A matemática inquestionável da F-1 e o caso Hamilton

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Sinto por não ter tido tempo de escrever sobre as estratégias do GP de Mônaco, mas creio que esse assunto já ficou no passado. Em linhas gerais, será difícil convencer alguém de que é razoável parar o líder do GP de Mônaco com uma diferença justa para os rivais apenas para contar com pneus mais novos – ainda mais em um final de semana em que eles duraram uma eternidade – por cerca de 10 voltas. E, se Hamilton cometeu algum erro, foi o de presumir – ao invés de perguntar – que seus rivais tinham parado. E, sinceramente, não entendo o carnaval feito em cima do rádio divulgado pela FIA, pois é ingênuo pensar que o simples fato do piloto questionar se não seria melhor parar tenha feito a decisão ser tomada.

Isso porque o episódio mostrou bem a atual forma de pensar de quem faz a Fórmula 1 – incluindo os pilotos e, por isso, cada vez vemos menos exemplos daqueles que peitam os engenheiros em relação à estratégia -, apoiando-se 100% nos dados. Toto Wolff foi questionado sobre isso após a corrida e disse que esta continuará sendo a diretriz da equipe – como é de qualquer outra no paddock: a matemática e a engenharia são inquestionáveis. Mesmo se a lógica disser que, por exemplo, nunca se deve arriscar perder a posição de pista em um circuito travado como Mônaco. Se houver tempo para parar e voltar à frente, a ordem é fazê-lo.

Não que os números não sejam confiáveis. Estamos falando de um mundo com uma precisão incrível. Mas eles não podem ser a única saída.

Curiosamente, dois dias antes da corrida, tive uma entrevista daquelas que você nunca quer que acabe com Pat Symonds. Uma figura extremamente inteligente, que não apenas responde suas perguntas, mas o faz sabendo onde você quer chegar. E com uma experiência incrível, tendo trabalho com nada menos que Senna, Schumacher e Alonso ao longo de mais de 30 anos de carreira na Fórmula 1.

Em determinado momento da entrevista, questionei sobre a dificuldade dos carros atuais e a real atuação dos pilotos no desenvolvimento do carro. A resposta foi interessante: “Mesmo com toda a tecnologia que temos hoje, ainda há algo que não conseguimos entender: o que o piloto sente dentro do carro.” O engenheiro, considerado o grande responsável pela virada da Williams de 2013 para cá, prosseguiu dizendo que, muitas vezes, os números apontam para um caminho em termos de acerto do carro, por exemplo, mas o piloto diz que prefere hoje. E a dica de Symonds é sempre ouvir os pilotos desses casos. “Não conseguimos explicar o porquê, mas se funciona para eles, funciona para a gente.”

Talvez seja uma lição que os mais novos no grid deveriam ouvir com atenção.

17 comentários sobre “A matemática inquestionável da F-1 e o caso Hamilton

  1. Um tapa na cara de quem fala que o piloto só senta e guia. Esses dias Ricciardo reclamou do feedback do Kvyat e agora Symonds confirma que é o piloto que guia o desenvolvimento.

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  2. Ju, uma coisa que nisso tudo e poucos comentaram foi o tempo da parada, que foi 4,1, se fosse uma parada normal da Mercedes em 2,8 digo que talvez pudesse sair a frente

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  3. Esse mimimi do HAM e o pit stop ja deu que tinha que dar, ne? Noves fora, a equipe não calculou direito e o piloto não contestou o chamado pra entrar. Finish.
    Julianne, vc analisa que o reabastecimento trará mudanças significativas reais, se for mantido o controle sobre o fluxo de combustível?

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    1. Caro Ricardo
      Desculpa discordar, mas em nenhum momento eu vi o Hamilton de mimimi por causa da derrota, o mesmo dividiu a culpa com a equipe.
      Quem esteve de mimimi foi a midia inglesa.
      Sds

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    2. Ricardo, tudo o que tentei apurar em Mônaco sobre essas mudanças, incluindo sua questão, foi respondido com uma frase bem britânica: “the devil is on the details”. Por enquanto são só diretrizes, ninguém sabe como elas serão colocadas em prática. Essa questão do fluxômetro é um dos entraves.

