GP da Bélgica por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Será que é o que eu tô pensando?”

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Foi difícil para narradores e comentaristas esconderem a decepção com a largada abortada após tanta expectativa com o novo procedimento. Enquanto jornalistas e narradores insistiam em uma grande novidade, os ex-pilotos tinham outras ideias. “Não é que vai mudar tanto assim, porque largamos por nossas vidas inteiras”, resmungava Pedro de la Rosa na Antena 3, da Espanha.
Talvez a antecipação era tanta que os narradores tiveram dificuldades para entender o que estava acontecendo quando as luzes finalmente se apagaram. “Quem é que larga melhor? Olha o Ricciardo, lá vem o Vettel, Massa ficou um pouquinho, não quis arriscar. As Mercedes tomam a ponta. Já fez muita diferença esse sistema de largada”, disse Galvão Bueno na TV Globo, sem perceber que o carro prateado que se colocava atrás de Hamilton, em segundo, não era o de Rosberg mas, sim, de Perez. Depois, se corrigiu. “Rosberg largou parado. Já com ajuda [dos engenheiros] ele não largava bem, imagina agora por conta própria. A cola que colocou no cockpit não funcionou. Ou ele leu errado, ou estava escrito errado.”
Além de não largar bem, nas primeiras voltas Rosberg não se recuperou com a rapidez que se esperava devido à vantagem da Mercedes, como observou Martin Brundle na Sky Sports britânica. “O que me surpreende é que, depois de passar Bottas, Rosberg está demorando para chegar no Ricciardo.”
A falta de velocidade de reta da Williams também não passa despercebida. “Não consigo me conter com a ironia da Red Bull-Renault passando a Williams-Mercedes fácil na reta. Mas é claro que é tudo uma questão de arrasto aerodinâmico”, diz o comentarista britânico.
Enquanto os brasileiros também reclamam do fraco rendimento das Williams, os espanhóis lamentam que Alonso esteja perdendo posições ganhas na largada e que Sainz tenha novamente problemas técnicos em sua Toro Rosso. Alheio às falhas dos rivais, Daniel Ricciardo inaugura a primeira rodada de paradas no box ainda no final da volta 7. “É uma estratégia agressiva para fazer o undercut. Ele quer ultrapassar Perez. O poder do undercut é muito grande nesta pista. Ainda dá para fazer duas paradas, mas é arriscado”, avalia De la Rosa. Já Brundle imagina que Ricciardo deve ter tido um furo no pneu e decreta que o australiano fará três paradas, o que não acontece.
Por sua vez, Galvão se mostra confuso em relação a corrida de Massa. Quando a imagem mostra Kvyat passando o brasileiro, ele diz que eram Bottas e Grosjean. Com isso, quando vê Felipe saindo atrás do russo nas paradas, diz que foi ali que ele perdeu a posição.
Isso porque estão querendo convencê-lo a renovar por mais de uma temporada...
Isso porque estão querendo convencê-lo a renovar por mais de uma temporada…

É o repórter Ted Kravitz o primeiro a perceber um dos lances mais bizarros de toda a temporada. “Fiquem de olho em Bottas. Fiquei com a impressão de que colocaram três pneus amarelos e um branco”, alerta. A própria transmissão demora algumas voltas para perceber a confusão da Williams. “Será que é o que eu tô pensando?”, questiona Galvão ao ver os insistentes replays da parada. “Eu nunca vi um piloto sair com pneu diferente. Além de tudo vai ser punido. Acho que os comissários decidiram punir mas nem deve ter isso na regra.”

