GP de Abu Dhabi por brasileiros, britânicos e espanhóis: “This time is hammer time!”

Motor Racing - Formula One World Championship - Abu Dhabi Grand Prix - Race Day - Abu Dhabi, UAE

“Vamos ver quanta precaução Hamilton vai tomar. Acho que ele não vai arriscar e isso pode dar a chance a alguém”, torce o narrador espanhol Antonio Lobato. Mas o inglês tinha outros planos de como começar a prova que lhe daria o bicampeonato: “Hamilton faz uma grande largada e está a quilômetros de distância de Rosberg!”, diz o narrador britânico David Croft, aos berros. “Button consegue o quarto lugar mas que largada sensacional de Hamilton!”

Mas é o brasileiro Galvão Bueno quem define a situação: Tudo mudou porque o Nico largou mal. Nem o Hamilton esperaria isso. Agora, a caça virou caçador.”

Narradores e comentaristas divergem a respeito de qual seria a melhor tática para Rosberg conseguir recuperar o terreno. “Essa é a pista com menos ultrapassagens sem DRS, então ele precisa ficar perto”, defende Reginaldo Leme, assim como Lobato. O comentarista Pedro de la Rosa, por outro lado, prefere pensar em uma maneira de usar a tática para passar. E reflete. “A Mercedes os deixou competir muito honestamente o ano todo, então o que não vai fazer é prejudicar um deles. Vai dar prioridade a Hamilton nas paradas. Assim, eu tentaria usar o DRS para não castigar os pneus e conseguir fazer mais voltas com os supermacios, esperando que Hamilton pegue tráfego de quem largou com os macios.”

Para o comentarista britânico Martin Brundle, contudo, “Nico deve estar pensando: todas as opções que eu tinha para atrasar meu companheiro foram para o alto.” E Croft ainda acrescenta que “Nico fez uma volta a mais nesse jogo de pneus, pois ele errou sua primeira tentativa na classificação.” De la Rosa também vê o alemão entregando o jogo. “O tom da voz dele é quase de funeral”, observa, ainda na volta 10. “E Hamilton poderia estar com a cabeça pesando 2.000 quilos, mas na verdade está muito bem, parece tranquilo.”

O papel da Williams na disputa entra em discussão, com opiniões bastante divergentes. Os espanhóis veem Massa perdendo contato. “Os problemas de Rosberg só aumentam, porque Massa vai ficando para trás e ele precisa de ajuda para que Hamilton seja terceiro.” Para os britânicos, o brasileiro corre até o risco de ser ultrapassado por Button, mesmo que o inglês viesse 5s atrás. “Quem sabe ele não pode antecipar a parada e superar a Williams, lembrando que eles não estão disputando com os demais, só com a Ferrari pelo terceiro lugar nos construtores”, diz Croft, que inclusive vê Bottas parando antes de Massa porque “a equipe vai dar tratamento preferencial para ele porque está na briga com Vettel pelo quarto lugar no mundial.”

Motor Racing - Formula One World Championship - Abu Dhabi Grand Prix - Race Day - Abu Dhabi, UAEPara Galvão, por outro lado, “a Mercedes está demorando a parar porque a Williams está desgastando menos os pneus.” E o narrador ainda ganha o apoio de Luciano Burti. “A Mercedes que se cuide.” Na avaliação do narrador brasileiro, “podemos ter um pulo do gato importante porque Massa ficou na pista pelo dobro de voltas de Alonso, por exemplo. O Massa é como se fosse companheiro de equipe do Rosberg nesse momento. A Williams nunca teve um ritmo de corrida tão próximo das Mercedes. Voltando a ser protagonista a Williams e a expectativa é que melhore ano que vem.” A visão contrasta com Brundle, que afirma que “as Mercedes têm as Williams razoavelmente cobertas. Então o que Lewis tem de fazer é forçar e fazer com que Rosberg acabe com seus pneus.”

De da Rosa também está imaginando o que pode mudar a situação de corrida. “A única chance de Rosberg seria colocar pneus supermacios, que duraram mais do que esperávamos, no final. Tomara que façam algo assim porque, se não fizerem, vão perder.” É a mesma opinião do repórter britânico Ted Kravitz.

