Decisões

150705150923-hamilton-champagne-super-169

Silverstone fez por merecer: com uma grande festa no melhor estilo de festival de verão – que, desta vez, realmente deu as caras na Inglaterra nesta semana – e mais de 100 mil torcedores, o GP da Inglaterra reuniu ingredientes que resultaram muito provavelmente na melhor etapa da temporada até aqui. Um deslize das Mercedes, uma rival com ritmo à altura, lutas por posição por todo o pelotão e aquela chuvinha no final para dar um tempero especial – e coroar grandes decisões – deram outro colorido à terceira vitória de Lewis Hamilton em casa.

A largada ruim, que o inglês justificou como falta de aderência na primeira fila – ou seja, sem relacionar com as reclamações das configurações de embreagem da última prova – deu a oportunidade para Massa e Bottas pularem na ponta. E mudou o cenário da prova.

Se por um lado o ritmo da Williams frente à Mercedes surpreendeu, por outro a velha tática enferrujada voltou a aparecer. Sempre é difícil manter a posição de pista quando se luta com rivais que têm ritmo melhor. Confesso que, quando chegou lá pela volta 18 e Hamilton tinha 1s2 de desvantagem para o líder Massa, pensei ‘não queria ser estrategista da Williams neste momento’. Era difícil, mas eles tinham que pelo menos dividir as estratégias. Estava na cara que a Mercedes anteciparia a parada de Hamilton, ainda mais com a ameaça de chuva para o final da prova (o que significava que ele não teria de fazer tantas voltas assim com os pneus duros e podia arriscar parar bem mais cedo do que o ideal). Ao esperar os alemães tomarem a iniciativa, seria praticamente impossível que eles não perdessem ambas as posições.

Mas a equipe tinha seus próprios problemas para gerir. A linguagem corporal de Bottas após a corrida entregava seu desncontentamento. O finlandês acha que seu ritmo na volta que fez com pista limpa quando Massa parou era a prova de que ele deveria ter sido liberado para lutar com o companheiro. Do outro lado do box, Massa lembra que seu ritmo com o pneu duro era melhor (algo que se confirmou na segunda parte da prova). De qualquer forma, o importante para ambos é observar o grande desempenho do carro tanto em classificação, quanto em ritmo de corrida.

Bottas salientou que Silverstone é uma pista boa para a Mercedes de qualquer maneira, abaixando as expectativas, enquanto Massa acredita que, se na Hungria o ritmo também for bom, a esperança é de uma segunda metade de temporada bastante competitiva. O discurso dos dois se encaixa com o que expliquei aqui.

Se houve quem deixou a desejar, algumas grandes decisões foram tomadas pelos pilotos em Silverstone. Falei com um piloto, Felipe Nasr, e um engenheiro, Rob Smedley, após a prova e ambos explicaram a tomada de decisões em situação de chuva de forma semelhante: o piloto tem uma influência bem maior, reportando as condições para o pitwall que usa isto junto das informações que tem à disposição (como os tempos dos rivais em cada setor, por exemplo). E ninguém foi mais perfeito que as duplas Hamilton/Mercedes e Vettel/Ferrari. Curiosamente, nem o inglês, nem o time italiano têm um histórico positivo nessas situações.

Massa, por sua vez, contou que pediu para parar duas voltas antes. “Mas assumo o erro junto com a equipe, até porque se eu quisesse parar, era só ir pro box.” E Smedley revelou que a Williams se arrependeu da decisão em cima da hora. “Ficou claro que estava chovendo forte assim que os dois passaram a entrada do box”, revelou. Um detalhe que uma prova decidida em decisões tomadas em um estalar de dedos não costuma perdoar.

20 comentários sobre “Decisões

  1. Não entendo porque a Willians não divide a estratégia de seus pilotos. Tudo bem que não sabiam quando o Hamilton ia parar, mas não arriscaram parar antes e o undercut era certo. Mas na segunda parada estavam atrás e um dos pilotos poderia parar. Teriam garantido um segundo lugar. E o Vettel que estava muito atrás, voltou ao pódium.
    Ju, a Willians melhorou muito ou a Ferrari andou para trás?

