilidade

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      1. Obrigado Ju, eu esqueço que vc é nova e provavelmente não acompanhou a temporada de 88 com olhos clínicos como muitos aqui do blog. Era só uma percepção mesmo que eu queria. Uma opinião sem pesquisar a fundo. Quem sabe um post no nosso longo e tenebroso inverno até dia 15/03🙂

        O Mauricio respondeu ali da temporada de 92 e eu não lembrava dessa corrida que o Schumacher ganhou na Bélgica. Eu lembro da que o Mansell perdeu em Mônaco, mas por conta de um pneu furado. Se não fosse por isso ele ganharia com 1 minuto de vantagem, sei lá.

        Realmente Ju vc tocou num belo diferencial: Confiabilidade! Porém naquela época tinha carro reserva a disposição nos boxes, e não tinha limite de motores.

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  4. Outra dado interessante, é o fato que Lewis é o primeiro e único piloto desta geração a ser campeão por equipes diferentes.

    Alonso e Vettel são os próximos candidatos , alguém poderia dizer quantos e quais são os pilotos conseguiram este feito?

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    1. Aqui vai a lista:

      1 FANGIO Juan Manuel 4 Alfa Romeo, Maserati, Mercedes, Ferrari
      2 BRABHAM Jack 2 Cooper, Brabham
      3 HILL Graham 2 BRM, Lotus
      4 STEWART Jackie 2 Matra, Tyrrell
      5 FITTIPALDI Emerson 2 Lotus, McLaren
      6 LAUDA Niki 2 Ferrari, McLaren
      7 PIQUET Nelson 2 Brabham, Williams
      8 PROST Alain 2 McLaren, Williams
      9 SCHUMACHER Michael 2 Benetton, Ferrari
      10 HAMILTON Lewis 2 McLaren, Mercedes

      Quem vocês acham que consegue entrar nessa lista primeiro: Vettel ou Alonso?

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      1. Valeu Jú, pela resposta.

        Com relação a pergunta, eu apostaria no Alonso, mais acho que vai demorar um pouco para os dois realizarem tal feito.

        Abraços…

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      2. Esse é difícil!

        A cabeça diz que vai ser Alonso, pois acho que a McLaren encontra o caminho antes da Ferrari. Mas eu gostaria de ver Vettel campeão na Ferrari… Na verdade, o que eu gostaria de ver era a Ferrari ser campeã sem trambiques, politicagem, ou favorecimentos… Não, não vai acontecer….

        Vou com o arcam, acho que o Ocon será o próximo campeão por duas equipes diferentes que veremos na F1! Vai demorar, mas vai ser ele!🙂
        Ah! e não me perguntem por quais equipes😉

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      3. Realmente, caro Muguello, Esteban Ocon me parece ser um extraclasse, um fora-de-série. Como você certamente deve ter lido, ele impressionou a todos os engenheiros da Lotus e da Ferrari, por onde andou testando – por duas coisas muitíssimo importantes – que chamam a atenção: muita velocidade e segurança na tocada sem erros. Particularmente, inclino-me a achar que ele seja ainda melhor que o Verstappinho – que também se mostrou muito seguro e rápido nos treinos livres dos GPs. Vi a transmissão de várias corridas dele e, se você por acaso você não as viu, permita-me sugerir-lhe uma pesquisada no excelente blog do Rodrigo Mattar: se não estou enganado já vi por lá a postagem ou links para os vídeos de várias corridas desse francês que promete muito.

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      4. Alonso so tem chance se for pra mercedes em 2016,senao corre o risco de nunca mais ser campeao. acredito que o Vettel tem mais chance.

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      5. Sua pergunta Ju pode ser traduzida assim: Quem vai conseguir fazer um carro para disputar campeonato, Ferrari ou Mclaren🙂

        A reformulação na Ferrari parece que não vai ter mais fim e o carro do Prodomou será posto a prova. Eu acho que a Mclaren consegue fazer primeiro um carro melhor do que a Ferrari

        Hoje veremos como desempenha o hibrido da Honda

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      6. entre os dois “Vettel e Alonso”, penso Julianne que vai depender do ambiente harmônico que cada um traga a equipe. e também a politica interna de primeiro piloto ou se ambos os pilotos da equipe são liberados a disputarem entre si. talvez nesse quesito Vettel leve vantagem por não sobrecarregar a equipe caso não construa um carro competitivo.

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  5. Não foi um dos melhores carros da história, longe disso pois perde até pros carros do ano passado, mas essa Mercedes foi um dos mais dominantes da história. 11 dobradinhas é recorde. A RBR tetracampeã de 2010 a 2013 fez 12 em 4 anos.

    Sobre o mais dominante, pode até parecer a McLaren de 1988 pelos números, mas não se pode esquecer que haviam 2 pilotos fantásticos ali, Senna e Prost. Pra mim o carro mais dominante foi a Willians de 1992, porque carro que faz Patrese chegar na frente de Senna e Schumacher no mesmo campeonato é realmente de outra dimensão. E o menos dominante foi a RBR, que ao contrário dos demais, nunca fez campeão e vice. Menção honrosa as Ferrari de 2002 e 2004, que deram o vice campeonato ao Rubinho, coisa que nem a Brawn, que deu um título ao Button, conseguiu

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    1. O Sr. Lewis Hamilton deveria ler este tópico e o seu comentário.

