Um palco melhor que um show

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Um clima ameno e sem chuva, pneus ligeiramente mais duros e uma corrida pautada pela economia de combustível tiraram um pouco a graça de um GP que ficou marcado nos últimos anos como o palco de eventos caóticos. Mas, ainda que a corrida canadense tenha sido decidida no sábado para Lewis Hamilton e Nico Rosberg, como é regra neste ano, as características que tornam o circuito Gilles Villeneuve único não faltaram.

Primeiro, tem de se destacar o público, que lotou o circuito. É impressionante a cultura de Fórmula 1 – e de corridas em geral – que esta cidade tem. Caminhando pelo acesso ao circuito, é fácil ver torcedores de variados pilotos, talvez reflexo da falta de ídolos locais e do fato deste GP ser a prova ‘caseira’ para muitos norte-americanos, mas o apelo de Lewis Hamilton com os locais é inegável. E é só parar para conversar com qualquer um para perceber que é um público apaixonado pelo esporte, que tem na ponta da língua da categoria da qual Max Verstappen veio aos motivos para o ano ruim da McLaren.

Á noite, a cidade toma ares de festival, com as ruas tomadas pelos torcedores e locais. Mas não é qualquer ‘balada’: quem tem qualquer tipo de carro diferente, seja alguma Ferrari da vida, um tunado ou vintage de todas as épocas e estilos, sai às ruas para aproveitar o ‘público especializado’. E é tanta gente parando para tirar foto e filmar esses carros que fica até difícil caminhar pelas ruas.

Não é por acaso que a Fórmula 1 ama Montreal, talvez uma de suas casa menos prováveis.

Quando o sinal vermelho se apagou, as arquibancadas tiveram seus motivos para levantar. A ultrapassagem de Felipe Massa em Marcus Ericsson entra fácil na lista das melhores do ano até aqui. E Sebastian Vettel, com o estilo meio aos trancos e barrancos com que costuma escalar o grid, sempre arriscando bastante, foi outro que deu uma apimentada na corrida.

Massa e Vettel foram facilmente os nomes da prova, pois a briga pela vitória foi totalmente baseada no gerenciamento do combustível. Rosberg, andando no vácuo, consumiu menos e obrigou Hamilton a diminuir o ritmo em determinado momento para equilibrar as ações. Quando o inglês chegou em um bom nível de combustível, forçou novamente. Ou seja, em momento algum foi efetivamente ameaçado, em mais um GP em que ficou claro como Nico sente falta das informações dos engenheiros sobre o rival.

Terceiro depois de lucrar com o erro de Raikkonen, Bottas não escondeu a animação. Existe uma séria confiança dentro da Williams em relação aos updates que a equipe trará para o GP da Áustria. Será o maior pacote do ano de uma equipe que, desde o ano passado, vem tendo sucesso com quase tudo o que traz para a pista.

Por outro lado, um final de semana complicado fez com que não ficasse muito claro o que a Ferrari pode fazer com o novo motor. Vettel comandou os speed traps, mas o ritmo ficou encoberto por seu sábado desastroso. No caso de Kimi, a rodada o fez alterar a estratégia, então o remédio é esperar até Spielberg.

Quem não tem muito o que esperar, por outro lado, é a McLaren. Sabe aquela confiança da Williams? No time de Woking, é impossível esconder o desânimo. O tempo vai passando e os problemas não apenas se repetem, como se acumulam. Lento, frágil e beberrão, o motor Honda está dando mais trabalho do que era esperado. E, ainda que Ron Dennis prometa uma melhora “que vai surpreender muita gente” na Áustria, é sempre difícil evoluir na Fórmula 1 se você não consegue manter o carro na pista. E, como era de se esperar, o clima de ‘acabou o amor’ entre o time e seus dois pilotos é mais forte do que nunca.

Faltou falar de Felipe Nasr. Em meio a uma série de problemas, a postura do piloto de 22 anos chama a atenção. Mas é uma história que merece um capítulo em separado.

17 comentários sobre “Um palco melhor que um show

  1. Passando para te parabenizar e desejar boa sorte em seu novo blog. Estou gostando bastante do layout.

    Com relação a corrida, valeu pela vitória do Lewis. Acho que a única coisa que nos resta e torcer para que ele quebre recordes e mais recordes este ano, porque não vejo ninguém com força pra desafiar o inglês este ano.

    Abraços!

