Bola de segurança – na hora errada

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Quando o engenheiro informa que, em seu último stint, Lewis Hamilton vai colocar os pneus médios, a reação de Nico Rosberg é: “Então eu também vou”. Tudo bem que, naquele momento, as Ferrari estavam longe e tinham demonstrado um ritmo melhor com ambos os compostos, e Raikkonen sequer esboçava qualquer problema com seu motor. Mas foi uma decisão que custou caro ao vice-líder do campeonato.

Enquanto Rosberg argumantava com a equipe que queria permanecer com os pneus médios, o próprio Hamilton vinha escalando o pelotão e sendo quase 1s por volta mais rápido que o companheiro, indicando que, com as temperaturas mais baixas do que na sexta-feira e com a chuva que caiu no sábado à noite, a degradação não era um problema tão grande como nos treinos livres.

Colocar os pneus macios, então, e tentar algo diferente em relação ao segundo stint e a seus rivais diretos, uma vez que as Ferrari também tinham de usar os médios, com os quais tiveram dificuldades por todo o final de semana, seria uma aposta de quem quer ganhar a corrida e o campeonato. Em uma rara oportunidade em que a Mercedes permitiu uma estratégia diferente entre seus pilotos, Rosberg escolheu o caminho mais seguro.

Diz o time que havia convencido o alemão a colocar os macios caso aguentasse mais voltas na pista. Por isso, quando foi chamado às pressas um giro antes devido ao Safety Car, ainda eram os médios que estavam preparados e não havia tempo de trocá-los. No entanto, como os tempos de volta são controlados, não seria necessário chamá-lo naquele momento pois, esperando a volta seguinte, a posição de pista ainda estaria garantida.

Em última análise, foi uma decisão que pode ter lhe custado a vitória, uma vez que Daniel Ricciardo demonstrou toda a vantagem de estar com os pneus macios nas voltas finais em detrimento de quem usava os médios. Com a opção mais rápida, ao invés de se defender em relação à Red Bull, Rosberg poderia atacar Vettel. Em última análise, Rosberg agiu com o mesmo tipo de pensamento que vem marcando as estratégias da Williams, ainda que, na Hungria, tenha faltado ritmo (em que pese a clara evolução em relação ao desastre de Mônaco, apontando para uma evolução do carro).

O ritmo da Ferrari

Sebastian Vettel teve um de seus dias prediletos: pôde controlar uma corrida da ponta desde o início. Ditou, o ritmo ao mesmo tempo em que cuidou de seus pneus e foi absoluto. Mas de onde veio toda essa velocidade da Ferrari?

Antes do GP da Hungria, já era esperado um desempenho melhor em relação às últimas provas, observando o que aconteceu no GP de Mônaco. Mas o time vinha citando pequenos problemas durante o final de semana, que não permitiam tirar tudo do carro nos treinos. Aparentemente, tudo foi resolvido para a corrida.

Mas apenas o bom desempenho dos carros vermelhos em um circuito ímpar no campeonato não explica a diferença que beirou os 0s5 por volta no primeiro stint: Vettel, naquele momento, corrida contra Rosberg, que sofreu desde os treinos livres com problemas de acerto, reconhecidos pela própria Mercedes.

A história, portanto, poderia ter sido diferente caso fosse Hamilton quem estivesse em terceiro. Na volta 9, o inglês já havia perdido 25s em relação a Vettel e só perdeu mais oito nos 28 giros seguintes, mesmo escalando o pelotão, antes do Safety Car. Não há dúvidas de que o inglês era a Mercedes mais forte na Hungria. Se ele seria forte o suficiente para atacar Vettel, ainda mais com Raikkonen servindo de escudeiro, é um dos ‘se’ deixados pela prova em Hungaroring.

17 comentários sobre “Bola de segurança – na hora errada

  1. Já dizia Franklin Roosevelt que “é melhor lançar-se à luta em busca do triunfo mesmo expondo-se à derrota do que formar fila com os pobres de espírito que não gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta dos que não conhecem vitória nem derrota”, ou seja, “quem não arrisca não petisca”!
    Ao invés de uma vitória, Nico terminou em um crepuscular oitavo lugar. “É melhor um pássaro nas mãos do que dois voando”, mas Rosberg se esqueceu que o pássaro que tinha nas mãos era “selvagem”, Julianne, rsrsrs. . .
    Brincadeiras à parte, Hamilton (em Mônaco) e Rosberg (na Hungria), cada um à sua maneira e em circunstâncias diversas, este ano já cometeram colossais erros de avaliação nessa questão de troca de pneus, curiosamente ambas as vezes em pistas lentas. Devem ficar de olho em Cingapura, rsrsrs. . .
    E essa questão da embreagem? A Mercedes tem que ver isso aí! Principalmente com as restrições para Spa.

