Duelos internos: equilíbio

Williams

Massa

Bottas

Placar em classificações

6 (-0s086)

4

Placar em corridas

4

5

Voltas à frente

247

326

Porcentagem dos pontos

49.01

50.99

Quando vemos a forma como Valtteri Bottas vem sendo tratado como futura estrela da Fórmula 1, a suposição que vem logo a seguir é de que ele deve estar acabando com o companheiro de equipe no momento. E isso está longe de ser verdade, ainda que não tire seus méritos.

Bottas tem toda essa fama menos pelos resultados em si e mais por todos os sinais que dá de estar em plena acensão, junto da consistência, algo especialmente notável em corridas. Além disso, ao seu lado na Williams, tem um companheiro que sempre foi rápido quando esteve confortável com o equipamento e tranquilo em relação a sua posição dentro do time. A confiança sempre foi um fator importante na carreira de Felipe Massa e isso não lhe tem faltado neste ano. Os resultados, é claro, vêm junto, naquela que é a melhor primeira metade de ano do brasileiro desde que ele lutou pelo título em 2008.

Todos estes ingredientes fazem com que a briga interna da Williams seja a mais apertada da temporada até aqui, com Massa ligeiramente superior em classificações, retomando uma velocidade em volta lançada que sempre demonstrou na carreira e que havia ficado para trás nos últimos anos de Ferrari, e Bottas ganhando nas corridas, sua especialidade devido ao ritmo consistente e à forma certeira com que costuma atacar os rivais.

É bem verdade que a Williams acertou em diversas decisões nos últimos dois anos, desde trocar a Renault pela Mercedes até contratar Pat Symonds, mas também é de se destacar como a equilibrada dupla vem sendo importante para seu crescimento.

Force India

Hulkenberg

Perez

Placar em classificações

8 (-0s306)

2

Placar em corridas

4

4

Voltas à frente

359

192

Porcentagem dos pontos

61.54

38.46

Piloto que quer se firmar no mercado tem que superar o rápido, porém inconstante, Sergio Perez. E, descontando o início difícil para a própria Force India, é o que Nico Hulkenberg vem fazendo nas últimas provas, nas quais marcou 18 pontos, contra apenas quatro do mexicano. A briga interna da Force India só não entra no rol das lavadas pelos melhores resultados de Perez no início do ano.

É curioso ver que este período de crescimento de Hulkenberg coincide com sua vitória nas 24h de Le Mans. Até então, o alemão vinha demonstrando claros sinais de frustração, tendo passado de grande candidato a uma vaga em equipe grande a piloto esquecido no meio do pelotão. Em Mônaco, ao ser questionado pela mídia de seu país sobre qual sua meta para a prova, o piloto, de forma bastante seca, respondeu: ‘vencer’. Ele largava em 13º.

A vitória em Le Mans, claro, coincide com a melhora do rendimento da Force India, dando uma dupla injeção de ânimo – e também mais ferramentas para Hulk mostrar serviço. Vai ser interessante ver se essa briga da Force India chega no final da temporada pendendo mais para o equilíbrio ou para a lavada.

Toro Rosso

Verstappen

Sainz

Placar em classificações

4

6 (-0s184)

Placar em corridas

1

2

Voltas à frente

290

172

Porcentagem dos pontos

70.97

29,03

Antes da temporada começar, uns falavam que Verstappen não era tudo isso. Outros, que ele acabaria com Sainz. Cinco meses depois, parece que nenhuma das previsões estava correta. O holandês teve seus grandes momentos, culminando com a sobrevivência à selvageria do GP da Hungria e o quarto lugar. Mas está longe de dominar o companheiro, que vem tendo uma temporada melhor e pode dizer com segurança que só não está na frente no campeonato pelas quatro quebras que teve até aqui.

Lembro-me de ter ficado impressionada nas observações ao lado da pista em Mônaco com a Toro Rosso que tinha a câmera escura. É assim que costumo identificar os pilotos na pista, mas não me lembrava de cabeça quem usava qual cor na equipe. E era Sainz: rápido, eficiente e consistente em um circuito no qual é fácil passar do ponto.

E isso Verstappen fez algumas vezes, algo normal, menos pela idade em si e mais pela inexperiência. O saldo, contudo, é positivo e até é importante para alguém que teve uma acensão tão rápida ter trabalho dentro da própria equipe para trabalhar ainda mais duro e melhorar. Agora só falta o time melhorar a confiabilidade para dar mais chances de ambos mostrarem serviço.

