GP do Bahrein por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Deixa eu criar uma história”

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Foi difícil segurar o clima de decepção na TV Globo quando o carro de Felipe Massa ficou parado no grid na volta de apresentação. “É uma pena porque o Felipe estava bem preparado, confiando no ritmo da Williams”, lamentou o comentarista Luciano Burti.

O brasileiro teve de largar dos boxes, enquanto Hamilton manteve a ponta e Rosberg ficou encaixotado, caindo para quarto, atrás das duas Ferrari. “Vettel mantém a posição, vemos Kimi muito ativo. Rosberg errou, ficou tapado por Vettel e vai perder a posição. Muita disputa na parte de trás e cuidado porque Fernando está aí no meio”, narra Antonio Lobato na Antena 3, enquanto Galvão Bueno lembra que Massa pelo menos “podia ter dado a sorte de alguém ter se enroscado, mas nem isso aconteceu. E Rosberg, como sempre largou mal.”

Nas voltas iniciais, a conversa é sobre a estratégia. “Para ir a duas paradas, tem que esticar o stint até depois da volta 15. Para Vettel passar Hamilton, pode-se tentar parar lá pela 13 e tentar o undercut”, explica Pedro de la Rosa. Mas logo o inglês escapa, como observa Burti. “O Hamilton conseguiu abrir certa vantagem para o Vettel e a dúvida é se o Rosberg vai para cima porque a equipe demorou pediu para segurar por causa dos freios.”

O alemão responde ao mesmo tempo em que estava sendo criticado por De la Rosa. “Rosberg quis semi-atacar Vettel na largada. E o que acontece quando se semi-ataca é isso…”, diz o comentarista, no momento em que o piloto passa Raikkonen. “Agora sim, foi bem, atacou de verdade. Comi minhas próprias palavras. Estou gostando. Saiu com a espada de guerra em punho”, se empolga.

Na Sky Sports, o narrador David Croft vê “precaução” de Raikkonen, mas o comentarista Martin Brundle destaca o “fogoso Rosberg: um pouco no limite mas, quando eles estão lado a lado, ele pode tomar a linha normal.”

_G0_9215Não demora muito para o piloto da Mercedes também ir à caça e superar Vettel, para empolgação. “Ele estava moralmente abatido mas o cara, vou te contar, está com a faca nos dentes”, diz Galvão. E Brundle concorda. “Um melhorado e agressivo Rosberg! Bem-vindo! A Mercedes sabia que seus pneus estavam muito frios na sexta-feira, eles viram e corrigiram isso.”

De fato, o ritmo melhor da Mercedes em relação à Ferrari no início da prova chamou a atenção. “Acho que estão em um ritmo que acredito que a Ferrari não esperava”, observou De la Rosa, enquanto Reginaldo Leme aposta que “a Ferrari deve estar apostando em ficar um pouco mais tempo na pista, por isso o ritmo não é bom.”

Ferrari parte para o ataque

Mas não foi bem assim com Vettel. Perdendo terreno para Raikkonen, o alemão parou mesmo na volta 13 e aplicou o undercut previsto por De la Rosa. “Vamos ver o que os outros fazem porque se Rosberg não entra, ele dá por perdida a posição. A jogada da Ferrari é muito boa”, diz o espanhol, que também quer que Raikkonen continue na pista, em tática distinta.

Ambas as previsões de concretizam ainda que, para Galvão, “a Mercedes perdeu a posição porque foi mais lenta nos boxes”. É a forma da transmissão brasileira explicar por que Rosberg parou na volta seguinte de Vettel e voltou atrás.P ara Croft, foi “um erro de Rosberg na volta 11 deixou Vettel com a chance de recuperar a posição com o undercut.”

Os ingleses calculam que parar uma volta antes dá 2s de vantagem – “sem dúvida eles vão parar Rosberg primeiro porque Hamilton tem uma vantagem de mais de 5s”, comenta Brundle logo após a parada de Vettel. E se surpreendem quando Hamilton volta de sua troca um pouco à frente de Vettel e Rosberg, que lutam por posição na reta. “Vocês viram o custo de parar depois. Hamilton deve estar alucinado porque tinha 5s de vantagem e, de repente, volta dos boxes no meio de uma luta. O pit stop deve ter sido ruim porque isso não é normal”, acerta De la Rosa. Realmente, a parada da Mercedes não foi boa, mas o time segura a dobradinha porque Rosberg faz outra manobra decidida em Vettel e retoma o segundo posto. “Eles tinham que fazer isso [parar Rosberg primeiro]. Por uma perspectiva de equipe, mesmo que os pilotos não concordem”, crê Croft.

Entre os quatro primeiros, Raikkonen é o único que opta pelos pneus médios para o segundo stint. Como Brundle havia mencionado na volta 13, devido aos tempos de Maldonado, o rendimento do composto era melhor que o esperado. “Vamos mudar todos os conceitos: quem virou mais rápido é o Raikkonen, e o segundo é o Bottas”, observa Galvão.

Na disputa até então inédita entre os dois Felipes brasileiros – para desespero dos britânicos, que surgem até com a ideia de chamar um deles de ‘Fred’ para diferenciar os sobrenomes, tamanha a similaridade da sonoridade – chama a atenção. Para Galvão, Nasr passa Massa “como um veterano”. Para Brundle, “Massa está sendo muito polido com seu compatriota. Não é como eles dirigem em São Paulo ou no Rio pelo que eu já vi.”

De la Rosa e o britânico acham que a Mercedes está apenas administrando o ritmo quando nos aproximamos da segunda parada, enquanto Vettel comete mais um de sua série de erros da noite. “Essa escapada do Vettel é de desgaste dos pneus. Por isso o Raikkonen é mais rápido. Estão sofrendo mais do que esperado”, crê Burti. E o alemão logo faz sua segunda parada.

