Como funcionam as punições dos motores

Ricciardo-Red-Bull-Bahrain

Há pouco menos de um ano, quando foram divulgados quantos elementos da unidade de potência tinham sido usados após o GP da Espanha de 2014, publiquei um post cujo título cairia como uma luva para hoje: “Tem punição à vista”.

Na época, após cinco provas disputadas, nove dos 20 pilotos do grid já estavam no terceiro item de algum dos seis elementos que compõem a unidade de potência. E, mesmo com o limite sendo de cinco para cada um destes elementos na época, era fácil supor que alguns pilotos não chegariam ao final do ano apenas com as cinco unidades. Dá para ver a lista completa aqui.

E assim foi: como já estava claro, Maldonado foi o rei das punições, com os pilotos da Sauber, Caterham, Toro Rosso e Vettel também sofrendo, ainda que o ritmo de uso das unidades tenha diminuído consideravelmente ao longo do ano – primeiro a pagar foi Kvyat, no GP da Itália, 13ª etapa.

Em 2015, após quatro corridas, são pelo menos cinco os pilotos que estão no terceiro item de alguma das unidades. Digo pelo menos porque a contagem oficial da FIA leva em consideração como os carros alinharam no Bahrein. E dois destes pilotos que já estavam bem pendurados – Ricciardo e Verstappen – sofreram outros problemas durante a prova e podem chegar (no caso do australiano, uma certeza) no quarto item em Barcelona, acabando com sua cota para este ano.

 Uso dos itens da unidade de potência pré-GP da Espanha

ICE

TC

MGU-H

MGU-K

ES

CE

Hamilton

1

1

1

1

1

2

Rosberg

1

1

1

1

1

1

Ricciardo

3

2

2

2

1

2

Kvyat

3

2

2

2

1

2

Massa

1

1

1

1

1

1

Bottas

1

1

1

1

1

1

Vettel

2

1

1

1

1

1

Raikkonen

2

1

1

1

1

1

Button

2

3

3

2

3

3

Alonso

2

3

3

2

2

2

Hulkenberg

2

2

2

2

1

2

Perez

1

1

1

1

1

1

Verstappen

3

2

3

2

2

2

Sainz

2

2

2

1

2

2

Maldonado

1

1

1

1

1

1

Grosjean

1

1

1

1

1

1

Merhi

2

2

2

2

1

2

Stevens

2

2

2

2

1

2

Nasr

1

1

1

1

1

1

Ericsson

1

1

1

1

1

1

Mesmo lembrando que os itens da unidade de potência podem ser usados fora de ordem – nada impede que o MGU-K da Austrália, por exemplo, reapareça em qualquer momento – como a maioria das trocas foi feita por quebras, isso é improvável no caso destes dois pilotos que usam motores Renault, assim como dos outros que já estão no terceiro item de qualquer um dos elementos, como a dupla da McLaren.

Se, por um lado, o limite em 2015 é menor, nesta temporada há a chance de alterar o motor, diferentemente de 2014. E essa é uma faca de dois gumes: dependendo da situação, uma equipe como a McLaren, já bastante pendurada, pode escolher levar a punição para a troca de uma unidade de potência inteira para estrear alguma novidade. Afinal, um update pode resolver algum problema crônico e aumentar a vida útil do motor.

De concreto, resta irmos nos acostumando com a forma como as punições serão dadas, algo que sofreu algumas alterações no regulamento deste ano:

– Quem trocar o motor inteiro larga no fim do grid (e não mais do box).

– A utilização do quinto item de qualquer um dos seis elementos da unidade de potência acarreta na perda de 10 posições no grid.

– Quando o piloto que levou essa punição de 10 posições atingir o quinto item de qualquer um dos demais elementos, a pena é de 5 posições.

– No caso de chegar ao sexto item, o processo é o mesmo: 10 posições para o primeiro elemento e 5 para os demais.

– Se a posição no grid não for suficiente para que a pena seja cumprida, entra em vigor um sistema de punição em segundos na corrida:

– se sobrarem 1 a 5 posições para serem pagas: stop and go de 5s;

– se sobrarem 6 a 10 posições para serem pagas: stop and go de 10s;

– se sobrarem 11 a 20 posições para serem pagas: drive through.

9 comentários sobre “Como funcionam as punições dos motores

  1. Duvidas que não ficaram claras:
    – as punições são cumulativas? Se tiver doia elementos trcados na mesma corrida serão 15 posições?
    – se for punido com 10 posições em uma corrida por estourar o limite de um dos elementis e na próxima estoura outro elemento será somente 5 posicoes nessa corrida?
    – Por quê quem tiver de 11 a 20 posições a mais receberá somente um drive trough? Não é mais vantajoso que levar um stop and go?

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    1. 1. Sim
      2. Sim
      3. o stop ang go é uma pena menor porque pode ser paga junto do pit stop e não existe limite de voltas para pagá-la – contando, claro, que se pague na próxima troca (no drive through, é preciso pagar em 3 voltas, o que pode prejudicar muito a corrida em determinados momentos)

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  2. Nossa, a F1 está muito burocrática. Essas regras deixam um telespectador casual completamente perdido e sem entender o esporte. Os fãs continuaram assistindo, com certo decréscimo, ao longo dos anos.

    Mas, dessa forma, fica difícil pra F1 angariar novos fãs.

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  3. Fantástico essa tabela, mostra a real situação de forças do campeonato:

    1-Mercedes
    2-Ferrari
    3-Williams
    4-Red Bull
    5-Sauber
    6-Toro-Rosso

    Mercedes, Ferrari e Williams no topo sem problemas criticos de confiabilidade ou desempenho. Mercedes é a equipe a ser batida, Ferrari com estrutura para dar um salto a frente. Williams mantendo bom desempenho, não tem como brigar com times poderosos de fábrica. RBR e Toro – Rosso, o carro se mostra veloz, mas quebra uma barbaridade. Talento de Sainz e Verstappen ficam limitados pelo carro, haja paciência.

    Nisso, a Sauber esta tirando bom proveito, o carro não é tão veloz, mas sua confiabilidade faz somar bons pontos. Impressão que fica entre os novatos, Toro tem dupla mais talentosa, Sauber melhor equipamento.

    07-Lotus
    08-F.India
    09-Mclaren
    10-Marussia

    Na Lotus, o problema maior é a falta de desempenho, mas melhorou nas duas últimas provas, o talento de Grosjean dá esperança ao time. O que dizer de Maldonado, um piloto extremanente azarado.

    Force India se alterna com problemas com desempenho com Pérez e confiabilidade de Hulkenberg, sofre pra marcar pontos.

    Mclaren, se apequenou de vez, várias quebras e desempenho medíocre. Vai melhorar, mas isso é pura obrigação! Por ser um time de tradição e com investimento da podesora Honda, já era para estar pontando desde a primeira prova. O que seria da Mclaren hoje se a pontuação fosse até o sexto colocado? Dificilmente ia pontuar em 2015…

    Marussia, curiosamente não tem problemas graves com a confiabilidade, mas seu desempenho não leva a lugar nenhum…

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  4. Julianne, no segundo paragrafo, vc cita “nove dos 12 pilotos do grid…”, tem um errinho ali, ne? Os referia-se aos 20 pilotos do grid todo ou a 12 pilotos com algum ponto em comum.

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