Isso, até que Rosberg comete um erro e sai da pista, sendo criticado pelos espanhóis. “Vejam que sempre dizem que Hamilton comete erros sob pressão, mas todas as vezes que Rosberg pôde estar na frente de Hamilton, errou”, observa o comentarista Jacobo Vega. “A questão é quem se impõe ao carro. Hamilton frita o pneu e faz a curva de alguma maneira, Rosberg atira a toalha e sai da pista”, avalia De la Rosa. “Parece que ele está um pouco descafeinado nos momentos-chave”, define Lobato.

Mas erros de pilotagem seriam o menor dos problemas de Rosberg. Pouco tempo depois, o alemão reclama de falta de potência e ouve da equipe que o sistema de recuperação de energia não está funcionando. “Às vezes eles conseguem consertar esse tipo de problema, mas o campeonato mundial está sendo decidido agora. Ele conseguiu terminar em segundo com um problema desse em Montreal, mas é algo que afeta também os freios traseiros porque tudo está interligado”, vê Brundle. “Ele está perdendo 160hp. Como solucionar isso? Alterando o mapeamento do motor. Se eu fosse Hamilton, pensaria que também poderia ter problemas”, crê De la Rosa.

Mas não era um problema solucionável e o alemão logo foi ultrapassado por Massa, com direito a vibração no box da Williams, o que divertiu os espanhóis. “Com que garra o irmão e o pai de Felipe comemoraram essa ultrapassagem fácil”, diz Lobato, rindo. “Ver o piloto que comandou a reestruturação pular para segundo emociona a equipe”, explica Galvão.

A empolgação do narrador brasileiro só aumenta quando os tempos de Motor Racing - Formula One World Championship - 2014 Abu Dhabi Grand Prix - Qualifying - Yas Marina CircuitHamilton começam a subir vertiginosamente. “Ele não pode estar administrando, Massa está tirando 1s5 por volta!”, se empolga. Brundle imagina se Lewis não tirou demais o pé pelas bandeiras amarelas causadas pelo motor em chamas de Maldonado, mas a diferença segue caindo nas voltas seguintes. “Precisamos entender o que está acontecendo com o carro de Hamilton. Estou imaginando se eles estão cuidando de todos os sistemas porque estão controlando a distância para Rosberg. Será que vou ver algum piloto da Mercedes no pódio?”, questiona o comentarista.

De la Rosa imagina dois cenários: “Vamos observar se Hamilton tem algum problema ou se é pelos retardatários porque o ritmo é muito ruim”. Segundos depois, o inglês aparece no rádio pedindo instruções sobre as regulagens. “Já sabemos o que está acontecendo: está pilotando com uma mão porque tem Massa a anos-luz.”

Com a confirmação de Kravitz vinda da Mercedes de que Hamilton não tem problemas no carro, a Sky Sports entrevista o diretor técnico da Williams, Pat Symonds. “Ele só está correndo em relação ao que Nico está fazendo, mas tem de ter cuidado porque, ao fazer isso, ele muda a maneira como o carro funciona, como o pneu funciona. E vamos tentar ir para cima, pois estamos seguros em relação à Ferrari [no mundial de construtores]”, avalia.

Na Globo, a torcida é grande e Burti avalia que “se eu fosse a Williams, sabendo que Massa fez 14 voltas no começo da corrida com o mesmo pneu, eu arriscaria colocar supermacios agora no final. É um risco, mas dá a chance de ganhar a corrida.” Brundle e De la Rosa também acreditam que esta é a única chance de Massa pensar em ameaçar Hamilton. “Se Massa para no final e coloca supermacios e Hamilton tem macios degradados e já é virtual campeão do mundo, não vai dificultar muito”, acredita De la Rosa.

