Corridas e análises

Decisões

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Silverstone fez por merecer: com uma grande festa no melhor estilo de festival de verão – que, desta vez, realmente deu as caras na Inglaterra nesta semana – e mais de 100 mil torcedores, o GP da Inglaterra reuniu ingredientes que resultaram muito provavelmente na melhor etapa da temporada até aqui. Um deslize das Mercedes, uma rival com ritmo à altura, lutas por posição por todo o pelotão e aquela chuvinha no final para dar um tempero especial – e coroar grandes decisões – deram outro colorido à terceira vitória de Lewis Hamilton em casa.

A largada ruim, que o inglês justificou como falta de aderência na primeira fila – ou seja, sem relacionar com as reclamações das configurações de embreagem da última prova – deu a oportunidade para Massa e Bottas pularem na ponta. E mudou o cenário da prova.

Se por um lado o ritmo da Williams frente à Mercedes surpreendeu, por outro a velha tática enferrujada voltou a aparecer. Sempre é difícil manter a posição de pista quando se luta com rivais que têm ritmo melhor. Confesso que, quando chegou lá pela volta 18 e Hamilton tinha 1s2 de desvantagem para o líder Massa, pensei ‘não queria ser estrategista da Williams neste momento’. Era difícil, mas eles tinham que pelo menos dividir as estratégias. Estava na cara que a Mercedes anteciparia a parada de Hamilton, ainda mais com a ameaça de chuva para o final da prova (o que significava que ele não teria de fazer tantas voltas assim com os pneus duros e podia arriscar parar bem mais cedo do que o ideal). Ao esperar os alemães tomarem a iniciativa, seria praticamente impossível que eles não perdessem ambas as posições.

Mas a equipe tinha seus próprios problemas para gerir. A linguagem corporal de Bottas após a corrida entregava seu desncontentamento. O finlandês acha que seu ritmo na volta que fez com pista limpa quando Massa parou era a prova de que ele deveria ter sido liberado para lutar com o companheiro. Do outro lado do box, Massa lembra que seu ritmo com o pneu duro era melhor (algo que se confirmou na segunda parte da prova). De qualquer forma, o importante para ambos é observar o grande desempenho do carro tanto em classificação, quanto em ritmo de corrida.

Bottas salientou que Silverstone é uma pista boa para a Mercedes de qualquer maneira, abaixando as expectativas, enquanto Massa acredita que, se na Hungria o ritmo também for bom, a esperança é de uma segunda metade de temporada bastante competitiva. O discurso dos dois se encaixa com o que expliquei aqui.

Se houve quem deixou a desejar, algumas grandes decisões foram tomadas pelos pilotos em Silverstone. Falei com um piloto, Felipe Nasr, e um engenheiro, Rob Smedley, após a prova e ambos explicaram a tomada de decisões em situação de chuva de forma semelhante: o piloto tem uma influência bem maior, reportando as condições para o pitwall que usa isto junto das informações que tem à disposição (como os tempos dos rivais em cada setor, por exemplo). E ninguém foi mais perfeito que as duplas Hamilton/Mercedes e Vettel/Ferrari. Curiosamente, nem o inglês, nem o time italiano têm um histórico positivo nessas situações.

Massa, por sua vez, contou que pediu para parar duas voltas antes. “Mas assumo o erro junto com a equipe, até porque se eu quisesse parar, era só ir pro box.” E Smedley revelou que a Williams se arrependeu da decisão em cima da hora. “Ficou claro que estava chovendo forte assim que os dois passaram a entrada do box”, revelou. Um detalhe que uma prova decidida em decisões tomadas em um estalar de dedos não costuma perdoar.

20 comentários em “Decisões”

  1. Não entendo porque a Willians não divide a estratégia de seus pilotos. Tudo bem que não sabiam quando o Hamilton ia parar, mas não arriscaram parar antes e o undercut era certo. Mas na segunda parada estavam atrás e um dos pilotos poderia parar. Teriam garantido um segundo lugar. E o Vettel que estava muito atrás, voltou ao pódium.
    Ju, a Willians melhorou muito ou a Ferrari andou para trás?