Rosberg pagando ‘hora extra’

A expectativa é de um novo undercut em Rosberg. Principalmente quando a Mercedes, desta vez, opta por parar Hamilton primeiro. “Que arriscado o que eles vão fazer! É muito arriscado parar Hamilton antes de Rosberg. Isso me surpreendeu muito. Teoricamente, o pneu médio demora para aquecer, mas isso não aconteceu com Raikkonen. Pobre Rosberg… e olha que hoje ele está lutando o que não fez por toda a temporada”, lamenta De la Rosa.

E o alemão mais uma vez se vê atrás de Vettel. “Vamos ver agora se a Ferrari reage melhor com o pneu médio do que com o macio. Pode ser mais difícil para o Rosberg passar agora”, avalia Burti. Mas Vettel erra novamente. “Não é normal, mas é que ele está andando no limite”, explica Galvão. Para De la Rosa, os erros “são quando ele está sob pressão”. E Lobato diz que “estão fazendo Rosberg trabalhar nesse GP. Estão cobrando as horas extras.”

Os problemas de Vettel só aumentam quando o piloto reclama que o carro está saindo de frente. Vendo o replay da escapada que permitiu a terceira ultrapassagem de Rosberg na noite, Lobato diz, ironicamente, que tem “uma ideia do motivo” de tal comportamento. Para Brundle, a quebra do elemento de montagem do bico foi “no retorno à pista, deu para ouvir”. Não há remédio a não ser parar a Ferrari novamente.

A ofensiva de Kimi

Mas a Scuderia ainda não morreu na corrida. Depois de um ótimo stint com o pneu médio, Raikkonen faria a última parte com macios. Porém, os comentaristas não se convencem da tática. “Está passando o momento de parar Kimi. Ele vai voltar com uns 18s atrás e com 16 voltas para passar Rosberg. É difícil, mas não impossível. Temos as incógnitas de como os pneus macios vão funcionar com as temperaturas mais baixas e o carro mais leve”, avalia De la Rosa. Ao ver Alonso chegando a descontar a volta que tinha levado da Ferrari, todos acreditam que a Ferrari está demorando demais para trazer o finlandês ao box. E Brundle chega a pedir que desistam do pneu macio e coloquem o médio, “porque o rendimento dele está muito bom.”

_GO_7614Falando em Alonso, a draga da McLaren foi assunto nas três transmissões. De forma diferente. Na Globo, Galvão se divertiu a cada ultrapassagem que o espanhol levava. “E tome risco no capacete do Alonso!” Na Sky, Brundle diz que a situação “é frustrante para todos nós. É um desperdício de dois grandes pilotos, mas acho que todos nós temos de ser pacientes.” E mesmo Lobato diz que o bicampeão “parece uma chicane ambulante”, declaração explicada por De la Rosa. “Não só está lutando contra pilotos que correm 15km/h a mais na reta, mas também está com pneus mais gastos.”

Quando Raikkonen finalmente para, fica a pergunta de Croft: “Raikkonen está bem mais rápido, mas vai ter que passar por muito tráfego. Será que ele consegue lutar pelo segundo lugar?” Brundle não responde. Na Globo, Galvão está empolgado e, ainda que Burti diga que “é muito difícil” o finlandês chegar, o narrador pede para deixá-lo “criar uma história.”

Logo fica claro que Raikkonen vai chegar. Mas vai passar? “Eles vão ter que pedir para Hamilton aumentar o ritmo também, porque o Kimi está bem rápido”, observa Brundle. “A questão é quanto tempo ele vai conseguir manter esse ritmo”, emenda Croft.

Mais atrás, Vettel sofre atrás de Bottas. “Vettel deve estar com um mapa de motor para economizar gasolina, porque Bottas se distancia muito nas retas”, diz De la Rosa, ainda que, para Galvão, a briga mostre “a força do motor Mercedes contra o Ferrari.” Para Brundle, “a Williams tem boa tração e o motor também é bom. E isso está frustrando Vettel. E pode ser que ele tenha problemas nas baterias. Ele tem tido uma tarde estranha.”

E ela só fica mais estranha quando o tetracampeão erra a freada e quase enche a traseira do finlandês.“Eu não posso dizer nada. Sou o rei do otimismo nessa curva”, admite De la Rosa. Voltas depois, quando Raikkonen chega e Rosberg erra a freada no mesmo trecho, cedendo o segundo lugar, Lobato diz que a manobra “acabou sendo mais fácil do que pensava. Que erro. Deu uma de De la Rosa”, e o comentarista rebate, rindo. “Você está falando de Kimi, né?”

O comentarista espanhol logo pede que se atente ao painel dos carros de ambas as Mercedes, que “tem um sinal de erro que deve ser dos freios”. O mesmo acontece entre os britânicos, que fazem mea-culpa por também terem criticado Rosberg na manobra.

Mesmo também tendo problemas, Hamilton vence mais uma. “Falamos da briga de Massa com Bottas, de Vettel com Raikkonen. Hamilton não tem briga com ninguém”, observa Galvão. “Não foi tanto o Rosberg que caiu, foi Hamilton que melhorou. Sempre achei que ele não fosse bom de cabeça, mas não é mais assim”, avalia Burti.

4 comentários sobre “GP do Bahrein por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Deixa eu criar uma história”

    1. Apareceu um alerta com a sigla BBW e espanhóis e britânicos interpretaram, acertadamente, que era o brake-by-wire, que falhou em ambas as Mercedes nas últimas voltas e explicam a escapada de Rosberg quando Raikkonen passou.

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