McLaren

Alonso

Button

Placar em classificações

4 (-1s287)

3

Placar em corridas

2

0

Voltas à frente

178

78

Porcentagem dos pontos

64.71

35.29

Olhando os números, é difícil justificar que o duelo interno da McLaren esteja entre os equilibrados. Porém, as dificuldades que Alonso e Button tiveram com seu carro nesta primeira – e dolorosa – metade do ano tornam injusta qualquer comparação. Foram raras as vezes que ambos os pilotos puderam usar todos os sistemas a sua disposição – notadamente, o Kers, cujo uso especialmente em corridas tem sido intermitente por preocupações de confiabilidade. Isso desencadeia outros problemas, como de aquecimento de pneus e da resposta dos freios, uma vez que o Kers altera seu funcionamento.

Por outro lado, pelo menos o quesito pilotos é um com o qual a McLaren não tem do que reclamar. Ambos tiveram uma temporada limpa até aqui e só abandonaram – uma vez cada – quando foram envolvidos em acidentes causados pelos rivais. O preço, claro, que largar no meio do pelotão.

Se há alguma tendência aparecendo no duelo interno mesmo em meio às dificuldades, é a superioridade de Alonso, especialmente em corrida. Em todas as (três) vezes que a McLaren pontuou no ano, era ele quem estava na frente, só deixando de cruzar a linha de chegada em uma oportunidade, em Mônaco, por quebra.

Caso se confirme a expectativa do time de deixar de se preocupar com confiabilidade e passar a crescer em termos de desempenho na segunda metade do ano, podemos ter, enfim, um duelo mais justo entre os campeões.

15 comentários sobre “Duelos internos: equilíbio

  1. Pelo que o Massa fez nos últimos anos, creio que o Bottas que não é essas coisas.
    Talvez até seja campeão mas, naquela linha de ter um carro muito melhor que os outros e um companheiro muito fraco.
    Ou será que o Massa voltou ao ritmo de 2008? Eu achava que isso só aconteceria se voltassem àqueles pneus resistentes que permitiam acelerar forte o tempo todo, mas vai que Felipe se adaptou aos novos pneus.

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    1. Concordo com você, Augusto, talvez Bottas esteja com a fama maior que a realidade. Posso estar equivocado, mas em Silverstone eu tive a impressão que Bottas não lida bem com piso molhado, o que – em se tratando de um finlandês – é surpreendente. Quanto a Massa, depois da molada eu não arriscaria um centavo para apostar nele, pois tanto pode chegar em vigésimo como vencer. Para mim, é o piloto mais desconcertante do grid.
      Um abraço!

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      1. Aucam, já vi comparações do Massa com o Piquet em razão do acidente, acho difícil a comparação já que o Nelson continuou vencendo seus companheiros de equipe, só que não tinha carro pra disputar campeonato.

        Eu comparo o Felipe com o Berger, que fez um excelente trabalho até o GP Brasil de 1989, inclusive largando à frente do Mansell mas, na segunda corrida teve um sério acidente.
        Nunca saberemos se o austríaco seria um grande nome porém, eu creio que ele perdeu um pouco a coragem e isso tira dois ou três décimos do piloto, o que no nível da Fórmula um faz uma boa diferença.

        Quanto ao Bottas concordo com você, pode ser impressão, mas não parece ser bom de chuva.

        Abs

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      2. Bem, Augusto, permita-me lembrar-lhe que o próprio Piquet disse que NUNCA mais voltou a ser o mesmo piloto depois de seu acidente na Tamburello. Ele declarou numa entrevista que, depois disso, passou a ter necessidade de olhar as placas indicativas de metros para a frenagem, coisa que nunca fazia antes. Apesar de Mansell ser um cara muito rápido, foi visível a perda de velocidade de Piquet para Mansell. Nelson reconhece isso. Mas continuou a vencer, afinal Piquet era Piquet (para mim tão hábil naturalmente quanto Ayrton Senna – eu me impressionei com Piquet desde o tempo em que o via correr na SuperVê 1600 contra um piloto “feríssima” que também poderia ter brilhado na F 1 se tivesse participado dela: Alfredo Guaraná Menezes).

