Análises de meio de ano: os ‘falidos’

Sem bandeira azul
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Parece que foi em outra era, mas lembro claramente da tensão no paddock do GP do Brasil horas antes da largada, quando os dirigentes de Sauber, Force India e Lotus se reuniam na frente de todos e dando a impressão de que um ultimato em relação à distribuição do dinheiro estava por vir. Será que algum deles não conseguiria chegar à temporada seguinte?

Quase nove meses depois, estão todos no barco, mas não se pode dizer que estão firme e fortes. As três equipes, juntamente da Manor que, naquele momento em novembro do ano passado, estava oficialmente falida, vêm mostrando claros sinais de que o momento político-econômico da F-1 ainda é frágil.

Em 2014, a Sauber era a que estava em situação pior. O dinheiro dos pilotos foi bem-vindo e a equipe, acostumada a estar entre as mais eficientes do paddock, até porque só sobrou dinheiro nos tempos de BMW, montou uma estrutura mínima e está saindo com um belo lucro: são 22 pontos após a metade do campeonato, uma façanha para quem sequer pontuou ano passado – e para quem não tem nenhum update, nem de motor, desde a Austrália.

Porém, o time caminha para a mesma nona colocação, ou seja, apesar da maior exposição e de ter assegurado a continuidade dos pilotos bem cedo, a diferença no bolso deve ser pequena. A McLaren está a cinco pontos e deve evoluir continuamente ao longo do ano, enquanto o time de Nasr e Ericsson joga todas as suas fichas no que deve ser o único update, que vem em duas doses, na Bélgica e em Cingapura.

Aproveitando-se da solidez conquistada nos testes, a Sauber começou o ano liderando o pelotão intermediário, mas foi ficando para trás à medida que os demais desenvolviam seus carros. Curiosamente, contudo, levou 7 etapas para que isso acontecesse, no que é um retrato perfeito do que é o meio do pelotão hoje.

A Lotus deveria ter começado bem melhor pelo salto que deu muito em função da mudança da Renault para a Mercedes, mas os resultados não vieram – e não foi por acaso: Maldonado e Grosjean somam nove abandonos, sendo quatro por acidente. E o prognóstico não é bom: como especula-se que equipe busca compradores, é de se esperar menos investimento no restante da temporada. A situação do time de Enstone me lembrou a vivida pela mesma equipe em 2009, quando a Renault queria abandonar o negócio e Fernando Alonso costumava dizer que o único update que tinha em seu carro era uma polida entre um GP e outro. Seis anos depois, a história é a mesma.

Isso dá a chance da Force India ocupar o quinto lugar que vinha sendo cativo da McLaren, algo que parecia improvável no início da temporada. Com problemas para pagar fornecedores e o projeto todo atrasado, podemos dizer que a FI estreou de verdade apenas em Silverstone. Porém, mesmo com o carro de 2015 chegando de verdade quase na metade do ano, os 31 pontos conquistados até ali já colocavam o time como o melhor do bloco intermediário, algo ajudado pela confiabilidade (foram apenas três abandonos) e performances sólidas especialmente de Hulkenberg.

Se conseguiram tanto com um carro defasado, é de se esperar que a Force India siga na frente nesta briga, enquanto a grande esperança da Sauber é que a Lotus fique realmente apenas nas ‘polidas’ – e a McLaren, claro, continuem quebrando.

3 comentários sobre “Análises de meio de ano: os ‘falidos’

  1. Pelo andar da carruagem, o risco de um grid bem menor em 2016 ainda persiste. Pena ver que o grid intermediário não oferece qualquer ameaça para o pelotão de elite.

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  2. A sorte do Nasr parece ser o de a Sauber não ter que pagar nas cortes em 2016 por ter contratos com setecentos pilotos para 2 vagas. Se o motor Ferrari continuar na mesma ascensão e tendo mais dinheiro em caixa pode ser um ano para mostrar serviço. Claro lembrando que a Haas vai usar o mesmo motor, mas estará no primeiro ano. Some se a isso a possível compra da Lotus pela Renault, que a deixará num ano sem atualizações da Mercedes, a possível saída dos franceses da Red Bull e Toro Rosso que deixaria esses times mal das pernas em 2016 até encontrarem novos fornecedores.
    2016 é o ano para a Sauber e Nasr tirarem proveito.

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  3. Isso que Sauber melhorou bastante em relação ao ano passado. Não só o motor Ferrari, como o carro também. Isso mostra que tem que ter grana para fazer um bom carro e para continuar desenvolvendo.
    Já a Lotus não tem mais tanta grana assim para fazer um bom carro, como há 3 ou 4 anos atrás, mais conseguiria desenvolver mais que a Sauber. E por estarem de motor Mercedes, mostra que o carro não é mais tudo isso. Essa é a política da F1, equipes ricas e pobres. Assim diminuem um pouco a concorrência.

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