Suspensão FREAK

Lewis_Hamilton-Mercedes_2015

Uma diferença que chega a ser de dois décimos em ritmo de corrida (variando bastante, é verdade, e podendo alcançar os 0s8), mas que é de mais de 0s6 em média em classificação. O GP da Inglaterra mostrou como a Mercedes não é tão imbatível assim quando não passa na primeira volta na frente, reflexo, claro, da dificuldade de ultrapassagem, mas que também mostra que, em termos de velocidade em si, eles não estão em outro mundo.

Mas os sábados contam outra história. Se alguém conseguisse roubar uma pole ou, melhor ainda, uma primeira fila, talvez tivéssemos batalhas efetivas pela vitória. Contudo, a cada classificação parece que Hamilton e Rosberg entram em um foguete e se distanciam da concorrência. Como será que eles conseguem?

Primeiramente, há a questão do motor. É normal vermos as equipes que usam os Mercedes crescerem já no último treino livre do sábado de manhã. A grande suposição é que seu sistema de recuperação de energia funcione melhor que os concorrentes, possibilitando uma descarga mais eficiente de energia. E isso seria utilizado em uma configuração de motor específica para a classificação. Até porque, em termos de potência em si, principalmente na velocidade final, a Ferrari já chegou.

O crescimento da equipe Mercedes entre o ritmo de corrida e de classificação, porém, é o que dá o grande salto. E as rivais estão de olho em seus dados para entender o porquê. Em entrevista ao Auto Motor und Sport, Andrew Green, da Force India, apontou que o grande ganho do W06 é em curvas de baixa velocidade – e especialmente quando elas estão no final da volta.

É nesse momento que os rivais já estão patinando devido ao superaquecimento dos pneus em uma volta rápida, lembrando que a pequena janela de temperatura para o melhor funcionamento dos pneus deste ano vem dando dor de cabeça aos engenheiros.

Então como a Mercedes consegue ser rápida, o que gera naturalmente maior atrito, e ao mesmo tempo não superaquecer seus pneus em classificação? A solução estaria no bom funcionamento das suspensões, que controlam o deslocamento lateral do carro, evitando que ele escorregue nas curvas. Isso garante, claro, a estabilidade necessária para reacelerar antes dos demais, um ganho no próprio contorno da curva e um maior controle na temperatura da borracha.

A maneira como eles conseguem isso não foi compreendida pelos engenheiros da Force India. Tal efeito seria obtido por uma espécie de evolução do FRIC, sistema que interligava as suspensões dianteira e traseira e que foi proibido em meados de 2014. Pioneira em sua utilização, a Mercedes teria usado o conceito de uma maneira diferente, mas tendo resultado similar: manter uma altura semelhante em relação ao solo nas freadas, curvas e aceleração, dando não apenas estabilidade, como também uma plataforma aerodinâmica mais uniforme durante toda a volta.

19 comentários sobre “Suspensão FREAK

  1. Maravilhosa a maneira como você disseca didaticamente as notícias e os fatos, Julianne. E mais uma vez fica evidente que não é apenas e tão somente a PU que faz a diferença na Mercedes. Estão em um fantástico ciclo virtuoso.

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  2. Oi Ju, eu colocaria nessa equação ainda, um outro fator que não vi ninguém aborda-lo, o combustível ou, a sua quantidade no tanque dos carros, sim, pois todo mundo fala que o limite é de de 100 kg, mas ninguém diz que seja obrigatório enche-los ate esse limite, diante disso se a equipe possui um motor eficiente e pilotos que consigam economiza-lo, podem ter uma grande vantagem no inicio da corrida e da metade em diante se preocupar em economizar. Digo isso especialmente pelo comportamento da Williams, invariavelmente seus carros caem de rendimento durante a corrida em relação aos outros, mesmo sendo um dos carros mais econômicos, como mostram os gráficos da tv, isso esta me intrigando desde o ano passado. Ou eles gostam de andar com peso extra e levar combustível de volta para os boxes no fim da corrida, economizando uns trocados para a próxima, ou começam a corrida com o combustível bem abaixo do limite (e bem rápidos, pois estão mais leves) e os pilotos que se virem para terminar a corrida. O que vc acha?

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    1. É um fator sim. Arrisco dizer que ninguém larga com 100kg, até porque os circuitos em que se gasta mais, como Austrália e Canadá, costumam ter SC e os engenheiros apostam tendo isso em mente. E é claro que o motor com a parte elétrica mais eficiente precisa de menos combustível.

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    1. Pode ser interpretado dessa forma, como o próprio FRIC original. É mais um exemplo de como não dá para voltar atrás no conhecimento que os engenheiros têm: mesmo que se proíba algo, como a suspensão ativa, por exemplo, o conceito já é conhecido e eles vão encontrar uma maneira de reproduzi-lo legalmente.

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  3. Valeu Ju por mais um post com abordagem didática. Como estou preguiçoso para buscar informações técnicas nas boas fontes, como essa alemã que vc citou, tiro minhas dúvidas por aqui mesmo no teu blog.

    De fato, entre as 28 corridas das temporadas 14/15, até o momento só o Massa conseguiu roubar uma pole das Mercedes, mas naquela pista, mesmo com sua grande velocidade em reta, as Williams não foram adversárias para as Mercedes.

