Ameaça é real: Ferrari mudou maneira da Mercedes encarar as provas

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Olhando só o resultado do GP da China, há quem possa pensar que a Mercedes voltou ao topo e relegou a Ferrari ao segundo plano, mostrando que a vitória de Vettel na Malásia foi uma coincidência. Porém, a maneira como Hamilton venceu em Xangai só evidencia o contrário: a Scuderia pode ainda estar atrás, mas já influencia as decisões dos campeões mundiais.

Isso, a ponto de mudar a estratégia dos alemães, algo que não aconteceu por todo o ano passado. Se a Red Bull ganhou em 2014, foi capitalizando nos erros da rival. Em termos de ritmo, caso tudo saísse como planejado, a Mercedes era imbatível.

Na China, a simulação de corrida da Ferrari na sexta-feira pautou a tática de Hamilton e Rosberg: a dupla adotou um ritmo mais lento para evitar que a prova fosse decidida pelo desgaste de pneus – até porque, se assim fosse, havia o sério risco de que os ferraristas conseguissem ficar mais tempo na pista e, ou ganhariam as posições no pit, como Vettel fez com Massa na Austrália, ou atacariam no final.

Além da questão do desgaste em si, este ataque também definirá as reações da Mercedes nas próximas provas: a Ferrari tem sido melhor nas retas, o que abre a possibilidade de ultrapassagens na pista. Portanto, a receita perfeita para Hamilton e Rosberg é andar mais lentos do que poderiam, poupar os pneus, mas ao mesmo tempo evitar perigos com o DRS.

Ambos os problemas da Mercedes em relação à Ferrari têm a mesma fonte: a maior pressão aerodinâmica do carro, que o ‘gruda’ no chão, provoca maior degradação térmica e também gera mais arrasto nas retas. Porém, ela também é a solução, ao permitir um rendimento melhor nas provas de classificação.

Todo esse contexto explica (mas não justifica) a bronca de Rosberg, assim como a determinação demonstrada por Hamilton em ficar na frente do companheiro na largada. Ter o poder de ditar o ritmo na frente será fundamental para a Mercedes não se tornar caçadora ao invés de caça durante a prova. Nesse papel, o time demonstrou, principalmente com os pneus médios, que tem velocidade suficiente para se defender bem.

Ao mesmo tempo, o abismo que agora separa Ferrari e Williams ficou mais claro. Um dado interessante, contudo, que dá um alento para o time de Massa e Bottas foi o ritmo de ambos em relação a Vettel e Raikkonen com pneus médios, que tendem a expor carros menos equilibrados. É difícil saber o quanto ambas as equipes estavam forçando, já que os italianos não tinham condições de lutar pela vitória e a dupla do time de Grove andava sozinha, mas enquanto Massa perdeu 28s em relação a Vettel até a volta 30 (quando o alemão estava com pneus macios), a diferença se estabilizou com o último jogo de pneus. E Vettel e Raikkonen tinham compostos novos, diferentemente de Massa e Bottas.

O que está claro é que a Williams precisa melhorar o ritmo em todas as condições. E rápido. Com a evolução mostrada nas três primeiras etapas pela McLaren, tornou-se ponto pacífico colocá-los como futuros candidatos à briga pelas primeiras posições. Mas essa não é a única ameaça: o longo stint de Daniel Ricciardo com pneus macios no meio da corrida chamou a atenção e indicou que a Red Bull também tem condições de brigar quando resolver seus problemas de motor e freios.

17 comentários sobre “Ameaça é real: Ferrari mudou maneira da Mercedes encarar as provas

  1. Juliane me tira uma dúvida das 3 primeiras colocadas no mundial de construtores a Ferrari foi a única que não levou atualizações para a China? Procede essa informação?Pelo menos não vi nenhuma notícia a esse respeito em toda mídia especializada seja aqui no Brasil ou lá fora e nem dos próprios pilotos titulares.

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    1. Também não vi nada nesse sentido. A Ferrari promete um grande pacote para a Espanha. No caso da Mercedes, eles anteciparam mudanças que também estavam programadas para chegar mais adiante.

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  2. Ju, não entendi a opção da Ferrari em não chamar o Kimi na volta seguinte a primeira parada do Vettel. Raikkonen estava 2 segundos atrás do alemão antes de parar. Voltou a 5 segundos de distância.

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    1. Foi uma tentativa dar fazer algo diferente. Vettel antecipou bastante sua parada para tentar o undercut, já que estava próximo de Rosberg. Então eles queriam dar uma chance diferente para Raikkonen, diminuindo seu stint com médios. Não tinham nada a perder, com as Williams tão atrás

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  3. Julianne entao a MClaren vem em uma ascendente e podemos esperar que ela esteja brigando pelo TOP 10 logo. Assim vamos esperar a primeira metade do campeonato para saber se a Mclaren jah comeca a brigar pelo TOP 5 … Julianne qual seria o real impacto se a Mclaren jah comecasse a trabalhar com uma quinta ou sexta unidade , mas jah sabendo que esse trabalho seria frutifero para 2016…Será que esa equipes vao concordar em tirar essa limitacao de 4 unidades de potencia por ano ?

