Mais perguntas sobre o acidente de Alonso

Crédito: James Moy
Crédito: James Moy

Com o veto da participação de Fernando Alonso na abertura do campeonato em decorrência de acidente sofrido há 10 dias nos testes de pré-temporada, aumentaram as especulações acerca do que realmente teria acontecido com o espanhol.

Não vamos entrar aqui em teorias conspiratórias. O respeitado jornalista alemão Michael Schmidt publicou hoje novos detalhes do acidente, que confirmam essas dúvidas: por que o bicampeão ficou aparentemente sem reação nos 3s anteriores à batida?

Segundo a reportagem, essa seria apenas a segunda vez em que um acidente não é totalmente explicado pela Federação Internacional de Automobilismo – a primeira foi em uma categoria de base. “E a única pessoa que poderia trazer algo significativo não consegue se lembrar. Alonso tem amnésia do momento do acidente.”

As cinco novidades sobre o acidente de Alonso:

1. Alonso entra na curva a 215km/h

De acordo com os dados, a maior velocidade de Alonso na curva 3 do Circuito da Catalunha, na Espanha, é de 215km/h. Então o espanhol freia e diminui três marchas. A McLaren continua relativamente estável.

2. Alonso perde o controle e chega a reduzir para 135km/h

Algo acontece e faz com que Alonso comece a diminuir a velocidade. Segundo a McLaren e a FIA, não houve problema no carro. A teoria da equipe é de que o vento tenha feito o espanhol perder o controle. Quando a velocidade cai para 135km/h, o carro se move de forma abrupta para o lado de dentro da curva, movimento feito pelo próprio piloto.

3. Alonso deixa de reagir a 3s do impacto

Segundo a Auto Motor und Sport, o grande mistério está nos 3s finais do acidente, quando Alonso parece não evitar mais o acidente – segue virando em direção ao muro e deixa de frear. Tanto, que o carro perde só 30km/h nesses 3s. Lembrando que um carro de F-1 leva 1s4 para reduzir 100km/h. O choque com o muro ocorre a 105 km/h.

4. Impacto foi menos forte do que o inicialmente divulgado

Sensores colocados no protetor auricular do espanhol demonstram um impacto de 16G (ou seja, equivalente a 16 vezes o peso do piloto), bem menor do que o inicialmente divulgado, 30G. Como o capacete não apresentava nenhuma marca, a proteção do pescoço – HANS – está sendo examinada para determinar se ele teve algum impacto lateral que justifique a concussão.

5. A FIA desconsidera choque elétrico

A entidade estudou o sensor que determina a segurança do circuito elétrico. Ele permaneceu emitindo a luz laranja enquanto o carro estava em movimento e, 10s após ele parar, ela se tornou verde. Tudo isso está de acordo com um funcionamento normal do sistema.

Os novos dados fazem com que a teoria de que Alonso tenha tido algum problema físico anterior ao impacto ganhem força. Isso explicaria a permanência do espanhol no hospital por mais de 3 dias e o cuidado dos médicos.

Lembro que a concussão em si é apontada por neurologistas como motivo suficiente para tirar o espanhol do GP da Austrália mesmo que os exames não apontem qualquer alteração. Isso é devido ao temor de que um segundo acidente cause a “Síndrome do Segundo Impacto”, que pode ser bastante prejudicial ao funcionamento do cérebro. A McLaren deve estar longe de lutar por bons resultados em Melbourne e não vale a pena arriscar. Mas a possibilidade que os motivos que levaram Alonso ao muro nunca sejam totalmente explicados aumenta a cada nova informação que surge.

34 comentários sobre “Mais perguntas sobre o acidente de Alonso

  1. Essa perda de 30km/h em 3 segundos seria apenas pelo arrasto, que é altíssimo num F1, não? O piloto parou de frear e não estava acelerando, o próprio carro foi parando.

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  2. Se for excluída qualquer falha técnica (inclusive a possibilidade de choque), só posso imaginar que Alonso tenha sofrido mal súbito fruto de exaustão e uma dieta exageradamente restritiva. Que outra opção haveria?

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    1. Um pipino cardio-vascular Érico. Isso se manifesta até parecendo um choque eletrico. Coisa que segundo alguns amigos de Alonso, ele lembra tenha acontecido. Isso inclusive, é suficiente para deixar tudo no ocultismo e todo esse cuidado médico.

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    1. Estou na redação do UOL mas continuo com o blog aqui. Esse copy foi ocasional pelo assunto ser quente, os posts por aqui seguem normalmente.