    1. A Mercedes cozinhou a Williams em banho-maria. Sabia que ultrapassaria independente de quem parasse primeiro. Se Massa ou Bottas parasse primeiro, Hamilton não teria tanta dificuldade, pois usaria DRS para passar como quisesse. Não o fez antes porque havia dois carros colados à sua frente, não havendo espaço suficiente para uma manobra tranquila, além de que, um deles estar usando o DRS também, tornava outro fator de dificuldade para o inglês.

      Outro detalhe: poucas voltas antes da parada de Hamilton houve uma tentativa de enganar a Williams levando os seus mecânicos a encenar um falso pit-stop. Isso talvez tenha servido para enganar a Williams ao fazerem a parada verdadeira.

      Mas o mais importante mesmo foi a manobra arriscada do Hamilton ao voltar a pista após o 1º pit. Se ficasse atrás do carro da Force Índia, provavelmente não conseguisse voltar na liderança.

  2. Na moral estou de saco cheio dessa geraçao criada a todynho e leite de cabra, toda corrida é mesma coisa, sempre tem um piloto “putinho da vida” por que o companheiro não deixou psssar.

    Ridículo hoje o Bottas pedindo ordens de aquipe. Se está mais rápido, então passa na pista que é mais bonito porra.

    Por isso que eu gosto de piloto que vai pra cima, que não tem medo de disputar freada e que se for preciso joga o carro em cima e passa na marra.

    Estou dora de piloto “cozinhador de galo”

    1. Opaaa
      Quem pediu para o Bottas não passar foi a Williams e ele respondeu que estava mais rápido, não foi ele quem pediu para o Massa abrir.
      Mas acredito que o Bottas foi anti ético, classificou se pior e deveria ter segurado as Mercedes para o Massa abrir, ficar ali naquele passa não passa, acabou com a corrida do time. Ficou ele sem carro e o brasileiro sem distancia segura.
      Silverstone é um circuito em que se o piloto quiser e tendo carro, pode brincar com quem estiver atrás a vontade que o cara não passa

  3. Julianne, acho que o erro de estratégia da Williams foi no começo da prova. Pra mim, ao ver que a chance de vitória era real, a equipe deveria ter dado preferência à um piloto. Sabendo que as ultrapassagens na pista quase não aconteciam e que parecia certo o undercut das Mercedes, caso o Bottas andasse de cara pro vento e o Massa segurasse o ritmo das flechas prateadas, já que o Felipe não conseguia aumentar a vantagem na ponta, a Williams ia conseguir passar pela primeira janela de pit-stops com a liderança assegurada, já que o ritmo do Bottas era suficiente pra construir uma vantagem e seria, até o momento da chuva, muito complicado ultrapassar na pista. Pra mim, a prioridade da Williams deveria ser posição de pista, não o desgaste dos pneus, principalmente com a possibilidade de chuva.

  4. Ju, o talento de Hamilton é indiscutível, e o tricampeonato virá para coroar sua equipe e seu talento, mas convenham0s que em todo GP da Inglaterra que me lembre, Mansell favorece o compatriota, ora, em se tratando de decisões, ainda nas primeiras voltas na disputa com Rosberg, o inglês mudou de trajetória mais de uma vez, portanto NO MINIMO teria que devolver a posição. Reitero, Hamilton não precisa de ajudas extrapista para derrotar Rosberg, mas a parcialidade de Mansell beira o amadorismo!

