GP da Itália por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Que bizarro”

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Depois da animada primeira experiência da nova largada em Spa, narradores e comentaristas tentam antecipar o que pode acontecer nos metros iniciais em Monza. Na Sky Sports, os ingleses destacam as posições perdidas por ambos os pilotos das Mercedes nas últimas etapas, enquanto Reginaldo Leme, na Globo, lembra que os brasileiros estão no lado limpo e Nasr tem um pneu novo para largar. Pedro de la Rosa, na Antena 3, contudo, não vê vantagem. “Aqui o lado limpo o sujo não é o mais importante. Você tem que largar e logo se colocar atrás de algum carro para aproveitar o vácuo.”

É o que Vettel tenta fazer com Hamilton, sem sucesso, enquanto companheiro fica parado no grid. “Raikkonen fica parado, fica parado! Vettel se coloca no vácuo de Hamilton, Massa aparece em terceiro e Rosberg largou mal de novo”, narra Antonio Lobato para a Espanha. “Como a felicidade de Kim durou pouco. Ele vinha vivendo o melhor final de semana desde muito tempo”, lamenta. “Massa vem por fora e fica com a terceira posição. Toque não houve, mas muita gente passou por fora. Nasr está em oitavo, largando muito bem. Parar um carro naquela circunstância é um perigo danado!”, exclama Luis Roberto. “Nunca fiquei parado, mas para mim foi pior. Uma vez o Schumacher ficou parado, eu vinha no embalo e bati e voei. Foi isso que me veio à mente”, testemunha Luciano Burti.

A alegria de Nasr também dura pouco. O brasileiro teve um pneu furado, ainda que Burti tenha visto a asa quebrada. “Na verdade, foi o Felipe que deixou a asa dianteira trocar na traseira do Maldonado”, garante o ex-piloto da F-1.

No replay, os comentaristas têm visões diferentes sobre o que aconteceu com Raikkonen. “Deu para ver que foi o anti stall que ligou no carro do Kimi”, se limita a dizer Burti. “O mapa de embreagem (algo que não pode ser mudado) era tão agressivo que o motor entendeu que ia parar e ligou o anti stall”, explica De la Rosa, enquanto Martin Brundle observa que “ele estava olhando para o volante. Parece que ele dormiu no ponto.”

O inglês lamenta a má largada pensando em como a Ferrari poderia ameaçar Hamilton. “O ruim para a Ferrari é que eles certamente iam dividir estratégias e fazer um dos dois entrar cedo no box para forçar a Mercedes a reagir. Era a melhor chance deles.” Vendo um amplo domínio desde as primeiras voltas, De la Rosa chega a brincar. “Desse jeito vai poder fazer duas paradas e voltar em primeiro.”

Enquanto isso, nas disputas pelas últimas posições, as Toro Rosso superam as McLaren com facilidade, gerando comentários irônicos, ainda mais depois que o chefe da Honda afirmou que seu motor era mais forte que o da Renault. “É isso que estou vendo? Um motor Renault passando um Honda? Deve ser o DRS”, diz Brundle. “Button sabe que está disputando uma corrida de cachorros com uma tartaruga e não faz sentido lutar”, compara Lobato.

Na briga pelo quarto lugar, Rosberg não consegue passar Bottas pois, toda vez que se aproxima, seus freios se superaquecem. “O Rosberg sabe que precisa sair daí logo. Ele segue alucinado para cima do Bottas!”, se empolga Luis Roberto, mas Reginaldo avisa que “não é bom para Felipe que ele consiga passar”. Afinal, o brasileiro está logo à frente dos dois.

Assim que a janela de pit stops abre, na volta 18, a Mercedes ‘resolve’ o problema de seu piloto e o para antes das Williams. Em um primeiro momento, Brundle é cético quanto à manobra. “Vamos descobrir se o undercut funciona aqui. E o que a Williams vai fazer? Eles vão responder?”, questiona. Mas Burti se preocupa imediatamente: “É uma estratégia inteligente, porque eles estão tentando andar rápido e passar o Bottas. Só esperamos que ele não consiga chegar no Massa também. O correto é chamar primeiro o Massa e depois o Bottas porque é quase certo que o Bottas vai perder a posição, então tem que garantir a do Massa.” Os espanhóis estão no comercial.

image2.img.640.mediumA equipe até tenta fazer o que o comentarista aponta, mas não é suficiente e Massa volta atrás de Rosberg, que ganha duas posições em uma tacada só. Tendo voltado do comercial, De la Rosa avalia a jogada. “Foi perfeito o undercut e pegou a Williams no contrapé, foi uma boa jogada da Mercedes, que não podia ficar atrás porque superaquecia seus freios. A Williams reagiu bem, mas a volta de retorno à pista de Rosberg foi sensacional.”