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      1. Me desculpa a intromissão Julianne, mas eu me considero teu amigo (sem necesidade de reciprocidade). O UOL vai abocanhar o TR?. Não há a possibilidade de o TR continuar como alternativa??. Digo isso, pq no UOL eu não comentaria pelo saco que significa registro e outras muambas que eles praticam.
        Só espero que seja muito bom pra todos vocês, e q

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  3. Julianne vc não pode deixar este espaço, sera o fim do totalrace.
    Você e Livio oricchio são um dos poucos jornalistas brasileiros que só escrevem matérias originais.

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  4. Ninguém vai ter coragem de mencionar a terceira possibilidade? Poderia ter sido um “acidente” proposital. Coisa que já aconteceu antes na Fórmula-1 – aliás, com o próprio Alonso envolvido na história, na ocasião. Claro, não consigo sequer imaginar que motivo ele poderia ter para fazer isso, de forma que não é uma hipótese muito plausível, mas tem que ser mencionada, se estamos no campo das possibilidades.

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    1. Perfeito, é uma possibilidade sim, não há marcas no capacete o cara, nada aparece nos exames, ele finge estar confuso e pronto, fingir que está grogue, falar em italiano e dizer que ainda é piloto da Ferrari, facinho.

      Mas com qual objetivo? Bom, ele deve te-los, já fez muita mutreta nas pistas, não dá para duvidar desta hipótese.

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      1. Continuando no terreno das especulações audaciosas – repito que não estou afirmando nada. Alonso poderia ter percebido que a McLaren/Honda é furada e estar procurando arrumar uma forma de deixar a equipe sem ter que quebrar o contrato. O problema dessa tese é que é um pouco cedo demais para isso, mesmo admitindo-se que o cara seria capaz de uma coisa dessas (pessoalmente, acho bem possível, considerando-se o passado do cidadão). Enfim, não pode ser isso, afinal estamos na pré-temporada, mas é uma explicação mais simples do que choque elétrico + perda de memória e sintomas mirabolantes após batida fraca + conspiração FIA & McLaren + sei lá que outras maluquices.

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      2. Desanimou quando andou na draga e pegou atestado. O próximo expediente será doar sangue e depois… Depois? Hummm… pergunta no Posto Ipiranga.
        Abs.

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  5. Realmente e endossando os comentarios anteriores, essa seção do site é o que me faz voltar, uma vez que as demais reportagens normalmente encontramos em outros sites, principalmente os especializados “gringos”. Parabens !

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  6. Eu fico me perguntando pq só com Alonso o vento fez esse estrago todo? Tirando o Carlos Sainz que parece ter rodado ali naquele ponto, todos os outros passaram por ali e não sofreram nada.

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  7. Oi, Ju,

    É difícil formar uma opinião sem ter dados em mãos, mas eu não consigo tirar da cabeça a possibilidade do choque. Em 2008 um mecânico da BMW-Sauber sofreu uma descarga elétrica ao tocar no carro de Klien, em Jerez, quando o Kers era muito menos complexo que os MGU-K e MGU-H. Os carros de Fórmula 1 estão carregados de eletricidade e quanto mais o tempo passa e ninguém na McLaren, Honda e FIA se manifestam de forma coerente, acabam dando margem para esta possibilidade.

    Ótima matéria, Julianne, e embora li os comentários acima, faço coro aos que pedem pra que você não deixe este espaço e nem o TR, um site diferenciado que aprendi a gostar pela forma objetiva de informar, sem blábláblá.

    Um abraço e sucesso. Se você assinar alguma coluna no UOL nos avise!

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  8. Erros acontecem, mas fico imaginando a dificuldade de uma empresa assumir uma culpa, uma falha de projeto, ora, montadoras não fazem recall? Qual o problema em assumir que uma falha no isolamento eletrocutou Alonso? Em verdade seria menos feio, afinal ninguem morreu, como no caso Willians/Senna, onde a emenda da barra de direção causou o óbito do brasileiro…sendo tratado como “fatalidade”…filho feio não tem pai!!!

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  9. Continuo achando q foi choque…um eletricista amigo meu me falou, onde tem energia tem possibilidades de choque #fato…mas a uma altura dessa a Honda, a Mclarem ou FIA num querem assumir isso …pq a desculpa do vento foi tipo coisa de quem esta mendido ,desculpa de bebado,,,mas aucam li por ali q se o ripijonas perder pro button a desculpa foi o acidente rsrsrs deixou ele 0,3 decimos mas lento,,,ja sabem ate quanto mas lento ele vai esta e ele nem voltou ainda,,,é mole esse povo da internet….