    Em algumas pistas a história poderia ser outra. Eu desconfiei de um “motor de classificação”, vamos dizer assim para simplificar, por parte da equipe alemã, mas vc já esclareceu isso lá em outro post. Fiquei com aquilo que o Massa disse ano passado que os motores da equipe de fábrica e das clientes não eram o mesmo, mas depois veio a tona todos os detalhes da disposição do turbocharger separando a turbina e o compressor, algo que as rivais não pensaram fazer.

    Agora com o “liberou geral” da FIA em relação a motores, realmente ficou evidente o excelente carro que a equipe, liderada pelo “dispensado” Aldo Costa, produziu.

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  4. Oi, Ju,

    Não é por acaso que sou um grande e assíduo seguidor seu. Quando digo que você encabeça ao lado de mais dois jornalistas a minha lista de profissionais favoritos (lembra?), é porque vocês
    fazem a diferença.

    Como neste brilhante post!

    Eu sempre pensei comigo mesmo, que um dos grandes segredos do W06, assim como do W05 da Mercedes está/ estava nas suspensões.

    Por mais que a Unidade de Potência seja melhor que Ferrari, Renault e Honda, a Williams também desfruta da mesma; por mais que o chassi seja eficiente, o da Williams no passado também era bom, principalmente no final do campeonato. Então, tinha/ tem algo que está fazendo a diferença nos carros de Hamilton e Rosberg, as suspensões.

    Só não dava para entender como, ou onde está o segredo, e que você acaba de dar uma clareada nesta excelente matéria, Ju.

    Parabéns!

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  5. Eu acho q é um sistema q controla a intencidade das freadas sobre as rodas …coisa tipo assim destribuindo o peso e rebaixando mas o carro nas freadas….o carro prega no chão nas freadas….se é legal ou naum o tempo dirá, mas o segredo é bem quardado…ate os outros descobrirem rsrsrs

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  6. Ficou legal mesmo o novo lol do site. E a foto combinou com este look. A primeira olhada parece branco e preto, mas alguns detalhes verdes do carro e amarelo e vermelho das zebras dão cores a foto. Será que foi escolhida para combinar com o look?
    Pelo jeito o carro da Mercedes é praticamente perfeito, motor, aerodinâmica, suspensão. Vão dominar a F1 por um bom tempo ainda.

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  7. Ju, corroborando com as competentes palavras do nosso amigo Aucam, vc é Top! Sei que é uma profissional dedicada e estudiosa do assunto, portanto encare nossos elogios sinceros como palmas para seu trabalho exemplar e elucidativo. Plagiando as palavras artísticas de nosso outro amigo, Dé Palmeira, …”a F-1 imita a vida”…talvez seja esse um dos motivos pelos quais esse esporte tanto nos fascina, afinal nas dificuldades o ser humano desdobra-se para progredir, em todas as áreas, mesmo que flertando com a ilegalidade, e a F-1 nunca foi diferente, e é espetacular como esses engenheiros conseguem multiplicar suas idéias. Fala-se em Aldo Costa, mas sabendo da capacidade de Paddy Lowe, inclusive tendo participado dos projetos de suspensão ativa da Willians, talvez esse seja um dos grandes nomes desse projeto mercêdico. Ju, vc nos surpreende a cada momento, e esse fundo negro me fez viajar no espaço, a la Star Wars, rsrsrsrs, realmente suas palavras são uma luz no labirinto chamado F-1😉, rsrsrsrs, vida longa a senhorita Julliane “Rosa” Cerasoli, kkkkk

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  8. Faltou um adendo. Antes de conhecer as publicações da Ju, tinha uma visão distorcida e ufanista da F-1, mas após várias leituras elucidativas, hj vejo uma categoria mais completa e ainda mais fascinante! Hehe, daí vieram as siglas : AAJC e ADJC kkkkkk, ou seja: automobilismo antes e depois de Julianne Cerasoli, rsrsrsrs. Continue nos presenteando com sua arte Ju😉

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  9. Não gosto de fazer comentários “off topic”, mas nesse caso acho necessário.
    Julianne, não sei se é um problema relacionado ao browser (uso o Opera e o mesmo problema ocorreu no IE9), mas seu blog demora a carregar no meu computador. A barra superior (azul), que informa o status do carregamento da página, tem uma diminuição da velocidade de carregamento quando chega perto do fim (começa rápido, mas quando chega perto do fim, diminui gradualmente). Sem contar que mesmo chegando ao fim, a página não carrega! Tenho de atualizar a página, aí novamente a barra de carregamento superior tem o comportamento que mencionei, e quando chega ao fim demora um bom tempo para aparecer algo na tela. Estranho né?
    Outros problemas são relacionados ao abrir várias notícias ao mesmo tempo: cada aba só carrega quando é visualizada. Para evitar isso, só esperando a aba atual carregar até o fim (e não aparecer qualquer informação), para aí poder alternar para outra aba (que também terá o mesmo comportamento).
    Gosto muito do seu blog, um dos poucos com texto de qualidade sobre F1 no Brasil! Soma-se a isso seu respeito pelos comentadores do site, sempre bem tratados! Mas esses problemas atrapalham bastante. Tanto que tenho acessado pouco.
    Esse é um problema específico ou está acontecendo com todo mundo.

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