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  4. Gente eu vi alguns blogs dizendo que o Hamilton havia dito que ele deveria deixar a pole do gp de monaco para o rosberg algo conbinado entre eles ! não deu certo então ele deu a vitororia ele so não contava com vettel ! diga se de passagem do jeito que as coisas estavam indo o campeonato acabaria umas 5 provas antes ,e formula 1e negocio e isso seria péssimo “negocio”! vejao so o hamiltom nem ficou tao triste assim , ficou sim pelo o vettel ter terminado a frente dele !

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  5. perfeito o questionamento ou afirmativa da Julianne ” E, se Hamilton cometeu algum erro, foi o de presumir – ao invés de perguntar – que seus rivais tinham parado”.
    dessa forma faltou a equipe ter falado que ninguém tinha parado e ocorria o risco da perda da posição se ele fosse ao pit stop, como ocorreu de fato a perda da 1º posição. a cara de poucos amigos de Hamilton depois do ocorrido tenha sido justamente por isso a falta de informação sobre os pit stop de Rosberg e Vettel de não terem parado. mas isso pode ser um grande aprendizado para liwis.

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    1. Mas não se explica, se a equipe não iria parar o Rosberg, e em nenhum momento cogitaram isso, só o motivo dos pneus esfriarem, não se justifica.
      No meu pensamento, no primeiro momento a equipe deveria ter informado ao Hamilton que o Rosberg não parou.
      Enfim, essa “cagada” deu margem a “teorias da conspiração” a favor do Rosberg.

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  6. O Hamilton presumiu errado e a equipe calculou 2+2=3. Erro de equipe e ponto final. Tem é que olhar agora para o próximo GP.
    Entretanto, para quem acha que o Hamilton tinha que fazer o que fez no pódium só porque perdeu uma vitória, deveriam olhar como pilotos profissionais de verdade reagem em situações parecidas ou até piores.
    Agora, de cabeça, me lembro do GP da Austrália, 1986. Piquet foi chamado para os boxes porque a equipe achou que os pneus iriam estourar, como aconteceu com Mansell, e Prost iria parar também. Prost não parou e Piquet perdeu o campeonato. Um CAMPEONATO perdido, não uma vitória a menos para o currículo.
    Nem por isso o Brasileiro fez birrinha no pódio, pelo contrário, estourou o champagne e depois ganhou o campeonato de 1987.

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  7. Acho que falta aos engenheiros e estrategistas assistirem mais as corridas. Eles só fazem conta e não veem oque está acontecendo na pista. A conta que ajuda é se o piloto deve parar na volta programada, antecipar ou atrasar para não ficar preso atrás de um carro mais lento. Cada piloto deve ou deveria largar com um plano a,b, c, d, e, e a equipe vai fazendo pequenos ajustes.
    O plano a do Hamilton seria, se mantiver a ponta na largada, 1 pit stop e esperar a bandeirada.
    Até na transmissão da Globo os caras não prestam atenção no que acontece na pista. Cometem várias gafes.

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  8. Esse caso me lembrou aquele emblemático GP da Inglaterra de 1987.

    Nelson Piquet liderava a prova, mas vinha em um ritmo moderado na reta final para terminar tranquilamente, sem se preocupar com o combustível. Nigel Mansell optou por fazer uma parada para colocar pneus novos e vinha baixando o tempo assustadoramente.

    De acordo com as informações da época, o computador de bordo do carro da Williams do brasileiro indicava que o Leão terminaria com uma pane seca antes do fim. O Piquet confiou na informação e seguiu na sua toada.

    Faltando duas voltas para o fim, Mansell cola em Piquet na reta do Hangar e faz uma bela ultrapassagem, para delírio do público presente em Silverstone. O brasileiro ainda confia na informação do computador de bordo que o inglês pararia no meio da pista sem combustível.

    Mansell continua com seu ritmo forte e para sem combustível… 500 metros após ter cruzado a meta final como vencedor da prova. Esse foi um dos dias em que Nelson Piquet ficou mais irritado com uma corrida na carreira. Por conta justamente de uma informação do computador de bordo, que mostrou-se equivocada.

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