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    1. Pois é, Chrystian. Ficamos lendo tantas notícias diferentes sobre esse misterioso acidente de Alonso, que chega a um ponto em que cada um pode especular livremente e não se chegar a lugar algum, a conclusão alguma válida – pois OFICIALMENTE a “VERDADE” transpira em meio a muitas incoerências.

      Dário Franchitti na F Indy bateu APARENTEMENTE muito mais forte que Alonso, também teve uma concussão cerebral mas só passou uma noite no hospital. Alonso passou 3 dias e foi-lhe recomendado algumas semanas de descanso para se recuperar. A Franchitti foi recomendado pelos médicos que encerrasse a sua carreira, o que ele o fez sem hesitar. Em contrapartida, Sérgio Pérez se recuperou e voltou muito bem após a concussão que teve pela “panca” em Mônaco. Outro exemplo animador: Mika Hakkinen (para mim DE LONGE o melhor campeão mundial finlandês e um pilotaço) ao final da temporada de 1995, no GP da Austrália, também se chocou violentamente contra o muro, tendo tido concussão cerebral (com sangramento interno e língua enrolada, inclusive). Teve sua vida salva por uma traqueostomia feita ainda no local do acidente, pelo Dr. Sid Watkins. Como sequela, li por aí há muito tempo que ele chegou a passar uns 3 meses dormindo com um olho aberto. No entanto, felizmente voltou à F 1 tão EXCEPCIONALMENTE rápido e competitivo como era ANTES desse terrível acidente. Voltou para ser um grande bicampeão mundial.

      Como disse o René Arnoux, Alonso pode ter passado mal ANTES da batida, o que obviamente a agravaria, pois receberia a “panca” já desmaiado. Alguns comentaristas – entre os quais Bruz – enfatizam, com muita pertinência, o severo regime para manter o peso mínimo, aliado a pesados exercícios físicos, como eventuais causas do acidente. Acho que essa linha de raciocínio faz sentido também. Por outro lado, passou despercebido pela maioria dos sites noticiosos de automobilismo a notícia ABAIXO, de que Alonso teria declarado a pessoas próximas a ele ter experimentado um choque em suas costas antes de bater:

      http://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/alonso-confessou-que-recebeu-choque-nas-costas-antes-de-acidente-em-barcelona-informa-tv-italiana

      Ora, em quem devemos acreditar? Na McLaren ou no piloto? Por que outros sites não repercutiram a notícia da TV Sky italiana, objeto do link acima? É assim – de notícias desencontradas, falta de explicações convincentes e da incongruência diante dos fatos – que nascem as Teorias Conspiratórias. São inevitáveis. Cada um especula como quer, segundo suas convicções. Uma coisa interessante é que a McLaren teria voltado a usar um KERS antigo.

      Eu realmente não tenho uma opinião firmada, estou apenas pasmo com esse acidente bizarro e torcendo para que não haja sequelas na performance de Alonso nas pistas, pois embora não torcendo por ele, mas – como apreciador fervoroso do BOM AUTOMOBILISMO – acho essencial que ele volte competitivo, afinal já fomos privados de alguns confrontos épicos como Stefan Bellof x Ayrton Senna e Ayrton Senna x Schumacher. Francamente, a F 1 só teria a ganhar com a volta de Alonso forte, a bordo de uma McLaren extremamente competitiva, para enfrentar de novo LewIIs Hamilton, já que a história entre os dois foi interrompida com a saída intempestiva de Alonso da McLaren, ao final da temporada Mandrake de 2007.

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      1. Caro Aucam, corroborando com seu pensamento, partindo da premissa sobre os problemas de isolamento do motor da Honda, e também sobre o fato de Alonso estar desacordado nos 3 segundos antes da pancada, colocaria um dado simples: quem já tomou um pequeno choque de “220 volts” sabe que um espasmo muscular e susto são certeiros, na melhor das hipóteses…estou falando em 220 volts, falou-se na Itália em um choque de 600 volts, poderia ser até mais volts (imagina isso na coluna, no centro nervoso do corpo humano, digno de uma sessão de tortura), esse eu nunca tomei, muito provavelmente causaria confusão mental, desmaio, taquicardia, espasmo fortíssimo, enfim, nocaute! Somando-se a isso a pancada desacordado, reitero meu pensamento: qual o problema em falar a verdade sobre a falha no isolamento! Como diriam: na “guerra das vaidades”, a verdade é a primeira vítima!!! Filho feio não tem pai…

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      2. Aucam não sabia que você gostava do grande premio, acho um bom site mas eles copiam tudo do site español marca.com .

