Companheiros: Rosberg faz Hamilton crescer

Motor Racing - Formula One World Championship - Brazilian Grand Prix - Qualifying Day - Sao Paulo, Brazil

Lewis Hamilton

Nico Rosberg

Placar em classificações

7

12

Diferença média em classificações

+0s187

Posição média no grid

4

1,68

Placar em corridas

10

4

Posição média em corrida

1,43

2,5

Voltas à frente do companheiro

480

496

Pontos (% da pontuação do time)

384 (54,7%)

317 (45,2%)

Levando em consideração que, em setembro, o campeonato estava aberto e os dois pareciam igualados, chega a ser surpreendente a vantagem que Hamilton conseguiu impor em resultados de corrida (10 a 4), mas há alguns fatores que ajudam a compreender isso, assim como a maneira como a balança pendeu para um ou outro lado durante o ano.

Eu dividiria a temporada em três stints. E cada “pitstop” foi uma polêmica. Salvo a quebra da Austrália, até Mônaco Hamilton teve resposta para todos os ataques de Rosberg, que ainda não estava tão afiado em classificações. Do Principado até Spa, ainda que Hamilton só tenha sido batido “fair andsquare” na Áustria, uma série de contratempos deslocaram o favoritismo para Rosberg, que aproveitou muito bem as oportunidades que teve. Mas a maneira como o inglês voltou a decepção na Bélgica seria o golpe final nas aspirações do alemão de conquistar seu primeiro título.

Quebras e erros à parte, não se pode negar os méritos do trabalho de Rosberg, superando de maneira convincente um dos pilotos mais rápidos do grid em classificações. A explicação tem muito a ver com o fato de Nico ser um trabalhador nato, conseguindo extrair das informações do companheiro aquele algo a mais necessário para superá-lo.

“No kart não há telemetria. Enquanto quando você tem uma vantagem, você a carrega consigo”, explicou o próprio Hamilton à BBC. “O outro cara não consegue ver. Na Fórmula 1 há muita informação, então é difícil esconder alguma coisa. Como a experiência que eu tive com o Fernando. Quando cheguei, pensei ‘Jesus, Fernando é muito rápido e usa todas essas técnicas diferentes’. Mas felizmente havia telemetria. Se não houvesse eu não conseguiria batê-lo naquele ano.

“Então há momentos em que Nico está à frente e consigo usar essas coisas. E há momentos em que estou na frente e ele consegue ver. Por exemplo, em termos de uso de combustível. Eles descobriram como estava economizando e se aproximaram. Toda hora uma pequena vantagem desaparece, para mim ou parar ele. Sempre temos de encontrar algo novo.”

Fora esse jogo de gato e rato (jogado em um alto nível por ambos os pilotos ao longo do ano, diga-se de passagem) muitos esqueceram de analisar um ponto em particular ao questionar a habilidade de Hamilton dominar os carros deste ano: ninguém é tão bom e preciso com os freios quanto o inglês. E com a importância ganha pelos freios traseiros, que têm a missão de ‘recolher’ a energia que sustenta o Kers, o fato do piloto sentir-se confortável jogando o equilíbrio de freio para trás caiu como uma luva. E nem precisa dizer o quanto isso dificulta a vida de Rosberg para 2015.

17 comentários sobre “Companheiros: Rosberg faz Hamilton crescer

    1. Tbem acho o contrario. O Hamilton fez o Rosberg crescer. Pois imagine que as informaçoes nao fossem passads, ou que eles corressem em equipes diferentes, mas com excelentes carros, o massacre do Lewis sobre o Rosberg teria sido maior ainda.
      Sempre reparei que o Hamilton começava bem os treinos livres e o Rosberg só aparecia nas classificaçoes. Agora está explicado por que.
      Abrçs

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      1. Ju, poderia citar os abandonos em corrida e os problemas em treino de cada um por favor? Abu Dhabi vc considerou como abandono ou não, apesar do Nico ter completado o GP?