Brundle também aponta a primeira volta de Rosberg com os pneus novos – 1s6 mais rápida que a de Massa, com os usados – como o principal motivo para o undercut ter funcionado, mas os brasileiros focam no tempo de parada, meio segundo mais lento no caso de Massa, como o motivo da perda de posição. “A parada do Bottas foi até pior. É um trabalho em equipe e a equipe está precisando treinar mais os pit stops”, observa Burti.

O último momento de ‘ação’ da rodada única de pit stops foi a derrapada de Roberto Merhi, com a Manor, quase enchendo a traseira de Kimi Raikkonen quando os dois entravam para fazer suas paradas. “Só falta o cara querer ser rápido na entrada dos boxes com um carro que está completamente fora da disputa”, critica Burti. Mas os outros comentaristas veem o quase acidente por outra ótica. “Minha pergunta é: onde Kimi freou? Ele tinha que ter ido até o limite, assim como fez Roberto”, diz De la Rosa. “Kimi parecia estar lento demais… foi muito cauteloso. E Merhi também não parecia esperar encontrar a Ferrari estacionada lá”, observa Brundle.

Outro que chama a atenção é Verstappen, que faz grande ultrapassagem sobre Nasr. “Esse menino não entende o significado de compostura”, narra David Croft. “Não daria nada por Verstappen porque achei que ele ia passar reto, mas ele conseguiu. Que espetáculo é vê-lo na pista, como é agressivo.”

Os narradores e comentaristas já começavam sua tradicional mandinga especulando o que poderia tirar uma vitória de Hamilton – a não ser Brundle, que evita até comentar quando Croft lhe pergunta se “vivemos a era Hamilton na F-1” porque “é melhor não falar essas coisas antes da bandeira quadriculada – quando uma série de mensagens via rádio ao líder da prova intriga os profissionais: “aumente o ritmo e não pergunte o porquê. Depois nós explicaremos.”

E Hamilton responde na pista. “Ele disse oba, é tudo o que eu quero!”, acredita Luis Roberto, enquanto Croft tem uma versão diferente. “Pela primeira vez na vida, Lewis queria ir mais devagar.”

A primeira reação de todos é achar que Hamilton terá de passar pelos boxes e por isso a equipe pede para que ele abra em relação a Vettel. Mas parar para quê? “Abrir uma distância? O que eles estão pensando? Em um furo ou algo do tipo? Que bizarro”, questiona Brundle. “Só pode ser para um pitstop. Mas não pode ser algo no motor, senão não diriam para ele acelerar”, acredita o repórter Ted Kravitz. “É algo que eles conseguem ver na telemetria.”Niki-Lauda-Toto-Wolff-F1-Grand-Prix-Malaysia-BlQSJDON9fsx-750x501

De la Rosa também não sabe no que apostar. “É misterioso. Ele deve ter algum problema e vai ter que parar. Deve estar relacionado com pneus, porque não faria sentido pedir para acelerar se fosse um problema no motor.” Mas é questionado por Lobato. “Não pode ser com os pneus, senão não conseguiria ir tão rápido. Não consigo entender, se fosse um problema no pneu era melhor pedir para diminuir o ritmo e ir até o fim, porque a corrida está nas últimas voltas.”

O estouro no motor de Rosberg, a duas voltas do fim, poderia ser uma dica, para os brasileiros. “Pode ser que seja esse o problema do Hamilton, porque eles tiveram questões com o motor”, lembra Burti, enquanto Croft foca em como a quebra afeta o campeonato. “O motor que ele estava usando desde o Canadá não aguentou. Será que o campeonato acabou assim como a vida útil de seu motor?”