        Então, baseado no que Piquet disse, faço essa ilação: a de que depois da molada ele não voltou mais a ser o Massa de 2008, quando eu o julgava até no mesmo nível de Kimi. Mas veja, acredito que Massa circunstancialmente ainda pode ser capaz de vencer uma corrida. Por outro lado, Hakkinen, que na Austrália teve um traumatismo craniano tão forte que chegou a ser traqueostomizado na própria pista, voltou às corridas para ser bicampeão mundial. Então, cada caso é um caso, mas fortes traumas cranianos geralmente são sérios. Franchitti inclusive foi aconselhado pelos médicos a abandonar a carreira. Quanto a Berger, sempre o achei muito frio nas pistas, e provou isso fazendo uma corrida a meu ver bastante agressiva na continuação daquele trágico GP que levou Senna, não obstante toda a amizade que tinha com Ayrton.

        Abraços.

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      3. Verdade, Nelson chegou até a dizer que dali em diante correu por dinheiro. Eu me referi mais à coincidência do cara que era esperança de título e de repente passou a ser superado com folga pelo companheiro.
        Muito bem lembrado o Mika Hakkinen, o cara parece que saiu sem sequelas psicológicas daquele acidente. Acho que foi Adelaide 95.
        Abs

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  2. O Massa é um piloto mediano, dentro dos atuais. Mediano porque oscila muito, principalmente em corrida. Mas ainda é rápido, tem um bom relacionamento com a equipe e ajuda no acerto do carro. Pela atual condição da Willians, tem uma boa dupla de pilotos. O Bottas parece que pode se tornar grande, mas ainda bem inexperiente, vide Silverstone em que ficou perdido na hora da chuva. Tem que ver quando tiver carro para disputar o título.
    O Hulkemberg ou “Whokemberg” é constante e consegue bons resultados. Mas na hora do pódio, bate na trave. Ainda tenho dúvidas se seria campeão numa equipe de ponta. Já o Perez é irregular, mas tem lampejos de piloto de ponta e consegue bons resultados esporádicos. É o que falta ao Hulkemberg, somar a sua constância os lampejos do Perez.

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    1. Alexandre, somos dos poucos que não entramos naquela hipnose coletiva em relação ao Whokenberg. Hulk não é mau piloto, longe disso, mas, para quem ganhou avassaladoramente TUDO nas categorias de acesso, para mim sua trajetória na F 1 até aqui tem sido decepcionante. Eu esperava muito dele antes de estrear na F 1. Ao invés, em sua primeira temporada na F 1, ele foi tratorado por Barrichello em pontos (47 a 22). Mesmo com o patrocínio de Maldonado, a Williams – conhecida por sua sovinice com pilotos, Mansell que o diga – preferiu pagar a Barrichello, que já estava em fim de carreira, a apostar no jovem Nico, no ano seguinte. Sua pole obtida em Interlagos o foi em condições climáticas atípicas, contribuindo para aumentar expectativas que não se confirmaram nas temporadas subsequentes. Hulk tem uma pilotagem correta, CONSISTENTE, mas APENAS MORNA, não é um piloto EMPOLGANTE. Na hora de levar uma Force India ao pódio quem o fez foi Pérez, com sua pilotagem sempre apimentada. Fisichella com uma Force India quase venceu, fazendo melhor ainda que Pérez, chegando em segundo. Quando Hulk teve uma INESPERADA OPORTUNIDADE de vencer com uma Force Índia (Interlagos 2012) desperdiçou-a de maneira bisonha, cometendo um equívoco de avaliação do piso na Curva 1 e rodando numa vacilada um tanto surpreendente para quem já não era mais estreante. Quase todas as vezes em que Alonso vinha em remontada com aquela caquética Ferrari de 2014, Hulk era presa fácil dele. Hulk se assemelha muito a Nick Heidfeld, que era eficiente mas nunca conseguia e não sabia dar o pulo do gato. Como Hulk, Heidfeld foi campeão da F 3.000, antecessora da GP 2 na qual Hulk levou o título logo em sua primeira temporada.

      No entanto, eu torço para que Hulk seja o escolhido como companheiro de Vettel na Ferrari (na hipótese de ainda não estar sacramentada a contratação de Bottas). Na minha insignificante opinião, hoje, entre Bottas e Hulk eu contrataria o alemão. Seria a melhor escolha que a Ferrari poderia fazer. Seria importante ver Hulk numa equipe grande, para afastar de vez esse estigma de injustiçado e lhe dar uma oportunidade para comprovar o seu talento. Pérez já teve essa oportunidade, por exemplo, e não correspondeu (nem em velocidade pura). E Hulk teria um formidável parâmetro: Vettel. Sim, porque muitos fãs de Hulk o consideram no mesmo nível do Trio de Ouro, apenas sem carro! A vitória em Le Mans deu brilho à sua carreira, não é pouca coisa, mas a vitória do Porsche 19 não se deveu somente a Hulk, pois seu parceiro Nick Tandy literalmente voou na trilha de luz aberta pelos faróis de seu carro na escuridão da madrugada.

