Cabeça de engenheiro

Felipe-Nasr

É raridade um piloto admitir um erro. Basta ver Kimi Raikkonen, após rodar pelo segundo ano seguido no GP do Canadá, responsabilizando o mapa de motor de sua Ferrari.

É por isso que o final de semana em Montreal tem tudo para marcar Felipe Nasr. O próprio piloto admitiu que este foi o GP mais desafiador de sua curta carreira até aqui – e sua reação frente aos problemas impressionou.

Nos treinos livres de sexta-feira, seu engenheiro trouxe novas ideias para melhorar o acerto do carro após o péssimo rendimento de Mônaco. Ele Marcus Ericsson foram à pista com configurações diferentes – e o brasileiro não aprovou as novidades. No dia seguinte, as mudanças seriam revertidas.

Ao mesmo tempo, Nasr conviveu com o mau funcionamento do freio; seu pedal estava ‘longo’. Isso em uma das pistas em que é impossível ter um bom rendimento sem muita confiança nas freadas – motivo por trás, inclusive, das quatro vitórias de Lewis Hamilton.

Mas nada disso explica o erro do sábado de manhã, quando Nasr encostou no botão do DRS enquanto aquecia os pneus e conversava com o engenheiro, e bateu forte. Um erro bobo, que podia trazer consequências graves uma vez que a equipe teria pouco tempo para reconstruir o carro, porém que ele assumiu tão logo voltou para os boxes. Na entrevista concedida logo depois da classificação, listou a série de fatores que o fez errar, em uma linha de pensamento que se assemelha a um engenheiro: a batida tinha acontecido por diversos elementos combinados, não foi uma coincidência, e ele se precisa entender cada um deles para se certificar de que isso não se repita.

A mesma receita foi necessária após a corrida, em que mais problemas acabaram resultando no 16º lugar: uma falha no motor Ferrari fez com que o sistema não estivesse recuperando energia e tirou potência da Sauber nas 10 primeiras voltas. Depois – e ainda com a questão do freio – ele já estava longe do pelotão e lá ficou até o final da prova.

“Não estou dando desculpa, só quero que as pessoas saibam o que aconteceu”, diz o piloto brasileiro, atrasado para a entrevista uma vez que ficou reunido por mais tempo do que o normal com os engenheiros. “Mas nada disso vai me abalar.”

Abalar o novato que demonstra mentalidade de piloto rodado realmente parece difícil. Mas talvez o fator que desencadeou todos os problemas do Canadá pudesse entrar em sua lista de avaliações para os próximos GPs: a independência em relação às opções do engenheiro. Há no próprio staff do piloto uma impressão de que Nasr sente o peso de ser novato quando tem de questionar decisões da equipe e teria de ter uma voz mais ativa. Perguntado sobre o assunto, o piloto defende que é importante escutar a equipe e que, aos poucos, eles vão se conhecendo melhor e aprendendo juntos, que é uma questão de tempo. Pelo tipo de mentalidade que vem apresentando, não é de se duvidar.

3 comentários sobre “Cabeça de engenheiro

  1. Legal! Então eu concluo que nós temos um piloto alá-Piquet ou pra quem conheceu, semelhante ao competentíssimo (uma lástima não ter tido oportunidade na F1) Gil de Ferran. Eu vejo o estilo do Nars mesclando Buttonn + Gorosjean! Vejo futuro pra este moço.

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  2. Existem pilotos que chegam a F1 com uma grande expectativa e outros de maneira mais discreta. Por enquanto o Nasr vai fazendo um bom papel. Agora se vai ter boas oportunidades e vai corresponder, caso tenha, só o tempo irá dizer.

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  3. Já viu como chegaram Alonso, Raikkonen, Vettel e Hamilton na Formula Um, na condição de piloto ‘fora de série’ se colocando pra disputar poles, vitórias e títulos. Felipe Nasr pode fazer uma boa carreira na F-1(prioridade no momento é conseguir estabilidade como fizeram Barrichello e Massa), mas chegar ao título é outra história. Button demorou pra chegar ao título, mas foi campeão em 2009, mas foi uma temporada atípica. Grandes pilotos como Hamilton, Alonso, Raikkonen estavam fora da disputa pelo título. Esse foi o problema de Button, foi campeão batendo Barrichello, o que não é nenhuma obra-prima. Brasil na Formula Um vejo como mais do mesmo, país apenas “participa” das corridas. Sem investimento pesado, esqueça título brasileiro na Formula Um. Atualmente os times de ponta só investem pesado se o piloto chegar como fora de série. Acabou aquela F-1 onde piloto fazia a diferença desenvolvendo o carro, acho que Alonso em 2006 foi o último campeão nesse sentido. Piloto de ponta agora faz trabalho exclusivo de pista, e tem que ser veloz, preciso e cerebral. Observer como Raikkonen esta sendo questionado, não se adaptou ao carro em 2014, nesse ano não há desculpas, esta sendo amplamente batido por Vettel. Pra piorar, tem deixado a desejar em treinos e corridas, Bottas é um forte concorrente a sua vaga. Outro detalhe, não vai ser batendo Ericsson que Nasr vai impressionar chefes de equipes, superar o companheiro é pura obrigação! Lá na frente Nasr vai ter que provar seu valor, ainda é cedo pra julgar, mas o brasileiro esta indo bem, mas vamos com calma, a F-1 sempre teve bons pilotos: Patrese, Berger, Rubinho, Massa, Webber estão entre eles, mas ‘fora de série’ é coisa rara! Nisso a F-1 atual esta indo muito bem, pelo menos três pilotos estão no topo: Alonso, Vettel e Hamilton…Raikkonen e Rosberg vem um degrau abaixo, esses dois tem que ‘abrir os olhos’ porque sempre aparece um jovem talento para incomodar…no momento, Bottas é a grande ameaça.

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