Chega a última volta e nada de Hamilton entrar nos boxes. “Disseram na Mercedes que Lewis não vai precisar parar de novo. Seja o que for que tenha acontecido, está tudo bem agora”, informa Kravitz, enquanto De la Rosa começa a resolver a charada. “Está acontecendo algo muito estranho e não estamos entendendo nada. Ele tem alguma punição que eu não estou sabendo?”

A prova ainda guardaria emoção para os instantes finais, com a pressão de Bottas sobre Massa pela última posição no pódio. E Croft não acredita que a Williams liberou a disputa interna: “Se foram dadas ordens na Williams, Bottas está desobedecendo-as!” Mas o brasileiro se segura na frente e é elogiado pelos compatriotas. “Muito bom o trabalho do Massa. Andar com pneu gasto em Monza é muito difícil porque você não tem confiança nas freadas”, destaca Burti.

Na frente, Hamilton já havia cruzado com “vitória com susto incluído”, como narra Lobato, enquanto Croft se atrapalha e diz que o inglês “igualou Stirling Moss ao vencer em Monza por mais de duas equipes”, algo impossível para quem só defendeu dois times na carreira na F-1. Após a bandeirada, Brundle começa a mirar no alvo certo: “Estou pensando… será que não seria uma punição? Talvez pressão ou temperatura de pneus?”

Quando os pilotos ainda estão na antessala do pódio, os espanhóis informam que há uma investigação a respeito da pressão dos pneus. “O tamanho da sanção vai depender dos comissários, mas poderia ser de 25s à exclusão”, explica De la Rosa. Os brasileiros sequer citam a investigação, enquanto os ingleses esperam a cerimônia do pódio acabar e entram com Kravitz entrevistando Paddy Lowe, diretor técnico da Mercedes, e confirmando o imbróglio que demoraria algumas horas para ser resolvido.

8 comentários sobre “GP da Itália por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Que bizarro”

  1. Impressionante o déficit de qualidade da transmissão brasileira no caso da pressão dos pneus.

    Mas como temso acesso à informação pela internet, isso já não faz tanta diferença. tanto que antigamente costumava acompanhar a transmissão desde o início (os parcos 15 min), mas hoje me limito a ligar a TV no exato momento da volta de apresentação.

    A informação que temos aqui e em outros sites é de muito melhor qualidade do que o que temos na TV.

    Mas isso nem é restrito a transmissões esportivas. Acabei de ver rapidinho na Globo News uma chamada pra manifestação de taxistas em SP contra o Uber – parece que a assembléia estava com o assunto em alguma comissão ou votação – e a matéria se limitou a falar que as ruas e o transito estava parado, que era um transtorno para a população, e que mais taxistas estavam chegando. Nenhuma informação sobre o que estava realmente acontecendo da assembléia, quais eram as perspectivas de regulação do aplicativo, ou mesmo explicando o porque da briga uber x taxistas.

    Julianne, seus colegas da grande mídia são uma decepção. E pensar que antigamente não tinhamos as fontes independentes de informação e análise…

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  2. Julianne, em outro tópico eu havia mostrado de onde baseei meus comentários a respeito do suposto erro da FIA em usar critérios diferentes na F-1 e na GP2. Pelo menos é o que se podia deduzir, pelos comentários publicados em sites de automobilismo brasileiros. Infelizmente não saiu minha postagem mas em todo o caso, fico no aguardo novas e possivelmente mais esclarecedoras informações sobre o caso.

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      1. Grande Julianne! Este seu blog éh o melhor pelo motivo que vc sempre buscar informar-bem aos seus “clientes” ou seja os seus leitores. Vida longa Julianne!!!

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  3. Obrigado pelo post das transmissões, que é bem trabalhoso. Pena não contamos com você nas transmissões da tv. Mas, como disse o Pedro, a internet resolve.

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  4. Meu Deus. …que diferença monstruosa na transmissão! Até gosto do Burti mas ele estava totalmente perdido desde sábado quando esqueceu da troca de motor do Rosberg….Agora a FIA tem que colocar essa regra de pressão dos pneus sem brechas. Completa ela dona FIA fiquei 3h com celular ligado acompanhando o desfecho. …

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