      Um abraço!

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      1. Por falar em trio de ouro, já imaginaram esses três na temporada de 1983.
        Alonso de Renault, Vettel de Ferrari e Hamilton de Brabham?

        Em tempo. Eu não sou saudosista chato não, mas eu vivo a sonhar com uma temporada com esses três em carros com chances reais de título e aquela de 1983 acho que foi a última.

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      2. Sim, ver esse Trio de Ouro competindo entre si com carros parelhos, igualmente competitivos, seria realmente o máximo! Corroborando esse ponto de vista que você expôs, caro Augusto, o nosso amigo Alex há alguns posts fez uma observação parecida e muito pertinente, e que lamentavelmente ocorre: com tantos expoentes nesse grid atual – em particular o Trio de Ouro – é triste ver que eles quase não se dão combate direto entre si em condições de igualdade, posto que estão sempre em carros e equipes com problemas, desnivelados na comparação de uns aos outros.

        Mas a F 1 tem dessas coisas. Nem sempre vemos o que queremos e o que seria sensacional. Agora, por exemplo, a futura HAAS está falando em Gutierrez. . . se eu apitasse alguma coisa, ela viria de Simona de Silvestro e com a experiência de um desses desempregados na F 1: Vergne, Kobayashi (sou devoto dele por suas ultrapassagens milagrosas e descomplicadas) ou Buemi (que dizem ter feito um grande trabalho no simulador da Red Bull, que ajudou muito o acerto de seus carros na fase vencedora; além do que Buemi sempre foi rápido em sua primeira temporada na Toro Rosso (na segunda ficou um pouco desmotivado) e está em grande atividade bem sucedida, na Fórmula E e no WEC).

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      3. PS: A HAAS também poderia considerar o nome de Joseph Newgarden, um novo talento da F Indy, já vitorioso, muito rápido e com experiência em carros potentes e pesados. Tem um estilo agressivo e uma pilotagem muito consistente. Seria muito interessante vê-lo na F 1. Mas vai ver que os interesses comerciais são sempre obstáculos difíceis de contornar.

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  3. Caro Aucam e amigos, acho que o Vettel vai engolir tanto o Hulk quanto o Bottas. A prova de fogo é na disputa das vitórias e do título. O Rosberg não consegui ser consistente no fim do ano passado. E é um bom piloto. Até o Ricardão, que sabe vencer, precisa ter carro para disputar o título e ter um bom desempenho, para entrar entre os acima da média. Tem que andar bem sob pressão, o que só acontece disputando o campeonato.

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    1. Alexandre, também não tenho a menor dúvida de que Vettel vai tratorar Bottas ou Hulk, caso um deles vá para a Ferrari. Não dá pra imaginar um Hulk sendo mais veloz, preciso e combativo que Vettel. Também não dá sequer pra imaginar que ambos tenham a mesma performance/habilidade que Vettel tem sob chuva, seja ela fortíssima ou fraca. E esses são apenas dois exemplos dos muitos fatores em que Vettel é muito superior aos dois, isto sem falar em experiência de vencer, liderança etc. Vettel é um piloto e um tetracampeão completo, sob qualquer circunstância.

      E você abordou uma coisa importantíssima, que diferencia um piloto: suportar a pressão de disputar um campeonato inteiro – Vettel ultrapassou essa prova de fogo em 2010 magistralmente, virando no último minuto um campeonato em que esteve sempre em desvantagem de pontos. E voltou a exibir excepcional frieza em 2012, em Interlagos, quando encarou o pelotão inteiro ao contrário logo no início! De qualquer modo, não entendo a Ferrari querer pagar um caminhão de dinheiro à Williams por Bottas quando pode contratar Hulk a um preço bem mais em conta. A Ferrari só não pode é contratar esses pilotos do programa junior dela, a começar pelo Marciello, o mais experiente, que julgo bem fracote e estabanado. Melhor deixar o Kimi. . .
      Grande abraço.

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  4. Também acho que para o papel de segundo piloto, considero o segundo piloto o cara que vai somar pontos para a equipe que já tem um grade piloto e que dificilmente será batido, melhor o Hulkemberg. É constante e não vai tumultuar o ambiente. O Bottas pode-se queimar, talvez precise de mais experiência para encarar um campeão mundial que está andando muito bem. Acabaria naturalmente relegado a segundo piloto, como está acontecendo com o Rosberg.

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