    Curtir

    1. A Mercedes cozinhou a Williams em banho-maria. Sabia que ultrapassaria independente de quem parasse primeiro. Se Massa ou Bottas parasse primeiro, Hamilton não teria tanta dificuldade, pois usaria DRS para passar como quisesse. Não o fez antes porque havia dois carros colados à sua frente, não havendo espaço suficiente para uma manobra tranquila, além de que, um deles estar usando o DRS também, tornava outro fator de dificuldade para o inglês.

      Outro detalhe: poucas voltas antes da parada de Hamilton houve uma tentativa de enganar a Williams levando os seus mecânicos a encenar um falso pit-stop. Isso talvez tenha servido para enganar a Williams ao fazerem a parada verdadeira.

      Mas o mais importante mesmo foi a manobra arriscada do Hamilton ao voltar a pista após o 1º pit. Se ficasse atrás do carro da Force Índia, provavelmente não conseguisse voltar na liderança.

      Curtir

  2. Na moral estou de saco cheio dessa geraçao criada a todynho e leite de cabra, toda corrida é mesma coisa, sempre tem um piloto “putinho da vida” por que o companheiro não deixou psssar.

    Ridículo hoje o Bottas pedindo ordens de aquipe. Se está mais rápido, então passa na pista que é mais bonito porra.

    Por isso que eu gosto de piloto que vai pra cima, que não tem medo de disputar freada e que se for preciso joga o carro em cima e passa na marra.

    Estou dora de piloto “cozinhador de galo”

    Curtir

    1. Opaaa
      Quem pediu para o Bottas não passar foi a Williams e ele respondeu que estava mais rápido, não foi ele quem pediu para o Massa abrir.
      Mas acredito que o Bottas foi anti ético, classificou se pior e deveria ter segurado as Mercedes para o Massa abrir, ficar ali naquele passa não passa, acabou com a corrida do time. Ficou ele sem carro e o brasileiro sem distancia segura.
      Silverstone é um circuito em que se o piloto quiser e tendo carro, pode brincar com quem estiver atrás a vontade que o cara não passa

      Curtir

  3. Julianne, acho que o erro de estratégia da Williams foi no começo da prova. Pra mim, ao ver que a chance de vitória era real, a equipe deveria ter dado preferência à um piloto. Sabendo que as ultrapassagens na pista quase não aconteciam e que parecia certo o undercut das Mercedes, caso o Bottas andasse de cara pro vento e o Massa segurasse o ritmo das flechas prateadas, já que o Felipe não conseguia aumentar a vantagem na ponta, a Williams ia conseguir passar pela primeira janela de pit-stops com a liderança assegurada, já que o ritmo do Bottas era suficiente pra construir uma vantagem e seria, até o momento da chuva, muito complicado ultrapassar na pista. Pra mim, a prioridade da Williams deveria ser posição de pista, não o desgaste dos pneus, principalmente com a possibilidade de chuva.

    Curtir

  4. Ju, o talento de Hamilton é indiscutível, e o tricampeonato virá para coroar sua equipe e seu talento, mas convenham0s que em todo GP da Inglaterra que me lembre, Mansell favorece o compatriota, ora, em se tratando de decisões, ainda nas primeiras voltas na disputa com Rosberg, o inglês mudou de trajetória mais de uma vez, portanto NO MINIMO teria que devolver a posição. Reitero, Hamilton não precisa de ajudas extrapista para derrotar Rosberg, mas a parcialidade de Mansell beira o amadorismo!