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      3. Amigo Marcelo, como todos aqui (com certeza, é natural) consulto muitos sites. Na verdade, abro os trabalhos com o

        http://www.gptoday.com/

        um site que traz uma coletânea das principais notícias de outros sites. Isto porque – pela diferença de fusos horários que separam o Brasil da Europa – os sites brasileiros “acordam” um pouquinho mais tarde. Mas o GP Today não esgota tudo, por isso leio outros, também. O GP Today tem uma seção para a Moto GP igualmente ótima (acompanho a categoria rainha, em especial). E a Moto GP não é para “faint hearts”. Aliás, caro Marcelo, – se você gosta da Moto GP – vale muito uma passada também lá no site do Gabriel Lima, aqui no Totalrace. Ele faz um excelente trabalho.

        Forte abraço.

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      4. Obrigado pela menssão Aucam, mas vamos especular mais um pouquinho. Vai ver que essas supostas primeiras declarações que Alonso teria dito a seus amigos, foram as que originaram toda a boateria de que ele tenha sofrido un choque eletrico devenido de uma falha no MP4-30. Vai ver que na realidade a sensação de choque tenha sido por causas físicas mesmo. Por isso eu insisto: Uma ajuna forte pode criar a sensação de choque e apaga?… mas um acidente cardio-vascular também.
        Pelo artigo da Ju, é a FIA e os fatos os que estão descartando desperfeito mecanico. Então cobra força a falha física do piloto que o levou a apagar.
        É claro que a panca desacordado mesmo a “só” 100 Km/hr causa mais estrago que se tivesse atento, mas tanto descanso, cuidados intensivos e muita fumaça, são muito desproporcionais. Eu me inclino a pensar pelo evento físico que o apagou, coisa que ninguem esta excento de sofrer… nem o grandioso “ripijonas” (ta valendo Chris).
        Não me extranharia que Alonso chegue a ser forçado a deixar de correr. Uma pena, mas tá ficando com cara disso.

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  10. Jú, o que acontece com o Total Race?

    Primeiro foi o Lívio a abandonar o barco, depois o Motta, agora o Ico.
    Além disso o Vicaria não escreve no blog dele desde agosto de 2014 e você embora ainda escreva (e muito bem!), parece já estar se arranjando no UOL.
    Quem vai fazer as tão orgulhosamente anunciadas “coberturas in loco em todas as etapas” e as colunas de bastidores, os grandes diferenciais de vocês quando lançaram a plataforma?

    O site silenciosamente está acabando, como o Tazio do Seixas?
    😦

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  11. Julianne, com uma McLaren cheia de problemas, imagine Alonso largando (pelo menos até a metade desta temporada) do meio do pelotão para trás! Os riscos de batidas são exponenciais! Risco de strikes, inclusive. Alonso estará demasiadamente exposto aos perigos da Síndrome do Segundo Impacto.

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      1. Sei que cada caso é um caso, Julianne. No entanto, traçando um paralelo entre Franchitti e Alonso, parece-me que o escocês teve sintomas neurológicos menos alarmantes (pelo menos publicamente) do que o espanhol, e foi aconselhado a abreviar a carreira, pois seria perigoso expô-lo novamente ao mesmo tipo de trauma, em qualquer circunstância. Por outro lado, o acidente de Hakkinen parece ter tido eventos neurológicos tão ou mais impressionantes que Alonso (sangramento interno, língua enrolada etc.) e o finlandês voltou tão PERFEITO quanto ANTES, o que é animador na comparação com a situação de Fernando. Mas se os médicos avaliam que ele pode voltar na Malásia, então confiemos neles – que são os especialistas que sabem de perto a extensão do que ocorreu com Alonso.

        Obrigado pela atenção, Julianne.

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      2. Os médicos explicam que comparações não valem nesse tipo de caso. Não parece haver relação direta entre a força da pancada e suas consequências. E, no caso de Alonso, nem sabemos se o problema é a pancada em si (e muito menos qual sua extensão). Temos de lembrar que os exames não teriam apontado alguma anomalia.

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      3. Na base do achismo, Ju, o apagão me pareceu nocaute mesmo, rsrsrsrs, ou seja, blackout! Caso para a ANEEl verificar;-)

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  12. Jorge isso é paranóia, porque que o melhor e mais completo piloto da atualidade iria arriscar a própia vida?

    Pobre Button vai apanhar tanto do Alonso que vai desejar nunca ter renovado o contrato com a Mclata.
    Alonso tem um espirito dominador logo estara mandando na Mclaren.

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