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  2. Concordo plenamente com o post e com o comentário do aucam. Se o Rosberg, com esse carro fantástico não ousar, vai colecionar vice-campeonatos enquanto correr ao lado do Hamilton.

    Permitindo-me um exercício de “se” e realidades alternativas, eu acho que se ele tivesse companheiros de equipes bons (Webber, Massa, Button, etc) mas não excepcionais (Hamilton, Alonso, Vettel) ele até poderia ser campeão com esse estilo pragmático.

    Para bater o Hamilton ele tem que ir além do óbvio, ou vai sempre depender de um carro super acertado e um final de semana perfeito, como ele teve na Espanha e na Austria ou de erros do outro lado da garagem, como ele teve em Mônaco.

    Na média vai ficar sempre atrás do Hamilton se não arriscar mais e se bobear, perde o vice para o Vettel.

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    1. Só Lembrando que o o único piloto que terminou um campeonato a frente de Hamilton foi o excepcional piloto Button, e Felipe ficou a 1 ponto dele em 2008 perdendo o campeonato na quebra de motor na prova em Hungaroring quando liderava a pouca voltas do fim.

      Portanto acredito que os Pilotos de F1 estão praticamento todos no mesmo nível, o que difere são momentos que cada um tem e seus carros.

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      1. Sim, cada um tem sua opinião e há de se respeitar. A minha, que não é verdade absoluta de nada, é só de um palpiteiro de sofá, é que Hamilton, Vettel e Alonso tem algo mais do que Webber e Massa que são muito bons e quase foram campeões e também Button que foi campeão.

        Não acho por exemplo que Maldonado e Vettel estão praticamente no mesmo nível.

        Abs

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      2. Bom, tem um detalhe ai. Concordo que os pilotos estão em níveis próximos, e não no mesmo nível. O campeonato de 2008, Hamilton tinha uma mclarem abaixo da ferrari, e que tirava essa diferença no braço, e a ferrari ajudava isso porque ele tinha a equipe toda enquanto a ferrari se dividia entre massa e raikkonem, porém, naquele ano Hamilton não ganhou o campeonato porque o massa quebrou na hungria, ou pelo menos não é só por isso. Massa estava 13 segundos na frente do 2° colocado no gp de mônaco (aquele que choveu), e errou sozinho no fim da reta dos boxes. O massa estava em 7° no gp do canadá quando houve o safety car, hamilton bateu em raikkonem nos boxes, os 2 sairam da corrida e o massa conseguiu chegar em sétimo e somar só 2 pontos em uma corrida onde o melhor carro na pista por 2/3 da prova era o dele. Massa não pontuou em silverstone enquanto Hamilton colocou 1 minuto de diferença em nick Heidfeld 2° colocado da prova. No gp da turquia, a ferrari errou na estratégia e o raikkonem perdeu o 2° lugar para hamilton. No gp da alemanha, a mclarem errou na estratégia, e o hamilton partiu de sexto para a vitória no circuito alemão. São várias as vezes que, mesmo tendo a vantagem, o hamilton conseguiu dar a volta por cima. Não digo que tudo isso foi culpa e incompetência do massa, gosto muito dele, porém, como disseram em um post acima, existem pilotos bons, pilotos excepcionais, e Pastor Maldonado e Sérgio Perez. Acredito que Rosberg não vai ter caixa pra tentar dar uma pressão em Hamilton se continuar assim. Nessa corrida, Hamilton escalou o pelotão em uma pista que é difícil de ultrapassar, e a única coisa que Rosberg tinha de fazer era executar uma manobra de X perfeita, e mesmo assim deixou a roda pra o Riccardo, e depois ainda disse que a curva era dele. Acho que ele está enxergando algumas coisas erradas por ai …

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  3. A Mercedes é muio superior a Ferrari, portanto é quase uma obrigação Rosberg terminar a frente de Vettel, pois na maioria esmagadora dos vezes Hamilton deixa os italianos para trás. Tudo pode acontecer em corrida de automóvel, mas penso que pela habilidade natural o inglês já é tricampeão, merecidamente!!!