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  2. o melhor piloto do ano e dessa corrida Vettel, ele foi incrível parou duas vezes saiu de traz e ainda chegou na frente da Williams que tinha um carro nesse circuito bem igual a ferrari. Se Vettel tivesse feito uma parada teria ido ao pódio

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  3. Corrida morna.
    Dois pontos que me chamaram a atenção
    – o radio de Hamilton e Rosberg pois num momento o engenheiro do Hamilton informa ao mesmo que o combustível do Rosberg está como o dele e os freios estão mais críticos que o dele e logo após o Rosberg pergunta para seu engenheiro qual a situação do Hanilton a resposta é “não posso comentar”
    – a amarelada do Hulk

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  4. O Hamilton fez a lição de casa no sábado e só se pepreocupou em largar bem e administrar a corrida. E o Nico continua pensando: o que fazer?
    Grande corrida do Vettel. Depois de “pagar os pecados ano passado”, renasce com a Ferrari. Mas os problemas do treino e o erro do Kimi não permitiram a Ferrari mostrar que evoluiu. O Vettel saiu no lucro, ganhou 10 pontos, ao invés dos 15 que ganharia em condições normais. Vai caminhando para ser o melhor do resto.
    O Massa fez uma boa corrida, mas ficou atrás do Vettel que largou mais atrás que ele. No fim o Bottas saiu atrás do Kimi e chegou na frente dele e o mesmo com o Vettel e o Massa.
    Boa prova do Hulkemberg, que estava devendo, com a fraca Force India.

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  5. Julianne, parabéns pelo novo blog. O erro do Kimi, mesmo do ano passado, não é muito amador para um piloto campeão mundial? E como explicar estes, praticamente iguais?

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  6. Deu a lógica! capitão-Amilton 01, Rosberguinho 02 e para a surpresa (nem tanto assim) geral o Sapattos em terceiro ( mostrando que a Ferrari não esta sozinha na luta pela segunda-melhor-equipe da F1). O destaque ou destaques da corrida foram o Massa e o Fettel-boy. Com menção honrosa pela aquela espetacular ultrapassagem do Massa no Erecsson. No mais esperar o GP da Austria e ver se a Ferrari vai dar trabalho pra Mercedes ou se a Williams (com um novo pacote) vai dar “crescer” pra cima da Ferrari.

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  7. Ju, tive a oportunidade de ver essa corrida ao vivo pois moro em Montréal e também fiquei impressionado de ver como essa corrida está na contra-corrente do desánimo do publico com a F1 principalmente na Europa. E o que posso dizer é que a corrida é um sucesso de público por ser simplesmente o evento do ano de Montréal, do Québec e do Canada também. Vi muitas jovens com suas melhores roupas nas arquibancadas e que simplesmente não entendem nada de F1 mas que lá estavam pq era necessário. Tb haviam os antigos apaixonados dos esportes a motor, do meu lado por exemplo tinha um trio de Miami torcedores da Ferrari. E tinha o povo que estava lá para participar da festa , com muitas latas de cerveja. E todo o clima de toma conta da cidade durante a semana é justamente o que mais está fazendo falta a F1 atualmente. E a corrida é um sucesso pq o lugar é lindo, vc pode ir de metro em 15 minutos e participa de um verdadeira festa. Não precisa de mais nada.

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  8. Ju, tem notícias do Aucam?
    Sobre o motor Honda, o de 2008 era fraquíssimo, tanto que em 2009 foi só por um motor mercedes e a honda/brawn levou o título.
    Não sei se os japoneses ainda fazem um bom motor como o dos anos 80. Talvez com o tempo.

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    1. Não, ele infelizmente se irritou com alguns comentários. Mas tenho certeza que continua lendo a opinião de todo mundo por aqui.
      E não dá para colocar a diferença da Honda/2008 para a Brawn/2009. Até porque foi a própria Honda que fez aquele carro, sob o comando do Ross Brawn. E também era um regulamento completamente diferente.

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    2. Caro Augusto, ultimamente venho frequentando este excepcional blog da nossa querida Julianne apenas como leitor. Sobre o seu ponto de vista a respeito da Honda, bem lembrado o fato de que o motor da Honda na época de Button e o Barrichello era bem fracote. Além desse início decepcionante na tecnologia híbrida da F1, observe também como a Honda também não anda lá muito bem das pernas, digo, rodas, na Fórmula Indy: ali, falou em sucesso, falou em Chevrolet, que fornece motorização para a duas principais equipes, a Penske e a Ganassi. Penso que antes de começar esta temporada quase todo mundo se entusiasmou em excesso com a Honda, (inclusive eu), apenas com base no seu passado de tantas vitórias. Poucos acreditavam que teriam tantos problemas. Eu julgava que a Ferrari teria muito mais dificuldades para se reerguer do que a McLaren. Tá cada vez mais difícil analisar F1, rsrsrs. . .
      Um abraço!

      Julianne, gostei demais de seu novo Blog, com a habitual marca de excelência. Parabéns.

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      1. Grande Abraço Aucam, fico feliz em saber que está por aqui, senti falta dos seus comentários.

        Obrigado pela atenção Ju.

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