Percebendo a jogada, a Mercedes pede para Hamilton aumentar o ritmo. “Eles estão percebendo que, se Massa vai colocar os supermacios, vai voltar uns 12s atrás e Hamilton precisa reagir”, diz Brundle, que vê “um conflito de interesses”: “Lewis não está nem aí para Felipe, mas a equipe quer vencer a corrida.” É uma avaliação semelhante à de Symonds, novamente ouvido pelos britânicos. “Estamos dando as ferramentas para Felipe, mas não sabemos o quanto Lewis pode forçar e o quanto ele está querendo arriscar. Mas vamos tentar.”

Lobato chega a lembrar que uma vitória de Massa no dia em que Hamilton é campeão não é exatamente um mau sinal para o inglês, pois a última conquista do brasileiro foi justamente na prova que deu o primeiro título ao piloto da Mercedes. “Se Massa vencer, Hamilton vai querer que isso aconteça sempre, pois a última vez que o brasileiro venceu ele foi campeão”, se diverte. Mas De la Rosa começa a ficar cético. “Estamos vendo que Hamilton está muito rápido. Para quem só quer ter o mundial, rápido demais.”

Após uma empolgação inicial por parte de brasileiros e espanhóis – e tensão por parte dos britânicos – com a aproximação de Massa com os supermacios, “parece que os pneus traseiros estão começando a acabar. Hamilton já tem isso coberto”, como observa Brundle. “Dessa vez, a gente não pode criticar a estratégia da Williams. Depois de cansar de errar o tempo todo, dessa vez acertou”, avalia Reginaldo, já em tom de resignação. “Felipe arriscou. Isso é coisa dele com o engenheiro que ele levou para a Williams, o Rob Smedley”, diz Galvão.

Saindo um pouco do foco na luta pela vitória, Brundle aproveita a ultrapassagem de Vettel em Alonso pelo oitavo lugar para filosofar. “Essa briga entre Alonso e Vettel pelo nono lugar é um resumo da Fórmula 1 em 2014 para mim: brigas de qualidade por todo o pelotão, e não só um carro dominante na frente e mais nada acontecendo atrás.” Para Lobato, contudo, “é uma pena que o fim de duas eras, de Fernando na Ferrari e Sebastian na Red Bull, passem despercebidas.”

Enquanto isso, Rosberg sofre, mas não desiste. “Completamente perdido na pista, chega a ser um desrespeito com quem fez um grande campeonato. É um perigo manter o carro assim”, vê Galvão. Mas não é a mesma leitura do alemão, que pede para permanecer na pista mesmo após receber a instrução para abandonar. “Sinto pena por ele, ele merecia ter mais armas para lutar, mas às vezes esse negócio funciona assim. Respeito essa decisão dele”, diz Brundle. “A não ser se for para tirar o companheiro da corrida”, emenda, rindo.

Motor Racing - Formula One World Championship - Abu Dhabi Grand Prix - Race Day - Abu Dhabi, UAEÉ claro que de nada adiantaria tentar algo contra Hamilton, que cruzou soberano a linha de chegada para comemorar o bi, com direito a bandeira britânica em punho. “Aí a nova lenda britânica, repetindo o gesto do grande ídolo dele”, diz Galvão, lembrando Ayrton Senna. A referência de Croft é outra: “É como Mansell em Silverstone”, diz, orgulhoso. “Grande temporada do piloto e, evidentemente, da equipe. Fizeram um carro com uma vantagem abismal. Melhor resultado da Williams em muito tempo, desde 2005”, destaca Lobato.

No pódio, a emoção do inglês não passa despercebida. “Ele está muito mais emocionado e é porque está mais velho e valoriza mais. Quando você chega na Fórmula 1, vem de ter ganhado tudo, mas aqui é diferente, é competitivo demais. Por isso vemos um Hamilton tão emocionado e isso é muito bonito”, analisa De la Rosa.

Mas, ainda que “a Mercedes tenha sido grande ao deixar os dois lutarem, foi um campeonato bonito só para eles, porque o resto precisa trabalhar muito”, na avaliação do piloto de testes. E é nesse clima que os espanhóis encerram o ano, com vinheta narrada por Lobato. “Como disse Woody Allen, o que me interessa é o futuro, porque é o lugar onde vou passar o resto da minha vida.”

