Estratégia do GP da Espanha: a defesa da Ferrari, o duelo interno na Mercedes e os brasileiros

hami1-470x313

Uma leitura correta da estratégia muitas vezes é a diferença entre a vitória e a derrota na Fórmula 1. Mas ela não faz milagre. Quando se tem uma desvantagem de pelo menos 0s8 como a Ferrari em relação à Mercedes na Espanha, apenas o erro do adversário vai evitar a derrota.

E foram dois erros que fizeram com que demorasse 32 voltas para Hamilton superar Vettel na luta pelo segundo lugar. O primeiro, na largada. O segundo, no pit stop da volta 13. Naquele momento, a Mercedes parara bastante cedo, mas não cedo o bastante para que a Ferrari tivesse a certeza de que os rivais fariam três paradas. A decisão óbvia para o time de Maranello foi chamar Vettel aos boxes na volta seguinte, ainda mais aproveitando a parada ruim da Mercedes, mas o recado já estava dado: sem os cerca de 2s5 que Hamilton perdeu no pit stop, ele já teria conseguido usar o ritmo mais forte e passado o alemão.

Isso, mesmo com pneus médios. Com duros – que evidenciam o melhor equilíbrio dos carros alemães – a diferença seria maior.

Se a Scuderia se safou pelo erro do adversário na primeira parada, a Mercedes usou sua vantagem para garantir que o mesmo não aconteceria na segunda. O ritmo alucinante que Hamilton na primeira volta após a primeira parada, já sabendo que faria três paradas – decisão importante tomada pela equipe, uma vez que esses pneus são sensíveis ao exagero no ritmo nas primeiras voltas e já saber que mudaria para o plano B incentivou Hamilton a acelerar logo de cara – foi suficiente para lhe dar a vantagem, mesmo que Vettel tivesse respondido. O inglês, com pneus novos, foi 3s mais rápido que o alemão – e a vantagem da Ferrari era de 1s8 antes do pit stop.

A Ferrari até tentou evitar esse cenário, com Vettel adotando um ritmo bastante lento no segundo stint de forma a colocar Kimi na jogada: com os companheiros divididos por cerca de 20s e Vettel usando a dificuldade de ultrapassagem de Barcelona para manter Hamilton atrás, a Mercedes teve de pensar duas vezes antes de parar seu piloto e correr o risco de vê-lo preso por Raikkonen. Mas, no final das contas, a diferença de ritmo era tão grande (até porque Kimi estava com os pneus duros e já mais usados) que a tática não funcionou.

A Williams, por sua vez, usou algo semelhante. E com mais eficácia. A equipe novamente foi excessivamente cautelosa na classificação, chamando Massa novamente à pista quando o brasileiro tinha um tempo que lhe garantiria no Q3 com folga e Felipe só teve um jogo de pneus na parte final da classificação. Errou a volta e largou em nono.

Com o outro carro, Bottas teria de segurar o ataque de Raikkonen, com pneus médios, nas voltas finais, como fizera com Vettel três semanas antes. O que a Williams conseguiu ao dividir as estratégia, chamando Massa para três paradas, foi colocar o brasileiro no caminho de Kimi. As quatro voltas em que Massa segurou Raikkonen, antes de sua terceira parada, fizeram o ferrarista perder pelo menos 3s e acabaram ajudando Bottas.

Falando em falta de ritmo, a Sauber viu sua dura realidade na Espanha. Com poucas novidades no carro, perdeu terreno para Red Bull, Toro Rosso e Lotus e agora está no bolo com McLaren e Force India. Ou seja, fora dos pontos. Em Barcelona, pelo menos Nasr ‘venceu’ essa corrida particular, muito em função do ótimo segundo stint com pneus médios, que permitiu reverter a estratégia inicial, de três paradas, em duas. No meio do pelotão e com toda a dificuldade vista em ultrapassar, essa acabou comprovando ser uma boa decisão por parte da equipe.

Por fim, vi que muita gente acreditou que Hamilton tinha ritmo para chegar em Rosberg se a Mercedes tivesse copiado as estratégias. Essa talvez seja uma impressão dada pelo ritmo que o inglês demonstrou, mas a verdade é que o alemão em momento algum demonstrou do que era capaz. Vale lembrar que a desvantagem logo antes da primeira parada era mais de 8s. Tirar isso, com o mesmo carro, seria bastante improvável.

6 comentários sobre “Estratégia do GP da Espanha: a defesa da Ferrari, o duelo interno na Mercedes e os brasileiros

  1. Julianne, olhando os tempos com o aplicativo da F1 o Massa foi constantemente mais lento que o Bottas…em algumas voltas a diferença chegou na casa de 1s e o Raikkonen estava a 2.4s a frente do Massa. Não quero pegar no pé, mas é impressionante como o Bottas é muito, muito mais constante que o Massa. Em outras provas também aconteceu isso com exceção ao GP da China. Mesmo parando 1 vez mais que o Bottas ele conseguiu ser mais lento no primeiro e no segundo stint. Minhas dúvidas.
    1 – Hoje em dia um piloto experiente é tão importante assim para a equipe, ou é muito melhor um jovem com reflexos e olhos bem apurados? Claro que sei que experiência é importante, mas tomo como ex o Massa. Mesmo tendo 10 anos de experiência ele tomou muito tempo do Bottas o ano passado, como explicar isso? O Massa acha o caminho das pedras no acerto e o Bottas com o mesmo acerto é mais rápido?Outro ex. os meninos da Toro Roso em classificação estão conseguindo errar menos que ele.