      Em 2013, o mesmo disse que não gostaria de vencer um campeonato com um carro tão dominante quanto ao de Sebastian Vettel, porém venceu esta temporada com um muito superior ao do Alemão. (o mundo dá voltas…)

      A diferença foi que Vettel jantou o Mark Webber, enquanto que o Inglês apenas petiscou o seu companheiro Rosberg. Será que isso é crime?! Será que Sebastian mereceu as vaias?!

      Abs.

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      1. hahahaha, meu caro Alex, nem precisava corrigir. Por outro lado, essas coisas me confortam, desculpe, rsrsrsrsr, estou em ótima companhia, hahaha

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  6. Vixe, Julianne, essas secas da Ferrari são terríveis, a maior delas durou 20 anos (de Schekter a Schumacher), mas teve outra braba também, que durou 10 anos (de Surtees a Lauda) e inclusive tragou e estiolou a carreira de Ickx, que tinha perfil – e mais que tudo, velocidade para ser campeão mundial, se bem que haja aí alguma controvérsia, pois muitos dizem que o belga é que não soube ser campeão, descontando-se o fato de que ele teve pela frente uma trinca de pilotos geniais: Rindt, Stewart e Emerson Fittipaldi. Vettel – que vem de um mais que surpreendente e inesperado Titanic pessoal por causas várias – chega à equipe em um momento no qual ela talvez ainda não tenha sequer chegado ao fundo do poço. Não obstante ela ter contratado recentemente 60 pessoas novas, não foi anunciado entre elas qualquer nome de peso e genialidade comprovada. Portanto, se dessas contratações novas não surgirem novos e surpreendentes gênios, não dá para esperar grande coisa nem a médio prazo. Esse ARRIVABENE vai ter que “chegar chegando” mesmo, para honrar as expectativas e o nome. Periga Vettel gastar 3 anos e sair de lá de mãos abanando, embora eu torça para que ele se reencontre rapidamente com todas as glórias a que nos acostumou.

    Alonso, por outro lado, chega na McLaren em momento de conjugação de grandes estrelas, como Peter Promodrou e a Honda, além de um discreto mas aparentemente eficaz Boullier (em que pese aquele episódio de ter escolhido o Kovalento em detrimento de Valsecchi, que teria todos os motivos para secar o francês, hahaha, mui justamente, hahaha, mas pela resignação que mostrou na ocasião, o italiano parece ser uma bela alma, rsrs). Portanto, se Alonso se despir de suas vaidades e de seu estrelismo e deixar apenas o seu imenso talento brilhar naturalmente, é ele quem tem tudo para ganhar outro título primeiro que Vettel.

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    1. Caro Aucam, se o melhor cabrito é o que mais berra não sei, falhas à parte, os primeiros ruídos do Honda me parecem agradáveis…os japoneses não jogam para perder…

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      1. Nesse caso, quem tem que berrar é o motorzão Honda, competentemente regido pelo maestro Alonso. Já vi o vídeo que você postou lá no outro post e gostei do rugido surpreendente. Se os japoneses já retiravam um som maravilhoso daqueles motores das 7Galo de 750 cm3, imagine de um automobilístico de 1.600 cm3! Estou botando fé, Wagner!

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      2. Eita, aucam,

        Não ia comentar nada mas… 7Galo é inesquecível!!!

        Aí já viajo e lembro dos 6 cilindros DuqueGalo (250-S) e dos 302-V8…

        Voltando pra realidade, entre Vettel e Alonso, acredito que Alonso tem mais chances de sagrar campeão antes do Vettel. Japonês bom, né. Não ia voltar pra passar vergonha.

        Outra coisa, na minha opinião. Acho que a marca Ferrari, a tradição, a coisa de louco que aquele Cavalo Rampante significa, não combina com motores turbo. Agora, com motores turbo, sistemas de recuperação de energia, “nitro elétrico”, freios eletrônicos, aí combina menos ainda.

        Quando o nome Ferrari vem na cabeça. Na hora lembro motores aspirados de 12 canecos gritando maravilhosamente e deixando um rastro de corações destruídos por falta de condições econômicas em adquiri-la.

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      3. É Power, “música” de motores é coisa séria! É ela que dá cor às emoções que o apaixonante esporte do automobilismo causa em todos nós que o amamos!

        Gostei da poesia (amarga) contida na frase “Quando o nome Ferrari vem na cabeça. Na hora lembro motores aspirados de 12 canecos gritando maravilhosamente e deixando um rastro de corações destruídos por falta de condições econômicas em adquiri-la”, pois vejo meu coração entre aqueles, embora eu confesse a você que ele é volúvel e bate forte por outras marcas lendárias também.

        Embora o modelo LaFerrari use tecnologia híbrida, também fico com a impressão que estão forçando a barra com o pobre (a esta altura) Cavalo Rampante – mais afeito à tecnologia tradicional, como você bem observou – botando-o para correr nessa corrida de obstáculos em que se transformou a F 1 com esses novos regulamentos. Daí tantos tropeços.

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