Enquanto isso, os britânicos veem certo senso de justiça no bi de Hamilton. “Disse para ele que ele é bom demais para ter apenas dois títulos”, revela Croft. “Ele já poderia ter três ou quatro títulos”, lamenta Brundle. Mas os lamentos param por aí pois, como narra Croft, “this time is hammer time!”

9 comentários sobre “GP de Abu Dhabi por brasileiros, britânicos e espanhóis: “This time is hammer time!”

  1. É provável q o Kvyat tenha q lidar com uma situação bem espinhosa em 2016.
    Se Max e Carlos forem fora de série mesmo como parecem ser, especialmente o 1º, é provável q suba para o time principal em 2016.
    O Ricardão teria q ser esmagado pelo russo pra perder a vaga.
    Ou seja, Kvyat já chega a maior equipe da F1 nos últimos 5 anos já sabendo q dificilmente ficará por mais de 1 ano. Ele e seu empresário já devem estar correndo atrás de uma vaga para 2016 em outro time, pois é muito improvável q seu contrato tenha sido por mais de 1 ano.
    Agora, imaginem se tanto o Verstappinho quanto o Carlinhos forem monstro no seu ano de estreia, fazendo, por exemplo, a STR terminar entre os 5 nos construtores, conseguindo podiuns em corridas malucas, etc.
    Não queria estar na pele do Marko (ou sim).

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    1. Pois é, LM, tantos excelentes talentos! Se a F 1 não tivesse se sofisticado tanto e não fosse tão custosa, bem que poderia ter uns 26 pilotos no grid. Vejo um verdadeiro desperdício de talentos! Vergne, por exemplo, a meu ver mereceria mais uma oportunidade, e Ocon de jeito algum pode ser desperdiçado! Veja como miseravelmente jogaram fora Frijns!
      Um abraço!

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      1. Seriam 26 carros e ficaria muita gente boa de fora ainda.

        Só falando de brasileiros, acho que o Nelsinho, o Bruno e o Di Grassi, ambos na F-E, tem condições de voltar a F-1

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  2. “Vejam que sempre dizem que Hamilton comete erros sob pressão, mas TODAS as vezes que Rosberg pôde estar na frente de Hamilton, errou”, observa o comentarista Jacobo Vega….
    Pois é …..isso porque o Hamilton nao tem cabeça…psicologico fraco……nao aguenta pressao…..kkkkkkk
    A realidade deve ser dura pra alguns….kkkkkkk
    Hamilton soube muito bem administrar a distancia em relaçao ao Massa. Ele sabia que a Williams nao teria pneu para ultrapassar, mesmo colado.
    Foi uma boa corrida, e realmente, foi um fim de uma era…Alonso-Ferrari/ Vetel-RBR, principalmente 2012

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  3. Jú, tenho uma pergunta, que pode ser respondida aqui ou no Credencial: Quando a Mercedes fornece a unidade de potência para uma equipe por exemplo Williams e Mclaren ela fornece apoio técnico também ok? Um dos grandes diferenciais da equipe Mercedes no ano dita por alguns sites especializados foi a montagem de todo sistema que gerava mais tração nas rodas traseiras. A montagem do sistema para melhor aproveitamento da potência entra nessa atribuição de apoio técnico?Ou é só o funcionamento do sistema em si que é contratado?
    Um abraço

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  4. Percebi um detalhe nas duas ultimas corridas do ano e que espero que seja recorrente em 2015.

    Não sei o que o Felipe Massa fez, mas ele esta conseguindo fazer os pneus durarem mais do que vinha conseguindo ao longo do ano. Acompanhando as corridas com o aplicativo da F1 deu para perceber como ele melhorou no trato com os pneus. Nos anos anteriores e no começo deste ano dava para ver que ele ia muito bem no começo dos pneus e de repente seus pneus acabavam de forma horrorosa e muitas vezes antes do que os outros pilotos.

    O objetivo não é criticar ou fazer elogios irracionais. Apenas uma constatação.

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