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    1. Não vejo condições financeiras para a F-1 acabar com essa limitação no momento. O que deve acontecer é a liberação de um quinto motor para as sexta-feiras, caso contrário ninguém irá para a pista no fim do ano.

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  4. Não concordo muito com este post, visto que tirando do post que a Mercedes poupou ritmo para andar na frente da Ferrari, e que ao ser perguntado se poderia andar mais rápido o Vettel disse que só poderia mais um pouco, equação não fecha. O que me parece é que o Halmilton , principalmente, correu as duas corridas que ganhou olhando para trás e não para frente. Ele somente andava um pouco a mais que os outros, economizando muito carro, esperando para andar quando fosse pressionado. Mas ao que me parece os outros não tem braço para pressionar, que foi o caso ontem. Pelo que penso o Hamilton apenas cozinhou o Rosberg, lentamente, o que gera a revolta do Rosberg que sabe disso. Tanto é que o engenheiro do Hamilton pediu para ele manter um ritmo e imediatamente o Hamilton andou neste ritmo, ou seja, ele faz o que quer da concorrência. Na minha humilde opinião.

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    1. Perfeito!
      Hamilton ontem humilhou os adversários sempre ditando o ritmo passou as primeiras 12 voltas na frente de Rosberg oscilando entre 1.1 e 1.2 nunca deixando ele entrar na zona do Drs.Uma verdadeira aula de pilotagem

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    2. Gerson, não foi para segurar o ritmo da Ferrari que a Mercedes “cozinhou” a corrida. Eles tinham um ritmo melhor. O que eles evitaram foi a maior degradação que teriam ao andar em seu ritmo “verdadeiro”. E, com isso, eliminaram a ameaça tática que a Ferrari poderia representar.

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  5. O problema do avanço previsível das McLaren e Red Bull é o motor. Eles já tiveram tantos problemas em apenas 3 corridas, que logo logo serão punidos por utilizarem mais motores do que permitido.

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  6. Vendo seu texto Ju, a posição da Mercedes me parece com a RBR do passado, menos velocidade em reta mas detonando nas curvas, sendo assim, acho que tudo está sob controle…Ps: kkkkk, teorias conspiratórias a parte, sabendo do alto down force da Mercedes, na canetada a FIA fragilizou os pneus, liberou avanços nos motores como forma de nivelar a disputa, bem, se foi para ajudar a Ferrari, kkkk, pode ser, pois além da melhora do motor italiano, e um carro que não aquece rapidamente os pneus, amaciando a borracha facilita as coisas para os italianos, mas apesar dos pesares, a equipe germânica me parce a equipe kinder ovo, kkkk, cheia de surpresas, kkkkk e carta na manga.

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  7. Perfeita análise, como sempre. Se a Mercedes mantiver esta tática, o Hamilton vai fazer o Rosberg de escudeiro. E se o Nico for ultrapassado, o Hamilton ainda pode apertar o ritmo e ver se o pneu aguenta.

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  8. Boa Noite Ju, será que a vitoria na malásia, não ocorreu poque Hamilton não andou na sexta, apenas no fim do Q2, onde não pode fazer simulação de corrida e ter uma melhor analise de onde estavam ??

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  9. Quem, além de mim, pensa que depois das muitas reclamações no GP da Austrália, a Mercedes resolveu colocar o seu motor a 90% – 95%, somente para que a diferença para os demais caísse de 30 segundos para 10 ou 15? Afinal a Mercedes tá sobrando muito, e o mimimi do resto poderia fazer com que FIA/FOM/Bérne alterassem a regra sobre congelamento de motores. Julianne, um desafio para você: verificar, comparando tempos de volta rápida, pole e ritmo de corrida, prova a prova em relação a 2014, para apontar o quanto a Ferrari cresceu, e quanto a Mercedes cresceu na Austrália, Malásia e China. Obvio que entram na conta as alterações dos pneus, mas eu penso que a Mercedes disparou no inverno e deu uma brecada depois da Austrália, mas isso só os números podem comprovar, ou não.

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  10. Concordo com você Ju sobre o crescimento da McLaren. Neste último final de semana passaram sem problemas, dando a oportunidade para que todos focassem no rendimento. Acredito que esta evolução tem acontecido muito rapidamente e que na próxima metade do campeonato eles estejam bem melhores do que estão. Claro que não podemos prever os problemas futuros que podem acontecer, mas se a equipe continuar com estes avanços creio que em 2016 a McLaren já tem condições de começar o ano lutando por pódios. Seria uma projeção otimista, mas viável.

    Abraços!

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