        Como essa foi a disputa mais importante, seria interessante destacar essas informações, acredito que vc já as tenha, certo ?

        Valeu

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      2. Legal Ju, então podemos dizer que na prática foram 3 a 3 em abandonos, sendo que o do Hamilton na Bélgica foi em consequencia do toque do Rosberg.

        Nos “tres” abandonos do Rosberg o Hamilton capitalizou 100 pontos enquanto que nos três do Hamilton, Rosberg capitalizou 61 pontos.

        A grosso modo expurga esses 39 pontos da diferença do placar final e o Hamilton ganharia com uma diferença de 28 pontos.

        Foi uma bela batalha, apertada, duríssima, mas que ficou destoante por causa do 11 a 5 em vitórias.

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  1. Jú, muito boa a análise parabéns!
    Tirando as quebras e abandonos de ambos os pilotos como será que ficaria as médias obitidas acima? Teríamos uma surpresa?

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  2. Acho que quem tirou proveito de alguma coisa foi o Rosberg que sem nenhum pudor, copiava o acerto do Hamilton para o seu carro e, escondia alguma vantagem que ele tinha do Hamilton. Sem dúvida que o Rosberguinho se graduou mais com a forma em que o Hamilton ajustava o seu carro no final de semana! Más, se isto vai ser suficiente para ele ser campeão em 2015 com pressão e temperatura semelhante, isto só a temporada que vem vai dizer. Creio eu, que se não tiver nenhum “intruso” na disputa de 2015, o campeonato vai ser pau-a-pau até o fim.

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  3. Depois de Abu Dhabi andei lendo algumas entrevistas do Hamilton, e uma resposta do inglês que me chamou atenção foi essa:

    (depois do acidente na Bélgica) I really thought for the following days and really turned my focus to a different area. I came back to the next races with a slightly different approach and I won’t explain exactly what I did because I need to bring it to the next races next year but I did tweak some of my approach throughout the weekend which helped me get those wins. I’ve still got some improvements to make, qualifying was good this year but could be better. It would make it much easier if I could get qualifying sorted because the race pace is very much there.

    Lendo alguns sites gringos, especialmente o blog do James Allen e o F1 fanatic, vejo muita gente falando que após o acidente com o Nico, o inglês passou a acertar o carro visando mais a corrida do que a classificação.

    Juliane procede essa afirmação? Você ouviu alguma coisa com relação a isso? Acho que de certa forma, isso ajuda explicar (mas de forma alguma diminui o mérito🙂 ) o número de poles do Nico e o melhor ritmo de corrida do inglês, principalmente o fato que essa diferença ficou mais evidente depois do meio do ano.

    Abraços.

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    1. Vou mais na linha do Ed: Hamilton só perdeu para Rosberg em ritmo de corrida em 2/3 provas. Talvez a proibição do brake-by-wire tenha o ajudado na segunda metade também.

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  4. Hamilton começou e terminou a temporada sendo mais veloz que Rosberg em corrida. Mas falhou em converter a superioridade em resultado em Monaco, que não dava pra passar, na Áustria que ouviu o engenheiro e deixou pra atacar no fim, na Italia nao fez assim e venceu, e no Canada em que quebrou.

    Na Alemanha não pôde fazer nada e na Hungria foi mais competente e superou Rosberg mesmo saindo dos boxes.

    Rosberg só foi melhor no Bahein, em que nao deixou Hamilton escapar e o atacou antes de tentar a estrategia diferente dos pneus. E mesmo assim não foi capaz de vencer.

    Espero uma disputa menos parelha no ano que vem, pois nao acredito em Rosberg repetindo seus erros que lhe beneficiam nem Hamilton tendo tantos problemas com o carro.

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    1. “Espero uma disputa menos parelha no ano que vem, pois nao acredito em Rosberg repetindo seus erros que lhe beneficiam nem Hamilton tendo tantos problemas com o carro.”
      Amem!

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