Curvas longas e frio também combinam com vermelho?

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Depois da verdadeira corrida de resistência da Malásia ter chacoalhado o campeonato, a performance aerodinâmica, a tração e a capacidade de colocar temperatura nos pneus e se livrar do graining serão colocadas à prova no GP da China. E, se a teoria indica que será uma corrida que a Mercedes só pode perder para ela mesma, na prática, depois do que vimos há duas semanas, nem mesmo os pilotos do time alemão colocam a mão no fogo por mais uma vitória fácil.

O circuito de Xangai é um dos poucos que colocam mais pressão nos pneus dianteiros do que nos traseiros, tendo gerado alguns resultados incomuns ao longo dos anos. Porém, se existe alguma comparação para as condições enfrentadas na primavera chinesa, teríamos de voltar à pré-temporada na Espanha, em outro circuito de curvas longas e grande influência aerodinâmica. E, lá, a Ferrari não fez feio, como Kimi Raikkonen fez questão de lembrar.

A aerodinâmica é importante na China porque passa-se cerca de 80% da volta nas curvas, ao mesmo tempo em que o circuito tem uma das maiores retas do campeonato, com 1,17km. Então é fundamental encontrar o comprometimento no acerto do carro, algo que é sempre ajudado por uma melhor performance aerodinâmica geral.

Esse excesso de curvas também coloca muita energia nos pneus. Tanto durante a curva em si, na qual há uma energia lateral, especialmente no dianteiro esquerdo, quanto nas saídas de curva. Assim, carros com pior tração tendem a também sofrer degradação na traseira.

Por fim, a temperatura mais baixa pode ocasionar graining, e saber ler o que é degradação de verdade e o que é apenas uma fase de ‘sujeira’ no pneu é importante para fazer a estratégia funcionar. Estratégia, inclusive, que deve ficar entre duas e três paradas, tendendo para duas. Ano passado, por exemplo, Hamilton venceu com três stints de macios-médios-médios.

Ainda que a semana seja fria em Xangai, com temperaturas na casa dos 15ºC, a previsão é que esquente no final de semana, com os termômetros marcando mais de 20ºC. Ainda que seja consideravelmente menos que os 30 e poucos da Malásia, é algo que certamente chamará a atenção das equipes, pois a pista em si gera mais energia nos pneus e os compostos escolhidos são mais macios do que os de duas semanas atrás.

Para a Williams, deve ser um circuito melhor do que o palco da última etapa. E, se a equipe perder para a Ferrari por uma margem significativa novamente, as luzes de alerta em Grove começarão a tomar outras cores.

Como o FW37 parece ter pouco arrasto, a equipe não precisa diminuir muito a angulação da asa traseira para andar bem na longa reta. Isso é uma boa notícia caso o time se veja brigando com a Red Bull, que não deve sofrer os mesmos problemas que teve há duas semanas com os freios – a equipe anunciou que voltará a usar o equipamento de 2014 – e, segundo a Renault, poderá tirar mais potência e terá melhor dirigibilidade no motor. Os franceses afirmaram que não estavam usando a UP em seus níveis máximos por conta da confiabilidade, mas se dizem mais seguros para a terceira etapa. E a questão da dirigibilidade é especialmente importante devido à questão da tração, ajudando a preservar os pneus.

Mais atrás, a Sauber de Felipe Nasr espera resolver a série de problemas que teve na Malásia. A prova contou com erros de ambos os pilotos, mas a equipe também deixou a desejar: a assimetria dos freios causava bloqueio das rodas, uma falha no software travou o diferencial e um erro no sensor do fluxo de combustível tirou potência do motor. Tudo isso atrapalhou a preparação de Nasr para a corrida, na qual não conseguia fazer os pneus durarem. Para a China, o brasileiro confia que a revisão no acerto da suspensão e uma nova asa dianteira permitam que ele volte a lutar por pontos.

7 comentários sobre “Curvas longas e frio também combinam com vermelho?

  1. Acredito que nessa corrida a Mercedes irá ser mais dominante sobre a ferrari , pois não vai sofrer com pneus como na Malásia, e por ter um motor mais potente o que ajuda na maior reta do campeonato.

    Quanto á williams lhes resta brigar por no máximo um quarto lugar ( dependendo de como se classifiquem e caso o Bottas faça uma melhor largada do que ele costuma ). O felipe tem tirado coelhos da cartola nas classificações vamos ver na china.

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  2. Ju, este desgaste “diferente” dos pneus proporcionado pelo circuito chinês pode interferir na estratégia de paradas? Ou não chega a ser tão decisivo como o desgaste causado pelo calor?

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    1. Existe degradação, ela só não é termal. Características do carro e motor e a escolha de um bom acerto vão minimizar isso. Se nesse tipo de degradação por energia lateral (vindo de curvas) a Ferrari também se mostrar superior, teremos mais um indício de que haverá uma disputa pelo campeonato.

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      1. “…pois a pista em si gera mais energia nos pneus e os compostos escolhidos são mais macios do que os de duas semanas atrás.”

        A pista não gera energia alguma, ela é estática quem transfere energia para o asfalto são os pneus dos carros.

        O correto seria dizer que a pista, seja por composto do asfalto ou pelo traçado, exige mais dos pneus.

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  3. Uma curiosidade, alguém sabe de quando é a implementação do mapeamento de motor na F1? Lembro de começar a ouvir muito esse termo na época do difusor soprado, mas acredito que não seja tão recente assim. Fico pensando, esse negócio é tão detalhado a ponto de entregar ao piloto a potência e o torque certo na curva certa? E quem sabe, com uma programação bem feita o software se adaptar ao estilo de pilotagem.
    Eu não sou dos chatos que falam mal da tecnologia embarcada num F1 e gostariam de ver os pilotos se arriscando em carrinhos de rolimã com motor de 1000 cv. Mas os coroas podem ter razão quando criticam a F1 atual, pois na época deles a sensibilidade do piloto importava mais na hora de salvar equipamento.

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    1. É algo que deve vir dos anos 1990, pois tem a ver com o controle eletrônico do acelerador e com a busca de se ter uma maior linearidade na entrega de potência. Como está controlado pela ECU e tem regras muito estritas, duvido que chegue a ser tão “personalizável” como você sugeriu. Caso contrário seria como uma espécie de controle de tração, e a ECU veio justamente para evitar que as equipes encontrassem alguma maneira de reproduzir isso.

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  4. Éh! Aqui de fora só nos resta torcer por estas questões de temperatura e durabilidade dos pneus (qual equipe que trata com mais carinho! Xiiiii) pra ver se há um pouco de emoção neste campeonato. Creio que a Mercedes terá sucesso nesta pista seguida de Ferrari e Red Bull. A Williams tá me parecendo a voltar a ser aquela velha-equipe que só colecionava problemas. E a Sauber (com o Nars) mais uma vez poderá fazer uma boa prova com este surpreendente-Nars! Tô gostando da atitude e principalmente da tocada deste garoto!

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