      1. Rosberg não ultrapassou Hamilton pois o inglês mudou de posição mais de uma vez, portanto, pelo regulamento atual, cometeu uma infração passível de punição…agora, se ultrapassasse Hamilton e levasse o troco, seria outra história, mas o erro do inglês foi absolvido pelo comissário amador Mansell, fato! Reitero, Hamilton é muito mais piloto que Rosberg, mas não precisa de ajuda extrapista para conquistar o iminente tricampeonato, ainda mais pelo talento e carro muito superior que possui…

      2. Wagner, eu vi o replay e o Hamilton se moveu para a direita uma vez para se defender do ataque e depois se moveu para esquerda, defendendo do ataque mas fazendo a tangência da curva. Não achei a manobra ilegal. Qual seria a visão da Julianne??

  5. ….”ainda mais pelo talento e carro muito superior que possui…” o que torna a disputa contra apenas um adiversário do grid.

  6. Realmente Ju, tava na cara que a Mercedes anteciparia a parada e mesmo assim a Williams seguiu mais uma vez sem arriscar nas estratégias. Inexplicável esse conservadorismo, já que estão estabilizados em terceiro e precisam tira uma diferença grande para a Ferrari. Tiraram só 3 pontos em uma corrida que lideraram quase metade da prova.

    Quanto a questão das ordens de equipe, na minha visão, primeiro eles pediram para o Bottas não atacar, pois queriam que o Massa pudesse pilotar tranquilamente e tentar abrir, o que seria muito difícil, depois falaram que o Bottas poderia ultrapassar desde que a manobra fosse limpa e segura, o que era impossível pelo ritmo dos carros e por ser Silverstone. Ali não basta DRS, tem que arriscar na freada ou inventar outro ponto para manobra sempre correndo muitos riscos, então na verdade dizer que o Bottas poderia ultrapassar mas com segurança, foi o mesmo que dizer que não poderia.

    Na troca para pneus de chuva, ali tem que ser decisão do piloto mesmo. Kimi arriscou e a chuva não veio forte naquela hora. Se chovesse forte ele se daria bem. Hamilton foi no momento exato e Vettel/Ferrari reagiram rápido e copiaram o líder.

    Bottas pediu para trocar, se não me engano uma volta antes do Hamilton, mas ouviu do engenheiro que não era hora ainda, talvez fosse, mas depois que trocou perdeu completamente o ritmo, não sei se pelo set up do carro, pelo jogo de pneus ou qualquer outra explicação.

    E depois de tudo que aconteceu, terminou o pódio mais previsível da temporada. Méritos para Vettel que mostrou que sempre no final o braço fará a diferença

  7. Ju, durante a corrida fiquei com uma dúvida, quando o SC sai da pista, os pilotos não tem que passar pela linha de chegada antes de poder ocorrer as ultrapassagens??
    Monaco 2010 o Schumacher foi punido por passar o Alonso antes da linha de chegada.
    Mas ontem o Hamilton foi como louco pra cima do Massa antes da relargada, e o Bottas acabou passando por ele antes da linha tb .

  8. As ultrapassagens estão liberadas após a Safety Car Line, que fica geralmente uma ou duas curvas antes da reta. Hamilton não fez nada de errado, portanto. No caso do Schumacher, a manobra não valeu porque foi na última volta. É a única situação em que não se pode passar mesmo após a SC line.

    1. Achei que o Hamilton foi muito hábil em seguir o Massa antes da relargada. Ele não permitiu que o Massa fizesse aquele jogo de acelera/desacelera para abrir vantagem. Depois quem foi bem foi o Massa ao defender duro a posição. Foi uma bela (e curta) disputa.

  9. Por incrível que pareça, o que complicou a avaliação de estratégia da Williams foi exatamente o fato de ter tomado a ponta com os dois pilotos. Se for para ser 3º e 4º, mas à frente da Ferrari sem riscos, é ótimo. Quando assumiram a ponta, surgiu a hipótese de vencer a prova, coisa que eu acho que eles sequer imaginavam, e aí eles se enrolaram. O mesmo foi assim na Áustria em 2014. Nem parece a mesma equipe que ajudou Maldonado na estratégia para vencer Alonso na Espanha em 2012.

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