    2 – Por que pagar 50 milhões para o Hamilton na Mercedes? Não seria melhor contratar um piloto como o Bottas pagando 1/10 disso e contratando melhores engenheiros ou desenvolvendo o carro? Com a diferença existente hoje nos carros da Mercedes qualquer bom piloto seria campeão. O que justifica isso? Patrocínio? O Cara que faz a diferença? Manter segredos?

    Vejo a F1 de hoje em dia e alguns desses moleques na primeira temporada já mostram serviço, na segunda já não devem nada a campeões como Button e Raikkonen. Baseado nisso acredito que é muito mais importante a equipe, a experiência dos engenheiros do que o piloto em si. Claro, um piloto bocó não iria trazer resultados, mas um bom piloto resolve o problema. Falam tanto do Raikkonen, mas a meu ver ele não foi melhor que o Massa na temporada passada. Ele foi campeão em 2007, mas teve a vida facilitada pela briga do Hamilton/Alonso e em 2008 o Massa poderia ter sido campeão se não fosse o Nelsinho, ou seja o Massa bateu o Raikkonen em 2008.
    Alguns pilotos crescem quando o carro é bom, mas somente alguns conseguem tirar tudo do carro sempre, ex o Alonso, mesmo achando ele um mala.

    Curtir

    1. Porque pagar 50 milhões ao Hamilton? Porque se por acaso alguma outra equipe fizer um carro do mesmo nível do da mercedes, não será o Bottas que conseguirá defender a equipe e sim um Hamilton da vida. Pegar o que um piloto consegue numa equipe e achar que qualquer outro conseguiria é nivelar por baixo, algo que a imprensa brasileira faz com precisão.

      Apenas para ilustrar, em 2014 o Rosberg perdeu 3 corridas para um estreante. Então, tente imaginar se a Ferrari, por exemplo, estivesse no nível da Mercedes. O Rosberg não conseguiria peitar o Vettel ou o Kimi. Pra isso a Mercedes precisaria de um piloto extra classe que atende pelo nome de Hamilton. E na falta do Hamilton, o Alonso.

      Curtir

      1. Djow, não estou nivelando ninguém por baixo, acredito que BONS pilotos serão bons em qualquer BOM carro. Para mim Alonso/Hamilton, nesta ordem, são os mais completos que existem. Em velocidade pura eu sou mais o Hamilton, mas nos dias de hoje, ficou provado com o Alonso e com muitos outros que STAFF/CARRO MEDIANO e EXCELENTE piloto não ganha campeonatos, mas já EXCELENTE CARRO/STAFF mais PILOTO MEDIANO leva títulos. Com certeza ter um EXCELENTE CARRO/STAFF + um EXCELENTE PILOTO é o ideal e é isso que a Mercedes esta conseguindo fazer. Tomara que continuem com a parceria, minha questão era apenas o “INVESTIMENTO” caso tivesse que escolher onde colocar os 50 milhões.

        Não entendi seu ex de 2014? Rosberg perdeu 3 corridas? A Primeira no Canadá ambos os carros da Mercedes tiveram problemas no motor e se não me engano nas outras duas ocasiões também foi assim. Esclarece ai para nós.

        Abraços e boas corridas

        Curtir

  2. Ju, comparando os ritmos de Vettel e Kimi, que correram cada um como uma versão do carro ferrarista, pode se concluir que houve alguma evolução relevante?

    Curtir

    1. Vettel teve uma corrida relativamente limpa, com exceção de nas voltas finais ter enfrentado alguns retardatários. Isso significa que Vettel pôde impor o ritmo que o carro lhe permitia. Kimi, no primeiro stint, ficou preso atrás de Bottas, e precisou segurar seu ritmo para manter os famosos 2s de distância para não degradar seus pneus. No terceiro stint de Kimi, ele precisou passar Massa, o que, conforme comentado pela Ju, fê-lo perder cerca de 3s, e, depois disso, permaneceu por 9 ou 10 voltas sendo segurado pelo Bottas. Com isso, Kimi terminou a corrida cerca de 15s atrás de Vettel. Penso que, se Kimi não tivesse os problemas com Bottas tanto no primeiro quanto no terceiro stints, e nem com Massa no terceiro stint, ele teria encerrado a corrida muito próximo de Vettel, o que significa que os pacotes antigo e novo da ferrari estão equivalentes. Talvez o novo pacote seja melhor que o antigo, mas a ferrari ainda não conseguiu explorar todo o seu potencial.

      Curtir

  3. Hamilton tirou essa diferença ano passado aqui no Brasil, por exemplo.
    Mas no fim da corrida já não tinha o que fazer. Se tivesse voltado na frente do Vettel na primeira parada até teria alguma chance, depois ficou impossível.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s