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  4. Tudo é se se se …se kimi num quebra seria um escudeiro de vettel e rosberg e ricardo ficariam presos atras pq a ferrari tinha ritmo e dificilmente seria ultrapassada….e ricardo chegou e rosberg com uma mercedes dessa num se defende de forma correta e ainda tem o azar de furar o pneu, rosberg so leva esse se hamilton tiver quebras tipo umas 3 e nada de quebra no carro 6 se naum ja foi.

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  5. Olá Juliane, parabéns pelo blog. Acompanho muito tempo, mas nunca comentei… começo agora!!!
    Olá galera que acompanha!!! leitores como Alex e Aucam, e outros que por aqui passam… será um prazer dividir minha opiniões com vcs.

    O Rosberg tem que se cuidar… se bobear a Ferrari volta mais próxima ainda da Mercedes após estas ferias… ai amigo já era pq o Hamilton é mais piloto, esta a frente nos pontos e com toda a certeza tem mais condições de lutar com Vettel, ou seja, ele vai sobrar. Atitudes como esta são piores que o próprio resultado, pois fica faltando ambição, e isso na F1 é o fim. E é bom Hamilton se cuidar Também, só a velocidade não basta as vezes e o Vettel se tiver carro não vende fácil.

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    1. Rodrigo CRA seja bem-vindo aos comentários deste excepcional Blog, onde todos sempre recebemos uma atenção especial da Julianne e nos sentimos em casa.

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    1. Este éh o objetivo daqueles velhinhos-matreiros da FIA! Imagine faltando 05 GPs pro termino da temporada o Hamilton já estiver matematicamente levado-o-caneco-pra-casa… o velho-Bernie tem um troço! E convenhamos: Apesar de eu ser fã do Hamilton, pra nós que gostamos da F1 (com disputa) não seria nada-interessante este senário. Más francamente, eu acho muito difícil alguém desbancar a Mercedes & Hamilton neste campeonato! Acredito que em 2016 se a Scuderia continuar nesta mesma-pegada, a Mercedes terá um adversário a altura.

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  6. Acho que a Mercedes e o Nico não esperavam que o safety car entrasse. Mas como disse a Ju, poderiam esperar mais uma volta. O Rosberg precisa ser mais ousado, tanto na pista como nas estratégias. Ele parece que não consegue tomar decisões e fica preso a equipe. Também achei que ele não teve confiança em atacar o Vettel. O alemão da Ferrari não iria vender a vitória barato, e não tinha nada a perder, e o Nico se contentou em estar a frente do Hamilton. Acabou pagando caro a falta de ousadia. Particularmente, acho que o Nico não conseguiria passar o Vettel.

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    1. Também acho que não passaria, Vettel estava bem demais na corrida. Mas eu achei estranho o ritmo do Hamilton logo após a saída do carro de segurança… deu a impressão que estava com os pneus frios e desgastados…. perder terreno não só para Ricardo, mas quem vinha atras também…

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  7. A Mercedes precisa estudar o que tem de errado na embreagem ou no sistema eletrônico do carro. Não estou muito preocupado com esse detalhe, porque a próxima é Spa e lá dá pra ultrapassar e, sabemos que Lewis vai do lado do adversário no ‘descidão’ da Eau Rouge ou no fim da reta. O cara é abusado. Fiquei sabendo que tá ficando com a Rihanna…

    Em Spa, já estou prevendo uma corrida emocionante, pois temos Mercedes, Ferrari e Williams que são ótimos de retas.

    Me chama atenção o fato do Nico, em algumas provas, muitas vezes, não conseguir chegar nem perto de Lewis. Tem acesso a telemetria do cara, sabe onde ele freia e acelera, tem como comparar com a sua tocada, tem simulador, tem inúmeros vídeos, pode até em último caso, acompanhar Lewis em uma volta lançada pra perceber na real, onde está a diferença, e não consegue?

    Aí, nessa situação, é que prevalece o talento natural. O carro, ele não tem limite, sempre cabe 1 ou 2 pelézimos de segundos. Não tem como dizer que o nível dos pilotos é o mesmo. E o Nico é ruim então? É roda presa? É braço duro? É nada! É um baita piloto, rapidíssimo.

    Ele é um Prost da vida. Só que Lewis é o Senna. Já viu a cara de cocô dele no pódio quando chega em segundo? Muitos não gostam, mas é mais uma característica que se assemelha ao brasileiro.

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