    Curtir

      1. Rosberg não ultrapassou Hamilton pois o inglês mudou de posição mais de uma vez, portanto, pelo regulamento atual, cometeu uma infração passível de punição…agora, se ultrapassasse Hamilton e levasse o troco, seria outra história, mas o erro do inglês foi absolvido pelo comissário amador Mansell, fato! Reitero, Hamilton é muito mais piloto que Rosberg, mas não precisa de ajuda extrapista para conquistar o iminente tricampeonato, ainda mais pelo talento e carro muito superior que possui…

        Curtir

      2. Wagner, eu vi o replay e o Hamilton se moveu para a direita uma vez para se defender do ataque e depois se moveu para esquerda, defendendo do ataque mas fazendo a tangência da curva. Não achei a manobra ilegal. Qual seria a visão da Julianne??

        Curtir

  5. Realmente Ju, tava na cara que a Mercedes anteciparia a parada e mesmo assim a Williams seguiu mais uma vez sem arriscar nas estratégias. Inexplicável esse conservadorismo, já que estão estabilizados em terceiro e precisam tira uma diferença grande para a Ferrari. Tiraram só 3 pontos em uma corrida que lideraram quase metade da prova.

    Quanto a questão das ordens de equipe, na minha visão, primeiro eles pediram para o Bottas não atacar, pois queriam que o Massa pudesse pilotar tranquilamente e tentar abrir, o que seria muito difícil, depois falaram que o Bottas poderia ultrapassar desde que a manobra fosse limpa e segura, o que era impossível pelo ritmo dos carros e por ser Silverstone. Ali não basta DRS, tem que arriscar na freada ou inventar outro ponto para manobra sempre correndo muitos riscos, então na verdade dizer que o Bottas poderia ultrapassar mas com segurança, foi o mesmo que dizer que não poderia.

    Na troca para pneus de chuva, ali tem que ser decisão do piloto mesmo. Kimi arriscou e a chuva não veio forte naquela hora. Se chovesse forte ele se daria bem. Hamilton foi no momento exato e Vettel/Ferrari reagiram rápido e copiaram o líder.

    Bottas pediu para trocar, se não me engano uma volta antes do Hamilton, mas ouviu do engenheiro que não era hora ainda, talvez fosse, mas depois que trocou perdeu completamente o ritmo, não sei se pelo set up do carro, pelo jogo de pneus ou qualquer outra explicação.

    E depois de tudo que aconteceu, terminou o pódio mais previsível da temporada. Méritos para Vettel que mostrou que sempre no final o braço fará a diferença

    Curtir

  6. Ju, durante a corrida fiquei com uma dúvida, quando o SC sai da pista, os pilotos não tem que passar pela linha de chegada antes de poder ocorrer as ultrapassagens??
    Monaco 2010 o Schumacher foi punido por passar o Alonso antes da linha de chegada.
    Mas ontem o Hamilton foi como louco pra cima do Massa antes da relargada, e o Bottas acabou passando por ele antes da linha tb .

    Curtir

  7. As ultrapassagens estão liberadas após a Safety Car Line, que fica geralmente uma ou duas curvas antes da reta. Hamilton não fez nada de errado, portanto. No caso do Schumacher, a manobra não valeu porque foi na última volta. É a única situação em que não se pode passar mesmo após a SC line.

    Curtir

    1. Achei que o Hamilton foi muito hábil em seguir o Massa antes da relargada. Ele não permitiu que o Massa fizesse aquele jogo de acelera/desacelera para abrir vantagem. Depois quem foi bem foi o Massa ao defender duro a posição. Foi uma bela (e curta) disputa.

      Curtir

  8. Por incrível que pareça, o que complicou a avaliação de estratégia da Williams foi exatamente o fato de ter tomado a ponta com os dois pilotos. Se for para ser 3º e 4º, mas à frente da Ferrari sem riscos, é ótimo. Quando assumiram a ponta, surgiu a hipótese de vencer a prova, coisa que eu acho que eles sequer imaginavam, e aí eles se enrolaram. O mesmo foi assim na Áustria em 2014. Nem parece a mesma equipe que ajudou Maldonado na estratégia para vencer Alonso na Espanha em 2012.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s