Todos concordam que não é permitido usar dois compostos de uma só vez, mas qual a punição? “Essa estratégia eu não conhecia”, brincou De la Rosa. “É desclassificação. O regulamento diz que não pode misturar.” Brundle chama a falha de “erro de garotinhos na escola” e decreta que “Bottas vai ter que trocar de novo porque isso é ilegal. É algo muito sério – e na verdade, é surpreendente que não aconteça mais vezes, especialmente quando chove. Mas eu nunca vi.”
Bastante tempo depois, sai o decreto: drive through. Isso significava que Bottas pagaria a punição e seguiria com os pneus diferentes, para a descrença de De la Rosa. “Não acredito que ele vai fazer um stint assim. Achei a punição branda demais.”
A situação também gera brincadeiras. “Será que podemos considerar que Bottas já usou os dois compostos?”, questiona Brundle, enquanto Galvão diz que o finlandês está “com três tênis e uma bota”. E o comentarista Luciano Burti emenda: “Tá desbotado o Bottas.”
Já os espanhóis começam a focar na estratégia de Vettel, ainda na volta 14, antes mesmo dele fazer o que seria sua única parada. “Será que Vettel vai tentar uma parada? É quase uma loucura. No papel, seria 10s mais lenta do que duas paradas”, informa De la Rosa.
Algumas voltas depois, um Safety Car Virtual causado pelo abandono de Daniel Ricciardo faz com que muitos pilotos decidam antecipar suas paradas, mesmo com metade da corrida pela frente. “É um bom momento para parar porque se perde menos tempo. Mas o problema é que é um pouco cedo”, avalia De la Rosa. É a mesma dúvida dos brasileiros e Burti chega a estranhar que Massa tenha saído “andando forte com esse pneu, que deve durar até o final.” Para Ted Kravitz, não há dúvidas de que os pilotos que aproveitaram o VSC vão até o fim.
Enquanto a transmissão da Globo faz uma pausa para mostrar a final dos 100m rasos no Mundial de Atletismo, espanhóis e britânicos tentam entender o que Vettel pretende. “Vettel vai fazer uma parada? Isso só faria sentido se eles tivessem certeza de que vai chover nas voltas finais”, crê De la Rosa, quase em uníssono com o narrador britânico David Croft. “Se Vettel conseguir fazer esses pneus funcionarem por mais umas 10 voltas e a chuva chegar,
será uma grande estratégia.”
Quando o alemão pede à Ferrari que considere ‘fazer uma parada a mais’, Brundle não dá atenção para a possibilidade de que a estratégia seja, com ou sem chuva, fazer somente um pit stop. “Ao mesmo tempo em que pilota, ele está cuidando da estratégia. Essa é a diferença entre os grandes e aqueles que são apenas bons”, divaga.
Na verdade, o comentarista estranha quando Hamilton pede para mudar a asa dianteira. “Ele vai parar de novo?”, questiona o comentarista. Croft faz as contas e chega à conclusão de que é impossível chegar até o final e Brundle também se convence. E só então começa a se preocupar com a estratégia da Ferrari. “É bem ousado, mas acho que eles vão deixar Vettel com uma parada. É uma decisão difícil.”
Nos boxes, Kravitz informa que “a Ferrari diz que as temperaturas mais baixas estão ajudando o pneu a durar”, enquanto De la Rosa confia no fato das “equipes terem sensores para ver a quantidade de borracha que ainda falta e, no momento, a Ferrari demonstra confiança de que vai aguentar.”
Isso, até pouco menos de duas voltas para o final. “O pneu do Vettel! O pneu do Vettel! Arrebentou o traseiro 2365direito”, berra o narrador espanhol Antonio Lobato. “Furou o pneu. Eles levaram ao limite extremo”, Galvão aproveita para usar seu bordão. “Wow, o que aconteceu ali? O pneu estourou! Aquela aposta não deu certo, o pódio é tirado de Vettel de forma dramática. Temos de dizer que é bom ver que ele seguiu na pista e não bateu”, destaca Croft.
Os britânicos não se comprometem, mas os espanhóis e brasileiros não têm dúvidas do que motivou o estouro. “É o que acontece quando se estende mais a vida do pneu do que o recomendado. Isso foi por desgaste, foi diferente de Rosberg. Foi típica de desgaste”, vê De la Rosa.
Os instantes finais ainda garantiriam alguma emoção, com Verstappen indo para cima de Raikkonen. “Que medo de chegar na Les Combes e ver que Verstappen está do seu lado”, brinca De la Rosa, mas o holandês passa da freada e é criticado por Galvão. “É moleque. Anda fazendo algumas besteiras e acabou não conseguindo fazer uma ultrapassagem que até era fácil.”
A briga era tão intensa entre o quarto e oitavo lugares que os narradores quase perderam a chegada do vencedor Hamilton. “Vitória para Hamilton – e Rosberg se conforma mais uma vez com o segundo lugar”, define Lobato. “Rosberg está vendo suas chances de título diminuírem porque, até quando Hamilton não vence, ele não consegue chegar na frente”, lembra Croft, enquanto Galvão salienta que “finalmente o Massa consegue passar na frente do Bottas no campeonato e está empatando com o Raikkonen.”
O terceiro lugar de Romain Grosjean também é destacado. “O Grosjean comemorou porque tinha que comemorar mesmo, mas ele chegou a 40s do Hamilton. É como se fossem duas corridas. Mas a briga é muito intensa, as disputas são bonitas de ver”, diz Galvão. “Há anos esse cara sempre é perguntado sobre a mesma coisa quando chega aqui, o acidente que causou. Fico feliz que ano que vem vamos falar sobre este pódio”, lembra Croft.
A estratégia da Ferrari, claro, também é assunto durante o pódio. “Vettel poderia ter tido uma estratégia incrível. Foi arriscado, mas foi muito bom. Ficaram a uma volta de um pódio largando em oitavo”, avalia De la Rosa, enquanto Brundle vê um erro da Scuderia porque “o próprio Vettel estava questionando a equipe se não era melhor parar.”
Por fim, resta reconhecer a supremacia de Hamilton em meio a pneus trocados ou estourados. “O semblante de Lewis mostra como ele tem toda a certeza de que vai bater o companheiro”, observa Brundle. E Galvão resume a situação da temporada após 11 etapas: “O nome da F-1 é Lewis Hamilton. Rosberg não parece ter neste momento talento ou forças para lutar com ele, que caminha firme em busca do tricampeonato.”

7 comentários sobre “GP da Bélgica por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Será que é o que eu tô pensando?”

  1. São fantásticas mesmo.
    Acho que a Ferrari apostou na chuva. O prejuízo era pequeno se não chovesse (10 segundos).
    Em outro post eu havia comentado do estouro do pneu, pois na minha lembrança de uma corrida no Canadá anos atrás onde o piloto (acho que foi o Alonso) ficava bastante lento nas voltas finais, mas sem estouro, porém o De La Rosa garantiu que foi o desgaste quem provocou o rasgo.

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  2. Achei estranho que, brasileiros e espanhóis tenham achado normal um pneu mais gasto estourar e não perder desempenho. Nem parece que ganham para isso. É como se estivessem numa festa com a televisão passando a corrida e é no bate papo fazem alguns comentários, sem prestar muita atenção no que acontece.

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  3. Lembro do Raikkonen na China, acho que no primeiro ano em que estava na Lotus. Perdeu rendimento por causa do desgaste do pneu e despencou na classificação, sem estouro. Se não me engano, não foi o único piloto, mas do Raikkonen tenho certeza hehe.
    Abraços.

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  4. O comentarista do Sport TV, a quem me refiro por ‘Luto Cavalgante’, previu o que aconteceria com os pneus de Vettel.
    Em geral esse senhor nos presenteia com shows de arrogância e uma voz de timbre fúnebre, mas dessa dessa vez, por incrível que pareça acertou.

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